Violência, não – Inteligência e coragem, sim

Para se ter exemplar ilustração do efeito das palavras de Soares no agitar da bandeira da violência, basta escutar o que diz o primeiro participante popular do Fórum TSF – Os protestos e o estado do país – ao minuto 13, anunciado como professor universitário.

Portugal já era, antes da crise, um país onde se estimava existirem 1 milhão de doentes por depressão. A crise terá aumentado esse número para grandezas desconhecidas mas necessariamente devastadoras. Um discurso que não ofereça qualquer esperança de aglutinação construtiva das forças sociais, e se lance na ameaça destrutiva seja lá qual for a justificação, é de uma irresponsabilidade intolerável. Venha de quem vier, mais grave por vir de quem vem.

Simetricamente, os agentes da ordem que discursaram no alto da escadaria do Parlamento que tinham acabado de conquistar alegaram terem direitos especiais por serem forças armadas e com treino policial. Foi assim que embrulharam tanto a sua violação da lei como a passividade dos colegas, de repente muito ajuizados por não se estarem a meter com quem lhes poderia responder na mesma moeda.

O Soares nos seus 60, 50, 40, 30 e 20 anos teria palavras de repúdio, mesmo que amoroso, para dizer ao Soares nos seus 80 quase 90 anos. Precisamente em nome da democracia e da liberdade. Viver em democracia quer dizer que é através da liberdade que lutamos pelas nossas causas. E a liberdade ou implica o respeito pelos direitos inalienáveis de todos ou se transforma em violência.

Quem usar a violência com que o actual Governo castiga e rouba os portugueses como desculpa para promover a violência contra o Governo e quem o apoie estará apenas a mostrar que se identifica com as práticas de uma direita decadente e traidora que calhou chegar ao poder no momento em que mais precisávamos de quem nos defendesse.

25 thoughts on “Violência, não – Inteligência e coragem, sim”

  1. Aplaudo de pé as palavras do Val. E acrescentaria: é bem possível que as palavras um tanto desabridas, a roçar a irresponsabilidade, de Soares, tenham origem na má-consciência de quem há pouco mais de dois anos arengava para os laranjinhas na “universidade de verão”. Sabe-se hoje que é mesmo universidade da pulhice direitola, e Soares tinha obrigação de saber isso muito antes de mim, pela sua longa experiência política. E, sobretudo, má-consciência porque assistiu de bancada ao espectaculo indecoroso das feras da esquerda e da direita a morderem até ao osso as canelas do governo PS, particularmente as do seu primeiro ministro. Chegou mesmo a fazer coro com a matilha, saindo em defesa de um PR que havia sido mantido na ignorância da assinatura (!!!) de um tratado internacional. Como se isso fosse verdade! Mas era conveniente e muito simpático fazer coro, ali e nessa hora. Soares pensou que a Troika era a solução melhor, Sócrates estava errado e era um aventureiro. Não “cheirou” nada da golpada que se preparava contra a democracia? Então, ao menos, cale-se.

  2. mais um texto que apela às soft skills de cada cidadão, que é o mais importante neste momento, sem boas cabeças as sentenças são sempre más, um calmante morninho a ver se quem não entendeu os outros dois textos anteriores entende agora.

    além de instigar a violência o que Soares fez foi, sem essa intenção positiva, exaltar o Presidente da República perante o povo em uma espécie de ética invertida: a sua falta de ética enquanto ex presidente ao maldizer – da forma que o fez no seu conjunto, misturando violência com maledicência – o actual, desenvolveu ondas e pretextos solidários perante este último.

  3. o problema do soares é viver ainda na era do telefone fixo e pensar que tudo se resolve com uma chamada telefónica, um cozido à portuguesa para casos complicados ou um carlos do carmo a fazer de herman josé.

  4. os portugueses não sentem revolta por estar a pagar mais impostos, ou por lhes estarem a sacar parte da reforma. a revolta tem a ver com a legitimidade deste governo, que varreu o pais do algarve até ao minho com a arma mais poderosa que há: A MENTIRA.conseguindo desta forma,VERGONHOSA levar a cabo um UM GOLPE DE ESTADO em plena campanha eleitoral. ocupado o pais,roubam-nos o pão nosso de cada dia,para satisfaçao da sua agenda ideologica,com os resultados desatrosos que quase todos sentimos na pele.digo quase,por que há mais alguns multimilionarios neste desgraçado pais.Mario soares não é bruxo,mas continua a ver longe desde 1974.

