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Quem tem medo dos idos de Março?
Na passada sexta-feira, a SIC Notícias ofereceu uma imprevista emissão especial sobre o futuro partido Livre, ou, talvez melhor, sobre o presente Rui Tavares. Começou na rubrica Tabu, Edição da Noite, onde Louçã fez questão de lembrar que considera a antiga estrelinha do bloquismo como um ser fedífrago. Não contente, carimbou o projecto em marcha com o título “primeiro partido unipessoal em Portugal“; matéria em que Louçã, reconheça-se, será uma das maiores autoridades nacionais após décadas de investigação e prática nessa mesmíssima área. Se o Rui escutou estas calorosas palavras, então ficou com a certeza de ser melhor esperar enterrado para voltar a falar com Louçã sobre os mútuos e megalómanos projectos de reengenharia da esquerda, não sendo previsível que sequer consigam ir beber um abatanado juntos nos próximos mil anos.
Seguiu-se o Expresso da Meia-noite, com as presenças de João Oliveira, Pedro Silva Pereira, Vítor Ramalho e o Rui. Lá pelo meio, o Pedro e o João entraram numa disputa de cuja memória serei eu o único guardião em toda a galáxia. É um diálogo que tem tanto de banal como de extraordinário, tanto de inútil como de decisivo. Resume-se a isto: Pedro Silva Pereira frisava que o actual Governo nasceu de uma burla eleitoral, por se ter prometido exactamente o oposto do que veio a fazer, e que o Governo tinha destruído o País na demência de ir além das medidas de austeridade acordadas com a Troika em Maio de 2011 – João Oliveira dizia que o PS era igual ao PSD e CDS porque no PEC IV os socialistas também se propunham tomar medidas de austeridade.
Esta discussão, de que não será possível encontrar qualquer eco seja onde for fora deste texto, é um microcosmo perfeito do bloqueio político à esquerda. De um lado, temos o relato de uma situação que se oferece objectivamente à avaliação de qualquer um. Qualquer um pode confirmar que Pedro Silva Pereira se limita a coligir factos indiscutíveis na sua factualidade. Claro, o valor que cada qual dará a esses mesmos acontecimentos varia consoante os interesses do avaliador. E, por isso mesmo, os direitolas calam-se perante as evidências e pisam e repisam as deturpações. Do outro lado, temos a cristalização de uma posição radical – aliás, maniqueísta – onde o critério da avaliação não admite gradações, é binário. João Oliveira mostra ser indiferente às consequências de se ter trocado quem tomaria o mínimo de medidas de austeridade que fosse possível na conjuntura por quem se se propôs tomar o máximo de medidas de austeridade que fosse possível, em modo “custe o que custar“. Estes, pois, são dois mundos sem nenhum contacto entre eles. Nada há para negociar com quem só admite uma solução política, a própria. Qualquer desvio ao que o PCP considere ser o seu entendimento será fatalmente uma brecha intolerável na muralha de aço do seu sectarismo soviético.
Nisto salta para a arena o Rui. Era a sua grande oportunidade de mostrar ao que vinha e o que valia. E eis o que começa por dizer: “A mim não me interessa nada o PEC IV, e o PEC III, e o PEC II…“, indo por aí leve como uma flor. Estava noutra. O que ele tinha para propor era um varrimento da História, onde tanto o PS como o PCP iam a correr apagar as suas diferenças e se juntariam a seguir para se abraçarem nas suas parecenças. Porquê? Porque ele estava a dizer. E disse-o várias vezes, especialmente para o João Oliveira, o qual lhe retribuía exibindo aquela cara que fazemos se calhar ouvirmos chinês falado por um turco. O discurso do Rui era análogo ao que se aplica quando dois tipos desatam ao estalo num aniversário ou casamento e há sempre alguém que se sai com um “Vá lá, sejam amigos, não estraguem a festa.” É que não se estava apenas perante um tentativa falha de sofisticação psicológica; era mais do que isso, era uma tentativa de infantilização dos interlocutores vinda da incônscia puerilidade do mediador.
