Arquivo da Categoria: Valupi

Sim, o inglês faz muita falta

Same-Sex Marriage Debate Has Roots Going Back Centuries

People Who Are Trusting Are Better At Detecting Liars

Painkiller Eases Emotional Pain Too

The internet: is it changing the way we think?

Happy Employees May Be the Key to Success for Organizations

Tropical Glaciers in Indonesia May Disappear by the End of the Decade

Surviving Domestic Abuse

Only children not so lonely

Men more likely to cheat on women with bigger paychecks, study says

Poll: Women Would Give Up Sex to Not Gain Weight

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Entre o visível e o invisível passa uma linha divisória. Uma sequência de pontos, prontos. Mónadas. E dentro de cada mónada está um carrinho de supermercado encostado à parede. Aquela. Como? Se calhar, ainda não calhou. Ainda não o viste, andas com os olhinhos no ar. Confundiste bolhas de sabão com mónadas, sua cabeça de sabonete. Hã? Claro que tens boa desculpa, essa de não haver duas mónadas iguais. Se houvesse, lá se ia a linha para o galheiro. O visível e o invisível perderiam a compostura, misturavam-se, era uma salgalhada. Péssimo para a tensão, mas favorável à tença. Mesmo assim, ali está o carrinho de supermercado. Suportando a realidade sem se queixar. Ali naquela mónada. Presta atenção.

Imitar o visível é fácil, expressar o invisível é comum. Andamos a fazê-lo há dezenas de milhares de anos nos locais mais esconsos e insalubres, incluindo livros e salões de talha dourada. Chega. Já. Precisamos do que não é visível nem invisível, essa ausência de espaço onde moram todos os infinitos e ainda sobram lugares à mesa para as visitas. Com os infinitos, é inevitável: o aborrecimento não tem fim. São as visitas que animam o banquete, porque estão de passagem. E porque trazem carrinhos de supermercado. Cheios.

Aquela fotografia tem um objecto visível escondido atrás de seres invisíveis — disse eu. Disse-lhe mais — Não é ausência o que retratas. É o fulgurante momento em que estamos a chegar. O eco da nossa esperança. O ribombar do tempo.

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Para o meu amigo Tomaz Hipólito

David Blanco

Para além de ser um craque, para além de ser galego, para além de ter igualado Marco Chagas em vitórias na Volta a Portugal, é de uma simpatia e humildade que já não se usam e até baralham o espectador. Este anti-herói justifica que se volte a sentir aquela alegria parva que encantou os nossos pais e avós, e tantos outros que são hoje avós e pais, quando largavam tudo para irem a correr ver passar os ciclistas.

Não é que esses tempos fossem melhores, mas havia gente com mais pedalada.

A melhor equipa do Mundo

«Tenho a melhor equipa do Mundo já hoje. Temos um grupo com qualidade acima da média no nosso campeonato», afirmou Paulo Sérgio em conferência de imprensa, numa análise à Liga e à questão de saber se sente que tem as mesmas armas dos rivais.

Fonte

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Estas declarações de Paulo Sérgio não são exageradas. Não resultam de perturbação emocional causada por um animado almoço ou por ter visto um ovni encarnado a sobrevoar Alcochete em direcção à Academia. Nada disso. O que se passa é muito mais simples: ele pensa mesmo que está a treinar a melhor equipa do Mundo. Estamos perante um tipo honesto.

Daí a necessidade de tirar conclusões da derrota com o Paços de Ferreira. Se o Sporting exibe um futebol de merda depois de meses de treinos e jogos, se aquilo que se vê não passa de um tratado de estupidez colectiva e individual, então uma de duas coisas há a fazer nos próximos dias, sem esperar pela segunda jornada:

Contratar Rui Vitória, treinador do Paços. Ganhou à melhor equipa do Mundo com uma equipa de meio da tabela, os lugares estão trocados. Que Paulo Sérgio vá treinar para a Mata Real, uma toponímia adequada à sua auto-estima e objectividade. Ainda por cima, Rui Vitória passou 4 épocas no Fátima, o que significa que é o único treinador nacional com mística suficiente para enfrentar Jesus. E já regista um milagre no currículo: eliminou o Porto na Taça em 2007. Levar os jogadores leoninos a perceberem como se desloca uma bola até à baliza adversária parece possível com este homem cujo nome é um destino de grandezas.

Despedir Paulo Sérgio e não contratar novo treinador. Os treinos passariam a ser dirigidos pelos adeptos. Quem quisesse, inscrevia-se e passava a poder treinar a equipa durante a semana. Se ganhasse, continuava a treinar para o próximo jogo. Se perdesse, saía e dava o lugar ao adepto seguinte na lista de inscrição. No caso de empate, seria decidida a sua permanência através de moeda ao ar.

