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Da falta de juízo dos nossos juízes

Por motivos de limitações orçamentais, que me foram assinaladas, tomei a decisão de entregar ao Sr. Secretário Geral do TCIC, o telemóvel de serviço que me estava confiado a partir de hoje dia 9-03 de 2011. Oportunamente indicarei um telefone pessoal para contacto. Obrigado. Carlos Alexandre

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O presidente da Associação Sindical dos Juízes (ASJP) comentou esta manhã na TSF a decisão do magistrado Carlos Alexandre de entregar o seu telemóvel de serviço devido a «limitações orçamentais» no plafond.

António Martins considera que esta decisão terá consequências graves nos direitos das pessoas que precisam da intervenção deste juiz e classifica de «mesquinha e cega» a atitude do Ministério da Justiça.

«Pode ter consequências graves para os direitos e liberdades das pessoas porque um juiz com competência nacional tem que estar disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, e se não puder ser contactado por esse facto poderá haver atrasos na apreciação de qualquer caso submetido à sua decisão», sublinhou António Martins.

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O responsável pela Direcção Geral de Administração da Justiça (DGAJ) garantiu hoje que não houve qualquer alteração no plafond de 15 euros atribuído ao telemóvel de serviço do juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), Carlos Alexandre.

Pedro Lima Gonçalves disse à agência Lusa que, em Fevereiro de 2010, foi celebrado um contrato entre a DGAJ e uma operadora de telecomunicações e que desde aí “não houve qualquer alteração no plafond de 15 euros”.

Nessa altura, adiantou, foi entregue um telemóvel com plafond de 15 euros ao secretário Geraldo TCIC, um às varas criminais e outro a um procurador do Ministério Público.

“Em Fevereiro de 2010 foi entregue um telemóvel à secretária do TCIC e até agora foi usado sempre nos mesmos moldes. O telemóvel foi entregue para as diligências externas. Desde aí não houve nenhuma alteração, ou redução, não limitou nada”, explicou.

O director da DGAJ desconhece as razões do juiz CarlosAlexandre para gravar uma mensagem do telemóvel e não tem qualquer comunicação do magistrado sobre o assunto, nem o secretário do TCIC.

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Caso tivéssemos imprensa em Portugal, algum jornalista, pelo menos um, não descansaria até conseguir sacar do hipertenso António Martins uma qualquer linha argumentativa, que até nem carecia de obedecer à lógica, onde se detalhasse o modo como a livre decisão do juiz Carlos Alexandre – ao abdicar de um telemóvel que lhe foi oferecido com um certo valor de chamadas grátis por mês – pode acabar por ter consequências graves para os direitos e liberdades das pessoas. É que se o conseguirmos provar, mesmo que aos nossos olhos leigos pareça missão impossível, apanhamos o gajo.

Grandes momentos no comício do pior Presidente da República desde a implantação da mesma

A direita entrou abúlica mas foi aquecendo até ao imprevisto êxtase colectivo. Não contava com o turbilhão de emoções que a esperava nessa tarde de indelével memória. E assim se mostrava sonolenta quando o orador se elevou na tribuna. A cada linha que passava, porém, a temperatura subia. Sentia-se algo novo no ar, uma daquelas energias com que se fundam as nações ou se derretem serviços Vista Alegre contra as paredes de uma inocente cozinha. E começaram, devagarinho, a soltar-se os muito bem. De seguida, vieram os bravo. E, logo depois, os olé. Porque as palavras de ordem jorravam imparáveis no hemiciclo, enchiam de pundonor as hostes sequiosas e feridas. O espectáculo era não só original nos e em 100 anos da República, era também de arrebimbomalho. Já fervendo, Portas ria à gargalhada e tentava abraçar alguém. A Linha Maginot na bancada do PSD exibia-se marejada na comoção, os peitos arfavam. Havia um estupor concomitantemente agitado e lânguido por tanta felicidade. E depois veio aquele tal momento, genial e divinal, em que o orador exigiu que as nomeações para a Administração Pública fossem pautadas exclusivamente por critérios de mérito e não pela filiação partidária dos nomeados ou pelas suas simpatias políticas. Aqui a plateia e balcões simpatizantes explodiram em júbilo. Voavam cartolas e tiaras, à mistura com letras de câmbio e guias de restaurantes. Finalmente, fazia-se justiça naquela casa e diziam-se as verdades: os do mérito estavam impedidos de ir ao pote, o Reino tinha sido tomado pelas mãos sujas dos piolhosos. Algo tinha de ser feito, urgentemente.

