Tempestade no deserto

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Apud Miguel Abrantes, A secção laranja informa

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O PSD de Cavaco-Manela-Pacheco, que humilhantemente perdeu as eleições em 2009 com tudo e mais alguma coisa a seu favor, não foi uma aberração partidária, antes a consequência natural da confluência de dois vectores: o ímpeto reformista do Governo nos anos 2005-2008 e a decadência dos recursos humanos do PSD. Como na altura se falou, e ainda hoje se repete ao serviço de variadas agendas, Sócrates ocupou o centro na sua plenitude, assim conquistando o espaço vital dos social-democratas. De repente, a Lapa deixava de ser a coroa do império de centro-direita para se tornar numa ilhota descaracterizada em risco de desaparecimento por efeito das alterações climáticas.

Pacheco ainda tentou, timidamente, ser parte do processo de renovação cultural e programática que a sua inteligência lhe apontava como o caminho necessário, incontornável, durante a travessia da legislatura com maioria absoluta do PS. Durou esse proto-optimismo o tempo que durou Marques Mendes. Contudo, o marmeleiro não aguentou a golpada de Menezes, um tonto que ao fim de dois meses já envergonhava os barões com as suas calinadas, e juntou-se de alma e coração às forças negras, sulfúricas, que tinham na manga as velhas receitas, tão antigas quanto as cortes e os príncipes: calúnias, calúnias e mais calúnias. Sócrates iria provar a supina arte dos pasteleiros de Belém, os quais confeccionaram um bolo para ser coberto de cerejas por fogozos e intocáveis magistrados, jornalistas e tribunos de feira. E a SONAE já levava avanço nessa guerrilha, com o Público em ataque a outrance desde que a OPA tinha ido para o galheiro.

Ora, a via de regeneração do PSD não passa por esta toca do Coelho onde estão encafuadas figuras sem talento político nem estofo intelectual, muito menos autoridade moral. Por isso não espanta que à sua volta seja terreno de caça, mas quem anda a disparar responde pelos nomes de Marcelo, Santana e Pacheco, guiados por GPS a partir de certo palácio com vista para o Tejo. O sonhado D. Sebastião desta pobre e soberba gente – a aparecer, o que é incerto – virá no Sol de um cristalino e ofuscante meio-dia. A sua mensagem não será a de que regressou a salvo à pátria para reinar feliz, antes a de que continua no deserto. E que é a partir daí, desse reconhecimento do lugar onde se está, que o PSD pode encontrar o caminho para casa.

7 thoughts on “Tempestade no deserto”

  1. “mas quem anda a disparar responde pelos nomes de Marcelo, Santana e Pacheco, guiados a GPS a partir de certo palácio com vista para o Tejo.”

    De mestre

  2. o dito,

    “misero” personagem de uma opera bufa, não pára…

    naquelas janelas viradas para o rio,
    os seus silencios são a preparação do salto que julga apropriado às “pernas”
    sofridas
    por derrotas presidenciais, imobiliario-financeiras, escutas, etc.

    vingativo, rancoroso das bocas que não soube explicar relativo seus negocios
    – parece que eram termos em inglês tecnico não ensinado na universidade de york-,

    não descuida a via da conspiração,

    face factos de algum sucesso politicas do governo, também junto dos mandantes europeus, particularmente sra Merkel…

    As suas teses insustentabilidade da economia, e por essa via, de preconizar vinda do FMI,

    tem agora desenvolvimento em novos personagens e discursos invios,

    que ate agora, mantinham alguma respeitabilidade e bom senso, caso RRio…

    enfim…

    quero e gosto de pensar, dizer, sentir, que “eles no passaron”,

    malgré estas vias tortuosas da intriga, do golpe,

    das intervenções mesquinhas contra os valores e interesses do País…

    a luta continuaaaaa….

  3. A “decadência dos recursos humanos do PSD” não é só de hoje, mas de sempre, desde a saída do grupo que formaria a ASDI – Sérvulo Correia, Ant.º Sousa Franco e muitos outros sociais-democratas – e a verdade é que isso nunca afectou a credibilidade do Partido no seu eleitorado natural. O problema está mais na decomposição e no irreversível declínio demográfico desse eleitorado natural, que não tem sido compensado pela aquisição de novos sectores sociais mais representativos da Sociedade actual.

    O problema do PSD é viajar no mesmo comboio demográfico do PCP, só que numas carruagens mais lá para trás. A velocidade do comboio é, porém, igual para toda a composição…

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