A casa de férias do Homo neanderthalensis

Candidataram-se 2400 projectos, só 65 é que receberam as bolsas de cem mil dólares (72 mil euros). E dois eram portugueses, de portugueses: Miguel Prudêncio e Miguel Soares conquistaram os júris da Fundação Bill & Melinda Gates com a perspectiva do desenvolvimento de uma vacina e um estimulante imunitário que podem evitar a morte de crianças. Se resultar, a fundação pode injectar fundos no valor de um milhão de dólares. Se resultar, vidas de crianças serão salvas, aos milhares e aos milhões. Tem o seu interesse, por pouco que seja, portanto.

Pois, e à hora em que escrevo, esta notícia recolheu três (3) comentários no Público digital. Cada um deles é maravilhoso por mérito próprio e idiossincrático, mas o do meio, acima, é tudo isso e ainda acrescenta a genialidade mais pura. A propósito da malária, o autor consegue ligar o caso Maddy com a problemática Neanderthal, tendo o Algarve como pano de fundo e a genética como papel de embrulho. Isto não é para todos, nem devia ser para alguém, mas lá está a servir de charneira a um lamento feminista e a um espasmo numerológico. A audiência digital deste jornal, que há muito teria enforcado Sócrates numa varanda manhosa em Valhelhas, não encontrou mais ou melhor para expressar perante feito tão raro e relevante. As duas reacções são conexas.

A nossa amiga L* sugeriu dar destaque ao sucesso destes dois investigadores, imagem de um Portugal que deu saltos inimagináveis há 20 anos no investimento em ciência, e tem mais para nos dizer.

Good food for good thought

Fear-mongering

This kind of attack strategy is aimed at raising anxieties so that a thoughtful examination of a proposal is very difficult if not impossible. People begin to worry that implementing a genuinely good plan, pursuing a great idea, or making a needed vision a reality might be filled with frightening risks—even though that is not really the case.

There are all sorts of ways to create fear. You have seen a half dozen in the library story. The trick is to start with an undeniable fact and then to spin a tale that ends with consequences that are genuinely frightening or that just push the anxiety buttons we all have. The logic that goes from the fact to the dreadful consequence will be wrong, maybe even silly. A story that reminds us of scary events in the past may not be a fair analog, but it can be effective in bringing up unpleasant memories. Pushing anxiety buttons is manipulative in the worse sense of the word. But it can be an effective tactic.

Continuar a lerGood food for good thought

Vinte Linhas 549

Rui, Ricardo e Isabel – três casos exemplares no Reino Unido

Rui Pinheiro é o jovem young conductor in association da Bournemouth Symphony Orchestra. Com sede em Poole, fundada em 1893, a BSO é dirigida por Kiril Karabatis e dá uma média de 150 concertos por ano, actuando regularmente na BBC e no Royal Albert Hall. Já foi dirigida por artistas famosos como Edward Elgar, Gustav Holst, Stravinsky, Rachmaninov e William Walton além de ter actuado em países como os EUA, a República Checa e a Áustria. Rui Pinheiro é português, da região de Coimbra.

Ricardo Afonso é cabeça de cartaz no Dominion Theatre em Londres com o espectáculo musical «We will rock you». O actor, bailarino e cantor português chegou ao famoso teatro de Tottenham Court Road em 2005 interpretando «Galileo», personagem que, ao lado de «Scaramouche», «Pop», «Killer Queen» e «Khashoggi», forma o quinteto-chave desta história passada no futuro onde uma empresa (Globalsoft) quer banir a música ao vivo da Terra. Este musical estreou em 14 de Maio de 2002 e já bateu todos os records deste Teatro. Ricardo Afonso compôs em Portugal as canções da série «Super Pai».

Isabel Matias é a Head of production da Pride Magazine, o que significa ser um dos elementos de destaque na Revista ao lado dos três editores e do gestor de publicidade. A Revista na qual Isabel Matias tem o cargo de produtora executiva principal publica-se em Londres e tem como público-alvo as mulheres de cor. Os temas tratados nas suas páginas são a moda, a beleza, a saúde, a música, a TV, o teatro, o cinema, a alimentação ou seja, numa síntese, a vida moderna. A Pride Magazine pode ser lida na Internet e o contacto para assinatura é o seguinte: «subscriptionsridemagazine.com».

Os delirantes ideólogos de Passos

Também aqui, o direito tem-se amigado com a política e procriado a lógica de estroinice que tem presidido à gestão do erário público. Em boa verdade, o que Passos Coelho sugeriu foi uma revolução coperniciana no modo indígena de fazer política. Entre nós, as decisões políticas situam-se num contexto de impunidade sem retorno. A tal ponto que o político que asneou sente-se habilitado, até encorajado, para repetir a estultícia gastadora ainda com maior convicção.

Carlos Abreu Amorim

*

Vamos repetir para nos convencermos de que lemos correctamente: Em boa verdade, o que Passos Coelho sugeriu foi uma revolução coperniciana no modo indígena de fazer política.

Revolução coperniciana no modo indígena de fazer política. Revolução coperniciana. Coperniciana.

Muito bem. E muito obrigado.

Vinte Linhas 548

As «iluminações» de Jorge Valdivia Carrasco

Dürer, Rafael, Botticelli, Vermeer e Jan van Eyck são alguns dos pintores flamengos e italianos «iluminados» pelo pintor peruano Jorge Valdivia Carrasco na sua exposição patente na Rua da Misericórdia, 30 (ao Chiado) em Lisboa.

