Não sabemos se o actual Presidente da República admite que estamos integrados na governação europeia, ou sequer se tem consciência de que pertencemos ao continente chamado Europa tendo em conta que considera serem os problemas económicos de Portugal da exclusiva causalidade do Governo, mas sabemos que no dia 9 de Março de 2011, ao assumir o seu novo mandato, disse o seguinte urbi et orbi:
Há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos.
Este frase resultou de um processo de consultas, durante o mês de Fevereiro, que levou a Belém todos os mais altos responsáveis pelas contas e políticas nacionais; incluindo um senhor chamado Durão Barroso, outrora visita dos conselhos de ministros do professor Anibal, que, embora não directamente ligado ao País, tem o País directamente ligado à entidade que chefia. Acrescente-se a esta recolha o somatório das reuniões semanais com o Primeiro-Ministro ao longo dos últimos anos e ainda o prestimoso trabalho de recolha de informações que os elementos da Casa Civil efectuam sem descanso nem temor, como o provam os dossiers entretanto organizados acerca dos mais variados assuntos e personalidades. Ora, deste homérico levantamento a respeito dos desafios cá do burgo nasceu um comício na tomada de posse, freneticamente aplaudido pela direita parlamentar. Nesse comício foi apresentado o programa e as linhas ideológicas do que o Presidente da República quer que o seu futuro Governo implemente. E ainda deixou o interdito de se continuar a tentar reduzir o défice com mais medidas de austeridade, na prática desautorizando o actual Governo e suas negociações com os parceiros europeus para encontrar uma solução que defenda os interesses nacionais.
Se juntarmos todos estes factos à campanha permanente para deturpar qualquer dos resultados positivos que possam ser associados às opções de Sócrates e sua incessante procura de saídas para um problema que não criou, temos de reconhecer que existe em Portugal um novo partido: o PSD-FMI. É um partido bicéfalo, com dois presidentes e uma tragédia provável: a mistura do infantilismo com a senilidade.



