Devo dizer-lhes que este Carlinhos era um adoravel petulante de buço preto e olhos claros, cheio de vivacidades com raparigas, prompto a rir, delgadito e forte, tendo pelos actos de bravura uma quasi religião. Compensavam-se n’elle delicadezas de femea, brancuras de mãos, flexibilidades de cinta, uma doçura candida de feições, toda a graça ondulosa emfim, dos que adolescem á larga, sem cuidados nem represalias paternas, com os primeiros esboços d’essa energia physica, tenaz, inquebrantavel, leviana e generosa, que ainda agora é tradição em certas raças da provincia, e guarda fama de povoado em povoado. A escóla fôra-lhe apenas um pretexto de troça, onde esse incorrigivel tinha posto em debandada a auctoridade classica dos mestres. E como n’esse periodo as primeiras desordens do sangue, ensaiavam pelo campo da aventura, mais agora ou mais logo, as suas sortidas, não havia mesada que chegasse, nem horas para folhear as lições. Demais, a sua impetuosidade que esplendia côr e frescura de saude, pouco dava á vida cerebral; portanto, voltou á aldeia sem curso, elançado de figura, tendo as olheiras symtomaticas do amor esbanjado, lendo romances, com uma arte especial de surprehender mulheres, e predilecções decididas por quanto fosse prazer.
—Doido, dizia a gente pobre da aldeia, mas que rapaz!
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Pulhice com final feliz
Coisas que não são o que parecem
O Rio da nossa aldeia
Se houvesse eleições antecipadas, não haveria uma mudança de regime, mas uma mudança no Governo. Isto é de tal forma grave que uma simples troca de Governo é insuficiente.
Para Rio, a queda do regime não acontecerá de forma “tradicional”, mas “de forma pior, com um poder democrático fraco e outros poderes fortes que às vezes nem o rosto se lhes conhece e não se consegue sequer combater devidamente”.
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Rio quer um novo regime, mas até lá nada de mudar o Governo só por mudar. Entre Sócrates e Passos, nem sequer há escolha possível, diz-nos o ilustre nortenho. Está claro e está registado, sr. presidente. Mas, quanto aos outros poderes fortes que às vezes nem o rosto se lhes conhece e não se consegue sequer combater devidamente, estamos a falar de quem e do quê? De células comunistas que enterraram centenas de G-3 e granadas depois do 25 de Novembro? Da Maçonaria? Dos magistrados de Aveiro? Do balneário do Sporting? Era giro não ter de esperar pela queda do regime às mãos dessa malandragem para descobrir.
Tempestade no deserto
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Apud Miguel Abrantes, A secção laranja informa
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O PSD de Cavaco-Manela-Pacheco, que humilhantemente perdeu as eleições em 2009 com tudo e mais alguma coisa a seu favor, não foi uma aberração partidária, antes a consequência natural da confluência de dois vectores: o ímpeto reformista do Governo nos anos 2005-2008 e a decadência dos recursos humanos do PSD. Como na altura se falou, e ainda hoje se repete ao serviço de variadas agendas, Sócrates ocupou o centro na sua plenitude, assim conquistando o espaço vital dos social-democratas. De repente, a Lapa deixava de ser a coroa do império de centro-direita para se tornar numa ilhota descaracterizada em risco de desaparecimento por efeito das alterações climáticas.
Pacheco ainda tentou, timidamente, ser parte do processo de renovação cultural e programática que a sua inteligência lhe apontava como o caminho necessário, incontornável, durante a travessia da legislatura com maioria absoluta do PS. Durou esse proto-optimismo o tempo que durou Marques Mendes. Contudo, o marmeleiro não aguentou a golpada de Menezes, um tonto que ao fim de dois meses já envergonhava os barões com as suas calinadas, e juntou-se de alma e coração às forças negras, sulfúricas, que tinham na manga as velhas receitas, tão antigas quanto as cortes e os príncipes: calúnias, calúnias e mais calúnias. Sócrates iria provar a supina arte dos pasteleiros de Belém, os quais confeccionaram um bolo para ser coberto de cerejas por fogozos e intocáveis magistrados, jornalistas e tribunos de feira. E a SONAE já levava avanço nessa guerrilha, com o Público em ataque a outrance desde que a OPA tinha ido para o galheiro.
