Queiroz quântico

Queiroz reúne várias características que só se explicam através dos conceitos fundamentais da física quântica. De facto, ele não é nem um bom treinador, nem um mau treinador, mas as duas coisas ao mesmo tempo. É um bom treinador porque fez milagres na formação em Portugal e conseguiu ser campeão do Mundo com uns miúdos. Esse balanço inicial na sua carreira levou-o para grandes clubes, sendo a longa permanência no Manchester a prova de que tem qualidades para treinar as melhores equipas internacionais – pelo menos, em situação de complementaridade com uma liderança técnica. Não é um bom treinador porque tem fracassado nesse lugar por onde tem passado, incluindo no presente cargo de seleccionador nacional. O apuramento para o Mundial foi um inesperado sofrimento, tanto pelos maus resultados como pela qualidade do futebol. O jogo com a Costa do Marfim, anunciado como o mais importante dos 3 com meses de distância, aquele que teria de ser ganho obrigatoriamente, revelou uma equipa que não perdeu por acaso e que não sabia atacar. E os jogos com a Coreia do Norte e o Brasil deram para todas as opiniões.

Estamos em presença, pois, de várias facetas da mecânica quântica: a dualidade partícula-onda, o entrelaçamento e o princípio da incerteza. São boas notícias para o Portugal-Espanha, um jogo que estaríamos condenados a perder no paradigma da física clássica.

6 thoughts on “Queiroz quântico”

  1. Belo texto! Vocês lusitanos de fa(c)to apresentam um português muito poético. Acho lindo, tanto que na literatura contemporânea, o que fazemos no Brasil fica quase (esteticamente) imperceptível, graças ao estilo elegante com que vocês se reportam às palavras das frases. Ah, e sobre o tema, Queiroz é um brilhante treinador (ou como vocês dizem, seleccionador)! Vejo como grande trunfo da Seleção Portuguesa a presença dele ali. Contra Brasil, sobretudo, a disposição tática de Portugal foi exemplar. E, divergindo das opiniões corriqueiras (tanto aí quanto aqui), não acho o elenco português tão recheado de bons jogadores. Apenas Cristiano destoa dos boleiros na média. Aliás, esse é craque (em Portugal, “craque” de bola tem igual aplicação comum, ou outro termo é mais usual?), esse é fera, joga muita bola. Já o restante do time é feito de bons jogadores (H. Almeida, Pepe, Ricardo Carvalho, Deco, Simão Sabrosa e Coentrão) e outros tantos comuns (Liédson, por exemplo, apesar de já ter defendido o Bahia, o Corinthians e o Flamengo, nunca esteve entre os destaques nas memórias recentes dos torcedores). Nem é preciso usar o Manchester como garantia: pelo que armou taticamente nesta Copa com a Seleção de Portugal, Carlos Queiroz se mostrou um dos melhores técnicos de futebol em atividade. Inclusive, cairia MUIO BEM no meu Palmeiras, caso não tivéssemos contratado o Felipão, rs.

  2. Então estamos muito melhor: mais vale termos uma equipa aparentemente unida, moralizada e confiante para defrontar a Espanha à base de teorias quânticas do que iludida com cabeças de alho no balneário para afastar maus agoiros ou Senhoras do Caravaggio como pontas de lança.

    Como é de futebol que falamos, faz muito mais sentido a incerteza do resultado do que a convicção absoluta que no Euro 2004 podíamos ter jogado quinze vezes contra a Grécia para perdermos sempre por um. ; )

  3. Queiroz será sempre o eterno adjunto. Um treinador que se preze tem de ter uma presença tão notável que faça com que a prioridade principal do jogador seja agradar ao treinador. Se esse espírito de alastrar pela equipa, passa solidifica-se uma harmonia de jogo que se vai mecanizando. Neste caso, Queiroz não marca presença, não tem carisma e os jogadores representam a Selecção “porque sim”. Não há rigor, não há garra nos jogos de Portugal e poucos jogadores vivem o fervor dos jogos.
    Destaco também, pela negativa, a constante influência que os árbitros estão a ter no desenrolar das partidas do Campeonato do Mundo. A recusa da FIFA em recorrer às novas tecnologias só revelam arrogância, egoísmo e presunção por parte do órgão máximo do futebol mundial.

  4. Excelente post! A medida da enorme qualidade de Queiroz e’, como muito bem apontou o tra.quinas, a transicao das cabecas de alho para o aproveitamento mais ou menos optimizado dos mais variados efeitos quanticos, com a tactica delineada por Queiroz a revelar-se tao eficaz por combinar as relacoes classicas de causa e efeito –e.g. quando se chuta bem na bola, ela vai para o local certo (tactica classica, elevada ao grau da mais elaborada sofisticacao pela Espanha, seguindo-se imediatamente o Brasil e Deus meu ate’ a Alemanha) –, com os mais recentes avancos relacionados com os efeitos de “quantum entanglement” e tendo inclusive’ generalizado este ultimo das escalas atomico-moleculares (desenvolvidas nos laboratorios de fisica) para o mundo macroscopico levando a uma combinacao de efeitos nao-locais e a-causais ( transcendendo mesmo as fronteiras de um jogo apenas, quem sabe quantos dos sete golos ‘a Coreia nao poderao revelar-se quanticamente preciosos nos jogos que se seguem, por que raio pensam que os gajos andavam para ali a marcar golo atras de golo?) e vao levar ‘a mais completa desorientacao a equipa espanhola (e as outras que se seguirao, visto que ainda nenhuma delas, nem respectivos laboratorios nacionais associados, conseguiu quebrar o enguico classico que limita os efeitos quanticos a fenomenos microscopicos).

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