Rápido, todos à Avenida da Liberdade neste sábado. – teve ainda tempo de berrar o orador – É que nós somos a geração da direita à rasca!

Contra todos os riscos

António José Seguro aplaudiu o comício de Cavaco. Questionado a respeito, justificou-se com este formalismo: tratava-se de saudar o discurso do Presidente da República do seu país. O que lhe valeu o seboso elogio do Crespo: É uma belíssima explicação. E realçou a substantiva diferença: há cinco anos, aplaudiu de pé; agora, aplaudiu sentado.

Será então de prever, quando o Presidente da República do seu país levar para um novo máximo a hipocrisia e irresponsabilidade exibidas na tomada de posse, que Seguro se mande ao chão para continuar a aplaudir.

Grandes verdades no comício do pior Presidente da República desde a implantação da mesma

É altura dos Portugueses despertarem da letargia em que têm vivido […]

Grande verdade. Só a junção de várias, tremendas, demoníacas letargias explica a reeleição de Cavaco depois de ter faltado aos seus deveres constitucionais e ter tentado alterar os resultados de actos eleitorais, para além de em nada ter contribuído para a resolução dos problemas do País, antes tendo sido um foco de instabilidade e conspiração.

Não a esta oposição

Ignoro que critérios levam à publicação de segmentos do Jornal das Nove, o tempo de antena de Mário Crespo aos dias de semana – embora não devam ser tão esconsos e tortuosos como aqueles que levam o Porto Canal a não publicar todos, todos, todos os programas do desopilante Sexualidade, Afectos e Máscaras, no que devia ser considerado gestão danosa – mas sei que não encontro o Frente a Frente da passada sexta-feira, com Alfredo Barroso e Miguel Relvas.

Este Barroso, tal como outros, não vai à bola com Sócrates. Terá por ele um aristocrático desdém, o qual tem fases de lealdade partidária que levam à sua defesa perante as avassaladoras pulhices, mas o qual atravessa actualmente um pico de saturação. O Alfredo gostava de ter um Governo renovado e reposicionado mais à esquerda. Nisso representa uma parte do eleitorado socialista que foi ao engano votar BE nas últimas legislativas. Este contexto dá ainda mais importância, ou apenas tempero, ao episódio que protagonizou com Miguel Relvas, o braço-direito de Passos. Consistiu na repetição implacável da seguinte questão: se os senhores dizem que este Governo é uma desgraça, uma catástrofe nacional e que pior é impossível, por que esperam para o derrubar?

É uma pena faltarem as imagens. Nelas veríamos Relvas encostado às tábuas, desnorteado, patareco. Chegou ao ponto de recusar comentar uma citação de António Vitorino – a qual dizia que o PSD estava à espera que fosse o FMI e Cavaco a levarem à queda de Sócrates para não assumirem qualquer responsabilidade pelas eleições antecipadas – saindo-se com a espantosa revelação de que Vitorino não era isento. Seria a gargalhada deste Carnaval se não tivéssemos desfrutado, no dia seguinte, da loucura tranquila de Bagão Félix e sua troika reaço-comuna.

Miguel Relvas, uma picareta falante, faz da política a sua vida, mas não aprende nada nela. Nem sequer com o que Manela e Pacheco lhe arranjaram. Fazer oposição recorrendo exclusivamente a uma retórica primária, bronca, que pinta os adversários como seres desqualificados nos planos político, governativo, funcional e moral é receita que só agrega fanáticos. Tanto à esquerda como à direita, a oposição discursa para desmiolados, seres acríticos que se consolam com cassetes e chungarias de feira. A parte do eleitorado que produz e quer levar vidas decentes não pode alinhar nesta decadência intelectual. O seu dia-a-dia não é isso, esse maniqueísmo raivoso que os agentes partidários, e demais comentadores, põem nas suas intervenções. Estamos perante uma cáfila de incapazes que repetem platitudes e preconceitos, deturpações e calúnias, para consumo interno dos seus colegas, camaradas, amigos e família.

