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Nuno Melo by João Galamba

Nuno Melo é um populista que se dedica ao seu trabalho com zelo e entusiasmo. Para ele, está em causa despachar serviço e chegar a tempo ao jantar, o resto é folclore e paisagem. Estamos perante um político que faz na cidade o que os advogados fazem nos tribunais: maximizam os ganhos dos seus clientes sem qualquer consideração pelas perdas que daí resultarem para terceiros. Por exemplo, quando Nuno Melo diz, na cara de Zorrinho, que os 6 anos de governação de Sócrates foram piores do que as governações de Vasco Gonçalves, Marcelo Caetano e Salazar (pelo menos), ele tem a certeza de que a sua ofensa a milhões de portugueses, e sem que castigo algum lhe caia em cima, pode ser usada para o seu ganho imediato: achincalhar o infeliz que está à sua frente, o qual comeu e calou. A técnica em que é perito consiste em começar por largar o insulto mais soez, a demagogia mais obscena e/ou a mentira mais crassa e depois continuar a falar de outros assuntos num registo convencional. Dessa forma, pretende que o interlocutor só responda à parte final da sua intervenção e que insultos e deturpações fiquem gravados na memória da audiência. Insultos e deturpações que não geram sequer uma manifestação de protesto ou um exercício de refutação; logo, quem calou consentiu. Nuno Melo pertence ao grupo que domina a actual direita portuguesa, um grupo de homens e algumas mulheres que respiram o mais feroz cinismo e para quem a política nada mais é do que a luta pelo poder sem olhar a meios para o alcançar. Daí, quando estão na oposição, ficarem tão excitados e paranóicos com os adversários que pintam à sua imagem e semelhança – os quais, portanto, terão de ser uns bandidos do pior.

Porque Nuno Melo voltou a disparar sobre Vítor Constâncio, uma espectacular operação de encobrimento das responsabilidades no BPN que é feita à vista de todos e sem que alguém na sociedade portuguesa tenha vergonha na cara e confronte os escroques, e porque Sócrates continua a estar na berlinda pelas razões mais esdrúxulas, até porque o próprio também gosta deste circo, recupero um debate que ocorreu em Fevereiro e onde o Galamba mostra como se deve tratar um crápula: dizendo-lhe, com a frontalidade de quem se sente, o que se pensa dele.

Debate completo aqui.

Revolution through evolution

Underweight people at as high risk of dying as obese people, new study finds
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Military Men More Distressed by Sexual Harassment Than Military Women
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Celebrities may be going bankrupt to avoid tax bills, warns British tax expert
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Don’t shop for travel at work
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Black markets for hackers increasingly sophisticated, specialized, maturing
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The smaller the cereal flake, the more you’ll eat
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Brain scans link concern for justice with reason, not emotion
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Religion, spirituality influence health in different but complementary ways
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The Unconscious Mind Can Detect a Liar – Even When the Conscious Mind Fails
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Kids’ Books Featuring Animals with Human Traits Lead to Less Learning of the Natural World

Coisas que não se aprendem num manual da BBC

Comentador a entrevistar jornalistaVocê sabe quanto é que nós crescemos em 2010? Qual foi o crescimento económico em 2010, esqueceu-se de ver isso nos seus arquivos?

Jornalista que passou a noite a decorar os manuais de formação da BBC, tendo como funesto resultado não vir preparado para ser entrevistadoNão, não tenho todos os números na cabeça…

Ex-primeiro-ministro que aparenta ter todos os números na cabeçaNão, pois é, foi só buscar alguns. Vou-lhe recordar: crescemos 1,9.

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Uma das características que conferiu originalidade ao confronto entre José Rodrigues dos Santos e Sócrates está na absoluta ausência de animosidade persecutória por parte do jornalista. Aquilo que vimos e vemos em figuras como Manuela Moura Guedes, Mário Crespo, José Gomes Ferreira, Judite Sousa e Ricardo Costa, os exemplos mais notáveis da perversão do estatuto jornalístico ao serviço de uma expressão pessoal soberba, facciosa e/ou patológica, não aparece no exercício do JRS. Ele exibe-se concentrado na estrita formalidade do seu inquérito. As perguntas, para mais, foram todas legítimas e regidas pelo mesmo padrão. Pegou-se numa citação de Sócrates, deu-se-lhe uma interpretação contextual possível entre as várias disponíveis – no caso, os referentes contextualizadores são os que PSD e CDS defendem, mas tal não constitui uma falha evidente na deontologia do jornalista pois poderá ser um determinismo cognitivo – e pediram-se explicações. Simples. Útil?

