Arquivo da Categoria: Valupi

Bengaladas nos conhecidos

O João Távora disponibilizou-se galhardamente para um encontro comigo e ele ocorreu hoje a meio da manhã, não muito longe do Marquês de Pombal. Esgrimimos as nossas bengalas e descobrimos que a argumentação respectiva, de facto, era coxa ou fraca das canetas, pelo que concordámos em discordar. Ganhei um café e uma boa conversa à conta da sua gentileza.

Há uma onda de irracionalidade, se não for atitude intencional, nas acusações de anonimato dirigidas a pseudónimos ou, quiçá, pseudo-pseudónimos. O anonimato é a situação em que alguém se furta à identificação, não a situação em que alguém se torna famoso num dado grupo precisamente por ter expressado facetas da sua identidade de forma constante, coerente e acessível à interacção com terceiros. Usando o meu caso como exemplo, é aberrante descrever como anónimo quem é identificado pela assinatura, pelo blogue, pela escrita, pelos testemunhos de terceiros e pelos dados biográficos revelados. Sem mais informações identificadoras, em que é que se distingue o pseudónimo de dois nomes próprios que poderão ser de dezenas ou centenas de pessoas? E qual o problema de se fazer reserva de identidade, ou ser discreto, num canal de comunicação que é privado, como o são os blogues? Acima de tudo, estamos no campo da deslealdade e do insulto quando se fazem acusações de carácter sem ter previamente tentado contactar o suposto anónimo em causa para lhe pedir informações relativas à sua identidade. Isso é o equivalente a andar pelas ruas a chamar anónimo a quem passa.
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O longo braço da máfia socrática

O SIMplex foi elogiado pela ONU. Não, não se trata do famigerado blogue, mas também com ele se relaciona, afinal. É que isto anda tudo ligado. Aparentemente, o Governo de Sócrates não se limita a levar o País à bancarrota enquanto enche os bolsos aos amigos, tese que tem sido amplamente divulgada pela oposição e comunicação social não situacionista, igualmente lhe dá para levar a cabo reformas e lutar por uma sociedade inovadora. Este aspecto marginal de uma actividade que é essencialmente corrupta e corruptora, esta bizarra preocupação com o futuro da população por parte de quem saca milhões e milhões para as suas contas na estranja, aparece agoira realçado pela ONU, vejam só o desplante a que se chega.

Qualquer dia teremos investigadores a estudar este forma tão pouco lusitana de roubar o Estado, a qual passa por fazer reformas na Segurança Social, Saúde, Educação, pela política de energia vanguardista, pelo investimento na ciência e na tecnologia, pelo integral respeito da liberdade de expressão até ao ponto de se suportarem sucessivas vagas de assassinato de carácter como nunca antes se tinha visto fazer em Portugal.

Estes corruptos do Governo e do PS são muita burros, fosga-se.

Queiroz quântico

Queiroz reúne várias características que só se explicam através dos conceitos fundamentais da física quântica. De facto, ele não é nem um bom treinador, nem um mau treinador, mas as duas coisas ao mesmo tempo. É um bom treinador porque fez milagres na formação em Portugal e conseguiu ser campeão do Mundo com uns miúdos. Esse balanço inicial na sua carreira levou-o para grandes clubes, sendo a longa permanência no Manchester a prova de que tem qualidades para treinar as melhores equipas internacionais – pelo menos, em situação de complementaridade com uma liderança técnica. Não é um bom treinador porque tem fracassado nesse lugar por onde tem passado, incluindo no presente cargo de seleccionador nacional. O apuramento para o Mundial foi um inesperado sofrimento, tanto pelos maus resultados como pela qualidade do futebol. O jogo com a Costa do Marfim, anunciado como o mais importante dos 3 com meses de distância, aquele que teria de ser ganho obrigatoriamente, revelou uma equipa que não perdeu por acaso e que não sabia atacar. E os jogos com a Coreia do Norte e o Brasil deram para todas as opiniões.

Estamos em presença, pois, de várias facetas da mecânica quântica: a dualidade partícula-onda, o entrelaçamento e o princípio da incerteza. São boas notícias para o Portugal-Espanha, um jogo que estaríamos condenados a perder no paradigma da física clássica.

