Apocalypse Now

Avisam-se todos os sacerdotes do culto socrático, tantos os do lado direito do templo, os mais fanáticos, como os do lado esquerdo, os mais proselitistas, de que o mês de Fevereiro terminou sem o desmembramento ritual do vosso deus – e isto apesar de uma certa geração cada vez mais parva, uma Alemanha cada vez mais estúpida, um PSD cada vez mais idiota, um BE cada vez mais imbecil, uma Líbia cada vez mais louca e o petróleo cada vez mais histérico. A Gerência pede a vossa compreensão e paciência, fazendo notar que ainda temos mais 10 meses pela frente, período durante o qual poderemos encher as ruas com urros e flores festejando a chegada do FMI, voltar a bloquear as estradas com camionetas de mercadorias ou incendiar o Parlamento e edifícios contíguos.

Se cada um destruir a sua parte, se não vacilarmos no boicote de tudo por causa de todos e no ataque a todos por causa de tudo, se os profetas da desgraça se abraçarem amorosos às Cassandras chonés, vamos bem a tempo de dar uma grande alegria aos apóstolos da situação explosiva.

5 thoughts on “Apocalypse Now”

  1. de facto

    este país, esta gente,
    este nosso apego a tempos ultrapassados ou mui futuristas,

    quer no futebol
    ou…
    sobre nossa simples politica

    torna tudo algo mui dramatico e objecto de alguns cultos

    logo

    potencia o templo de nossas varias ansiedades
    e assim
    o medo e as visões arqui-tenebrosas que por aí pululam
    face ao massacre dos medias e seus agentes

    como bem “dizes”…

    mas,
    como o outro dizia

    há vida, factos, realidades
    para além das nossas varias congeminações

    e eles marcam ritmos, sentimentos, desejos
    objectivos de vida colectiva, mesmo

    mais amplos e fortes
    que simples manipulações de politicos de ocasião

    assim, ao menos, eu lo creo…
    e desejo…
    e espero…

    abraço

  2. Muitos portugueses viram as suas vidas destruidas pelas decisões governamentais dos ultimos 15 anos. Para eles, o Apocalipse Now começou há muito. Estes portugueses, muitos na pobreza e no desemprego, e, obviamente sem acesso aos médias, merecem o nosso respeito.

  3. as melhores profecias, as boas, não são as que se concretizam – mas as que conduzem a esforços, por alguém delas se lembrar, para serem evitadas, não chegarem a ser concretizáveis. :-)

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