Vinte Linhas 303

Saudação de Natal a Marta

Feliz Natal Marta! Lembras-te quando éramos nós os primeiros a chegar? Eu vinha de uma cidade distante mas chegava primeiro, sempre cedo. Tu vinhas de uma vila próxima e banhada pelo mesmo rio que passava frente ao nosso escritório. O teu pai destinava-te tarefas transparentes, repetitivas, obscuras e afastadas do protagonismo. Eu dava os primeiros passos numa segunda vida de trabalho depois de trinta anos noutro espaço e noutro lugar. Às vezes chovia, às vezes o vento assobiava nas janelas daquele escritório e nós dava-mos início ao dia de trabalho com um sorriso que era construído pela paciência dos dois, pela ideia pouco explícita mas concreta de que estávamos a construir um novo dia onde se procurava negar a monotonia. Ás vezes eu percebia que nos teus olhos magoados havia uma ideia: o teu pai exigia muito de ti. Outras vezes eram as sequelas de uma doença recente que te empurravam para a tristeza e davam relevo à tua fragilidade. Nessas horas da manhã nós éramos os náufragos do tempo hostil que nos coube viver. Ás vezes falava-te da minha filha com um nome igual ao teu e das suas opiniões sobre tudo e sobre todos. A tua homónima é hoje uma jovem arquitecta à procura de um lugar de afirmação no seu espaço e no seu mundo. Nesse tempo eu já sabia que a vida não é fácil porque os pais e os filhos não nascem para serem amigos mas sim para serem apenas pais e filhos. Neste postal de Boas Festas diferente quero mandar-te, Marta, os meus votos de que continues todas as manhãs a construir esse sorriso teimoso e determinado fazendo de cada dia não uma monótona repetição mas a descoberta e a aventura de quem (como tu) sabe que o seu lugar no Mundo é próprio, exclusivo e irrepetível. Feliz Natal Marta!

9 thoughts on “Vinte Linhas 303”

  1. Burro és tu, pobre de espírito, burro de arlequim – que são os mais pobres e tristes. E não és «carteiro» coisa nenhuma, trambolho. Se queres ser respeitado, respeita os outros. Se não sabes ler, aprende. Vai às novas oportunidades, pode ser que haja um formador para asnos.

  2. Se há aqui alguém enganado (seja no endereço seja no resto) é o falso carteiro e a falsa Marta. Eu escrevi um texto, vocês leram e, das duas uma, ou não perceberam ou querem armar macacada. Comigo não contem. Vai tudo a toque de caixa…

  3. jcfrancisco,

    não quero armar macacada, mas como se tem estado a falar muito de gralhas farsolas e assim era só para dizer que não se escreve “dava-mos início”, mas sim dávamos início.
    Over :)

  4. Isso é outra conversa, cometi um erro crasso. Mas não tem a ver com as parvoíces dos outros aí acima. Over. Diga se entendido correcto, escuto.

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