Vinte Linhas 608

Entre a vida e a morte ou o esplendor do efémero

No dia 13-4-2011 o meu neto Lucas, seis dias de vida, esteve muito tempo ao meu colo. Sentir a sua respiração levou-me a pensar no que aconteceu nesse mesmo dia em 1995 – a morte da minha mãe. Não conheceu este bisneto nem o primeiro, nascido em 2006 mas lembro muito a sua presença. Lembro com evidência, sentimento e propriedade. A vida é isto que li num livro sobre a Académica de Coimbra: «Os mortos empurram os vivos» Citação de Herberto Hélder. Há quem lhe chame corrida de estafetas pois todos recebemos um testemunho que deveremos transmitir melhorado aos vindouros. Ao mesmo tempo passaram 22 anos sobre o desastre de 15-4-89 quando 96 adeptos do Liverpool morreram em Hillsborough, estádio do Sheffield Wednesday. Jamdes Jones, bispo de Liverpool, está numa comissão sobre a tragédia. É preciso encontrar respostas. Saber o que se passou de facto às 3h 15m daquele dia naquele estádio. Saber o que foi dito por Margaret Thatcher a Peter Wright, chefe da polícia do condado. Saber quem escondeu duas câmaras de vigilância duma sala do estádio. Saber quem afastou o superintendente Stanley Beechey e o colocou num serviço não operacional. Saber quem alterou os relatórios da polícia antes de serem entregues à comissão Taylor. Um dia o poeta Ruy Belo escreveu que a força do futebol vem do próprio momento, do irrepetível tempo, de 90 minutos de incerteza. «Só o presente se vive» e o futebol é o presente, diz o poeta. Sem passado nem futuro, entre a vida e a morte o esplendor do efémero é, como no teatro, o encontro impossível de repetir. Para a família dos mortos de Hillsborough o futebol deixou de fazer sentido porque a morte venceu a vida.

16 thoughts on “Vinte Linhas 608”

  1. Um texto belo, mas Belo (como gostava de o ouvir nos intervalos na FLL a falar sobre o Benfica escandalizando os ‘intelectuais’) não tinha razão quando escreveu «Só o presente se vive» porque o presente não existe:um minuto depois de o jogo começar o início do jogo já é passado.Ctos

  2. este gajo não diz coisa com coisa e fata-se de dar cambalhotas para expor a parolice militante. tamém tenho pena que a tua mãe não tenha conhecido os bisnetos, trisnetos and so forth, o que certamente teria sido evitado caso o filho tivesse preferido a mulher aos leitores.

  3. Força, JCF.
    Isto do anónimo é fixação, só pode.
    Até a mim me incomoda, Valupi.
    Um abraço
    Jnascimento

  4. força, JCF.

    vozes de burro nunca chegaram ao céu. as dependentes de “aspirina” ficam-se pelas ruelas esconsas do anomimato, permitido neste espaço de Liberdade.

  5. Meu Caro «15E» uma vez em conversa a três com Carlos Pinhão Ruy Belo disse que nunca tinha intuído tanto o sentido da morte como no meio de uma multidão a entrar nos Estádio Nacional. Meus Caros Joaquim e Luis Eme é verdade que «aquilo» incomoda mas há-de ir para baixo com a força da água do autoclismo.

  6. Só quando temos a vida nos braços nos recordamos tão bem da morte, eterna companheira dos nossos dias e que só nos toca uma vez, embora por vezes, a sua sombra ou mesmo um leve roçagar cheguem para nos apercebermos de quão impotentes somos perante o desconhecido.
    O que se passou naquele estádio foi apenas um momento em que a morte e o sofrimento de mãos dadas se entretiveram a alimentar-se de algumas vidas.