O desespero do Pedro Silva Pereira perante o granítico fundamentalismo do João Oliveira foi uma visão comovente. Nem o seu apelo à razão, muito menos o apelo à moral do Tavares, produziu a mínima vacilação no estupor ideológico de que o Oliveira é um magnífico exemplo. Pura e simplesmente, os comunistas portugueses são imunes ao bem comum, nisso sendo uma cópia da actual direita decadente que tomou o poder. Se o fundador do Livre quiser continuar com a rábula de ser possível levar os comunistas a aceitarem contaminar-se nas águas da democracia liberal, esse regime onde 90% do eleitorado quer viver, para dialogar com socialistas que têm levado este modelo de sociedade às costas perante o boicote sistemático da esquerda pura e verdadeira, então talvez deva começar por se convencer a si próprio que pretender apagar o que aconteceu em Março de 2011 só interessa aos cúmplices dessa traição.
Do combate à pulhice
Soares errou gravemente ao concorrer contra Cavaco em 2006. Tinha 81 anos e manchou a sua biografia com uma derrota vexante absolutamente dispensável. Pior, arrastou consigo o PS para uma decisão insensata que iria ter repercussões também em 2011, de novo favorecendo Cavaco graças a um Alegre manipulado por Louçã. Este disparate de Soares querer ser Presidente da República pela terceira vez numa fase da sua vida onde já não conseguiria cumprir a função na plenitude das suas capacidades ter sido possível é uma lição de humildade para quem ame a política, pois ilustra como factores irracionais tantas vezes se tornam preponderantes para indivíduos e colectividades.
A verdade é a de que Soares poderia estar neste momento a dirigir aquele que até pode bem ser um esforço heróico, dadas as suas fragilidades de saúde, para um objectivo que fosse parte da solução. E para alcançar tal façanha bastaria que recuperasse e adaptasse um conceito que marcou a história política portuguesa – a Presidência Aberta. Se, em 2013, Soares fosse ter com as populações e as deixasse falar, as interrogasse, lhes desse uma palavra de coragem e esperança, as lembrasse ou explicasse que são elas o Soberano e que o seu futuro está cívica e comunitariamente nas suas mãos, o efeito dessa intervenção seria – agora sim, agora bem – o de levantar uma oposição assustadora para os poderes que castigam e exploram esse mesmo povo.
Defender ou disfarçar os apelos à violência que um Soares reduzido à indignação impotente fez poderá vir das melhores razões e intenções – porém, paga-se o preço de ver a honestidade intelectual perder credibilidade. E esse é um bem muito escasso, à direita como à esquerda. Um bem sem o qual não se faz o combate à pulhice que nos traiu e afundou.
Revolution through evolution
TRACKED SINCE BIRTH: THE RISE OF EXTREME BABY MONITORING
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Liberals Aren’t Like the Rest, or So They Think
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You’re Not Alone: Most People Hate Open Offices
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The PlayStation 4 Is Stuck In The Past – AND THAT’S NOT A BAD THING. HERE’S WHY.
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Leonardo Da Vinci’s wacky piano is heard for the first time, after 500 years
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Why are men’s noses bigger than women’s?
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Large Study Links Nut Consumption to Reduced Death Rate
Até que enfim!
O Bloco Central passa a ter uma extensão temporal que apenas será ouvida pela Internet. É uma excelente novidade para um excelente espaço de reflexão política.
Neste primeiro programa temos acesso a mais 10 minutos na companhia dos Pedros e do Paulo. Gostava, espero, daqui lanço o meu inútil pedido, que se remova qualquer limite outro ao acrescento temporal do que a vontade dos participantes em comunicarem com a cidade. É que a lógica do formato quando passa para um meio sem constrangimentos de programação altera-se e apenas tem na relevância dos conteúdos em causa o critério para a sua duração. Aparentemente, não se poderá invocar um aumento de custo na produção para restringir o aumento de minutos deste novo segmento, pelo que é no próprio interesse da estação dar mais valor a um seu produto.
Os constrangimentos de tempo têm sido penosos ao longo dos anos por causa da quantidade e complexidade dos assuntos correntes, mas também por causa do estilo fluente e envolvente dos comentadores. Isso leva a que a outra recente e excelente inovação no formato, os convidados mensais, agrave ainda mais o problema e, ó miséria, não permita a exploração das oportunidades criadas para se estabelecer uma discussão espontânea. Tanto o Adão como o Marques levam já para cada programa os seus leitmotiv, os quais reproduzem pelos meios onde apareçam a comentar, seja oralmente ou por escrito. É lógico que assim seja, posto ser suposto que só tenham uma opinião, a própria. Ora, caso tivessem mais tempo para conversarem, novas elaborações estariam a ser feitas sobre o trabalho opinativo de base, levando a que todos, protagonistas e audiência, ficássemos a ganhar. A mesma evidência para quando há convidados, onde, muito melhor do que assistir a cada um a tentar enfiar nos 40 minutos disponíveis a sua porção, importava que a ocasião para um autêntico debate – a três – gerador de pensamento novo fosse aproveitada.
