Uma excelente oportunidade para se aprofundar o diálogo à esquerda

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O Canal Q teve uma boa ideia para mais um programa de debate político. Veremos se a promessa de não haver moderação vai ser aproveitada para aumentar e melhorar o confronto de ideias ou se será desperdiçada no despique emocional e macrocéfalo. O elenco oferece-nos o sempre preparado e implacável Galamba, tendo ao lado Francisco Mendes da Silva a representar a decadência da direita portuguesa e à sua esquerda a vedeta da política-espectáculo Daniel Oliveira.

Da minha parte, gostaria que o João aproveitasse uns minutos de algum programa para perguntar ao Daniel se ainda defende estas imbecilidades que tão fogosamente apregoou na sua actividade artística recente:

Junta-se a isto o temperamento de Sócrates, que resulta mais das suas fragilidades políticas do que da sua personalidade: contundente sem coerência, autoritário sem autoridade, tático sem estratégia. A ultrapessoalização do governo e do partido e a violência verbal no debate público, que nos primeiros anos resultaram em favor de Sócrates, acabaram por se virar contra ele quando as coisas começaram a correr mal. Sócrates foi atacado, até do ponto de vista pessoal, como nenhum primeiro-ministro, é verdade. A questão é saber se não foi ele que criou o caldo político em que isso se tornou legitimo.

Imbecilidade publicada em 7 de Junho de 2011

Daniel Oliveira culpa Sócrates pelas campanhas negras de que foi alvo e, não contente, ainda declara que por sua tão grande culpa os ataques pessoais e à sua honra se tornaram legítimos. Eis a noção de decência para os gabirus da esquerda pura e verdadeira.

Sócrates mentir com tanta facilidade é, para mim, um problema político. Não é, ao contrário do que agora parece, nem o primeiro nem o pior. Mas, sobretudo, não é esse o seu principal problema. O seu problema é não ter um rumo para o governo do País nem convicções políticas. O maior problema de Sócrates não é dizer hoje uma coisa e amanhã outra. É a razão porque o faz. É não ter uma verdade sua – e isso não é uma questão de carácter, é uma questão estritamente política. É que o confronto político faz-se de mundividências e convicções que se confrontam. Diz-se que Sócrates é determinado. O problema é que a sua determinação não está associada a convicções.

Imbecilidade publicado em 26 de Maio de 2011

Daniel Oliveira alinha feliz na estratégia de caluniar Sócrates como mentiroso, gizada em Belém e na Lapa pela escória da direita nacional, e serve um assassinato de carácter de obscena e trôpega hipocrisia. Como são úteis os imbecis para a oligarquia.

Prefere a vitória de José Sócrates ou de Pedro Passos Coelho? Se me pusessem perante esta escolha não saberia o que responder.

[…]

A questão é esta: se o programa do próximo governo está já decidido, não seria preferível que esta crise servisse para nos livrarmos de Sócrates e iniciar-se uma profunda renovação de toda a esquerda portuguesa? Sem Sócrates tudo ficará em aberto. Com ele, continuará a degradação ideológica e ética do PS e do País.

Imbecilidade publicada em 20 de Maio de 2011

Daniel Oliveira não se consegue decidir entre Passos e Sócrates. A cegueira dos sectários merecia ser exibida no circo. Este homem declara-se destituído de critérios intelectuais para evitar um mal maior, qual burro morrendo de fome entre dois fardos de palha. Mas já consegue responsabilizar Sócrates pela “degradação ideológica e ética do PS e do País“. Foda-se, senhores ouvintes. E isto vindo de um gajo que, aposto os meus queridos 10 euros que tenho no bolso, não conseguiria dar uma para a caixa se tivesse de explicar de improviso a uma turma do 10º ano o que é isso da ética.

Que José Sócrates tem uma relação difícil com a verdade é coisa que todos sabemos. Mas a entrevista de terça-feira ultrapassou tudo o que poderíamos esperar.

