Medidas radicais contra a crise

Amanhã, se conseguir vencer as forças hostis do capitalismo e da servidão voluntária, estarei a combater a crise na Cinemateca – exactamente às 19.30 e durante exactamente 70 minutos (quase o mesmo que uma hora e tal). Para tanto, terei de subornar o agente do imperialismo de serviço, oferecendo-lhe dinheiro a troco de protecção legal. Só depois me será permitida a entrada no recinto para uma luta ideológica sem ambiguidades, porque a preto e branco, e sem ruído, porque muda:

A EXPOSIÇÃO AGRÍCOLA, PECUÁRIA E INDUSTRIAL DE ESTREMOZ NO ANO DE 1927
de Artur Costa de Macedo

Sei bem que estas medidas não são para todos, até porque a sala Luís de Pina só ostenta 47 galhardas cadeiras, o que resulta num total de 94 pessoas a ter lugar sentado e ao colo. Com a ajuda da FENPROF ainda daria para enfiar entre 50 a 200 mil professores para além da lotação, mas não está prevista a presença de algum delegado sindical a essa hora nas redondezas, pelo que é melhor nem se darem ao trabalho de aparecer. Deixem as medidas mais radicais de combate à crise para a vanguarda que papa filmes portugueses dos anos 20, por favor.

4 thoughts on “Medidas radicais contra a crise”

  1. O anónimo Valupi vai aparecer num recinto público? Ao que a blogosfera portuguesa chegou, se até os anónimos já aparecem, devidamente acompanhados de cartão de cidadão, carta de condução e uma factura da água, luz ou gás…

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