Cenário, por agora, impossível

Alegre está em grande forma e numa situação ainda melhor do que em 2006: tem um Cavaco debilitado pela frente, sem se vislumbrar qual possa ser a sua estratégia de recuperação da credibilidade. A oratória tonitruante e vácua do bardo chega e sobeja para um incumbente que deixa uma Presidência desastrada, mesmo indigna, para os registos da História. Qualquer coisa que Cavaco faça ou diga, não faça ou não diga, se poderá facilmente virar contra si, tamanha a sua perda de sentido de Estado, isenção partidária e ligação à comunidade.

Não aparecendo outro candidato agregador, a erosão que Alegre e Cavaco causam no centro vai reforçar Nobre. Caso este se convença de que não lhe interessa passar por Madre Teresa de Calculará, e se deixe da retórica do seu passado para assumir a visão do nosso futuro, poderíamos chegar a um ponto em que passassem à 2ª volta Alegre e… Nobre. Seria o pesadelo de Alegre.

Cenário impossível, por agora. Mas não impensável.

Para além de cobarde, serei gay?

Dou por mim a fugir de encontros com gajas boas como o milho transgénico, ou até melhores, e a tentar marcar blind dates com marmanjos a transbordar de testosterona. Se não for gay, sou a vergonha da heterossexualidade nacional. E cá estou para mais um convite a um cidadão que declara querer conhecer-me na intimidade.

João Távora, manda-me um email com o local, o dia e a hora dessa sessão de bengaladas. Levarei o BI no bolso, fica descansado, juntamente com o número de contribuinte e o NIB. Só te peço que – antes ou depois de começares à bengalada, escolhe a sequência que mais te agradar – me expliques a parte do conspurca a blogosfera. Será que leste no Aspirina B algum autor a violar a correspondência privada, a difamar dezenas de ex-colegas de escrita e a caluniar indivíduos, famílias e relações pessoais? Se sim, depois não te esqueças de me dizer quem foi o pulha que fez isso, por favor, para ver se descubro quem foi o pulha que o permitiu.

Vamos a elas, Távora.

Primeira parte parva, segunda parte cínica

Só vamos descobrir o que é esta Selecção no próximo jogo. Até lá, vou ficar à espera que me respondam: existe alguma forma de convencer os jogadores de que não vale a pena questionar as decisões do árbitro, antes se arriscam a prejudicar toda a equipa se o fizerem? É um dos maiores enigmas do futebol esta insistência numa atitude que só em jogos da Distrital, com vândalos de calhaus na mão junto ao pelado, resulta.

Tudo vale a pena, ó Tabosa

Percebi. Valupi não é, de facto ninguém. É apenas uma palavra que esconde um ou vários seres que não têm a coragem de revelar a sua identidade obscura, o que é compreensível se formos lá ao sítio dele(s) ler as postas laudatórias ao ‘chefe máximo’. Um gang, portanto. A forma reles como a(s) criatura(s) se expressa(m) apenas confirma que pertence à escola do ‘porreiro,pá!’
Por mim, sempre soube que essa corporação que serve o poder socialista não tinha carácter. Nem para dar o nome.
‘Valupi’ é, pois, qual Polifemo, um bruto que dá pelo nome de ‘ninguém’.
A vossa festa está, no entanto, a chegar ao fim. 6 anitos de valupis levaram Portugal à miserável situação actual.
E nem a porcaria do nome deram…
Finalmente, como explicar que, para aceitar o repto do blogger anónimo, teria de me encontrar com ‘ninguém’?
Não vale, de facto a pena.

Rui Crull Tabosa


*

Enquanto o Zelig da bloga fez de economista hiperactivo e se limitou a arquivar emails, andava com a malta do PS. Depois, quando começou a violar a confiança e a correspondência de todos quantos apanhou na rede, abraçou-se ao Mascarenhas e ao Tabosa. De vendido passou a herói. E foi aclamado. Similia Similibus.

Tabosa, tu que aprovas a exposição de correspondência alheia, podias convencer o teu amigo Carlos Santos a publicar os emails que trocou comigo em Janeiro deste ano, poucos dias antes de ter ido para os jornais soltar a franga. Já lho pedi há uns dias, mas ele deve ter esquecido e julga que ainda estão sob segredo de Justiça. Vais gostar do material. Ele diz coisas tão giras.