[…]

As mentiras de Sócrates não fazem aumentar o défice ou as taxas de juro. Não é por temos como primeiro-ministro um homem em que a coincidência dos factos com as suas palavras só acontece por mero acaso que estamos na situação económica em que estamos.

[…]

Os danos causados pelas mentiras de Sócrates são outros, e também eles graves. Primeiro: todo o processo político é, com ele, um interminável quebra-cabeças. No labirinto de mentiras que ele próprio constrói tudo vai a dar a becos sem saída. E nesses becos, esbarramos sempre com a mesma chantagem: a da crise política. O segundo: de cada vez que o primeiro-ministro fala degrada a imagem das instituições democráticas. O contrato entre um eleito e os seus eleitores depende da credibilidade do eleito. Se nunca sabemos se o homem que nos governa nos está a dizer a verdade – se temos mesmo de partir sempre do princípio que nos está a mentir -, ele perde toda a autoridade moral para nos governar. E, sendo eleito, retira com as suas mentiras autoridade à democracia.

Pulhice publicada em 17 de Março de 2011

Daniel Oliveira, sem precisar de se referir a qualquer mentira ou então reclamando o monopólio da verdade, o que torna impossível o eventual contraditório, transforma assim a política no desporto preferido dos canalhas. Este bacano fez-se cobrar por estes belos serviços prestados à democracia, não conseguindo mais do que empestar o espaço público. É o paradigma perfeito dos bloqueios à esquerda, porque manifestamente bom rapaz e um valente cheio de valores, causas e ideais. Tudo do bom e do melhor, e, para perplexidade dos ingénuos, tudo posto ao serviço do laranjal podre no momento crítico em que Portugal corria o risco de cair nisto que vivemos desde Junho de 2011.

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O Daniel tem vindo a aproximar-se de um espaço qualquer intermédio, ou superior, ou ctónico, entre o BE e o PS. Longe parecem os dias em que berrava ter sido Sócrates o pior primeiro-ministro da democracia, perdendo o título apenas para Cavaco. A sua tentativa de contribuir para criar uma nova cultura na esquerda que permita uma maioria governativa PS-BE-PCP tem os seus evidentes méritos. Só que estamos com um pequeno problema: antes de tentares mover montanhas com a singela força da tua fé, Daniel, não seria melhor limpares primeiro esse chão repleto de bostas de imbecilidade que pisas e repisas?

Merecia um estudo profundo

Esta superioridade do Porto sobre o Benfica e o Sporting. É uma história gloriosa que tem um nome já glorificado em vida, Pinto da Costa. Mas o que importa investigar não é tanto o mérito dos vencedores, e seus segredos, como o demérito dos perdedores, e seus erros.

O Benfica e o Sporting reúnem nos seus órgãos de decisão e influência uma parte maior da elite nacional. Daí o seu fracasso, já de décadas, ser tão espectacular.

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Necrófagos

Quem, nos idos de Março de 2011, disse que Cavaco e Passos foram traidores à Pátria por terem optado por uma política de terra queimada só para derrubarem Sócrates, num caso, e meterem as beiçolas no pote, o outro, não precisou de se deslocar um milímetro para assistir à confirmação histórica da sua avaliação.

À volta desta intensa minoria, e numa romaria que já vai do Carlos Carvalhas ao Lobo Xavier, passando pelo Pacheco e pela Manela, vão cirandando os abutres, sempre com os olhos postos na próxima carcaça.

Comunicado do Instituto de Apoio à Criança sobre a co-adoção pelo cônjuge ou unido de facto do mesmo sexo

O Instituto de Apoio à Criança entende que a aprovação hoje no Parlamento, da Lei que permite a co-adoção pelo cônjuge ou unido de facto do mesmo sexo se traduz numa vantagem para as crianças na medida em que protege relações afetivas relevantes.

Esta alteração veio permitir proteger as crianças que estabeleceram uma vinculação privilegiada com o cônjuge do mesmo sexo de seu pai ou de sua mãe, biológico/a ou adoptivo/a, alargando afinal o âmbito da adoção em situações muito concretas.

