Um livro por semana 158

«Sobressalto e Espanto» de Violante F. Magalhães

Vergílio Ferreira, Manuel da Fonseca, Soeiro Pereira Gomes e Alves Redol são autores neo-realistas de romances e contos com protagonistas infantis e juvenis. «Vagão J», «Aldeia Nova», «Esteiros» e «Fanga» são quatro exemplos que podemos alargar a «O fogo e as cinzas», «Refúgio perdido» ou «Constantino, guardador de vacas e de sonhos» : «O menino guardador de vacas representa, afinal, a situação de todas as crianças de uma mesma classe social. Recorde-se que à data da saída de Constantino a escolarização tinha-se finalmente generalizado entre a população infantil portuguesa, pelo que, naturalmente, uma escrita engagée privilegiaria agora a denúncia de realidades escolares que fossem menos favoráveis às crianças. Por isso, em Constantino são ainda criticadas as condições em que essa escolaridade era praticada.» Trata-se de um ensaio, foi antes uma tese de doutoramento mas lê-se como uma ficção. Aqui as personagens são os livros. Por exemplo «Esteiros» e os seus quatro rapazes («Gaitinhas, Gineto, Sagui e Maquineta») ou então «Fanga» («Há nos campos da Golegã / grandes milhos e trigais / p´ra fartar os lavradores / enquanto os pobres dão ais») ou ainda «O fogo e as cinzas» («O Largo era a melhor escola das crianças. Aí aprendiam as artes ouvindo os mestres artífices, olhando os seus gestos graves. Ou aprendiam a ser valentes ou bêbados ou vagabundos») ou também «Constantino, guardador e vacas e de sonhos»: «Se perdes outro ano, acabou-se o ofício… Vais saber o custo da galé… A vida não passa de uma galé para quem nasceu pobre.»

(Editora: Campo da Comunicação, Capa: Rui Pereira, Fotos: Alves Redol e Firmino Canejo, Apoios: Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas, Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo e Fundação para a Ciência e a Tecnologia)

2 thoughts on “Um livro por semana 158”

  1. Li o “Constantino” aí com uns 6, 7 anos como parte do meu programa de aculturação literária à língua portuguesa (coisa imposta pela Mãe) e, de todos os livros sensaborões que li na altura (“A Cidade e as Serras”, imagine-se), este li com um prazer imenso. Ainda hoje recordo com carinho os dias dessa leitura num Verão enorme e amarelo de luz.

  2. li todos, sabes, mas ainda hoje, volta e meia, desfolho o esteiros que foi um dos primeiros que li e mais me marcou. afinal, continuam a ser tantos os meninos que não chegaram a ser crianças. actualíssimo. :-)

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