Quanto a nós, relê a Mensagem. E toma os comprimidos. Se não sabes de que comprimidos estou a falar, marca a consulta.

Inquérito à comissão de inquérito

Comecemos pelo fim: quem for intelectualmente honesto, quer saber como se chegou ao ponto de votar conclusões risíveis. Dizer que o Governo sabia do negócio por este ter sido noticiado na imprensa no dia anterior ao debate no Parlamento talvez não justificasse a existência de uma comissão de inquérito. Talvez, vamos pois supor. Dizer que a PT queria mudar a linha editorial da TVI através da contratação de Moniz fica como exemplo da política-Tarot: lança-se uma carta e fala-se do que apetecer. E dizer que o Governo interveio no negócio por nada ter feito, primeiro, e por ter reagido à desvairada intervenção dos partidos e do Presidente da República nesse mesmo negócio, depois, é de um nível de estupidez que ameaça ficar sem ser ultrapassado nos próximos 900 anos.

Não por acaso, os tontinhos que foram para a Assembleia durante a hora de almoço, movidos a toque de escutas e violação do Estado de direito, calaram-se assim que a Comissão de Ética passou a exibir os números circenses dos asfixiados. Calaram-se bem caladinhos, não voltaram a tocar no assunto tamanha a falta de vergonha e deboche a que se chegou no Parlamento. Com a CPI foi igual, não piaram. A única esperança era o Pacheco Pereira, esse exemplo de probidade. O deputado-espião encontrou matéria avassaladora no que releu, e anunciou que o Governo devia ser demitido e entregue à Judiciária. Como não foi ouvido, nem sequer no seu partido, esperemos que ele próprio divulgue as escutas e vá até às últimas consequências. A Política de Verdade a isso obriga.

PSD e BE quiseram esta comissão de inquérito para desgastar Sócrates e, dependendo das agendas políticas respectivas, ter pretextos para jogadas parlamentares. Acabam a votar um relatório que apaga as declarações dos principais responsáveis por todo o negócio: Bava, Granadeiro e Polanco.

A Assembleia da República viveu um dos seus piores momentos, conclui o cidadão.

E para ti?

Uma feliz sequência de três textos bondosos – ingénuos, nesse sentido da generosidade e do engenho, o oposto do cinismo – permite a rara oportunidade de enaltecer a política:

Da necessidade de ideologias políticas e outra vez o voto – Fernando Nobre
Isabel Moreira

A cartilha.
Tomás Vasques

« Nem realpolitik, nem irrealpolitik, mas politik, pf.»
Inês de Medeiros

Estamos perante três facetas de uma mesma compreensão. Para os autores, e para muitos de nós, a intervenção política ocorre num contexto de complexidade intelectual e de ambiguidade ideológica, sem rótulos evidentes. Seja no acto de votar ou apenas de vocalizar uma opinião. E uma das maiores dificuldades consiste na polissemia, na fluidez dos conceitos e confusão dos discursos, onde não se cultiva a análise e a reflexão na ânsia feroz de obter anuências. Por isso, estes três textos escritos para a partilha informal, inerentemente humildes e genuínos, dão a pensar. Enquanto a Isabel reclama uma definição ideológica, a Inês abjura-a. Pelo meio, o Tomás assume o ramalhete das correntes e designações e passa-lhe uma fita rubra à volta. Mas todos estão a expressar um sentimento de pertença a um espaço comum, imune aos tribalismos e receptivo à surpresa.

O que me interessa, e encanta, neste território é a sua fragilidade, por ver nela a condição necessária para o crescimento cívico, político e pessoal. Os soldados à esquerda desta esquerda não podem conviver com dúvidas, o seu treino é religioso e violento. Tomaram conta da História, conhecem as suas leis, têm a casa cheia de livros que os deixam dormir descansados. Obviamente, não suportam esta gente. À direita, os cavalheiros de indústria que conhecem por experiência própria as delícias do capital, e a facilidade com que ele compra convicções e honorabilidades, exibem sorrisos condescendentes e paternalistas perante o lirismo. Obviamente, não suportam esta gente.

Para mim, esta é a minha gente. Uma gente que não sabe a que mundo veio parar, mas que dá o seu melhor para descobrir o que fazer com a liberdade.