Seguro, era para quê?

A cada dia que passa aumenta o dano que Seguro faz ao País. Começou quando decidiu concorrer à liderança do PS. Era para quê? Para lá estar, é a conclusão ao fim de dois anos. Porque quanto a ideias que justifiquem discussão – já nem digo que suscitem entusiasmo ou mera esperança – nicles. Seguro não tem mostrado outro projecto que não seja o de esperar pela rotação das cadeiras. Contudo, até essa disposição não seria tão prejudicial caso ele tivesse módica lealdade para com os seus companheiros que assumiram responsabilidades governativas recentes – ou seja, para com o partido e para com os portugueses. Mas é ao contrário. Uma das mais surpreendentes, notáveis e influentes decisões de Seguro foi a de se recusar defender os Governos de Sócrates dos ataques constantes da direita partidária e jornalística. Essa estratégia não se revelou apenas ineficaz, como as sondagens foram sempre exibindo, ela é também uma prova do erro que o PS cometeu ao se entregar incautamente a Seguro.

Claro, Seguro estava destinado a ser secretário-geral. Se não tivesse sido em 2011, continuaria a minar terreno e a aguardar a sua vez. Lá chegaria, fatalmente. Como escolheu ser o sucessor de Sócrates e ser o líder da oposição de um país entregue à Troika, essas circunstâncias não devem ser vistas como atenuantes, bem pelo contrário. Que se saiba, o homem não foi na ponta da baioneta nem a contragosto para a disputa eleitoral com Francisco Assis. Logo, repita-se a pergunta: era para quê?

Para quem se arrogou superioridade moral face à própria bancada socialista, como várias das suas intervenções no Parlamento deixaram registado antes de 5 de Junho de 2011, alguém que era o rosto da oposição interna a Sócrates e que nesse papel agitava as bandeiras da luta contra a corrupção e da defesa da transparência, é revoltante, se não for repulsivo, assistir à complacência, calada cumplicidade, que foi mostrando nos casos Relvas, Maria Luís Albuquerque e Machete, todos exemplos de perjúrio no Parlamento. O grau da contradição com o que apregoava de si próprio no tempo em que fazia coro surdo com as campanhas negras contra Sócrates é equivalente às mentiras de Passos antes de meter as beiçolas no pote.

O PS teve uma liderança com responsabilidades governativas cujo programa e realizações foram atacados recorrendo-se exclusivamente ao cardápio do que de pior a baixa política tem para oferecer aos pulhas. A lista das canalhices descobertas não pára de crescer, é um vendaval de trafulhices, calúnias e golpadas que envolvem PSD, CDS, Presidência, magistrados, jornalistas, publicistas e alimárias inacreditavelmente estúpidas. Basta recordar o ar de gozo com que um Marcelo Rebelo de Sousa dizia que o PS tinha perdido a maioria por causa do Freeport para termos o retrato do que é a oligarquia nacional a tratar dos seus assuntos. Esta história não é apenas mais uma nota de rodapé da História de Portugal, dadas as calamitosas consequências da política de terra queimada que serviu de meio para a subida ao poder dos desmiolados além-Troika. Esta história é a história das nossas vidas. E exige um PS que reponha o sentido dos acontecimentos.

Seguro obliterou radicalmente o legado do partido e, com isso, tornou-se o aliado perfeito da táctica da direita que consiste numa e numa única obsessão: continuar a diabolizar Sócrates e continuar a deturpar 6 anos de governação que nunca foram avaliados com honestidade intelectual. As sondagens mostram que a fórmula resulta, inclusive dentro do eleitorado socialista. Mas, quem sabe, talvez um dia alguém lhe faça a pergunta: Seguro, isso de traíres o voto de 1 568 168 portugueses, era para quê?

25 thoughts on “Seguro, era para quê?”

  1. Tenho uma dúvida, quiçá parva: “Seguro, era para quê?” ou “Seguro era para quê?”, sem a vírgula. O primeiro caso seria se a pergunta fosse feita diretamente ao Seguro, no segundo acho que é o próprio sujeito da frase. Perdoem-me se estiver a ser ignorante, é só uma dúvida :)

  2. Pobre PS, depois do Pinóquio Sócrates este Seguro não acerta uma!

    Mas, como em tudo na vida dos homens e dos grupos e das pulsões inconscientes que moldam as opções, os gestos, as palavras e os caminhos:

    VOCÊS, RAPAZIADA de BOCEJANTES e BOLORENTAS PROSÁPIAS:

    MERECEM-NO TODINHO. O SEGURINHO. TODINHO.