A originalidade do acontecimento televisivo continuou com a amplificação da surpresa de se ter mudado o formato. O que era suposto ser um espaço de comentário tinha sido transformado numa arena onde havia um combate de vida ou de morte pela credibilidade da palavra de Sócrates. E parecia que o “entrevistado” tinha sido apanhado completamente desprevenido. O título do DN «“Sócrates irrita-se: “Não vinha preparado para isto”» foi construído precisamente para instituir e reforçar essa ideia. Só que ainda havia mais surpresas a caminho, e elas vieram pela mão do próprio JRS: RESPOSTA DE JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS. Este texto é literalmente magnífico, tanto pela riqueza de informações que contém como pela argumentação aduzida na defesa do episódio.

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Disparates

Durante uma visita a Maputo, algures na África, o presidente do PSD e primeiro-ministro nas horas vagas foi abordado por duas estudantes moçambicanas que lhe perguntaram: “Vai mesmo abandalhar por completo o sistema de pensões lá dos portugueses?”.

“Eu nunca ouvi falar disso no PSD. Eu já ouvi uma fonte oficial do Governo dizer, infelizmente, que o PSD quer acabar com muitas coisas e também com alguma réstia de justiça e lógica nas pensões dos portugueses, mas nós nunca falámos disso e isso é um disparate”, respondeu Pedro Passos Coelho.

As duas jovens concordaram: “Pois, também nós achamos”.

“Isso é um disparate”, reforçou Passos Coelho.

Livrem-se

O Livre vai concorrer às europeias. É uma boa notícia, em geral para a cidade, e uma notícia excelente, em especial para aqueles que lhe vão dar o voto nessas eleições.

O Livre recolhe a mesma dinâmica de esperança que o PSR e, depois, o Bloco congregaram até 2005 por força do carisma de Louçã e pela evidência de termos um sistema político bloqueado à esquerda. Rui Tavares não é um líder carismático, porém, o que não é necessariamente mau. Há espaço para modelos de organização partidária onde o carisma resulta não tanto de um monopólio fulanizado como de uma cultura de grupo onde a diversidade seja uma constelação dadora de identidade. Na verdade, carecemos de exercícios organizacionais que sejam inovadores também por essa inteligência colectiva que abomine o colectivismo. O PCP, portanto, não é exemplo, dado o modelo ditatorial que constitui – e sempre constituirá, sob pena de dissolução – a sua essência. O PS e o PSD, por razões diferentes e com finalidades igualmente distintas, são os partidos onde a diversidade está mais presente, contudo correspondem a modelos já anquilosados que cristalizaram virtudes e vícios.

O BE odeia com o mais louco dos ódios, o ódio fraterno, o Livre. Odeia-o porque se revê na sua promessa, e porque sabe que esse seu sonho de outrora perdeu-se no caminho pela megalomania de um líder e a cumplicidade de todos os outros à sua volta. Só que essa magalomania já estava inscrita na lógica que projectou Louçã para a ribalta. Foi assim que se foi impondo como dirigente, prometendo aos próximos que chegaria o dia em que eles chegariam lá – lá, à tirania dos iluminados.

Livre, livrem-se dessa tentação se quiserem respeitar o vosso nome.

A luta pelo título

O título do DN «“Sócrates irrita-se: “Não vinha preparado para isto”» acabou por ficar ele próprio como uma notícia. A sua intenção era a de ser o resumo do principal acontecimento no encontro televisivo entre Sócrates e José Rodrigues dos Santos. Para o autor do cabeçalho, Sócrates tinha-se irritado (i), a sua irritação estava na origem da expressão “Não vinha preparado para isto” (ii), essa expressão revelava que algo de surpreendente se tinha passado (iii), e que nessa alteração à rotina daquele espaço de opinião estava a causa da irritação (iv).

Acontece que o minuto 17 não revela irritação alguma. É precisa e exactamente ao contrário. Quando Sócrates vocaliza o “Não vinha preparado para isto” está a sorrir com exuberante afabilidade e bonomia. E até um calhau da calçada percebe porquê, pois ele ia apenas introduzir informação detalhada que citava de memória. Aliás, o que ali presenciamos é um muito comum recurso retórico em que o orador se apresenta à audiência como tendo uma qualquer fraqueza só para assim reforçar o efeito de poder que se prepara para imediatamente exibir.

