300 desgraças depois

E depois de diabolizarem Sócrates até ao intolerável (e até à sua queda):

Na quinta-feira, no programa “Quadratura do Círculo”, na SIC Notícias , o histórico do CDS disse que foram os partidos que agora integram a coligação governamental que forçaram a entrada das três instuições em Portugal com o objetivo de pressionar o Governo da altura, ou seja, o de José Sócrates.

Lobo Xavier diz que nem mesmo a chanceler alemã Angela Merkel queria que o resgate a Portugal fosse feito da forma como foi.

«No princípio a senhora Merkel não queria uma intervenção concertada, regulada, com memorando, este aparato formal de memorandos com regras, promessas e compromissos tudo medido à lupa», adianta Lobo Xavier.

Pacheco Pereira realça que este «formato foi desejado como instrumento de pressão externa para a política interna», considerando que «houve alguém que desejou e que o utilizou de forma teórica e política.
Neste debate, tanto Pacheco Pereira como Lobo Xavier chamaram ao primeiro-ministro “aprendiz de feiticeiro“.

7 thoughts on “300 desgraças depois”

  1. não é de admirar, pagam-lhes para fazerem o papel de reserva moral da direita, não vá esta porra descontrolar-se.

  2. Dois dos carrascos da nossa Pátria amada. E dos mais culpados.

    E há muitos mais – Cavaco, Ulrico, Soares dos Santos, etc. e tal. Mas descansem, canalhas, que estamos a fazer o “index” completo.

    Vimos do fundo do tempo, não temos tempo a perder.

  3. Está na hora de a direita portuguesa ouvir isto:
    ————————————————-

    O Fetichismo Salazarista da Direita Portuguesa

    Salazar defendia obstinadamente o “temperamento colonizador dos portugueses” como sendo a missão e a essência de ser português. Assim, o «Acto Colonial» de Salazar baseia-se (citando artigo da época) «na própria força orgânica que levou a Nação a expandir-se e a criar o Império, a realizar a obra civilizadora e nacionalizadora que dos seus territórios coloniais fará países dentro da grande unidade de um Império e de uma Nação». Mais do que uma ideia meramente pragmática, de ordem económica ou política, o Estado Novo de Salazar pretendeu construir uma essência do ser português, isto é, uma ontologia nacional. Uma das linhas de força da sua crítica à monarquia liberal e aos republicanos baseava-se, precisamente, na acusação ao regime liberal-democrático de traição à «força orgânica» da «Nação».

    No momento presente encontramos uma direita que se coloca, por actos próprios e alheios e pela dinâmica do jogo político, na posição de herdeira do património ideológico do salazarismo. Mas fá-lo ignorando ostensivamente a ontologia nacional que é cerne dessa herança. De facto, já aqui o disse e volto a insistir: a cohabitação entre o neoliberalismo e o salazarismo é impossível. A direita acusa Sócrates de ter endividado o país e, assim, pôr a autonomia de decisão nacional em risco. Mas, ao mesmo tempo, está por opção própria impedida de levar às últimas consequências esse discurso nacionalista. A direita nada diz da teia de tratados europeus que assinou sempre de cruz, e que advogou com tal demagogia que impediu outros à sua esquerda de os discutir de forma efizaz. A própria adesão (irresponsavelmente) apressada de Portugal ao euro foi obra de Cavaco Silva. E, como agora assim nos confessam, o próprio resgate foi, pela direita, engendrado; a “ajuda externa” do FMI era indispensável à implementação do neoliberalismo, sendo que essa necessidade táctica é a mola real da nossa presente falta de autonomia. De acordo com uma já longa tradição histórica de traição à mãe-pátria, a direita portuguesa tomou aqui caminho idêntico ao que seguiu antes da crise de 1383-85.

    Mas… ante a necessidade de realizar uma manobra de intoxicação propagandística — onde se enquadram outros embustes, já sobejamente aqui discutidos — a direita encenou uma peça teatral em forma de comédia negra. Tal obra mediática, que bem poderia ter por título “A Múmia de Salazar”, faz uso neoliberalizado de certos tiques e cadências do discurso salazarista, que retira do seu imaginário próprio e usa como um mero fetiche. No lugar da ontologia da nação colonial e orgulhosamente só aparece-nos a da nação neoliberal e empreendedora mas poupadinha e que nunca pede favores a outrém. Este fetichismo salazarista é o contributo nacional da nossa direita: é a noiva que se une, por matrimónio de conveniência, ao neoliberalismo. Entretanto, o noivo já deverá ter percebido que o dote desta noiva era pechisbeque.

    Pois a narrativa eloquente e grandiosa do Portugal dos navegadores era, precisamente, o elemento da propaganda do regime que levantava o moral do povo português; que o punha em extase, como Narciso, a olhar para si próprio. Será que o fetiche do Salazar poupadinho serve, por si só, para alguma coisa? Decididamente, creio que não. A consciência popular do atraso português foi a causa principal de erosão ideológica do regime salazarista. A estrelinha da sorte do regime entra em declínio, logo a partir de meados da década de 1940. Em democracia, não tem como subsistir. Como ontologia nacional, o “Portugal pobrezinho” tem pernas muito curtas; e tem o potencial de levar a direita portuguesa a um beco eleitoral de onde não sairá com facilidade.

  4. Esses fazedores de opinião, demoraram dois anos a constatar que o País está
    entregue aos estarolas … tão empenhados estiveram em denegrir o anterior
    Governo, só lhes resta o mérito de ser dos primeiros a abandonar a barca das
    ilusões mas, são co-responsáveis pelo desastre que nos atingiu!!!

  5. parabens a penople por trazer à colação este tema.felicito jopft,pela diagonostico que faz da direita.acho que o que foi dito pelos dois senhores na quadratura do circulo,já todos suspeitavamos (ainda ontem j.galamba tocou no assunto).eles só revelaram agora esta pulhice para impedir que no final “da festa da austeridade” os louros possam ir para passos coelho.acham que nã foi portas que mandou dar este recado? qual a razaõ e o sentido de oportunidade?

  6. A direitinha portuguesa no seu melhor porque já se sente suficientemente segura para o admitir em público. E agora, não se pode accionar o procedimento judicial como pediam para o outro? Entretanto mandem-se flores aos do costume pela linda bosta que ajudaram a lançar para o ventilador.

  7. E não será agora cristalina a cobardia política do Seguro e asseclas que se calaram SEMPRE que a direita no parlamento acusava Sócrates como único responsável pela vinda da famigerada troika?

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