Qualquer destas soluções não irá prejudicar o actual estado da equipa. Podemos bater o recorde da chicotada psicológica mais rápida sem correr o risco de voltar a perder o 1º jogo deste campeonato. As melhores equipas do Mundo, e daí a sua qualidade e classe, têm níveis mínimos que não se permitem ultrapassar.

Peças do puzzle

O Miguel disponibiliza um texto de António Pinto Ribeiro que elabora sobre a decadência do Pacheco. Novidade? Não, mas mais uma peça do puzzle da falência da direita portuguesa, a qual tem estado entregue ao refugo dos arrivistas, aos narcisistas de feira, aos megalómanos pançudos, aos biltres engravatados e aos catastrofistas que andaram na escola primária com o Matusalém. O fel que esguicham é directamente proporcional à impotência onde se afogam.

Uma grande desgraça

Henrique Raposo pegou num estudo relativo a um programa estatal romeno de apoio à aquisição de computadores para crianças cujas famílias têm baixos recursos económicos e resolveu excomungar o “Magalhães”, again and again. Nestas ocasiões, fico sempre cheio de curiosidade: quanto é que recebe do Expresso para fazer estes números circenses? Porque ele é pago, certo? Qualquer valor acima dos três euros por peça já me parece um balúrdio. Mas vamos à coisa:

– O estudo regista benefícios no plano cognitivo para as crianças em resultado da interacção com o computador.

– O estudo regista competências e conhecimentos computacionais nas crianças resultantes da interacção com o computador.

– O estudo constata a importância decisiva do meio – família, pais ou encarregados de educação – para anular eventuais disfunções no aproveitamento escolar.

Estes aspectos foram manhosamente ignorados. Porquê? Que leva figuras com amplificação mediática a dizerem que o Sol até mete frio só para pisarem os pequenos computadores dados aos pequenos portugueses? A ancestral inveja. E também o perene medo. Como pertencem a uma pseudo-direita, a qual se serve da marca para vender peixe podre, têm medo da democracia. Ora, a democracia é tão forte quanto a força intelectual de cada um dos seus membros. A democracia é o sistema político mais complexo, logo o mais difícil de realizar e manter, por carecer de sociedades com altos níveis de instrução e/ou funda educação. Ao distribuir computadores pelas famílias mais pobres – e vamos esquecer a desonestidade intelectual, ou iliteracia, da extrapolação da realidade romena para criticar o Governo português – está-se a dar a muitos uma oportunidade acrescida de sucesso escolar e social. Naturalmente, quem delira que nasceu para barão não gosta de ver o povo nessas andanças da inteligência. O povo é castiço e suportável apenas quando baixa a cabeça e pede desculpa aos senhores doutores, o resto é feio e cheira mal.

Nicholas Negroponte, um estúpido que não chega aos calcanhares do Raposo, é uma das maiores causas de insucesso escolar no Planeta – conclui a nossa pseudo-direita, essa grande desgraça.

Estado de guerra

Não ignoro a provável desvairada complexidade, ou mesmo impossibilidade, legal da questão, mas o maior absurdo português em matéria de defesa nacional é a ausência das Forças Armadas na prevenção e combate aos fogos ao longo de todo o ano e como parte da sua missão. Não só o Exército poderia limpar as florestas e multiplicar os postos de vigia na época de incêndios, como dispõe de equipamento de engenharia e segurança capaz de controlar as zonas afectadas e facilitar o trânsito de bombeiros e serviços médicos – a que se juntam as unidades de pára-quedistas, ideais para intervenções urgentes e em zonas inacessíveis aos veículos. Tal como a Força Aérea poderia ser decisiva para o patrulhamento, tanto utilizando aparelhos pilotados como de voo automático equipados com sensores e câmaras. É possível, cruzando dados de satélites com os da vigilância local, ter Portugal coberto permanentemente com uma malha de informação que reduza drasticamente o tempo para a chegada das primeiras equipas de combate aos fogos.

Outro fenómeno que poderia suscitar trabalho dos académicos e investigadores sociais é o dos incendiários psicóticos. Importa saber se a patologia é estatisticamente mais elevada em Portugal do que noutros países similares. E importa ter uma intervenção contínua na antecipação e dissuasão desse comportamento.

Leituras:

Exército quer “orientações claras e objectivas” nos incêndios

Militares vão vigiar serra de Santa Luzia

Detidos mais dois homens por suspeita de fogo posto

PJ reforça equipas de investigação aos incêndios

Dias da rádio

Devido a uma falha técnica qualquer, não foi possível ouvir na Internet uma edição do Encontros com o Património que me encantou especialmente, já de Julho do ano passado. Mas aqui o pilas batalhou, melgou os amigos da TSF ao longo do tempo, e recebeu recentemente um simpático email da Teresa Alves com a excelente notícia: já podíamos voltar a Angra do Heroísmo, a meio caminho de chegarmos ao Brasil.