Temos de ocupar o espaço público com inteligência. Temos, pois, de lhes dar menos atenção.

Tragédia em 3 actos

I

Vejo com muita preocupação a situação. O PCP está a dar passos que vão no caminho de uma crepuscularização de tipo marxista-leninista. Esta crescente sectarização, que vai um bocado para a sua redução, significa uma cada vez maior esquerdização burocrática.

Carlos Brito em 2004

II

Carlos Brito defende que o PCP deve liderar uma possível convergência com a esquerda, em particular com o BE, para formar uma alternativa de poder.

Em entrevista à TSF a propósito do 90.º aniversário do PCP, o antigo deputado entende que, com 90 anos de história, o partido devia ter maturidade para ser o primeiro a dar um passo em frente para uma convergência de esquerda.

Carlos Brito manifestou «espanto» por o PCP e o BE não conversarem, sobretudo numa situação tão «complicada» como a actual e tendo em conta que há uma grande convergência programática entre os dois partidos.

Na opinião do antigo deputado comunista, o PCP devia «tomar a iniciativa» e «apresentar-se como uma força que pretende ser governo». Caso contrário, alertou, a «estagnação continuará».

O partido tem de ter uma visão mais alargada da sociedade portuguesa e ser um «partido político», em vez de uma «central sindical», considerou, defendendo que o PCP deve «negociar» propostas.

III

Também em entrevista à TSF, Jerónimo de Sousa respondeu a este apelo afirmando que «o PCP não pode ser cúmplice de uma política que está o levar o país ao estado em que está». Isso «seria desmentir-nos a nós próprios», considerou.

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Afinal, já são profissionais do agit-prop

Uma dezena de jovens do movimento “Geração à Rasca” manifestou-se hoje em Viseu, quando o secretário-geral do PS, José Sócrates, discursava sobre a sua moção política ao congresso do partido.

José Sócrates apenas tinha tido tempo para fazer os agradecimentos quando os jovens, munidos de um megafone, começaram a dizer: “Chegou a hora de a geração à rasca falar, isto é pacífico, só queremos falar”. Os jovens foram colocados na rua pela segurança, queixando-se de terem sido agredidos.

“Eu fiz questão de dizer que era pacífico, mas fomos corridos a empurrões e houve uma rapariga que levou um pontapé”, lamentou aos jornalistas Paulo Agante, do movimento, que agendou para sábado uma manifestação anti-Governo.

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Esquerda jelatinosa

É a esquerda folclórica que nos tocou neste cu do mundo, com tão pouco respeito próprio, ou já em delírio de privação, que até dá vivas a quem goza com ela e enche o bolso no avacalhanço. E depois o capitalismo é que está a dar as últimas, berram trôpegos uns aos outros à volta da fogueira.

Impressionar no emprego, seduzir em festas e brilhar nos jantares

Big Payoffs Fueled Excessive Risk Taking by Top Executives and Led to Financial Downturn

Facebook Linked To One In Five Divorces in the United States

Facing the Facebook Mirror Can Boost Self-Esteem

Higher Job Performance Linked to People Who are More Honest and Humble

Stigma Weighs Heavily on Obese People, Contributing to Greater Health Problems

The More Secure You Feel, the Less You Value Your Stuff

Can You Predict Your Mate Will Cheat by Their Voice?

90 anos disto

Jerónimo, na mesma sessão, tem estes dois registos:

Só faltava levar o barrete na mão e levar a mão estendida a pedir esmola à senhora que, de repente, aparece como a dona ou a mandona da Europa, da tal União Europeia a 27 que neste momento é dirigida por essa grande potência.

– Estamos perante o nacionalismo de cooperativa agrícola, central à identidade do PCP. Um aceno ao mundo fechado, introvertido, rural que fala ao coração serôdio dos portugueses comunistas.