Violência, não – Inteligência e coragem, sim
Para se ter exemplar ilustração do efeito das palavras de Soares no agitar da bandeira da violência, basta escutar o que diz o primeiro participante popular do Fórum TSF – Os protestos e o estado do país – ao minuto 13, anunciado como professor universitário.
Portugal já era, antes da crise, um país onde se estimava existirem 1 milhão de doentes por depressão. A crise terá aumentado esse número para grandezas desconhecidas mas necessariamente devastadoras. Um discurso que não ofereça qualquer esperança de aglutinação construtiva das forças sociais, e se lance na ameaça destrutiva seja lá qual for a justificação, é de uma irresponsabilidade intolerável. Venha de quem vier, mais grave por vir de quem vem.
Simetricamente, os agentes da ordem que discursaram no alto da escadaria do Parlamento que tinham acabado de conquistar alegaram terem direitos especiais por serem forças armadas e com treino policial. Foi assim que embrulharam tanto a sua violação da lei como a passividade dos colegas, de repente muito ajuizados por não se estarem a meter com quem lhes poderia responder na mesma moeda.
O Soares nos seus 60, 50, 40, 30 e 20 anos teria palavras de repúdio, mesmo que amoroso, para dizer ao Soares nos seus 80 quase 90 anos. Precisamente em nome da democracia e da liberdade. Viver em democracia quer dizer que é através da liberdade que lutamos pelas nossas causas. E a liberdade ou implica o respeito pelos direitos inalienáveis de todos ou se transforma em violência.
Quem usar a violência com que o actual Governo castiga e rouba os portugueses como desculpa para promover a violência contra o Governo e quem o apoie estará apenas a mostrar que se identifica com as práticas de uma direita decadente e traidora que calhou chegar ao poder no momento em que mais precisávamos de quem nos defendesse.
Acústica da revolução
Nós achamos é que artificialmente estão a afastar, no fundo, os cidadãos e é quase uma provocação para nós estarmos lá e termos sempre as barreiras, que cada vez estão mais longe. Se as pessoas que lá estiverem quiserem subir as escadas, pois que subam, porque ninguém quer subir para destruir ou tomar de assalto. Nós queremos subir para mostrarmos que estamos ali e para sermos ouvidos de mais perto.
Ricardo Morte
Movimento também quer subir escadaria do Parlamento
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O movimento “Que se lixe a Troika”, pela boca letal deste bravo acima citado, introduziu um elemento novo na política nacional: a problemática da acústica. A lógica parece imbatível, remetendo para um cálculo que até crianças com 2 anos serão capazes de validar. De facto, gritar a 200 ou 100 metros do alvo das vocalizações não é o mesmo que gritar a 20, 10 ou menos. Ao terem de percorrer uma dada distância, as ondas sonoras encontram uma respectiva resistência do ar, levando a que percam força à medida que aumente a extensão a cobrir. Há fórmulas para isto, é matemático. As barreiras policiais, portanto, têm impedido que a energia transformadora inerente a uma garganta devidamente treinada na prática da palavra de ordem planeada e no vitupério de ocasião alcance os objectivos almejados pelos manifestantes. Esse obstáculo contra-revolucionário acaba de ser derrubado pelos próprios agentes que o levantaram, qual milagre marxista, pelo que o futuro acústico dos protestos frente ao Parlamento é risonho.