    LAMBUZEM-SE até aos GENOUX e NÃO SE ACANHEM com as PARTES PUDENDAS.

    Talvez não seja conceito fácil de digerir e menos ainda de alcançar: mas o SEGURO é a exacta imagem do PS

    Uma ALFORRECA ideológica e uma anedota POLÍTICA

    VIVA o XuXialismo

  3. Seguro, o campeão das frases ocas saídas de uma má revista do Parque Mayer. Onde as bôcas podem surtir efeito no palco e fazer sorrir 5 minutos.

    Mas como qualquer mau comediante, que repete sempre as mesmas piadas, ao fim de um tempo torna-se cansativo e sem graça…

    Há que dizer que não é o resultado de uma eleição que faz de Seguro um político com dimensão para secretário-geral e muito menos para PM.

    Seguro nada teve com a vitória do PS, que foi conseguida, apesar dele.

    Claro que a recusa de negociações sérias com o PSD é uma irresponsabilidade, que vai prejudicar o país a muito curto prazo.

    E há o assunto da constituição, premente, que necessita muito tempo e trabalho conjunto, para uma revisão que liberte os governos da incerteza permanente sobre a legalidade das medidas propostas.

    Há a imagem passada para o exterior, em que a adesão do PS ao programa de ajustamento representa uma garantia para credores e uma possibilidade de melhores negociações, sobre prazos e juros.

    Mas Seguro não tem a visão para estes assuntos: já percebeu que dizer que não quer austeridade, nem cortes nas pensões,nem impostos, etc , é bom para ganhar eleições e é por aí que vai continuar.

    Ganhará todas as eleições, mas quando tomar conta do poder, o navio já estará no fundo….

  4. Será que sabe…?! O Tó Zé já deu muitas mostras de que quando se estava a distribuir inteligência ele estava no fim da fila…

    É um tolinho, um irresponsável, e não faz a mais pálida ideia do que o espera se chegar a PM.

    Sim, o PS ganhou…. com os votos de 19% do eleitorado… Os partidos do governo arrecadaram quase 17%. Mais uma vez, ganhou esmagadoramente a abstenção!!!

    Num cenário destes, com uma abstenção superior a 47% e os nulos e brancos a chegar aos 7%, uma diferença de pouco mais de 2% é muito “magrinha”… O PS convenceu menos de 1/5 da população! Isto num cenário de total descontentamento relativamente à acção do governo é uma miséria total!

    O país mostrou ao governo que não está satisfeito, mas também mostrou claramente a Seguro que ele não é alternativa…

  5. Tratava-se de um tipo de contrato colectivo, com regulamentação complexa, mediante o qual os membros de uma colectividade, com o auxilio de um profissional do calculo probabilistico, punham em comum algumas poupanças na perspectiva de auxiliar aqueles que, entre eles, vinham a ser vitimas de um risco, ou seja de um evento aleatorio mas suficientemente previsivel para ser possivel calcular a sua repartição pela população dos assinantes. Por exemplo, entre os membros de um partido politico, a possibilidade de ser momentaneamente impossivel encontrar um lider inteligente…

    Não sei porque usas o pretérito, estes contratos ainda existem hoje e são praticados em muitos dominios da vida social.

    Boas

  6. Este “seguras miserias” é um dos colaboradores do grande Moreira de Sa, a estagiar no Aspirina B ?

    Diz-me la meu bacorito, que outras partidazinhas ja fizeste ou estas a pensar fazer, para impressionar o Mestre de Pulhices da Univ de Vigo ?

  7. Seguro muito parecido com uma toupeira no PS…. O Kim Philby do PS ?
    Será tão responsável pelo estado em que o país ficar como o governo.
    Livrem-se do Seguro, já, ou nem o PS sobreviverá….

  8. antes de começar,quero dizer ao joão lisboa,que eu antes de votar,revejo as imagens na tv, da implusaõ das “torres da pasteleira” no porto, e vem-me logo à memória os gloriosos anos da perestroika. quem defende um regime destes ,não é desonesto intelectualmente,mas muito pior! é um especialista no conto do vigario, idêntico aqueles que aparecem a roubar as reformas aos velhinhos,nas aldeias longinquas.como esta profissaõ,não pode entrar em vias de extinçao,contratam uns jovens para se iniciarem na atividade com o argumento dos “amanhãs do pilim dos outros”