Desde há muito que o Instituto de Apoio à Criança vem defendendo a consagração do Direito das crianças à preservação das suas relações psicológicas profundas através de norma expressa. Nesse sentido, foi pelo IAC entregue em 2008 um documento, em que se defende que o reconhecimento explícito desse direito facilitaria a densificação do conceito de “Superior Interesse da Criança”, que deve sempre ser prosseguido, em todas as decisões que lhe digam respeito.

A co-adoção, ora aprovada, veio solucionar e dar resposta a casos de crianças que, por terem apenas uma menção relativa à sua paternidade ou maternidade ficaram, desta forma, com a sua situação jurídica mais segura e protegida.

Pide bom, pide mau

Pegou a moda, aliás justificada, de chamar “pide bom” a Paulo Portas e “pides maus” aos restantes membros do governo, com destaque para Gaspar e Coelho. Ontem, Vasco Lourenço e Jerónimo de Sousa usaram em declarações públicas essas velhas metáforas alusivas ao Estado Novo, que eram até agora expressões de uso preferencial na blogosfera e pelas mesas dos cafés.

Na sua arenga registada pela TV, Jerónimo apelidou também Portas de “Paulinho das feiras”, uma alcunha algo estafada, mas que ganha novo lustre com a sua utilização mediática pelo secretário-geral do PCP. A partir de agora, contudo, é legítimo que Portas lhe pague da mesma moeda, tratando-o por “Jojó da Ferrugem”, “Pires Coxo” e outras amabilidades que a veia democrata cristã decerto lhe inspirará.

Dadas as actuais circunstâncias nacionais, e na antevisão de um crescente surto de descontentamento verbal, penso que os políticos da oposição irão diversificar tais apodos e torná-los mais expressivos. A Bíblia, por exemplo, é uma mina de nomes sugestivos com que se poderá zurzir os responsáveis pela governança: Herodes ficaria bem a Gaspar, Pilatos é o Cavaco chapado, Caifás não destoaria em Coelho. Os debates no Parlamento muito terão a ganhar em colorido e potencial evangelizador.

300 desgraças depois

E depois de diabolizarem Sócrates até ao intolerável (e até à sua queda):

Na quinta-feira, no programa “Quadratura do Círculo”, na SIC Notícias , o histórico do CDS disse que foram os partidos que agora integram a coligação governamental que forçaram a entrada das três instuições em Portugal com o objetivo de pressionar o Governo da altura, ou seja, o de José Sócrates.

Lobo Xavier diz que nem mesmo a chanceler alemã Angela Merkel queria que o resgate a Portugal fosse feito da forma como foi.

«No princípio a senhora Merkel não queria uma intervenção concertada, regulada, com memorando, este aparato formal de memorandos com regras, promessas e compromissos tudo medido à lupa», adianta Lobo Xavier.

Pacheco Pereira realça que este «formato foi desejado como instrumento de pressão externa para a política interna», considerando que «houve alguém que desejou e que o utilizou de forma teórica e política.
Neste debate, tanto Pacheco Pereira como Lobo Xavier chamaram ao primeiro-ministro “aprendiz de feiticeiro“.

Estás a gozar com os teus pobrezinhos, ó Ângela

Enfim, perante o descalabro generalizado que a cada dia se confirma, a chanceler alemã entendeu dizer-nos que, sem coordenação económica, a zona euro não resiste. Mais vale tarde do que nunca, embora gostássemos que desenvolvesse o seu raciocínio para percebermos quem vai ditar o plano económico europeu e com que finalidade. Mas saca de um exemplo algo inusitado para ilustrar as discrepâncias existentes (devidas, segundo ela, à falta de coordenação?).

Se um de nós gasta 3,5% do PIB em pesquisa e outro 0,1%, e isto acontece há mais de 20 anos, vai haver tal tensão dentro da moeda que não seremos capazes de a manter junta”, adiantou.
“Por isso, [é preciso] mais coordenação, não apenas na política orçamental, mas na política económica também.