Saltemos para essa cena futurista em que o Ricardo Morte e restantes bravos conseguiam subir as escadarias do Parlamento com a mesma facilidade, boa-disposição e impunidade com que os polícias e guardas o fizeram nesta quinta-feira. Que se passaria a seguir? Não custa a imaginar. A gritaria prosseguiria animada até alguém constatar que continuavam a não ter resposta às suas reivindicações. Essa seria a ocasião em que decidiam avançar mais um bocado e ficar mesmo coladinhos às portas do Palácio num berreiro ululante. Horas depois, ou minutos, teriam de aceitar a evidência de que continuavam a não ser ouvidos. Nisto, um dos líderes presentes decidia fazer História pelos seus próprios dedos e tocava à campainha na esperança de que aparecesse alguém para os ouvir – embora goste mais da possibilidade de se tratar de uma sineta; não havendo dessas geringonças nas portadas da sede da democracia, o nosso herói resolveria o assunto batendo com os nós dos dedos no madeiro. Sendo muito improvável que essa acção radical de tentativa de resolução da problemática acústica tivesse sucesso, até pelo adiantado da hora a que estes espectáculos costumam ocorrer, só lhes restaria forçar a entrada no casario da Assembleia da República. Não para destruir ou tomar de assalto, atenção. Nada disso, bem pelo contrário, por favor. Eles estariam apenas à procura de uns ouvidos disponíveis para deixarem os seus pedidos. E nesse espírito percorreriam os corredores, escadarias, salas e saletas até darem com o hemiciclo. Olhando em volta, contemplando o vazio desolador que os esperava no âmago do poder, e, acima de tudo, não querendo dar o seu esforço e tempo como perdidos, consumariam a lógica infalível que os tinha guiado na aventura: sentavam-se nas bancadas e pediam a palavra.
Falta o pau
As relações dos ex-Presidentes da República com os titulares no activo foi invariavelmente pautada pela mais rigorosa, ou convencional, circunspecção e deferência institucional. O protocolo era rei e senhor. Vermos um ex-Presidente a criticar politicamente o Presidente seria algo impensável. Supor que um ex-Presidente viria a pedir a demissão do Presidente era algo inimaginável.
Ajudou muito, para manter o status quo, que os Presidentes da República anteriores a Cavaco fossem todos, com as respectivas diferenças, exemplos de respeito pela Constituição e pelo Soberano. Cumpriram no essencial o juramento que fizeram. Isso coloca-os num grupo onde Cavaco não pode entrar. Cavaco é o primeiro Presidente que põe os seus interesses políticos à frente da defesa da Constituição, anulando-se como representante do Povo. Tal disrupção justifica uma reacção nova por parte da comunidade.
Estas declarações – “Senhor Presidente, demita-se, uma vez que não cumpre a Constituição. Não desgrace mais Portugal, senhor Presidente da República.” – tinham tudo para serem uma bomba política de consequências imprevisíveis. Vinham de Soares, pediam a demissão de um Presidente da República, esse Presidente é Cavaco Silva e a alegação é vexante e ofensiva. Porém, contudo, todavia, estão condenadas a desaparecerem na mesma trituração quotidiana para onde se mandou nesta quinta-feira a indignação bufa de quarta por causa da Pepsi, para onde se mandaram todos os escândalos e ilegalidades do actual Governo, para onde se manda a vergonha pela
Falência geral de tudo por causa de todos!
Falência geral de todos por causa de tudo!
Falência dos povos e dos destinos — falência total!
A causa dessa ineficácia na comunicação encontra-se no próprio Soares. Este homem, a quem devemos em parte maior estas décadas de democracia e desenvolvimento, envelheceu. Tal condição poderá não ter afectado substantivamente a qualidade dos seus valores e raciocínios, mas sem qualquer dúvida que alterou a sua prudência. Ao vir a público fazer apelos à violência disfarçados de avisos contra a violência, hipocrisia a que se tem entregado ao longo do último ano, Soares pode estar ainda a cumprir-se como o animal político que sempre foi e será. Mas já não é capaz de ajudar a cidade. Porque a violência, a ocorrer, fará vítimas inocentes e aleatórias. E Soares, nessa eventualidade, não terá força para estar ao seu lado, quanto mais a protegê-las e liderá-las. Aliás, violência foi o que aconteceu em simultâneo com o seu discurso, uma violência muito maior e muito mais grave do que aquela ocorrida em Novembro de 2012, quando os manifestantes atiraram pedras aos polícias que defendiam a Assembleia da República. Assim, a profusão de afirmações catastrofistas que tem feito apenas conseguiu contribuir para a passividade colectiva, dada a evidente emotividade descontrolada que as originava e a ausência de responsabilização pelos seus potenciais efeitos. Foi esboroando a sua autoridade a cada intervenção inflamada. Caso Soares tivesse estado calado só para aparecer agora a exigir a demissão de Cavaco, então, sim, Belém talvez viesse mesmo abaixo pela força da sua voz.
Soares age por instinto e amor à vida, amor ao próximo, amor a Portugal. Mas as suas lancinantes palavras são pontas afiadas sem pau.
Duplo abuso policial no Parlamento
Invadir as escadarias do Parlamento é invadir o Parlamento. Não expulsar os invasores é ser cúmplice da invasão.
