Algumas memórias com José Roquete no Chiado
O que distingue para mim um dia cinzento de um dia luminoso é aquele pequeno intervalo de tempo e circunstância a que muitos chamam acaso.
Encontrei José Roquete no Chiado um dia ao fim da tarde na semana passada. O ex-presidente da Direcção do Sporting Clube de Portugal cruzou-se comigo no largo na zona dos táxis, entre as duas igrejas – Loreto e Encarnação.
Muitas foram as memórias que desfilaram por ali nas nossas palavras. Particularmente uma certa viagem a Castelo Branco, na semana santa do ano de 2000. O padre Sanches, chamado a abençoar as instalações do Núcleo Sportinguista de Castelo Branco, apresentou-se de estola verde sobre a branca sobrepeliz.
Terminada a cerimónia, perguntei discretamente ao sacerdote qual a razão de não ter utilizado a estola roxa da semana santa na bênção do novo espaço.
José Roquete estava ao lado, ouviu e sorriu perante a resposta: «Para mim a cor é sempre verde! Sou leão e sempre serei! Não mudo!»
No jantar que se seguiu num antigo quartel da tropa, tive o enorme prazer de ouvir um grupo de mulheres de Idanha a Nova, um grupo heterogéneo com avós, filhas e netas. As suas belíssimas canções e o som dos seus adufes fizeram-me lembrar a voz da Terra, uma vez que dificilmente alguém a poderá definir mas que a intuição me avisava de estar ali bem perto. Tão perto que José Roquete se levantou, de súbito, enérgico, muito emocionado para beijar e abraçar a mais idosa das cantadeiras de Idanha a Nova. Nela saudou e beijou a voz da Terra – da qual os dois temos muitas saudades, 11 anos depois.










