O presidente de todos os pulhas

Cavaco falou aos portugueses a propósito das eleições para o Parlamento Europeu. Disse-lhes para se portarem bem. Nada de “troca de acusações e ataques“. Nada de “crispação“. Porque essas porcarias podem estragar os “entendimentos” futuros.

Em 9 de Março de 2011, numa altura em que um Governo minoritário tinha conseguido o apoio da Europa para evitar um resgate de emergência, Cavaco aproveitou o primeiro acto do seu novo mandato para abrir uma crise política marcada por um nível de crispação inaudito e velhaco. O intento era bélico: provocar uma insanável conflitualidade entre oposição e Governo que levasse ao fracasso do plano para evitar o resgate e, consequentemente, que obrigasse o País a ir para eleições nas piores condições possíveis para o PS. Num discurso que apagou o contexto internacional da crise, e que na sua fúria golpista até se esqueceu de fazer qualquer referência às Forças Armadas apesar de se tratar de uma ocasião solene onde tal seria obrigatório, Cavaco assumiu o papel do incendiário que só descansa quando vir a cidade a arder. A sua deliberada inacção nas semanas seguintes, nada fazendo para promover “entendimentos”, fica como uma exuberante manifestação do que é a cultura política da oligarquia, não hesitando em afundar o País para alcançar o poder.

Durante a campanha para as eleições presidenciais de 2011, um dos argumentos que Cavaco utilizou para justificar o voto na sua pessoa foi o da experiência política, que comparava com a inexperiência de Alegre. Dada a situação de extrema complexidade e gravidade em que Portugal se encontrava – prova de que homem não estava louco, era apenas um sonso gigante – se os portugueses deixassem que Alegre meramente chegasse à segunda volta os mercados de imediato nos penalizariam pela estultícia, e esse castigo assumiria a forma da subida dos juros no financiamento externo. Caso Alegre ganhasse as eleições, ficava implícito, as 7 pragas do Egipto seriam como uma brisa primaveril face ao que os mercados nos iriam fazer.

Cavaco, enquanto Presidente da República Portuguesa, é um pulha. Um tipo que para vencer umas eleições faz chantagem sobre o eleitorado é um pulha. Um tipo que após ganhar essas mesmas eleições tudo faz para que o seu país seja obrigado a aceitar as piores condições de financiamento custasse o que nos custasse, incluindo a diminuição drástica da soberania, é um pulha. Um tipo que trata a sociedade como carne para canhão dos seus ódios e ambições é um pulha. Resta só descobrir a razão pela qual este país aceita ser representado no mais alto cargo do Estado por um pulha.

17 thoughts on “O presidente de todos os pulhas”

  1. este discurso, nunca cavaco o faria com o ps no poder. este cavalheiro, não consegue disfarçar a sua falta de isençao!

  2. Não tem, nunca teve, estatura moral para ser o chefe de Estado. Cavaco Silva é quem mais tem ajudado à destruição da soberania portuguesa; à entrega, em privatizações ao desbarato, de todos os centros de decisão da economia portuguesa; é quem mais tem ajudado à escravização dos nossos trabalhadores.

    Trair a nação portuguesa significa ajudar interesses externos, cujo único propósito é a nossa descapitalização. Esses interesses externos, como deveria ser evidente a todos os portugueses, opõem-se ao bem estar e ao desenvolvimento de Portugal. Cavaco Silva é, desde 1985, o principal apoio nacional a esses interesses.

  3. Como “raramente me engano e nunca tenho dúvidas”, não votei no “dinossauro
    excelentíssimo”, contudo tenho sofrido na pele as suas sacanices e as dos seus protegidos. Que Deus os leve para “o prado do eterno repouso”

  4. Mas que raio de povo é este que tudo aceita sem tugir nem mugir? Será que ainda não abriram os olhos? De que estarão à espera? Do D.Sebastião? Ou será que acreditam merecer o castigo que sofrem por terem feito borrada com os votos nas anteriores eleições?

  5. É isso mesmo, Val. Ele é um pulha e, acima de tudo, sabe-o e goza com o pagode. A estratégia dele foi sempre proteger o “grupo dos seus cúmplices”, grupo que desde que ele entrou na politica activa tem aumentado, assim como as pulhices/vigarices que fez ao longo dos anos.
    Mas o grave deste país é que a população – que tem preguiça mental e que hoje voltou a só estar preocupada com a sobrevivência do dia a dia – tem sido intoxicada com toda a comunicação social que é esmagadoramente de direita – ´curioso é que ainda surgiu esta semana mais um jornal a reforçar esta tendência….E assim, o caminho de saída, temo, será de esplosão social.

  6. Só não entendo, sabendo-se quem é o verdadeiro mandante desta política austeritária e selvagem, os manifestantes teimem em apresentar-se diante da AR em vez de ir pedir contas junto do palácio de Belém. Todos sabemos que Passos é um pau-mandado de Cavaco e da quadrilha numerosa que trabalha à sua sombra.

  7. Será que a atuação do Rangelito – não lhe conhecia a arte de mentira e manipulação tao aprimorada – no Forum da TSF hoje….. Deve ter vindo de alguma formação avançada recente….. Será que se enquadra no pedido de Cavaco ? Absolutamente incrível !

  8. Óptimo post. Mas PULHA é o mínimo que se pode chamar a uma pessoa NOJENTA E ASQUEROSA, por natureza, como ele é! Só lamento e não compreenderei nunca porque é que um povo elege um VIGARISTA de alto calibre, destes, 4 vezes, nos mais altos cargos da nação, pois basta olhar para ele para ver o que ele é, mesmo sem nunca o ter conhecido pessoalmente.

  9. Mil por cento de acordo. É um completo pulha. O povo está a acordar para esta grave realidade. Portanto, o povo unido tem que libertar o país.

  10. mais uma sessão de questões de mera retórica, a la valerico. sempre a interpelar inteligentemente os seus leitores, este palhaço. agora, passadas décadas de cavaquismo, deu-lhe para se interrogar, interrogando-nos. não há pachorra para este sonso.

  11. o consenso, quando era fundamental, nunca o pediu, esse fdp. agora anda com o consenso na boca dia sim e dia também. e não esquecer que esse discurso do ódio e do fel teve aplausos de um (1!) deputado socialista: o tozé. uns viram nesse discurso a possibilidade de ascenderem ao pote e o outro viu a possibilidade de ser reizinho de um partido por algum tempo. é esta a total velhacaria que temos a agora.

  12. O texto é excelente: estão lá as verdades que muitos não querem ver (nem saber), mas convém questionar como foi possível “parir” um tal presidente, com tantas (más) provas dadas!
    A consciência não me pesa, e lamento só ter tido direito a 1 voto!

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