Já sobre a Líbia, o líder do PCP afirmou que “o imperialismo aí está já a preparar a possibilidade de perpetrar um novo crime, desta feita contra o povo líbio”. E, frisando que Portugal integra o Conselho de Segurança das Nações Unidas, desafiou o Governo a rejeitar qualquer intervenção militar.

– Estamos perante o internacionalismo de piquete de greve, ainda operativo na filiação ao PCP. Um folclore do mundo aberto, expansivo, citadino que fala ao intelecto temporão dos comunistas portugueses.

Resumindo: nada de ter governantes a sair de Portugal para discutir com políticos europeus os assuntos da Europa, e nada de entrar em países estrangeiros para acabar com guerras e matanças – a menos, claro, que tal invasão seja feita pelas altruístas e pacíficas tropas do Pacto de Varsóvia.

Cuidado com os anónimos

A condenação de João Adélio Trocado estimulou o aplauso de uns e a saliva de outros. Tudo porque o caso se presta a validar a perseguição e castigo dos anónimos que insistem em comunicar na Internet – percepção esta reforçada por Fernando Esteves, o jornalista autor da acção, ao declarar que “A blogosfera não pode ser um campo onde se diz tudo sem consequência.” Infelizmente, conheço apenas do julgamento e sentença o que saiu na imprensa, e é muito pouco. Mesmo assim, há quatro aspectos a realçar:

– O médico terá enviado para a direcção da Sábado, entidade patronal do jornalista, os textos que escrevia no seu blogue, numa continuada referência crítica que durou 4 anos.

– A juíza Joana Ferrer Antunes considera a profissão do condenado uma agravante para a pena.

– As afirmações citadas como exemplo da matéria punível são uma resposta indignada ao trabalho jornalístico de Fernando Esteves.

– A problemática, ou temática, do anonimato não parece ter sido valorada na sentença.

Tomando literalmente o que veio a público, o Tribunal está só a punir aquilo que entende ser uma difamação, sendo irrelevante o meio pelo qual foi feita, mas relevante o estatuto deontológico, ou social, ou até simbólico, da pessoa que assim agiu. Interpretar a sentença, como o fez Fernando Esteves, no sentido de um castigo ao anonimato na Web poderá não passar de uma deturpação do intento da juíza ao serviço do seu acerto de contas com essa entidade provincianamente chamada de blogosfera. Só a leitura completa do processo poderá esclarecer a questão.
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Palavra de honra

Nada me daria mais gozo, como cidadão apaixonado pela política, do que ver este absurdo concretizado:

Há uma solução que é um governo PSD, CDS, PCP. Uma ideia “provocative”. Não me repugnava que, num governo deste tipo, o PCP tivesse uma pasta social ou do trabalho. Jerónimo de Sousa é um homem sincero, um homem autêntico, um político sério.

Seria o equivalente à violação da Segunda Lei da Termodinâmica, teríamos de reescrever de raiz os tratados de ciência política. E a verdade é a de que Guilherme Silva e Jerónimo já se catrapiscaram, pelo que Bagão está apenas a levar ao seu zénite o estado de absoluta impotência desta pseudo-direita que ocupa o espectro partidário onde outrora se passearam líderes com ideias que justificavam debate (ou tão-só com ideias, chega para marcar a diferença face aos actuais PSD e CDS). Nesse alucinado Governo-Félix, onde Jerónimo teria direito à pasta da Administração Interna dos Sindicatos, ainda veríamos Portas acumular as pastas da Defesa, do Mar, da Agricultura e da Lavoura. Para a Justiça, talvez a Manuela Moura Guedes, pelo seu privilegiado conhecimento dos meandros de certos processos mais complexos. Outro ponto de reflexão concerne à presença de um homem sincero, um homem autêntico, um político sério em tais companhias, mas deixemos a questão para o anúncio do novo pacto germano-soviético.

Esperemos que estes visionários se entendam e nos salvem de Sócrates rapidamente, pois deputados têm que chegue e sobre. Até lá, a gargalhada não vai parar.