O “Não vinha preparado para isto” tem um contexto dialógico unívoco, não se constituindo como um juízo sobre o evento em si nem sobre qualquer atitude ou comportamento do seu interlocutor que lhe merecesse algum protesto. É tão-só uma sentença que, na economia daquela conversa, esgota o seu sentido como interpolação.

Ainda mais notavelmente, em nenhum passo do debate – porque nem sequer uma entrevista aquilo foi – se poderá dizer que Sócrates se “irritou”. Isto é, qualquer um pode dizer que Sócrates se irritou aqui ou ali, ou que está sempre irritado mesmo quando está a dormir, mas um jornalista só o pode publicar se estiver em condições de o demonstrar. Ora, o que ali vemos a Sócrates será, provavelmente, uma das mais suaves prestações televisivas no que à tipologia da sua expressão emocional diz respeito. Fosse lá qual fosse a razão, Sócrates exibiu-se com um perfeito auto-domínio verbal e gestual – o que explica, igualmente, a sua capacidade para deixar o José Rodrigues dos Santos a apanhar bonés.

A escolha da palavra “irritação” também é reveladora, pois é um termo de semântica fluída que se utiliza em actos de agressão dissimulados. Neste caso, associar Sócrates e “irritação” é estar a capitalizar sobre a imagem negativa do “animal feroz” que tem feito as delícias da direita borrada e caluniadora (mas não só…). O que se conclui vendo a peça, todavia, é que quem se irritou foi o jornalista. Irrita-se com o Sócrates por o Sócrates ser o Sócrates.

Enfim, a opção do jornalista mostra como a secção política do DN continua a rivalizar com o CM para o título de anti-socráticos do ano.

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Ver a conversa entre a Fernanda e o Miguel Marujo, e constatar como a argumentação usada para defender o título é pueril.

Revolution through evolution

Younger men receive faster care for heart attacks, angina compared with women of same age, study shows
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The scientific legacy of colonialism in Africa
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Ruling with an iron fist could make your child pack on pounds
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Important and complex systems, from the global financial market to groups of friends, may be highly controllable
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Democrats, Republicans See Each Other as Mindless—Unless They Pose a Threat
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Positive Memories of Exercise Spur Future Workouts
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The Precise Reason for the Health Benefits of Dark Chocolate: Mystery Solved
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More Challenging Content in Kindergarten Boosts Later Performance
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New Study: Big Government — or Good Neighbors — Can Improve People’s Health
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Playing As Black: Avatar Race Affects White Video Game Players

Crespo, um triste palhaço

crespo

Desconheço o que esteja na origem da notícia sobre a saída do Crespo em direcção à reforma. Pode ser tudo e mais alguma coisa. Mas uma outra coisa é certa, o cretino deu o corpo e a alma pela estratégia da actual direita no emporcalhamento do espaço público e nos assassinatos de carácter até Junho de 2011. Não se terá tratado de algo orgânico, não terá havido nenhum contrato, imagino, apenas a sintonia – e sincronização – de oportunidades mútuas. Crespo como jornalista-pistoleiro com a mira apontada a Sócrates e ao PS começava por servir os interesses comerciais da SIC, dando uma notoriedade ao seu programa nascida do sensacionalismo e do caldo populista antipolíticos. Em simultâneo, o formidável cerco moral a Sócrates pedia a constante repetição das difamações e calúnias, de modo a manter a paranóia e o ódio em ponto de rebuçado. Era o 2 em 1, que se transformava em 3 em 1 pela lascívia exibida na missão. Nisso, Crespo foi exímio, e o caso em que invocou supostas conversas privadas tidas num restaurante por nada menos do que um ramalhete onde estavam Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e Nuno Santos, sendo que ele não estava nesse local e sendo que foi desmentido pelo próprio Nuno Santos, foi uma muito eficaz manobra publicitária ao serviço do lançamento do livro A Última Crónica.

O seu espectáculo circense no Parlamento não revela apenas a decadência ridícula de alguém sem respeito pelas instituições republicanas e democráticas nem respeito por si próprio, igualmente representa um tempo e um modo de luta pelo poder. O tempo era o da oposição a um Governo socialista posicionado ao centro, o que levava a que a direita não o pudesse atacar ideológica ou racionalmente. E o modo é o do abandalhamento sistemático, onde vale tudo incluindo achincalhar deputados numa comissão parlamentar. Pelo que o registo dos que foram em romaria celebrar esse tempo e esse modo, marcando presença na festa dos caluniadores, tem o valor de memória futura para nos conhecermos melhor, e muito melhor, como comunidade. Ora, cá vai alho:

Medina Carreira – Autor do prefácio de A Última Crónica.
Paula Teixeira da Cruz – Apresentadora de A Última Crónica no seu lançamento.
Manuela Moura Guedes – Criadora do epitáfio definitivo para a carreira deste monumento vivo do jornalismo lusitano: “Aprendi muito com o Mário Crespo. Devo a ele, e aos seus ensinamentos, uma grande parte daquilo que sou como pivô.
Joe Berardo, Paulo Portas, António José Seguro, José Luís Arnault, Guilherme Silva, Gentil Martins, Alcides Vieira, Luís Marques, Nuno Melo, Ricardo Cardoso, Bagão Félix, Miguel Relvas, António Arriaga, Nuno Santos, Mário Tomé, António José Teixeira, Teresa Caeiro, Vítor Ramalho e Nuno Rogeiro (entre muitos outros, infelizmente sem rasto) – Tudo gente séria, do melhor que há.

O presidente de todos os pulhas

Cavaco falou aos portugueses a propósito das eleições para o Parlamento Europeu. Disse-lhes para se portarem bem. Nada de “troca de acusações e ataques“. Nada de “crispação“. Porque essas porcarias podem estragar os “entendimentos” futuros.

Em 9 de Março de 2011, numa altura em que um Governo minoritário tinha conseguido o apoio da Europa para evitar um resgate de emergência, Cavaco aproveitou o primeiro acto do seu novo mandato para abrir uma crise política marcada por um nível de crispação inaudito e velhaco. O intento era bélico: provocar uma insanável conflitualidade entre oposição e Governo que levasse ao fracasso do plano para evitar o resgate e, consequentemente, que obrigasse o País a ir para eleições nas piores condições possíveis para o PS. Num discurso que apagou o contexto internacional da crise, e que na sua fúria golpista até se esqueceu de fazer qualquer referência às Forças Armadas apesar de se tratar de uma ocasião solene onde tal seria obrigatório, Cavaco assumiu o papel do incendiário que só descansa quando vir a cidade a arder. A sua deliberada inacção nas semanas seguintes, nada fazendo para promover “entendimentos”, fica como uma exuberante manifestação do que é a cultura política da oligarquia, não hesitando em afundar o País para alcançar o poder.

Durante a campanha para as eleições presidenciais de 2011, um dos argumentos que Cavaco utilizou para justificar o voto na sua pessoa foi o da experiência política, que comparava com a inexperiência de Alegre. Dada a situação de extrema complexidade e gravidade em que Portugal se encontrava – prova de que homem não estava louco, era apenas um sonso gigante – se os portugueses deixassem que Alegre meramente chegasse à segunda volta os mercados de imediato nos penalizariam pela estultícia, e esse castigo assumiria a forma da subida dos juros no financiamento externo. Caso Alegre ganhasse as eleições, ficava implícito, as 7 pragas do Egipto seriam como uma brisa primaveril face ao que os mercados nos iriam fazer.

Cavaco, enquanto Presidente da República Portuguesa, é um pulha. Um tipo que para vencer umas eleições faz chantagem sobre o eleitorado é um pulha. Um tipo que após ganhar essas mesmas eleições tudo faz para que o seu país seja obrigado a aceitar as piores condições de financiamento custasse o que nos custasse, incluindo a diminuição drástica da soberania, é um pulha. Um tipo que trata a sociedade como carne para canhão dos seus ódios e ambições é um pulha. Resta só descobrir a razão pela qual este país aceita ser representado no mais alto cargo do Estado por um pulha.

Medeiros Ferreira, por quem não lhe chega aos calcanhares

Não chego aos calcanhares do Medeiros Ferreira. Nunca chegarei. Mas consigo olhar para o homem cá de baixo baixinho. Em 2009, num hotel em Ponta Delgada, cruzei-me com ele no corredor. Pensei “Olha, o Medeiros Ferreira!”. Pensei com ponto de exclamação. E não pensei mais nada. O que ele me deu a pensar como figura pública, todavia, justifica este obituário. Como figura pública nos últimos 6, 7 anos.

Que vi? Um velho. Cheio de actividade, cheio de opiniões, cheio de entusiasmo. Mas velho. Ternamente cínico. Jovialmente egocêntrico. Surpreendentemente infantilóide. E elegantemente soberbo. Velho, por tanto.

Medeiros Ferreira fez parte da elite política portuguesa. Uma elite que tem envelhecido mal, tirando as excepções. Nisso, este adorável açoriano não foi excepcional.