O que aconteceu no dia 21 de Novembro de 2013 em Portugal foi a tentativa de um golpe de Estado. Simbólico, dizem os golpistas. Pois então que tenham também um castigo simbólico: sejam obrigados a abandonar as forças da ordem.
Se o Governo aceitar ver a democracia a ser ameaçada e chantageada por quem jurou defendê-la, estará a declarar oficialmente que o regime entrou no caos.
Exactissimamente
Seguro, era para quê?
A cada dia que passa aumenta o dano que Seguro faz ao País. Começou quando decidiu concorrer à liderança do PS. Era para quê? Para lá estar, é a conclusão ao fim de dois anos. Porque quanto a ideias que justifiquem discussão – já nem digo que suscitem entusiasmo ou mera esperança – nicles. Seguro não tem mostrado outro projecto que não seja o de esperar pela rotação das cadeiras. Contudo, até essa disposição não seria tão prejudicial caso ele tivesse módica lealdade para com os seus companheiros que assumiram responsabilidades governativas recentes – ou seja, para com o partido e para com os portugueses. Mas é ao contrário. Uma das mais surpreendentes, notáveis e influentes decisões de Seguro foi a de se recusar defender os Governos de Sócrates dos ataques constantes da direita partidária e jornalística. Essa estratégia não se revelou apenas ineficaz, como as sondagens foram sempre exibindo, ela é também uma prova do erro que o PS cometeu ao se entregar incautamente a Seguro.
Claro, Seguro estava destinado a ser secretário-geral. Se não tivesse sido em 2011, continuaria a minar terreno e a aguardar a sua vez. Lá chegaria, fatalmente. Como escolheu ser o sucessor de Sócrates e ser o líder da oposição de um país entregue à Troika, essas circunstâncias não devem ser vistas como atenuantes, bem pelo contrário. Que se saiba, o homem não foi na ponta da baioneta nem a contragosto para a disputa eleitoral com Francisco Assis. Logo, repita-se a pergunta: era para quê?
Para quem se arrogou superioridade moral face à própria bancada socialista, como várias das suas intervenções no Parlamento deixaram registado antes de 5 de Junho de 2011, alguém que era o rosto da oposição interna a Sócrates e que nesse papel agitava as bandeiras da luta contra a corrupção e da defesa da transparência, é revoltante, se não for repulsivo, assistir à complacência, calada cumplicidade, que foi mostrando nos casos Relvas, Maria Luís Albuquerque e Machete, todos exemplos de perjúrio no Parlamento. O grau da contradição com o que apregoava de si próprio no tempo em que fazia coro surdo com as campanhas negras contra Sócrates é equivalente às mentiras de Passos antes de meter as beiçolas no pote.
O PS teve uma liderança com responsabilidades governativas cujo programa e realizações foram atacados recorrendo-se exclusivamente ao cardápio do que de pior a baixa política tem para oferecer aos pulhas. A lista das canalhices descobertas não pára de crescer, é um vendaval de trafulhices, calúnias e golpadas que envolvem PSD, CDS, Presidência, magistrados, jornalistas, publicistas e alimárias inacreditavelmente estúpidas. Basta recordar o ar de gozo com que um Marcelo Rebelo de Sousa dizia que o PS tinha perdido a maioria por causa do Freeport para termos o retrato do que é a oligarquia nacional a tratar dos seus assuntos. Esta história não é apenas mais uma nota de rodapé da História de Portugal, dadas as calamitosas consequências da política de terra queimada que serviu de meio para a subida ao poder dos desmiolados além-Troika. Esta história é a história das nossas vidas. E exige um PS que reponha o sentido dos acontecimentos.
Seguro obliterou radicalmente o legado do partido e, com isso, tornou-se o aliado perfeito da táctica da direita que consiste numa e numa única obsessão: continuar a diabolizar Sócrates e continuar a deturpar 6 anos de governação que nunca foram avaliados com honestidade intelectual. As sondagens mostram que a fórmula resulta, inclusive dentro do eleitorado socialista. Mas, quem sabe, talvez um dia alguém lhe faça a pergunta: Seguro, isso de traíres o voto de 1 568 168 portugueses, era para quê?
Mestrado em rock
As iludências aparudem
A Selecção chegou à Portela e tinha “umas dezenas” de almas enregeladas à espera. Umas dezenas quer dizer, em linguagem jornal-patrioteira, 46 mamíferos, dois terços deles taxistas com banca montada no aeroporto, o restante terço amigos e familiares dos jogadores. Nem mais, nem menos. Mas é essa a conta, não falha.
