Vinte Linhas 435

«À sombra das árvores mortas» no Príncipe Real

O título é dum romance de Mário Ventura. Ontem das 21 às 23 horas na Faculdade de Ciências de Lisboa realizou-se um encontro de um grupo de pessoas à volta do tema «Que futuro para o jardim do Príncipe Real». Embora tenham sido convidados, não estiveram presentes os Drs. António Costa e José Sá Fernandes da CML, o Eng.º Amândio Torres da Autoridade Florestal e o Dr. Gonçalo Couceiro do IGESPAR. Foi dolorosa esta ausência mas tem lógica: a CML agiu neste caso como uma «Quadrilha selvagem», só obteve parecer favorável do IGESPAR em 30-11-2009 quando a destruição já estava consumada desde 24-11-2009 e nunca referiu «árvores» à Autoridade Florestal mas apenas e só «piso». Por outro lado todas as intervenções no raio de 50 metros à volta das árvores classificadas necessitam de parecer da AFN e, neste caso, ainda não há parecer. Foi projectada uma cópia de um relatório camarário de Janeiro de 2009 a referir o estado «razoável» das árvores do jardim. O abate de 46-49-54 árvores (ninguém sabe ao certo) foi ilegal e desrespeitou o espaço – as árvores e as pessoas. Uma requalificação a haver seria uma substituição gradual e não violenta além de que é impossível estarem doentes todas as árvores abatidas. O vereador na Junta de Freguesia referiu 6 árvores no interior do jardim quando são 9. Por outro lado um biólogo presente na sala referiu que a sombra das árvores abatidas em série faz falta não só às pessoas mas também às outras árvores. O «piso» é outro problema: no antigo jardim de S. Pedro de Alcântara (hoje miradouro) substituíram o empedrado por saibro e no Verão o pó que o vento levanta entra nas chávenas de café dos incautos turistas.

8 thoughts on “Vinte Linhas 435”

  1. Mas segundo Raul Lino tem a ver com a herança árabe do Norte de Africa – eles olham para as árvores como lugar onde o inimigo se pode esconder. Daí o ódio às árvores…

  2. É uma tristeza, estão a destruir tudo de bom que os nossos antepassados fizeram, e, nada fazem de novo.

    Estão a destruir a memória das nossas cidades e a memória dos nossos tempos de juventude.

    Talvez o futuro sejam umas árvorezinhas de plástico, que até parecem feitas de poliéster (risos). Estou a parafrasear o saudoso Artur Semedo.

    Não sei se o « epifenómeno » é localizado (tem uma única raiz) ou se é transversal (ao Bloco Central PS – PPD, alargado ao CDS).

    Falando por experiência própria, sei que os grandes responsáveis pela destruição dos jardins públicos na minha cidade, foram os socialistas.

    Tudo aconteceu no tempo da gestão da dupla Fernando Gomes/Eng.º Nuno Cardoso.

    Nuno Cardoso (independente-socialista) deixa-me rir, fez barbaridades aqui na minha cidade. O despautério chegou ao ponto de dizer isto “Querem verde, vão para o campo”.

    Todos os melhores jardins que a cidade tinha, foram “requalificados”.
    Requalificado é um eufemismo para DESQUALIFICADOS, E DESTRUIDOS.

    AGORA TEMOS JARDINS DE CIMENTO !

    E porquê?

    NEGÓCIOS OBSCUROS, e, nem tanto assim.

    Vejamos:

    Os jardins públicos, são espaços comuns (que em princípio são de todos, isto é património colectivo, mas que não são de ninguém em particular) muito apetecíveis, porquanto escasseando os locais onde construir, « há que preparar as condições para a sua progressiva degradação (pelo abandono) » tendo em mente a « justificação » de que « não têm razão de ser » e que como tal terão muito melhor aproveitamento como centros comerciais, « equipamentos colectivos » ou parques de estacionamento (que não se compadecem com raízes de árvores).

    Fernando Gomes, mandou construir no Palácio de Cristal, um parque de estacionamento subterrâneo (alguns velhos plátanos foram para os madeireiros).
    O parque é propriedade dele.
    Curiosmente ou não, logo a seguir, um artigo (o último do Código) foi acrescentado ao antigo Código da Contribuição Autárquica, dizendo ” Os parques de estacionamento ficam isentos de Contribuição Autárquica por 25 anos “.
    Como o parque é dele, Uma mina de dinheiro!

    Aquando das obras do Porto 2001 cidade da cultura, os jardins foram, ou pura e simplesmente extintos (árvores arrancadas e jardins eliminados) ou requalificados eufemismos para desqualificados, descaracterizados, e destruídos).

    O espaço foi também reduzido, com a cimentação (conceito de JARDINS DE PEDRA, ou JARDINS DE CIMENTO).
    Esse foi o primeiro passo (a preparar o caminho).
    O segundo passo lógico, será, já que estão assim, agora mais vale construir ali qualquer coisa que seja digna de se ver, e mandar o jardim para o galheiro.

    Canteiros com flores não existem mais. Todas as árvores de grande porte foram abatidas, e em seu lugar plantadas árvores liliputianas (de porte muito pequeno, nem sequer Camélias plantam).

    Existe um trio (Siza Vieira, Souto Moura e Alcino Soutinho) que têm aversão a árvores, e a flores, nada de jardins ou mesmo meros canteiros pequenos com flores. Por onde eles passam, fica apenas cimento e pedra.

