E o Governo em frente: desemprego (dados do INE)

A taxa de desemprego atingiu os 17,7%, no 1º trimestre deste ano: a mais alta de sempre!

Este valor é superior em 2,8 pontos percentuais (p.p.) ao do trimestre homólogo de 2012 e em 0,8 p.p. ao do trimestre anterior. A população desempregada foi estimada em 952.200, o que representa mais 132.900 desempregados (+16,2%) que no trimestre homólogo e mais 29.000 (+3,1%) que no trimestre anterior.

Há mais 277.200 desempregados desde que a coligação PSD/CDS-PP está em funções: um aumento de 41,1%.

O número de empregados diminuiu 4,9% face ao trimestre homólogo do ano passado e 2,2% face ao trimestre anterior, o que significa que há menos 229.300 empregos que no trimestre homólogo do ano passado e 98.600 que no último trimestre.

O Governo atual já destruiu 459.800 empregos, isto é, em quase dois anos já destruiu mais empregos do que o governo anterior do PS em 6 anos (201.000): mais do dobro!

 De uma análise desagregada aos dados publicados, destaca-se:

ü  A taxa de desemprego juvenil subiu para 42,1%. Há 165.900 jovens desempregados: mais 11.500 que no ano passado (+7,4%), e mais 50.400 (+44%) desde que o governo atual exerce funções. A taxa de desemprego juvenil era de 27,0% no 2º trimestre de 2011.

 ü  A nível regional, o Algarve apresenta a maior taxa de desemprego, de 20,5%. A Região Autónoma da Madeira regista o maior aumento homólogo e o Alentejo o maior aumento trimestral.

O CDS descobriu o seu limite “ético”

O murro no estômago que a política tantas vezes é, esse murro de ser nítido no ator político a hierarquia dos seus valores encimada pela respetiva salvação eleitoral, ficando o país, e as pessoas que nele vivem, reduzidos a retórica.

Há pessoas com mais jeito do que outras. A comunicação de Paulo Portas foi extraordinária na sua articulação, no dar às pessoas a esquecida “explicação das coisas”, no posicionamento o mais próximo possível de quem já não aguenta os efeitos da austeridade, poupando o Governo e colocando a odiada Troica ao nível dos “eles”, do embaraço nacional, puxando a soberania da nação como justificação para um repudiado segundo resgate.

Um discurso límpido, uma adesão ao novo pacote de austeridade, mas, de repente, ao fim de dois anos, “um limite ético”: o CDS não quer ver um “sobressalto grisalho”; o CDS (Partido dos pensionistas e do contribuinte) diz que afirmou, junto de um PM que “percebeu”, que de todas as medidas do novo pacote de austeridade, os democratas-cristãos, que até sabem que os velhos são há muito uma nova segurança social nacional, não admitem mais uma contribuição extraordinária sobre os reformados e pensionistas. Não! Os democratas-cristãos têm um limite ético, perdão, têm esse limite ético.

Acabado de ouvir o reduzido a “mais um Ministro de Estado”, poderia parecer que naquele momento nascera uma esperança. Mas é desesperança.

O CDS é responsável, tal como o PSD, pelo sofrimento a que política, para além da austeridade pedida, inutilmente vetou milhões de pessoas.

O CDS é responsável por uma política que falhou em todos os seus objetivos: passados dois anos de coligação, passados dois anos de medidas aprovadas a duas mãos no conselho de ministros, o desemprego é histórico, o défice disparou, a dívida aumenta todos os dias, temos decrescimento económico, falências diárias, novos pobres, fome infantil.

Limite ético? Então, mesmo só falando em gente “grisalha”, onde estava o CDS quando por lei orçamental roubaram duas pensões/reformas aos pensionistas e reformados, tidos por milionários a partir de 601 Euros mensais? Não saberá Portas que logo ali deu-se a quebra de todos os princípios que proclamou na sua declaração? Não se matou, logo ali, a tal confiança no Estado que queremos de bem? E valeu de alguma coisa? Não, mesmo com essas receitas declaradas inconstitucionais a execução do OE de 2012 foi o que se sabe.

