Balada da Rua de Baixo

Rua de Baixo, meu mundo
Onde eu regresso cansado
Quando o olhar é profundo
Já andou por todo o lado
São casas sem ninguém
De famílias desligadas
Não se ouve a voz da mãe
Na névoa das madrugadas
Meu berço e minha escola
Minha casa e minha igreja
O amor não pede esmola
Nas esquinas da inveja
Minha paisagem saudosa
Povoada por destroços
Duma sede mais gasosa
Que a água destes poços

Filarmónica formada
Manhã cheia de brancura
Há festa não tarda nada
Na rua desta amargura
Sete ondas repetidas
São sete beijos do mar
Na areia das nossas vidas
Já só podemos cantar
Pode-se cantar um fado
Feito só de melodia
Um homem fica calado
Ao ver a fotografia
Minha rua inicial
A vida, anos primeiros
Onde passou triunfal
A paixão dos baleeiros

5 thoughts on “Balada da Rua de Baixo”

  1. o resultado dessas duas estrofes irregulares é uma catastrofe. se tens sede mais gasosa, bebe 7up, mas não exageres que as bolhas podem rebentar na mona e provocar fogo de artifício cerebral. costuma acontecer a poetas e pensadores como tu, no caso do pacheco é mais dinamite cerebral.

  2. Esta Rua de Baixo é igual á da minha Aldeia que eu conheço tão bem.
    Comove-me ser só memória!
    Jnascimento

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