  5. maria abril,compreendo parte do seu discurso,mas se tudo que disse fosse levado a serio,poucos tinham legitimidade para estar na aula magna,por terem colaborado no “golpe de estado da mentira” com o chumbo do pec4.ir à universidade dos laranjinhas,não tem mal, se for para os tornar mais cultos e solidarios.

  6. Com este reinado soarista de 40 anos a felicidade não tem fim.

    A imagem imortal de Soares, que deu cobertura às maiores barbaridades destes 40 anos, (tudo se justifica desde que em “liberdade”), desde bancos nas coxas, estradas para caracóis, túneis para lagartixas, jovens gerações de pensionistas…a Imagem de Soares, representa na perfeição a irresponsabilidade nacional pós ditadura.

  7. Ou como diria Paulo Portas:
    “As declarações de um antigo Presidente da República [Mário Soares] são graves porque elas significam, mesmo que involuntariamente, a legitimação da violência e em democracia a violência nunca é a forma adequada de manifestar uma opinião”
    Valupi, tem cuidado com as companhias…

  8. Como já aqui disse, estou estupefacto com os últimos posts deste blogue.
    Então não é violência, o que este governo despudoradamente mentiroso, está a infligir aos portugueses pensionistas, funcionários públicos, etc., quer dizer, aos remediados e pobres deste país? Roubar pensões atribuídas depois de uma vida de trabalho, não é violência? Ainda da por cima, depois de ter dito que ia fazer o contrário, na campanha que lhe deu os votos para tomar o poder?
    Não, agora é definitivo, não venho aqui mais – quem considera estar a viver em democracia, (des)governado por estes bandidos, eleitos ilegitimamente, não merece sequer que pense neles! São, mesmo indirectamente, apoiantes de gente fora-da-lei, com a nojenta criatura cavacóide à cabeça!
    Vão passear e arejar, vocês são tudo menos consequentes!

  9. Há tantas virgens preocupadas com a violência… Será que o exercício contínuo que o actual “governo” vem praticando diariamente,desde a rábula em que sustentou o chumbo do PEC IV até aos nossos dias, passando por todas as sujeiras comportamentais(hoje devidamente documentadas)e sabujices dilatórias,UM ACTO DE VIOLÊNCIA PERMANENTE DIRIGIDO AO PAÍS E AOS PORTUGUESES?Não brinquem comigo!(…)
    Quero,sem qualquer tipo de rebuço,manifestar a minha concordância com ignatz e nuno cm,no que à matéria em apreço diz respeito.
    Dar beijos e abraços a quem nos pontapeia,é comportamento de tonto sem auto estima nem capacidade crítica.

  10. “Um discurso que não ofereça qualquer esperança de aglutinação construtiva das forças sociais, e se lance na ameaça destrutiva, seja lá qual for a justificação seja lá qual for a justificação, é de uma irresponsabilidade intolerável. Venha de quem vier, mais grave vindo de quem vem”.
    Como sabe val que o discurso não oferece qualquer esperança de aglutinação? A realização do encontro não foi, já ela em si, um início de aglutinação? Face aos desmandos, tropelias, falsidades e delinquências não estão reunidas as condições objectivas para que uma faisca provoque uma aglutinação imparável?
    E tem de ser “construtiva”? Entende val que uma aglutinação construtiva só é possível com falinhas mansas e respeitinho? Acha que o falinhas mansas e sonsas do Seguro consegue alguma vez aglutinar alguém para uma luta contra falsificadores de verdades e realidades?
    Se val é apologista do derrube do actual estado de coisas, como tem defendido em inúmeros post neste local, se bem entendi, como quer provocar tal derrube sem ser com ameaça destrutiva? Ou quererá, como Seguro, que o poder caia de podre nem que para isso o país se arruíne e fique desgraçado por gerações? Se o que se passa é muito mau e tende para pior seguindo um caminho que atropela as leis e a Democracia, não será lícito e fazer o bem obstruir, ou destruir, o caminho seguido para tomar o rumo legal que rege a Democracia? Quando o mal acumulado é tanto e insuportável não é preciso, antes de tudo, destruir o mal existente mesmo apenas sabendo que melhor será sempre mudar para o respeito devido ao povo, a democracia e a liberdade?
    Foi Sócrates que disse “é preferível sofrer as injustiças da lei do que infringir a lei”. Mas Sócrates acabou condenado à morte e foi executado pela cicuta. Pretende val que, tomando esse valor absoluto à letra, nos condenemos colectivamente à morte lenta?
    Quanto à iresponsabilidade intolerável mais grave vinda de quem vem, apenas quero dizer que Ulisses para chegar a Ítaca usou de todas as astúcias sem alguma vez ser medroso, mentiroso ou vaidoso por natureza.
    Mário Soares só está tentando cravar o seu pau no olho do Ciclope.

