O futebol é um laboratório de psicossociologia das organizações. Na aparência apenas uma actividade lúdica, na realidade a tentativa de dominar a complexidade dos grupos na produção de bens e serviços. Visto assim, cada jogo é uma aula com ensinamentos que podemos aplicar noutras áreas da actividade humana. Contra o Rio Ave, o Sporting ofereceu três lições:
– Um indivíduo pode condicionar o destino de todo o grupo. Foi o que provou Caicedo quando se recusou a marcar o golo da vitória. Qualquer outro jogador teria chutado a bola para dentro de uma baliza que estava escancarada a 1 metro de distância. Não Caicedo, que optou por manifestar o seu desagrado face ao actual comando técnico da equipa, assim repetindo o protesto que já tinha exibido no jogo com o Marítimo.
– O sucesso está nos detalhes. A evidência é a de que João Moutinho está a ser desperdiçado como médio direito, quando o seu potencial de abertura e distribuição de jogo pede que jogue a médio defensivo. Depois a questão de saber onde jogaria Veloso, ou sequer se jogaria, não passaria de um detalhe.
– Uma organização depende dos seus princípios para se desenvolver. Por princípio, Vukcevic não deve ser substituído em caso algum, mesmo que se lesione. Porque a qualquer momento fará uma jogada genial. No caso de ser substituído ao intervalo, e logo por uma nulidade indescritível chamada Angulo, a violação dos princípios atinge foros de escândalo ético.
Estas foram as lições que uma equipa de meio da tabela ofertou no campo do Rio Ave. Novos ensinamentos esperam o estudioso do trabalho colectivo caso continue a seguir o Sporting, com especial enfoque na temática da reengenharia.