Quer isto dizer que a cidade e o País ignoraram olimpicamente o que se passou na Suécia quando comparado com o que se passa no desafio que consiste em sobreviver à passagem da mais canalha e incompetente direita pelo Governo.
Estamos bem da bola, afinal.
Perguntas simples
À série
2007_Tom Kapinos_1ª época
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Marcy Runkle – Do you know how hard it is to get a girl off? It is like disconnecting a bomb. I mean, there’s all these wires and shit down there… Plus, the studies show that the female orgasm is like 99% mental… Who has time for that?!
Karen – OK, so… so, that’s good… So you want to go back to the 4-minute gruntfest thing, like in-out, done…
Marcy Runkle – Yeah, give me a mouthful of cock any day… suck, gargle, spit. Works like a charm.
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Podia ter sido uma série sobre a Califórnia como epílogo aporístico da mitologia americana.
Podia ter sido uma série sobre a luxúria e devassa sistémicas de que se fez Hollywood, a do cinema e a da televisão, a de ontem e a de hoje, a dos ricos e a dos pilha-galinhas.
Podia ter sido uma série sobre a reencarnação de Kerouak, onde acompanharíamos Hank Moody na sua irremediável desgraça depois de ter escrito o livro de uma geração.
Podia ter sido uma série sobre o labirinto da criatividade e o inferno da fama, mas com uma média de cinco fodas por episódio.
Podia ter sido uma série sobre a cultura pós-namoro, pós-relação, pós-monogamia, pós-casal, pós-amor, pós-afecto.
Podia ter sido, e é, uma série onde Tom Kapinos se veste de David Duchovny e ainda consegue ser pago por isso.
Podia ter sido uma série sobre uma série de tantas coisas. E, afinal, é tão-só um dos mais bem produzidos e divertidos hinos à segurança, conforto, modorra, neurose, hipocrisia e infelicidade que o casamento tem para oferecer ao macho suburbano que há em cada telespectador – e em cada telespectadora.
Exactissimamente
Não, não é possível! Não nos faças isso, Paulinho!!
República dos bananas
Dos casos mais polémicos, Noronha Nascimento recorda as escutas a José Sócrates, enquanto primeiro-ministro, que mandou destruir. Diz estar convencido de que ainda existem cópias destas conversas e afirma que, se fossem conhecidas, “acabava-se o romance”
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Noronha do Nascimento disse exactamente o mesmo que Pinto Monteiro agora diz. Ambos, de resto, já o tinham declarado quando denunciaram a judicialização da política levada a cabo pelo PSD e CDS. Portanto, a Procuradoria também o deveria incluir na análise em toda a sua abrangência que anuncia ir fazer.
Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento foram atacados pela direita decadente por cumprirem a lei. A sua alusão às cópias que ainda existirão aqui e ali nasce do fenómeno da multiplicação das escutas ocorrido em Aveiro, onde investigadores do Ministério Público e Tribunal conseguiram a proeza de tornarem indestrutíveis os registos da espionagem política ocorrida.
Deste contexto veio a evidência: se as escutas que nada continham de ilegal, mas que eram elas mesmas ilegais, apareceram logo na imprensa e foram uma das principais armas de desgaste e descredibilização do Governo socialista e da pessoa José Sócrates, mais rapidamente e com mais força apareceriam quaisquer laivos de real ilegalidade. Como não aparecem, conclui quem também as leu integralmente, é porque nada há nelas que aproveite aos pulhas.
Uma conclusão fica a pairar sobre estes episódios, a de que a nossa comunidade, entalada entre duas decadências, não se dá ao respeito próprio e à decência colectiva. Só isso torna possível a impunidade de quem perverte a Justiça.
Revolution through evolution
Men Support Cracking Glass Ceiling
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THE MANY REASONS LONG HOURS ARE AWFUL FOR YOU, YOUR WORK, AND YOUR CLIENTS
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Why Creativity Thrives In The Dark
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6 EXERCISES TO STRENGTHEN COMPASSIONATE LEADERSHIP
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Exercise During Pregnancy Gives Newborn Brain Development a Head Start
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Literacy Depends on Nurture, Not Nature, UB Education Professor Says
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Math and Juggling Lead to Better Problem-Solving Tools, Professor Says