    Também há Bragaparques (interesses na área dos parques de estacionamento).
    O que estes sujeitos fizeram no Hospital de S. João foi de bradar aos Céus!
    Apropriaram-se de uma larguíssima porção de terreno do Hospital (com a inerente destruição da mancha verde) edificaram para benefício deles próprios, uma empresa privada, e ainda arrancaram um contrato ao hospital, em que este, lhes paga uma renda !!!

    E depois claro, os interesses do Nobre Guedes na área do lixo. Nos locais onde dantes existiam pequenos jardins (alguns belíssimos) foram colocados pontos de recolha de lixos (imundos, infectos, mal-cheirosos, pestilentas fontes de infestação de ratos e bicharada e de irradiação de doenças, especialmente no Verão). Raramente são limpos e desinfectados. Essa manutenção devia ser diária, melhor, pelos menos duas vezes por dia, mas isso não é feito.

    A baixa da cidade, principalmente junto á Câmara da cidade, isto é, área da Praça General Humberto Delgado, Avenida dos Aliados e avenida da Liberdade, parece uma eira.
    Retiraram as belas pedras de várias cores, (pavimento decorado) e puseram umas míseras pedras cinzentas.
    Nem uma árvore digna desse nome, e os jardins sumiram.
    O piso é horrível para caminhar, e afasta os transeuntes.
    Isso é bom negócio para os empreiteiros (todos os anos têm que consertar pedras soltas).
    Piso mal assente e muito irregular. Um convite para andar pelo meio da rua, que aí pelo menos, o peão tem um piso plano e decente.
    O cinzento da pedra da calçada, é uma tristeza (acentua o cinzentismo da cidade, que se tornou mais saturnina).
    A antiga calçada (com pedra branca, bege, e algum cinza ou mesmo negro, pouco, mas pouca, em que o branco predominava) conferiam uma beleza, que desapareceu.
    Para onde foi essa pedra?
    Lisboa (Chiado)? Espanha?

    Tenho para mim, que tudo começou no tempo do Cavaco (1986 e 1987).
    A mania da « extinção dos organismos desnecessários », alegadamente, por razões economicistas, levou é extinção de muitos organismos camarários, e mesmo centrais (estes zelavam pela supervisão da manutenção e cuidados das árvores a nível nacional, ordenamento florestal, prevenção de incêndios – caso dos extintos guardas florestais, etc.).
    Em lugar de uns 10 cantoneiros (que desempenhavam uma função útil por conseguinte, eram necessários) e de uns 10 jardineiros (que cuidavam dos ajardinamentos da cidade, e que portanto, eram úteis) foram admitidos, não 20 mas para aí uns 100 engenheiros, que pouco ou nada fazem, e portanto são inúteis (ocupam gabinetes nas autarquias e lêm os jornais, e isso é quando lá estão).
    Bela poupança cavaquista: o gasto com 10 cantoneiros e 10 jardineiros (que seria por exemplo 100) foi substituído pelos gasto com 80 a 100 engenheiros (que ganham no conjunto, 1.000.000 !

    Por causa da merda dessa dupla Fernando Gomes-Nuno Cardoso, nunca mais na vida, até eu morrer, o partido socialista terá um voto meu !

    E por causa dessa merda desse Cavaco, é que o país está como está !

    O mais notável de isto tudo, é que esses estupores arruínam o espaço público verde citadino (património comum) mas para uso PRÓPRIO E ESCLUSIVO DELES, edificam belas moradias, rodeadas de belas e aprazíveis zonas verdes!
    SINTOMÁTICO!

  3. Passei hoje no Príncipe Real e acho que não fazem lá falta nenhuma aquelas 38 árvores todas iguais e feiíssimas que, por fora, tapavam o verdadeiro jardim centenário da vista dos passantes. O jardim vai ficar muito melhor depois da requalificação. Os cães ladram e a caravana passa.

  4. feiíssimas? Como é possível achar árvores feias?

    seja como fôr não se percebe porque é que um processo que havia de ser exemplar foi e é todo feito às três pancadas. Ou melhor, se se percebe não se gosta.

  5. Esre falso «principe« só pode ser um empregado da CML daqueles que andam a dizer que as árvores estavam doentes – doentes estão eles…

  6. Concordo, esse «principe« deve ser funcionário «camarário«, melhor dizendo «alto-quadro« tipo, Técnico Principal, LOL e tem interesses na matéria (talvez ele tenha que fazer qualquer coisa de vez em quando, – nem que seja para estragar -, e isso, claro, para para justificar o emprego que tem, e o bom ordenado que ganha).

    Na maioria dos casos, a «doença das árvores de grande porte» tem um nome, chama-se ganância, e, de um modo geral, tal mal vem por debaixo da terra (construção de parques de estacionamento e túneis de metro).

    Também pode ser porque um lamechas-merdoso qualquer, que não tem mais em que ocupar a vida, se lembra de meter requerimento e mover influencias para que lhe tirem as árvores de perto da casa, porque elas lhe entopem as caleiras (as folhas).

    Outras vezes chama-se estupidez, da parte do funcionário «(i)-respopnsável«
    que passa o tempo, ocioso, no gabinete da autarquia.
    Como não tem nada que fazer e é desprovido de ideias, lembra-se de destruir o que outros construíram antes dele. E pensa que isso se chama mudança.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.