Ora, a via de regeneração do PSD não passa por esta toca do Coelho onde estão encafuadas figuras sem talento político nem estofo intelectual, muito menos autoridade moral. Por isso não espanta que à sua volta seja terreno de caça, mas quem anda a disparar responde pelos nomes de Marcelo, Santana e Pacheco, guiados por GPS a partir de certo palácio com vista para o Tejo. O sonhado D. Sebastião desta pobre e soberba gente – a aparecer, o que é incerto – virá no Sol de um cristalino e ofuscante meio-dia. A sua mensagem não será a de que regressou a salvo à pátria para reinar feliz, antes a de que continua no deserto. E que é a partir daí, desse reconhecimento do lugar onde se está, que o PSD pode encontrar o caminho para casa.
Lá se safaram, lampiões
Todos os treinadores que já tomaram a decisão, algures na sua carreira, de substituir o Vukcevic deviam ser julgados em tribunais populares e esses crimes nunca prescreverem. Teriam de justificar as decisões e explicar o bonito resultado da merda que fizeram sob pena de serem obrigados a decorar os discursos completos de José Eduardo Bettencourt. Espero que o montenegrino saia do clube quanto antes, já que ninguém vê o óbvio: ele é o jogador com mais fome de golo na equipa. Devia estar em frente da baliza a receber bolas, tamanha a sua facilidade em criar jogadas de perigo, em vez disso é posto a correr de um lado para o outro na lateral sem equipa que o acompanhe na raça.
Quanto ao resto, foi bonita a festa, pá. Fiz as pazes com o Postiga e o Benfica mereceu a sorte do jogo pelo balanço de vitórias consecutivas que vai somando. É que é só isto que se pede a um treinador, que tenha sorte. Não foi outra coisa que há dias o Mourinho reconheceu ao dizer que Deus gostava dele.
Novas da subserviência e da perda de soberania
Afinal, a reunião serviu para Merkel obrigar Sócrates a dizer alto e bom som, no ponto mais visível da Europa, que Portugal tem as contas controladas, um rumo definido e um Governo com a coragem para lidar com o magnífico desafio de reduzir o défice provocando o mínimo dano social que for possível.
Um dia aziago para os ranhosos.
Ide aclamar a poesia e abraçar o poeta
Tremam, lampiões
Noticiário dos Marretas
Maravilhas do engenho humano
Câmara Clara
Com Adriano Moreira. Um favorito da casa.
Hermenêutica libertadora
João Galamba foi ao Eixo do Mal, protagonizando um brevíssimo, incompleto e suficiente episódio onde se pode aprender a lidar com a pulsão de contrapoder, típica da esquerda adolescente, que não passa de uma forma de estupor político. O que estava na berlinda era a reportagem na prisão de Paços Ferreira e esta passagem:
Enquanto o senhor não tomar medidas de ser um ser humano, o senhor vai ser altamente violentado. Há dúvidas?
O Daniel agarrou-se à frase. Tinha algo de muito importante a dizer acerca dela. Porque a puta da frase existia, tinha sido captada em vídeo, e ela era todo um programa. Era a manifestação da perfídia da instituição policial, a expressão do mal fardado. A isto respondeu o João, depois de uma provocação do Daniel, com a seguinte proposta de raciocínio:
Aquela frase claro que incomoda. Eu não sei é se ela tem algum significado. E não sei se ela tem o significado que lhe queres dar.
No seguimento da discussão, o Daniel acabou a dizer que, por princípio, não confia na Polícia e nos polícias. O que é uma afirmação que pedia aprofundamento urgente. Que o leva a não confiar? E haverá algum profissional, ou cidadão, em quem confie por princípio? Adivinhamos que não, que reina naquela cabeça um cepticismo ético que o obriga a olhar para a realidade com uma permanente suspeita. Logicamente, indivíduos que interpretem os acontecimentos à sua volta a partir destas areias movediças não podem, consequentemente, gerar qualquer confiança naqueles com quem se relacionam. E nisto está uma explicação para a alergia do BE ao exercício da governação, situação na qual é obrigatório confiar se o propósito é viver em democracia. Já se for para viver em tirania, então a paranóia é o estado mental mais avisado.
O desafio dos significados, como incisivamente ripostou o João Galamba, é um dos mais heróicos trabalhos da liberdade.