Assinar ou assassinar

As testemunhas abonatórias de Vítor Magalhães e António Paes Faria não terão dificuldade em encontrar as suas assinaturas nesta declaração conjunta com Cândida Almeida. O que recoloca a questão no seu ponto inicial: a decisão de incluir as 27 perguntas a Sócrates no despacho, assim como a invocação do argumento da falta de tempo para as efectuar, são, em si mesmos, actos irregulares ou ilegítimos. Que tal tenha sido feito com autorização de Cândida Almeida, eis algo que não vai ser a comunicação social a conseguir explicar. Continuamos a precisar de assinaturas.

São as assinaturas que nos salvam, são os boatos que nos assassinam.

Charco

Primeiro, promiscuidade e perversão

Depois, caladinha, chiu

Agora, promiscuidade e perversão, take two

Fernanda Câncio mandou uma pedrada no charco. O charco é o Público, onde Cerejo se fez assistente do Ministério Público para continuar uma cruzada. O resultado da sua actividade promete: ainda podemos vir a descobrir que os titulares do processo assinaram um despacho de acusação, ao fim de seis anos de investigação, em que concluem não terem encontrado indícios suficientes para acusar quem quer que fosse pela prática dos crimes de corrupção, tráfico de influência, branqueamento de capitais ou financiamento partidário ilegal no processo de licenciamento do centro comercial Freeport, em Alcochete.

Alice

O número 2 desta revista digital dedicada à cultura da criatividade – logo, à criatividade da cultura – continua a ser publicado todas as semanas, quais pedaços de chocolate. O mais recente artigo é a apresentação do áudio-livro Alexandre O´Neill Dito por Sinde Filipe, pela mão e ouvido de Maria João Freitas.

Oiçam lá do O’Neill.

A corda

Os roteiros estavam feitos, os actores sabiam de cor e salteado as falas de que foram incumbidos. Mal se soube que o despacho do MP tinha poupado José Sócrates no caso Freeport (e todos aqueles com responsabilidades públicas à data dos factos) foi o próprio a dar o mote – na alocução ao país de 28 de Julho, quando disse esperar que aquela fosse “a última vez que falava no assunto”-, Sócrates disparou o tiro de partida para uma operação político-mediática bem urdida cujos efeitos se pretendiam estender para além do Verão.

Carlos Abreu Amorim

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Assim abre um texto que é paradigmático da crise da direita portuguesa e sua falência intelectual e ética. Repare-se no sofisma: haveria um plano montado pelos poderosos e terríveis socráticos para lançar uma campanha de vitimização, mas a qual foi logo por água abaixo porque… eles nem sequer conheciam o que constava no despacho… Esta contradição, de tão básica e vinda de quem vem, é linda. Entende-se ainda melhor à luz da reacção de Mário Crespo no próprio dia em que se publicaram as conclusões da investigação. Crespo, num espaço pseudo-jornalístico, afirmou à boca cheia que Sócrates devia ter conhecimento ilícito do teor do despacho por ter feito uma declaração onde manifestava o seu alívio pelo fim da suspeição que sobre ele pendia há anos. A calúnia como espasmo que se lança em soberba impunidade é a marca desta direita decadente a que pertence Carlos Abreu Amorim. E o que diz do Procurador-Geral da República segue a mesmíssima lógica, apodando de incompetência o que começa, objectivamente, por ser independência da investigação, não interferência da hierarquia máxima e delegação de poderes nos responsáveis. De resto, foi ordenado um inquérito, o que irá aumentar a transparência do caso.

O combate político pode gerar monstros de impiedade. Não ter empatia pelo sofrimento que o Freeport causa nos alvos de suspeições só se explica pela convicção de culpa associada à bestialidade. Para quem ataca Sócrates por se congratular com a notícia de que o seu nome deixava de estar relacionado com as fases seguintes de um processo judicial, o apuramento da verdade é algo desnecessário. O que os seus inimigos e os aproveitadores mediáticos disseram é que conta, chega e sobra. O mesmo para as reacções da comunidade, onde os Carlos Abreu Amorim da triste cena publicista só conseguem detectar marionetas. O cinismo é tal que vivem num mundo onde apenas reconhecem liberdade, vontade, carácter – portanto, natureza humana – a quem pensa como eles. É um mundo tóxico, sulfúrico, asfixiado.

A civilização também se fez contra esta turbamulta desembestada. Estes são os mesmos que sempre preferiram fazer justiça ao pé das árvores, e ainda não acordaram.