Vinte Linhas 437

O Nobel da Paz para Barack Obama ou a memória de Panduru

O absurdo que constitui a atribuição de um prémio internacional (o Nobel da Paz) ao presidente dos EUA no momento, quase em cima do momento, em que ele acaba de reforçar a aposta militar no Afeganistão com mais 30 mil soldados americanos a caminho do Oriente, lembrou-me uma situação muito curiosa por mim vivida nos anos 80 no meu local de trabalho. O presidente foi premiado por aquilo que se espera que ele faça e eu fui preterido numa promoção porque era preciso dar ânimo a um «rapaz» que por sistema faltava ao trabalho umas vezes na sexta e outras na segunda-feira. Fazia sempre fins-de-semana prolongados mas era considerado recuperável e precisava de estímulo. Para ele ser estimulado eu não podia ser promovido. Uma questão de vagas por cada secção e por cada departamento. Isso me foi explicado por um «rapaz» do meu tempo que era director e que gostava de falar comigo sobre temas do futebol. Como benfiquista ferrenho, esse «rapaz» perguntava-me muitas vezes o que pensava eu da qualidade de futebolista do romeno Panduru. «Percebe-se que tem escola mas nada nem ninguém nos garante que consiga a integração» – era isto mais ou menos que eu dizia à porta do seu gabinete. Outro «rapaz» do meu tempo era o meu chefe de secção que em diálogo com o director, bem apertado por este, lá desembuchou essa história da promoção como estímulo em vez da promoção como prémio. Já morreram dois – o «rapaz» director e o «rapaz» promovido. O outro anda por aí e deu em tratar a neta por «você». Nunca recuperou e está a enlouquecer lentamente pelos jardins da cidade que a «quadrilha selvagem» da CML ainda não destruiu.

5 thoughts on “Vinte Linhas 437”

  1. Parece que o estímulo está a funcionar. Obama acabou de incluir mais de trinta milhões de americanos no sistema de saúde. Não é fácil contabilizar o número de vidas que se salvarão com esta medida histórica, é mais fácil contar o número de americanos mortos nas guerras…

  2. Foste preterido pelo rapaz benfiquista, suprema humilhação, se calhar porque não merecias ser promovido, e ele, mesmo faltando, merecia. Foi a desculpa amiga que te deram. Mas metes sempre a clubite em tudo. É a grande conspiração do Benfica contra ti.

    Sobre Barack Obama também não dás uma para a caixa. O facto que alegas é falso. Estuda melhor a cronologia do caso. Esse “no momento, quase em cima do momento” é uma falácia, não sei se conheces o termo. Quanto tempo mediou entre a atribuição do Prémio Nobel da Paz e a (posterior) decisão de reforçar o contingente americano no Afeganistão? Cinco minutos, cinco dias, cinco semanas? Obama não é um pacifista de bocas, como tu, é o chefe da maior potência num mundo cheio de idiotas dispostos a comer 70 virgens no céu, idiotas que antigamente eram treinados nesse país.

    E da (anterior) decisão de Obama de não levar avante o cerco da Rússia com mísseis, não dizes nada?

  3. É possível, Ze Manel, mas esse lapso de trocar o fim dos anos 80 com o principio dos anos 90 não altera nada de substancial no texto. Já me reformei há 13 anos, é natural que esses numeros estejam algo diluídos mas o essencial da história e da sua moral permanecem. Já nesse tempo havia premios de «estímulo»…

  4. Quanto ao falso salgueirista além do mais é burro a ler: não lê o que lá está. Quem era benfiquista ferrenho era o rapaz director não o rapaz promovido. Esse não tinha clube. Mas que tivesse. O essencial da questão era promover alguém com estimulo não como prémio. Como o caso do Obama.

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