Apocalypse Now
Avisam-se todos os sacerdotes do culto socrático, tantos os do lado direito do templo, os mais fanáticos, como os do lado esquerdo, os mais proselitistas, de que o mês de Fevereiro terminou sem o desmembramento ritual do vosso deus – e isto apesar de uma certa geração cada vez mais parva, uma Alemanha cada vez mais estúpida, um PSD cada vez mais idiota, um BE cada vez mais imbecil, uma Líbia cada vez mais louca e o petróleo cada vez mais histérico. A Gerência pede a vossa compreensão e paciência, fazendo notar que ainda temos mais 10 meses pela frente, período durante o qual poderemos encher as ruas com urros e flores festejando a chegada do FMI, voltar a bloquear as estradas com camionetas de mercadorias ou incendiar o Parlamento e edifícios contíguos.
Se cada um destruir a sua parte, se não vacilarmos no boicote de tudo por causa de todos e no ataque a todos por causa de tudo, se os profetas da desgraça se abraçarem amorosos às Cassandras chonés, vamos bem a tempo de dar uma grande alegria aos apóstolos da situação explosiva.
Pendurados em Alvalade
No seguimento da violência no estádio do Sporting, onde adeptos do clube agrediram a polícia depois de terem tentado agredir jogadores do Benfica e demais auxiliares no campo, a SAD emitiu este comunicado. É um texto abjecto, que toma o partido dos que violaram a lei atacando os que a queriam defender. E, ao não vir assinado, vincula todos os elementos dos corpos dirigentes do clube ao seu teor.
Algures na Internet, esse mesmo comunicado foi reproduzido, tendo acolhido os dois comentários supra. Não sabemos quem os escreveu. Não sabemos o nome de registo civil, a idade, o género, a morada, a profissão, as habilitações escolares. Não sabemos se estavam sob o efeito de medicamentos, álcool ou estupefacientes quando escreveram. Não sabemos se estão em depressão, sofrem de paranóia ou esquizofrenia. Não sabemos se escreveram num registo irónico, ou de pastiche, ou de provocação infantil. Não sabemos se se arrependeram dias, horas, minutos ou segundos depois de os terem enviado. Não sabemos se estas duas almas não fazem mal a uma mosca, nunca fizeram nem farão. Não sabemos se são dois indivíduos ou o mesmo. Mas sabemos isto: o registo é psicopata e está lógica e moralmente suportado pelo comunicado do Sporting.
Nenhum candidato à presidência leonina, que eu tivesse ouvido ou lido, emitiu opinião acerca dos incidentes ou do comunicado. A superior violência contra o clube, logo contra a sociedade, está neste deserto de carácter daqueles que pretendem ter o privilégio de inscrever o seu nome na história do Sporting Clube de Portugal.
Coisas que poucos compreendem
Good food for good thought
“Huge excesses in asset prices and leverage ratios had built up in the financial system in the run-up to the crisis. But conventional economic theory led Federal Reserve chairmen Alan Greenspan and Ben Bernanke and other key regulators to believe that markets were nearly perfect and that they need not even look for excess in the system; they thought they could be asleep at the wheel. Had they been on guard and acted to dampen the excesses when they arose, the crisis would have been less severe or perhaps been avoided all together,” Goldberg says.
Well before the crisis struck, the authors warned of the fatal flaw in contemporary economics: the presumption that market outcomes can be explained as if the future followed mechanically from the past. Puzzlingly, the underlying belief that nothing genuinely new ever happens – that any change and its consequences can be fully foreseen – has survived even the crisis.
Professor: Current Economic Theory Made Global Financial Crisis Virtually Inevitable
El nuestro País
Duas faces da mesma má moeda, pela mão da Ana Vidigal e da De Puta Madre.
O longo braço socrático
Impressionar no emprego, seduzir em festas e brilhar nos jantares
Left is Mean but Right is Meaner, Says New Study of Political Discourse
A Culture of Satire Is Transforming Politics Across Diverse Media
Internet Kiosks Help Reduce Infant Mortality Rates
Higher Levels of Social Activity Decrease the Risk of Developing Disability in Old Age
Strong Link Found Between Victimization, Substance Abuse
‘Social Vaccine’ Protects Women’s Interest in Science
Paper Urges Physicians to Assess Practices for Care of LGBT Patients