Depois de o TC ter aludido à igualdade proporcional em 2012, onde estava o limite ético do CDS quando no OE de 2013 roubaram uma pensão/reforma aos tais dos “grisalhos” e instituíram uma contribuição extraordinária de solidariedade? Tudo isto a somar à maior subida de impostos (revelada inútil) que conhecemos.

Sim, CDS, os reformados e os pensionistas andam com a corda na garganta com o vosso apoio que comovidamente recua quanto a um limite que Portas não pode ultrapassar: a TSU dos reformados. Portas aguenta que se roube o dinheiro alheio a partir de 601 Euros, mas descobriu, “de bem consigo”, um limite.

Portas quer que o Estado corte no próprio Estado. O que significa isso? Portas não sabe que não temos, de acordo com todos os estudos, funcionários públicos a mais? Portas vive bem com um apagão de 30 mil seres humanos após um falso “mútuo acordo” ou mobilidade especial, finda a qual não há destino?

Não sabe Portas que os cortes previstos para cada Ministério não vão atingir sabonetes, mas a essência da segurança social, da saúde e da educação? Talvez aqui desapareça o CDS democrata-cristão e apareça o CDS liberal, do mérito, do desmantelamento do Estado, essa coisa que também é, nos seus serviços, rendimento familiar e pessoal.

Não sabe Portas que este pacote significa mais recessão?

Sabe. Mas Portas vive o dilema de muitos políticos e, pensando no seu eleitorado, clama, como se não houvesse responsabilidade para trás, pelos “grisalhos”, por acaso já de cabelos brancos.

Eis o limite (combinado com o PM). Limitadíssimo.

 

 

 

 

 

O que dizia Gaspar em 2011?

Gaspar prepara-se para dispensar uma centena de milhar de funcionários públicos por via de rescisões. Uma medida que, em outubro de 2011, declarou perentoriamente ser inexequível. Ouçam a sua voz pausada na TSF:

http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=2064552

(via Tiago Antunes (Twitter), que escreve um artigo sobre o tema no Diário Económico)

Repare-se como, na altura, Gaspar se referia a esta medida como uma alternativa terrível e não exequível aos cortes então decididos. Recusava-a, portanto. Mas não é que não a desejasse. Entretanto, milhares de milhões de euros de cortes depois, as rescisões passaram a ser totalmente exequíveis. Não demos por nada, mas a partir de que momento destes dois anos conseguiu o país enriquecer ao ponto de poder arcar com esta despesa?

De mentira em mentira, de contradição em contradição, esta pandilha radical prossegue a sua agenda de razia social, perdão, o “bonito” ajustamento português.

Daniel Bessa explica o “sucesso”, mas não assume

Mas não assume a sua parte de responsabilidade, ou a responsabilidade dos interesses que defende, no facto de Portugal ter sido levado em Março de 2011 para essa situação onde 99% dos investidores do Mundo não podem comprar dívida nacional por causa do rating da República. A seu lado, Lobo Xavier, um dos mais poderosos cavalheiros de indústria da nossa oligarquia, confirma e celebra o diagnóstico.

Mestres na arte do jogo duplo

Marques Mendes, ontem na SICN, a propósito do ‘enorme sucesso’ da emissão de dívida, confessou ser um grande fã de Passos Coelho, não poupando elogios à sua coragem. Olha a novidade! E Marques Mendes não está sozinho, os figurões do PSD que semanalmente aparecem a criticar as políticas do Governo podiam até formalizar o clube de fãs do primeiro-ministro. Normalmente, quando o Governo mete os pés pelas mãos, são os que primeiro aparecem a criticar e são deles os ataques mais ferozes, muitas vezes, esvaziando o discurso da oposição que, com demasiada frequência, acaba por os citar. Mas, tal como ontem aconteceu, estes pseudo-críticos de direita também são muito rápidos a esquecer tudo o que criticaram anteriormente e a entrar em autêntico delírio com os magníficos resultados do Governo. De repente, desaparecem as dúvidas, que na realidade nunca existiram, e ficam todos em sintonia quanto ao rumo que o País deve seguir. Por isso, apesar de tantas figuras do PSD simularem estar em desacordo com o Governo, e de se falar tanto em eleições antecipadas, não se vislumbram no partido quaisquer movimentações para a substituição do líder. Passos e Gaspar têm muito mais fãs do que parece, e, em matéria de jogo duplo, Paulo Portas ainda tem muito para aprender com estes senhores.

