«Todas as nossas filarmónicas perdidas…»
Hoje domingo dia 12 de Julho de 2009 pelas 11 horas da manhã aconteceu uma coisa quase mágica. Debaixo daquela árvore do Príncipe Real que dá muita sombra e onde gostavam de parar dois que a Terra da Verdade já lá tem (Agostinho da Silva e Eduardo Guerra Carneiro) surgiu a Filarmónica Frazoeirense de Ferreira do Zêzere para tocar durante 30 minutos várias peças musicais debaixo daquela sombra.
Nasci perto de uma «casa do ensaio» e sou bisneto, neto, sobrinho, sobrinho-neto e primo de filarmónicos rurais. Lembro-me bem de ver grupos de homens chegarem dos trabalhos do campo e, depois de comerem em casa qualquer coisa à pressa, irem para a «casa do ensaio» ás vezes com o pó da terra preso aos vincos das calças. E lembro-me bem de achar (já nessa altura) quase mágico esse encontro luminoso entre o pó da terra e a pureza perseguida dos sons lidos nas linhas das pautas nas estantes de madeira.
(Tantas estantes de madeira que o meu avô fez para malta amiga com bocados que sobejavam das portas e das janelas, ainda hoje devem servir e ele já morreu em 1979…)
Depois passei a tarde no Rossio onde as doze filarmónicas foram chegando via Rua Augusta para tocarem o hino respectivo e depois uma peça em conjunto – «Lisboa à noite». Por fim um grupo formado com elementos das mais diversas paragens do país (de Vila Real de Santo António a Crestuma, de Seia a Alcácer do Sal) foi dirigido pelo maestro Délio Gonçalves. Diz um poeta meu amigo (e tem um livro com um título assim) que a nossa vida é as Filarmónica que vamos perdendo. Esse poeta chama-se Mário Machado Fraião e está certo. Hoje foi um dia mágico: as filarmónicas vieram de novo.