Num país de otários

O aumento da desigualdade europeia deve-se, segundo Passos Coelho, tanto "à irresponsabilidade a nível nacional" como ao facto da Europa, "por distração ou negligência", ter consentido essa irresponsabilidade.

Fevereiro de 2014

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Ninguém, a não ser o indivíduo pago pela Lusa para escrever “facto da Europa”, ligou a estas declarações do Pedro. Por boas razões, elas não tinham nada noticiável a não ser o terem acontecido. O serem um facto (algures na Europa). E também porque elas são a repetição da cassete. Todavia, não é por a cassete ser repetida até ao ponto de passar despercebida que a sua intenção perde eficácia. Trata-se de uma cassete de sucesso, de uma cassete popular. Ao ser repetida em surdina continua a ser escutada como música ambiente, mesmo que conscientemente já não apareça no mapa da atenção.

Vejamos como funciona. Começa por se mostrar a ligação à realidade. Na realidade, as desigualdades têm aumentado entre os países europeus. Daqui, parte-se para a sua explicação. Isto porque o Pedro está em condições de explicar, talvez porque tenha estudado, ou talvez porque tenha pensado, ou talvez porque alguém lhe explicou. Ou talvez por ser evidente; sendo que nem todos, quiçá poucos, conseguem aceder às evidências – porque, enfim, se a maioria da população, ou a maioria dos políticos, tivesse como evidente o que o Pedro nos informa ser a evidência, então o problema já estaria resolvido ou em vias de se resolver, em vez de estar a aumentar.

Pois é, o Pedro está em condições de explicar o facto de a Europa estar como está. Foi assim: a nível nacional, irresponsabilidade; a nível europeu, distracção ou negligência. Vejamos com mais vagar. Todos os países onde se deram retrocessos na igualdade, sejam eles quais forem os países e os retrocessos, comungam de uma singular causa para tal fracasso. Essa causa é a “irresponsabilidade”. Mas o que será a irresponsabilidade no contexto em que o Pedro discorre? Será que os processos democrático e legal foram interrompidos e os governantes desses países deixaram de prestar contas às instituições e ao eleitorado? Ou será que o Pedro nos está a dizer que considera irresponsáveis tanto os governantes, como as instituições, e ainda os eleitorados, desses países que ficaram para trás? Interrogações análogas para a explicação relativa à Europa. A “distracção” foi causada por que outros estupendos distractores? Mas se foi “negligência”, e dados os resultados tão graves dela, quem são os responsáveis? E num caso como no outro, não estaremos, portanto, nós os que sofremos com essas falhas da Europa, em condições de pedir uma indemnização posto que houve uma entidade muito mais forte que permitiu o regabofe quando era seu dever educar-nos e salvar-nos da nossa própria irresponsabilidade?

Esta cassete funciona há séculos. É a mais velha técnica da oligarquia para gasto em democracias. Consiste em reduzir a política à moral. A moral serve aqui para desqualificar o adversário, reduzindo-o a uma caricatura. Na versão do Pedro, os adversários são transformados em crianças que se comportaram como criançolas. E a “Europa” é transformada num contínuo de escola, daqueles manhosos que passam o tempo a ler o jornal ou nem aparecem ao trabalho enquanto a rebaldaria se instala no recreio. Resultado: agora o Pedro vê-se obrigado a mandar sair os jovens do País, a tirar o dinheiro à classe média, a levar os reformados para um final de vida muito pior do que aquele com que contavam, a deixar na indigência um número indeterminado de irresponsáveis e ainda a ter de convencer a população de ser, por actos e omissões, a principal culpada pelos presentes e futuros sofrimentos.

Esta cassete é repetida por muito infeliz e por muito maluquinho. Não é esse o caso do Pedro, de todo e absolutamente. O Pedro não é irresponsável, não está distraído, nunca foi nem será negligente. O Pedro sabe muito bem o que anda a fazer num país de otários.

Revolution through evolution

Do you know whether this story was written by a human? Computer generated vs. journalistic content
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Prosocial youth less likely to associate with deviant peers, engage in problem behaviors
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We must forget to avoid serious mental disorders and forgetting is actively regulated
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Older Adults: Build Muscle and You’ll Live Longer
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Negative effects of joining a gang last long after gang membership ends
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Brighter inks, without pigment: Nanostructured capsules could bring about paints and electronic displays that never fade
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Patients Are Loyal to Their Doctors, Despite Performance Scores
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Can Studying Vladimir Putin’s Body Language Lead to Behavioral Predictions?