Gaspar, como Portas, anda claramente a divertir-se

Tal como Portas, Gaspar não trocaria por nada deste mundo o seu atual papel de ministro. Ambos encontram um extremo gozo no exercício do cargo. Gozo esse que é reforçado pelo facto, no caso de Portas, de ter a chave da manutenção da coligação e, no caso de Gaspar, de ser ele o primeiro-ministro.

Vejamos o Gaspar. Em nossa casa, ou seja, em Portugal, e como delegado da Troika e líder de um governo com maioria absoluta, prossegue impávido e sereno uma política radical de empobrecimento do país, de despedimentos, de desmantelamento do Estado social e das políticas públicas, de indiferença pela sorte dos cidadãos e de grande conluio com os credores visitantes, apenas apostado no regresso aos mercados que inseriu como grande objetivo nos seus cálculos, como se isso aliviasse alguém ou sequer a dívida pública, ou como se a Troika fosse para ele algum fardo de que se quisesse libertar (disse aliás, ainda ontem, que o ajustamento de Portugal não é imposto pela Troika).

No estrangeiro, diverte-se agora (por pressentir uma ligeiríssima mudança de vento) a entremear o habitual discurso económico-argumentativo-demonstrativo (que mantém) com declarações impensáveis que pretendem transmitir as preocupações que muitos lhe gritam aos ouvidos em Portugal quanto ao desemprego galopante e à miséria que se vai instalando, mostrando-se assim muito patriótico e defensor do contrato social de um Estado civilizado.

Tudo isto é uma farsa. Basta atentarmos no novo programa “de ajustamento” a que decidiu sujeitar o país nos próximos 3 anos para concluirmos que o homem se anda a divertir à grande e à inglesa não só com experiências económicas como também com exercícios teatrais à nossa custa.

Novidade, novidade, foi o discurso do ministro das Finanças português, que defendeu que “a fragmentação financeira que existe actualmente exacerba o custo associado ao ajustamento e funciona como um choque de competitividade negativo para o pais sob ajuda externa”, acrescentando que a “UE tem de respeitar o que eu considero um princípio: permitir aos Estados que assegurem aos seus cidadãos os direitos sociais que estes exigem”.

[… ]Embora satisfeito com o sucesso da colocação da primeira emissão nos mercados de dívida pública portuguesa a 10 anos, reconhece que o desemprego é um problema irresolúvel, a não ser que seja posto em marcha um programa de políticas activas de emprego.

Nota: Sobre o “sucesso” da nossa ida aos mercados, não perder este artigo de Rafael Barbosa no JN:
http://www.jn.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=3206441&opiniao=Rafael+Barbosa#_page0

Perguntas simples

Por que razão o PSD chumbou o PEC 4, assim destruindo uma ajuda de emergência que tinha o apoio de toda a Europa, em vez de deixar que Sócrates e o PS levassem Portugal à tal suposta bancarrota supostamente iminente?

Cineterapia

No
No_Pablo Larraín

É uma das frases feitas já não se sabe por quem essa de que os publicitários pavoneiam conseguir vender políticos aos eleitores com a mesma facilidade, ou as mesmas técnicas, com que vendem sabão aos consumidores. Colhe lembrar que as frases feitas nunca o teriam sido caso fossem irredimíveis e completos disparates. Esta na berlinda é um completo disparate, sim, mas não dos irredimíveis. Há nela a mesma verdade que se encontra na ideia de que uma costureira pode fechar feridas de guerra com o mesmo jeitinho e à-vontade usado para fazer bainhas em calças de ganga.

A publicidade é alvo de uma antipatia ideológica que a vê como braço armado do capitalismo – portanto, do imperialismo – ou do consumismo – portanto, do capitalismo – ou da alienação – portanto, do consumismo. E por aí fora. Extremidades de esquerda e de direita podem convergir no mesmo anátema, causticando a modernidade e suas modernices na forma dos simpáticos e apatetados anúncios. E uma das maiores críticas que muito boa gente faz à indústria dos reclames é a de ela criar necessidades, de influenciar a sociedade através da geração de carências. Ora, estaria tudo muito certinho não fora dar-se o caso de ser inconcebível uma indústria publicitária desligada de uma cultura, uma economia e uma moral – ou várias.