  7. No meu livro de entrevistas «As palavras em jogo» o escritor Américo Guerreiro de Sousa que era professor em Sheffield ao tempo da tragédia, falou com emoção e rigor desse tempo. Anos depois falei com um familiar de uma das vítimas que me disse isto: «durante uma semana não mudei de roupa nem tomei banho nem fiz nada a não ser perguntar porquê…»

  8. Realmente, o futebol e os acidentes em estádios, como o de 1989, em que morreram 96 adeptos do Liverpoool, devem ter muito a ver com os teus netos. Sobretudo, com o teu neto mais recente, o Lucas. Deixa as criancinhas em paz e vê se escreves alguma coisa que tenha início, meio e fim. Começas um texto a falar de laranjas e acabas a falar no elefante do Jardim Zoológico! Também reparo que passas a vida na casa de banho. Que puxas muitas vezes o autoclismo. Se tens diarreia, toma imódium…

  9. oh prosopoeta! e para os estádios de bagdad, tripoli e kandahar não vai nada? pedantismo & parvoeira que nem o tóclismo do dilúvio universal removem.

  10. Joca, Filipe e André é tudo mesma porcaria. Por isso puxo muitas vezes o autoclismo. São eles que me obrigam porque tudo aquilo são excrementos.

  11. a empresa antónio clismo, lda. – especializada em autoclismos -, foi criada em 1989, com o objectivo de prestar serviços nas áreas de assistência técnica (afinação e reparação de autoclismos), restauro (recuperação de autoclismos antigos), aluguer (aluguer de autoclismos para eventos) e venda de autoclismos novos, semi-novos e restaurados de qualidade.

    desde essa data o percurso da empresa, tem-se caracterizado por um gradual aumento qualitativo e quantitativo da sua actividade, aumento esse directamente relacionado com a confiança que entidades oficiais, pianistas profissionais e clientes em geral, têm cagado nos ossos serviços.

    actualmente, a antónio clismo, lda. é uma referência no universo da merda ligado ao empurra.

    a todos os nossos clientes e em especial ao poeta merdoso, obrigado

  12. Falas com grande competência porque conheces o assunto por dentro. Trata-se do teu mundo – aliás submundo. Vá lá, volta depressa ao teu ambiente.

  13. Apenas duas coisas. Primeiro, quer se goste ou não goste do que escreve o JC Francisco, e eu por vezes gosto e outras nem tanto, o que será normal, penso que deveria haver um mínimo de respeito pelo que ele escreve e, portanto, por ele mesmo. É que são deveras doentios certos comentários que aqui são colocados e que mais não visam que (tentar) ofender e achincalhar o JC Francisco. Já chateia porra!!!
    Segundo, JC Francisco, e isto é uma crítica que lhe faço, vozes de burro não chegam ao céu.
    Estar a dar troco a certos marmanjos é estar a dar-lhes importância. Olhe, cague neles e não lhes ligue, que por fim acabarão por lhe desamparar a loja. Vá por mim.

  14. Palmadinhas nas costas, nada mau! O que o Bagonha esquece e passa por alto como se não fosse importante, é a vaidade crónica do jcFrancisco, a sua petulância, a insistência em promover o seu nome e a sua «obra», a sua intolerância quando se dirige aos seus comentadores, não aceitando críticas, ofendendo da maneira mais grosseira, que não fica bem a uma «figura pública» do meio literário. Basta ter um pouquinho só de inteligência para compreender a razão de alguns comentários. Não criticásse ele os outros por dá cá aquela palha, não menosprezásse o próximo («não sabes nada; nem sabes o que é um mestrado; és um pobre, um miserável; não és ninguém etc. etc…»), sempre a elevar-se no pedestal que ele próprio ergueu, que os comentários seriam outros, com certeza. «… deveria haver um mínimo de respeito pelo que ele escreve e, portanto, por ele mesmo», escreve você. Então explique-me como é que uma pessoa que se comporta como este senhor merece respeito?! Você escolheu mal o nome: VERGONHA estaria mais correcto. A forma como trata os comentadores do jcFrancisco no segundo parágrafo mostra que é farinha do mesmo saco! Pôrra, digo eu! Tenha VERGONHA e defenda com imparcialidade!

  15. oh nhonha! tens toda a razão, a ideia é mesmo essa, achincalhar e ofender quem abandalha a poesia e maltrata os leitores. achas que é pouco e que merecia mais? eu tamém, mas sou misericordioso.

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