Ah como gostaríamos, os bons portugueses (esqueçam o Gaspar), de poder investir pelo menos 2% do PIB na investigação! Sócrates sabia o quanto! Mas como compreender que seja o investimento de cada Estado em investigação o primeiro exemplo que ocorre à líder europeia de desequilíbrio dentro da zona? Ainda por cima causador de tensões? E os salários, e o emprego, e as condições sociais, e a saúde, e o ensino? A isto chama-se gozar com os pobrezinhos, que ela própria, com tanto empenho, tem ajudado a criar.

Algo de sinistro se passa na JSD

Nos anos 50 do século passado, um cientista genético russo, Dmitry Belyaev, iniciou uma longa experiência na domesticação de raposas (mais em detalhe aqui). Usando apenas como critério de selecção a reacção amigável ou hostil que estas tinham ao contacto humano, conseguiu criar 2 grupos de raposas: o primeiro grupo consistia em raposas perfeitamente domesticadas, que procuravam activamente o contacto humano, tinham características físicas diferentes das selvagens, e exibiam muitas características normalmente associadas aos cães, como abanar a cauda. O outro grupo, inversamente, entrava em completa histeria e agressividade ao mínimo contacto humano. Conseguiu pois criar uma nova raça de raposas baseado apenas num único critério comportamental.

Esta experiência vem a propósito do que se tem vindo a passar, à vista de todos, numa organização conhecida por JSD, onde creio que um processo semelhante está a decorrer perante os nossos olhos. Mas neste caso, a experiência não visa criar raposas, mas algo mais sinistro, uma criatura mítica e raramente vista no seu estado comportamental puro:  o perfeito anormal.

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Oscar Wilde explica

Indigno de Pena

Vi a entrevista, porque o Diário de Notícias me pediu um comentário, e vi o primeiro programa regular por perversão.

Não voltei a ver a Opinião de José Sócrates, que a RTP despeja nos serões de domingo, salvo erro. A perversidade não dá para tanto e, de resto, o que leio aqui e ali chega para perceber que, à semelhança do protagonista, aquilo não evolui com o tempo: mantêm-se os ajustes de contas com Cavaco, Passos Coelho e a ala menos devota do PS, mantêm-se as exibições de prepotência, mantém-se a obstinação do indivíduo em voltar a mandar no País que destruiu, mantém-se o progressivo desinteresse do público e mantém-se o tipo de envergadura intelectual apenas adquirível em universidades extintas.

Consta que há dias José Sócrates chamou ao PR “envergonhante”, e essa só não é a palavra adequada a todo o exercício porque a palavra custa a engolir. Mas que o exercício é vergonhoso, é. Se se arrastar muito, dará pena. Ou daria, caso o homem fosse digno da dita.

Alberto Gonçalves, Sábado, 2 de Maio de 2013

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Sócrates foi, e é, alvo de expressões de ódio inauditas. Relvas, Passos, Gaspar, Cavaco, Portas, este, aquele e o outro não – façam eles o que fizerem e já fizeram de tudo. Então, algo de único deverá existir em Sócrates para suscitar tais reacções exclusivas. Será que cometeu crimes? Crimes horríveis? Muitos crimes? Muitos crimes horríveis? E se os cometeu, porque será que ninguém o apanha? Este Alberto é que não será apanhado a caluniar Sócrates dessa forma tão perigosa para a sua conta bancária, pelo que justifica racionalmente o ódio através da repetição maníaca de uma ideia simples e para os simples: Sócrates destruiu o País. Como e quando e quando e como, isso já não ocupa o teclado do Gonçalves. Ele tem mais o que fazer do que andar agora a ter de pensar nesses pormenores.

Sócrates deixa completamente desvairados dois tipos de homens: os muito estúpidos e os que precisam de se imaginar muito espertos. Ambas as tipologias se encontram amiúde na imprensa, os primeiros a fazer rubricas de sopeiras e os últimos a comandar exércitos do alto das suas crónicas. A uni-los a mesma paixão: Sócrates, alfa e ómega da sua virilidade.

Oh, que esforço tão insano toma conta dessas almas arrebatadas na sua ânsia de matar o ser amado…