  9. Seguro para quê? Boa pergunta, que até pode ser alargada a toda a oposição. Oposição para quê? De facto, esta oposição sempre esteve no “bolso” desta direita que Seguro, Jerónimo e o Semedo ajudaram a chegar ao pote. E como acabaram todos do mesmo bando, chefiados pelo presidente Cavaco, é inevitável que o poder caia de podre, na rua, como em 1974. Não se trata de uma revolução. Será apenas mais uma mudança de rumo, travando o descalabro da democracia. Não se sabe ao certo quem serão os protagonistas. Soares saiu na frente, mas não pode ir muito mais longe. Pela idade. Desta vez não será o exército a depor os governantes. Serão as polícias a fazer ruir a estabilidade do cavaquistão. E até acredito que, desta vez, alguns vão ser levados à barra do tribunal.

  10. quanto a seguro,tenho a dizer que durante seis anos do governo socrates,critiquei o seu comportamento calculista.como tal, só posso dizer, que nunca votaria na sua eleiçao se fosse militante. em nome da seriedade,temos tambem que concluir que a actual a situaçao diz-nos que algo está errado tambem no funcionamento do partido socialista,quando a oposiçao ao lider se resume aos blogues,sem a intervençao de militantes destacados está tudo dito!.mario soares pede e bem, a demissaõ de passos coelho e do presidente da junta de freguesia de boliqueime,por que não tem uma conversa com seguro,para o convidar a seguir o mesmo caminho? se isso acontecesse ,quem acham que se devia chegar-se à frente, e se ele por acaso aceitava o cargo,depois de ter sido dinamitada a narrativa do ps, por causa do probleminha seguro/ sócrates! termino dizendo , que para mim o lider mais consistente para o ps é indiscutivelmente silva pereira.

  11. “Claro que a recusa de negociações sérias com o PSD é uma irresponsabilidade, que vai prejudicar o país a muito curto prazo.”

    a direita tem um presidente, um governo, uma maioria no parlamento, a comunicação social no bolso e uma oposição ruminante, até agora fizeram ao contrário tudo o que prometeram aos eleitores e não cumpriram uma única medida acordada com a troika. perante este falhanço total, querem negociar o ps o quê? que contenha a ira de quem elegeu o governo? devem andam a sonhar com gambuzinos, peçam ao cavaco para juntar de novo a santa aliança dos psd, cds, pcp, be e diolindos.

  12. As arrastadeiras andam nervosas, já nem se dão ao
    trabalho de se disfarçarem! Um miserável coloca um
    “post” a tentar arranhar o PS com vacuidades, de
    seguida confessa ao que vem, quer que o Tózé vá ao
    chá para o consenso!
    Tanta estupidez, só no reino dos estarolas, eles sa-
    bem que o tempo está a acabar-se por isso, é o far-
    tote que se tem visto em colocações à pressão por
    tudo o que seja teta dos gabinetes como das ditas
    autoridades! Mentirosos, incompetentes, porcos e
    feios … nem podem sair à rua e, não serão só julga-
    dos pelas eleições deverão ser julgados no Criminal!!!

  13. Em termos os muito simples é isto que vai acontecer.Seja o lider do PS Seguro, Costa, o “Ti Zé da esquina”, ou a maior sumidade que o PS possa entretanto encontrar!

    Repito: quando voltar ao Poder, o que será muito provável em 2015, o PS vai ter em mãos uma “sarilhada” bem maior que aquela em que estamos metidos hoje!

    Por isso caro Tozé: “para quê a pressa para quê a pressa”? Sejas tu, o Costa ou outro qualquer a presidir ao PS e o Governo de Portugal vão “borrar-se de medo” com o que vos vai cair em mãos!

    Não tenham a menor dúvida!

  14. Com todo o respeito,isto de colocar o António Costa e o António Seguro no mesmo plano é a mesma coisa que confundir um guada-sol com o sol da guarda.Mas,enfim…

    Amigo Val,o tiro é certeiro.Mas,o sono já vai longo…

  15. Excelente texto, Valupi.

    Dois anos volvidos sobre a sua ascensão a líder após a descida do elevador, o PS não avançou nem um milímetro e a situação política do País, em contraste com a involução dramática que vem sofrendo e se vai prolongar e agravar no próximo ano, só conheceu um tímido estremecimento quando o Povo se juntou em frente do Palhácio de Belém a cantar o «ACORDAI!» (que, porém, ainda não foi suficientemente despertativo) e uma aparência de movimento quando o Gaspar deu à sola e o irrevogável criou um episódio de breve “suspense”, prontamente afogado numa xaropada peganhenta, ao som de uma bando (filarmónico) de cagarras.