  11. permito-me responder, jose neves, porque visto a carapuça da inteligência e da coragem contra a violência: a tolerância perante a intolerância é aquela coisa de o Homem conseguir aguentar até perante a ideia que já não aguenta mais. isto é, na realidade, um excelente indicador de força. sim, isso mesmo, as ideias é que são a força da liberdade. e o que mais é a violência, incluindo a da palavra que é a da ideia da violência, a castração da liberdade? temos de ser melhores, nunca iguais ou piores, isto é que é o progresso.

  12. Tenho tido dias difíceis, muito difícies, e nada tenho de interessante para dizer.
    O que se segue é muito mais revelador do que o minuto 13 de que fala o Val.
    Josefina, francesa, abandonou um brinco negro em minha casa. Digo abandonou e não que se esqueceu porque apontei-lhe para o objeto quando ela estava de saída, mas nem quis saber. Duas horas depois ligou-me, queixando-se que tinha ficado sem uma orelha na sequência de um assalto ocorrido numa loja do cidadão, pelo que terá sido certamente castigo ou a prova de que nada acontece por acaso.
    A Josefina talvez tivesse sido a mulher menos importante da minha vida, não fosse ter-me ensinado a organizar pequenos eventos para amigos.
    Entretanto, Josefina, ligou-me e como estou bêbedo preferi não atender o telemóvel, mas vou enviar-lhe a seguinte mensagem: “esqueci-me de pedir anchovas na pizza, traz vinho e crepes de chocolate”.
    A Jandira era muito mais dócil e inteligente, mas desembaraçou-se de mim ao fim de uma semana. Nunca ouvi um homem dizer que foi abandonado por uma mulher mais inteligente.
    Falava da importância da Joaquina, digo Josefina, Joaquina era a mãe do meu dentista com quem falei cerca de 5 minutos, por acaso, no consultório do filho enquanto esperava pela consulta e isto terá sido há cerca de 15 anos atrás.
    Josefina foi então muito importante para o meu crescimento enquanto pessoa, e foi por causa do seu andar másculo, que tanto me desagradava, que, ao vê-la passar em frente a uma livraria em cuja montra figurava um busto do Pessoa, me surgiu a questão da inexistência de um seu heterónimo feminino.

  13. “Para se ter exemplar ilustração do efeito das palavras de Soares no agitar da bandeira da violência, basta escutar o que diz o primeiro participante popular do Fórum TSF – Os protestos e o estado do país – ao minuto 13, anunciado como professor universitário.”

    oh pá! és mêmo tanso. vai dar banho ao cão mais o exemplar de professor universitário que te impressionou, só agora sintonizei o ’13 e em “13 de pesquisa descobri que é um comuna viciado em foruns tsf, só não descobri se trabalha para o bacalhau à sá. pega lá link e se tiveres dúvidas googla: josé cavalheiro prof. universitário matosinhos e vais ver a folha de serviço que aparece.
    http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Interior.aspx?content_id=754837

  14. o promontório sexual da lourinhã agora dá aulas de religião moral às visitas da casa. oh bola de banha com creme! tira daí a fronha, késsa merda dá vómitos e causa vertigens tipo pinhal novo.