O publicitário é um especialista em antropologia prática. O seu talento depende de saber um pouco de tudo e de tudo um pouco. No mesmo dia pode ser desafiado para entender de rajada o problema de um refrigerante, de um banco ou de um preconceito. Em qualquer um deles será julgado pela relevância, originalidade e eficácia da sua solução. E a qualquer momento corre o risco de ser descoberto como a fraude que, inevitavelmente, ele é. Mas, enquanto durar o simulacro de talento, o publicitário consegue tocar sete instrumentos e animar a dança dos felizes gastadores.

Eis um filme que nos conta a história de um publicitário que usou a sua arte manhosa para conseguir uma extraordinária vitória política. Esta é a superfície da obra. No seu fundo, outros são os seres que encontramos: a ambiguidade de todos os poderes, a violência como expressão da estupidez, o amor a puxar pela coragem, a liberdade como o mais belo triunfo da criatividade.

Espero que este anúncio faça de ti um fatal consumidor deste apetitoso e saudável produto. E tão barato que ele está, quase dado.

Após a heresia, Barroso renova os votos de fé em Merkel

“What is happening in France and Portugal is not Merkel’s or Germany’s fault … The crisis and their problems are not a result of German policy or the fault of the EU. It is the result of excessive spending, lack of competitiveness and irresponsible trading in the financial markets,” he said.

He added that Chancellor Merkel is “one of the only [leaders], if not the only leader at the European level who best understands what is going on.”

(Barroso, em entrevista ao jornal alemão “Die Welt am Sonntag“)

A Europa é dirigida por lacaios sem orgulho nenhum, cujo único objetivo é assegurar futuros lugares. O que aconteceria de tão grave se Barroso, o presidente da Comissão Europeia, mostrasse alguma dessintonia em relação a Angela Merkel, sobretudo agora que milhões de desempregados e pobres forçam a entrada nas folhas Excel? Possivelmente algo de bem melhor do que aquilo que está a acontecer neste momento em muitos países europeus, cada vez mais em quase todos. Possivelmente também uma melhor imagem pública do próprio. Ah, mas talvez perdesse a oportunidade de uma terceira candidatura ou o apoio a um novo cargo internacional, ambos desfechos importantíssimos para o problema de dezenas de milhões de cidadãos europeus.

Compravas um carrinho a este gajo? Refiro-me a um carrinho de linhas

– O que é que o diferencia do PS?
– Desde logo, duas matérias evidentes. A primeira é que o PSD nunca exercerá o poder em Portugal para com incompetência fazer as famílias, os funcionários públicos e as empresas pagarem por uma crise que é originada pelo excesso de peso do Estado e em que os governos não atacam a gordura do Estado. Este é o primeiro aspecto crítico: os Estados e os políticos só têm moral para impor sacrifícios aos cidadãos quando atacam a gordura do Estado. O segundo aspecto é que precisamos de voltar a crescer do ponto vista económico. Sem uma estratégia económica, não é possível voltamos a crescer – e isso nós temos e o PS não tem.

– Se fosse primeiro-ministro, não estávamos hoje com as calças na mão, a impor mais um plano de austeridade porque o Estado não cortou onde era necessário.
– Estamos com as calças na mão?
– Com certeza. Há outra explicação para o governo e para o primeiro-ministro, que andou repetidamente a dizer que não era preciso mais nenhuma austeridade, que todo o desempenho orçamental estava a ser histórico e excelente, de repente aparecer a dizer que precisa de cortar nas pensões para garantir os objectivos? Mas então os objectivos não estavam todos garantidos?
– Se for governo, também vai ter de adoptar medidas de austeridade…
– Claro que vou. Mas o que posso garantir solenemente é que não será com certeza à custa das pensões nem dos reformados que têm pensões mais degradadas.

Passos, mostrando de que é feita a direita portuguesa, Março de 2011

Portas, escuta

Se nos perguntarem se és um tratante, és um tratante. Se nos perguntarem se és um vígaro, és um vígaro. Se nos perguntarem se mereces não voltar a receber votos dos portugueses, mereces não voltar a receber votos dos portugueses.