    O mais certo, porém – e basta ver os cagalhões ministeriais já borrados de medo e a cagar bostas de pescada na blogosfera -, é o indigente Seguro ganhar mesmo as próximas Legislativas, nomeadamente com os votos da mesma massa bruta que em 2 011 deu a vitória ao atrasado moral do Passos Coelho.

    O que isso adiantará ao Futuro do País é que me parece pouco ou nada diferente do nada que estes dois últimos anos adiantaram, como já TODOS sabem, excepto os que mamam no pote.

    Esclareço: estes também sabem – ó se sabem! -, só que, como é óbvio, não se importam nada. Sobretudo porque, para as suas vidinhas, estes dois anos e os meses que lhes restam adiantaram e bastante. Ó larilas…

    Mas, como diz o Povo, “quem em casa o veste, NA PRAÇA O DESPE!».

  16. O Tozé Seguro marca a diferença. Prometeu fazer oposição sim, mas com “cortesia e elegância”. Por isso tem sido tratado como um zero à esquerda por esta “gente honrada, cumpridora da palavra dada”. Marca a diferença pq não foi capaz de defender um governo socialista liderado por Sócrates. Também por isso, a direita neoliberal, tem usado e abusado da “bancarrota a que o país chegou”, sem que o Tozé Seguro tenha defendido o legado socialista. O Tozé Seguro é um ressabiado, um panhonha, que agrada à canalha que nos governa.

  17. Tanta raiva, tanta grosseria. Ressabiados de José Sócrates. Exponham-se na praça pública perante o povo, ao terão de explicar ao que vêm e obter a confiança e o voto. Ainda é assim. Julgam-se muito superiores aos Relvas, mas não passam de uns merdas sem coragem de aparecer à luz da realidade. Quanto ao candidato que propõem o que ficou a fazer quando o chefe ” incendiou as naus”, perdeu eleições e continua ” a não desejar depender do favor popular” . Expliquem-me devagarinho como é que em democracia se exerce o poder político sem voto popular? Por herança? Delegação? Expliquem lá isso seus cobardolas.

  18. Esta carta aberta ontem estava no facebook de AJS. Foi apagada mas acabo de encontrá-la, pagina de José Sócrates. Lindo. José Sócrates é um crápula e vocês uns sem vergonha. Uma cambada de delinquentes iguais aos Relvas, Moreiras
    Hirondino Isaías
    Militante do PS
    Parque das Nações

    Caro Camarada…
    António José Seguro

    CARTA ABERTA

    Antes de mais, apresento as minhas maiores saudações socialistas.

    Por outro lado, e como militante do Partido Socialista, quero salientar que nada tenho contra o Camarada, enquanto Secretário-Geral, nem do trabalho que tem vindo a desenvolver pelo nosso Partido e por Portugal.

    No entanto, dia após dia, a situação do País e da esmagadora maioria dos que nele trabalham e habitam, está a detiorar-se graças aos cortes brutais nos rendimentos dos trabalhadores e dos pensionistas, ao enorme aumento dos impostos e à má governação dos Partidos que estão no Governo.

    Se esta situação se mantiver por mais tempo, o País ficará numa situação muito pior do que aquela que existia quando a “Troika” e o Governo PSD/CDS entraram “em funções”, razão pela qual Portugal não pode continuar assim.

    Perante os erros cometidos, por diversos Governos, o nosso País necessita de um Primeiro-Ministro preparado, experiente e com uma grande capacidade de trabalho para que as Portuguesas e os Portugueses voltem a acreditar em Portugal como um País de futuro na Europa e no resto do Mundo.

    O nosso atual Secretário Geral, António José Seguro, irá dar certamente um bom Ministro, numa próxima Governação Socialista, e até poderá ser, um dia, Primeiro-Ministro de Portugal, mas antes disso, e sem querer ferir susceptibilidades, o nosso Camarada António Costa é aquele que, sem desprimor para ninguém, poderá garantir como Primeiro-Ministro de Portugal o princípio do fim de uma crise sem precedentes para Portugal e para todos nós, tal como fez na cidade de Lisboa.

    Caro António José Seguro,

    Espero que esta “Carta Aberta” não seja considerada nenhuma “ameaça” à liderança no Partido Socialista, mas sim entendida como uma ”opinião sincera e honesta” para bem de Portugal de todas as Portuguesas e Portugueses.

    Com as maiores Saudações Socialistas,

    Parque das Nações, 21 de Novembro de 2013,

    Hirondino Isaías
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