  15. Pelo que aqui constato tenho que me reciclar nas doutrinas que o abade da minha parvónia nos pregava nas horas vagas,poucas porque sobrantes de uma pujante cacicagem e da gestão de um vasto património de legados mais ou menos pios porque também era presidente camarário.E o que nos ditava o abade,que oferecessemos o outro lado da face depois de uma valente chapada,atitude que a bem da verdade não só nunca praticou como jamais perdoou ofensas à sua pessoa e muito menos ao beato de Santa Comba.Reconheço que agora há outro tipo de abades,de um e outra banda,os enxundiosos do pote ditos democratas porque sim,e os propriamente ditos,que nos aconchegos de que disfrutam,acham que pois claro ,há que dar a face ao látego de quem foi “democraticamente eleito” e se requesitado algo mais que a pudicicia me impede de precisar.Claro que há para aí uma data de maltrapilhos,os tais que “ai aguentam,aguentam”,que não passaram nas catequeses do meu confessor e que por já estarem fartos de esperas e mais ainda com as lombeiras derreadas e as famílias atinir de fomes que pais e avôs aguentaram.que preferem viver sem a tal democracia do arrocho e passar rapidamente aos finalmentes.Pois que também são testemunhas do “olha para o que eu disse…”e com mais ou menos “abades”corruptos a solução é só uma,a que os que contrariados dão parte da focinheira ao castigo sabem,mas”democraticamente”dispensam-se de proclamar.

  16. curioso, o alinhamento que se está a gerar: os da direita governante do lado de quem quer vender à força toda que Soares deixou de ser quem é – o maior político português na defesa da democracia e do estado de direito- para se tornar um velho gagá agitador de massas (ex. Portas) e o de quem mantém a lucidez lembrando que isto é Soares igual a si próprio: na defesa do povo, da democracia e do estado de direito (ex: José Sócrates).
    Mas usou a palavra violência em contexto de alerta e a partir daqui todos os estupores que não lhe chegam aos calcanhares se acham no direito de lhe vomitar em cima. Abram os olhos, vejam a violência à vossa volta, todos os dias, latente ou escarrapachada – olhem para o lado, brutos. Ou não olhem, mas depois não digam que não foram avisados.

  17. Concordo em princípio, mas isso agora de pouco adianta.

    Vejo que a azia é má conselheira e a inveja mais ainda.

    O Soares alertou e muito bem para a violência latente e que pode deflagrar a qualquer momento (como no Pinhal Novo). Só isso. E só por isso é violentamente criticado, sobretudo por quem alimenta a fornalha da violência, como se compreende…

    Critiquem-no e, se preferirem, não lhe dêem ouvidos. Que apelos à “coragem” we à “inteligência” contra um pelotão de fuzilamento de nada servem ao injustiçado.

    De um novo Tito, é do estamos a precisar, para organizar a Resistência! Tito, sim, que só coragem e inteligência, sem granadas de mão, não metem medo a gabirus, nem os fazem avançar para os buracos que lhes estão destinados. Já que agora é demasiado tarde para os fazermos recuar para os buracos esconsos de onde era suposto NUNCA terem saído!

    FOR EVERYTHING THERE IS A SEASON

    AND A TIME FOR EVERY PURPOSE UNDER HEAVEN:

    (…)

    A TIME TO WAR, A TIME FOR PEACE!

    Está escrito na Bíblia (e cantaram os «Byrds»…).

  18. Esta obsessão sobre o alerta para a violência tem dado muito jeito para não se falar sobre a questão de fundo: que é que estava aquela gente a fazer na aula magna? pois, a alertar para uma Violência Maior que é atacar e deixar atacar uma constituição e o tribunal que lhe está associado, ou anunciar com sorrisos que mais uns milhares ficarão no limiar da sobrevivência e do desespero. Um golpe do caraças a todo um povo, a toda uma nação entregue a um grupo de facínoras que prometeram na pessoa do seu representante passos não deixar pedra sobre pedra e que estão a cumprir à risca.

  19. Ontem à noite, na RTP, Sócrates disse tudo sobre esta questão. Disse que é simplesmente ridículo pretender que Mário Soares tenha incitado à violência. Nem mais.

  20. isso só vem reforçar, Roteia, a honestidade intelectual e a ausência de lobbies partidários deste blogue em geral e deste autor em particular – e de quem com ele acontece concordar muitíssimo e até à exaustão.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.