Reminiscências, divertimentos, homenagens – qualquer destas possíveis definições se pode enquadrar nesta apropriação feita por Jorge Valdivia Carrasco no século XXI das imagens e das visões dos pintores dos séculos XVI e XVII.

Com exposições individuais e mostras colectivas em muitos e diversos países (Peru, Porto Rico, Itália, Alemanha, Portugal e EUA) este artista peruano, por assim dizer, tira do museu e traz para as paredes da galeria de arte uma memória de linguagens pictóricas antigas às quais acrescenta o seu próprio contributo: aves, peixes, répteis e insectos em diálogo directo e íntimo com as mulheres que tecem, como Penélope, os fios da malha contra o esquecimento.

Esta imagem anexa ao texto surge como um quase perfeito exemplo de ligação entre Natureza e Cultura: enquanto a mulher se defronta com um quadro na parede onde um oceano lhe sugere todas as viagens, um pássaro vivo desce pela parede ao lado do quadro e vai cantar para essa mesma mulher.

Esta dupla inscrição (Natureza e Cultura) é a chave possível para esta homenagem à arte do passado pela arte do presente. Não sabemos que mais prezar: por um lado o rigor da homenagem aos mestres dos séculos passados e aos seus modelos pictóricos, por outro lado a fantasia sem limites que o ajuda a transgredir o legado ancestral dos antigos.

O que não tem remédio, remediado está

A subida das taxas de juro da dívida portuguesa para 6,902 nesta segunda-feira, ao arrepio de toda a racionalidade contrária inerente aos acontecimentos políticos e económicos nacionais mais recentes e às variadas declarações positivas para Portugal vindas de entidades com peso internacional, gera um efeito calmante. É a prova que faltava, se é que alguma faltava, da autonomia do mercado para seguir as suas estratégias de ganhos.

Podemos agora descansar e ocupar os neurónios com outro assunto qualquer. Deixemos o mercado asfixiar todas as economias do Mundo até só restar a China rodeada de países em bancarrota. Foi mais ou menos isto que Nostradamus profetizou, certo?

Os dardos e as flechas

Os nossos amigos José Albergaria e Sofia Loureiro dos Santos, transbordando generosidade, incluíram o Aspirina B nos seus Prémio Dardos, essas simpáticas manifestações anuais de apreço que celebram afinidades e gostos.

Eu, para eterna vergonha deste blogue, não dou continuidade às correntes. Mas agradeço penhorado as flechas que tantos concidadãos, amigos de partilha nestas novas tertúlias, disparam contra os inimigos da inteligência, da coragem e da liberdade. A vitalidade da comunidade tem na blogosfera uma das suas mais genuínas e recompensadoras expressões.

Vinte Linhas 547

NANI – do golo rápido à paciência infinita

Deve-se à persistência de João Couto o facto de Luís Carlos Cunha ter permanecido na Academia Sporting durante largos meses. Só podia treinar mas não jogava porque não tinha os documentos em ordem. Durante os meses de espera, Nani viu jogos ao meu lado na Tribuna de Imprensa, acompanhado pelo grupo que eu apelidava de Nação Crioula – Zezinando, Celestino, Yannick Djaló, Fábio Paim. Muitas vezes lhe pedi ajuda para saber o autor de um golo no meio das «molhadas» nos pontapés de canto. Uma das suas memoráveis «jogatanas» já como júnior foi na Amadora. Nani, fez «gato-sapato» da defesa da casa e marcou vários golos. Ao meu lado assistiu embevecido ao jogo o seu irmão mais velho. No entretanto da espera, Nani fez uma viagem aos Estados Unidos a convite do Núcleo Sportinguista de Danbury. Com o apoio de João Couto, treinador no Sporting e professor na Amadora, Nani venceu a batalha contra a desconfiança de muitos e contra o desdém de alguns. Este golo recente que abalou a Inglaterra desportiva não me surpreendeu. O meu genro contou-me o caso deste modo: a) um jogador pensou ter sofrido falta para grande penalidade b) pegou na bola com a mão para a colocar na marca c) o guarda-redes adversário resolveu colocá-la para marcar uma falta que julgava ter sido assinalada ao avançado d) como o árbitro não interrompeu o jogo, o avançado chutou para a baliza deserta Percebi logo que tinha sido o Nani. Errou o árbitro, errou o auxiliar, errou o guarda-redes; só o Nani não errou. Quem passa aqueles meses em infinita paciência pode resolver situações numa fracção de segundo. Não me surpreendeu. João Couto também não deve ter estranhado.

Mão segura, precisa-se

“Nunca votarei de olhos fechados, serei implacável contra a corrupção”, aviso de Seguro à direção da bancada do PS

Fonte

*

A declaração pressupõe que Seguro é testemunha de situações de cumplicidade ou complacência com a corrupção no seio do grupo parlamentar do PS. É a lógica do acto discursivo a ditá-lo, embora não se saiba exactamente de que tipologia de corrupção está a falar. Ora, fazer votos de implacabilidade na matéria é fácil, o difícil é combatê-la com algum mínimo de eficácia.

Se Seguro quer fazer desta bizantina causa uma das suas bandeiras para chegar a Secretário-Geral do PS, o que só o dignificaria, tem de recolher a lição evangélica: abandonar a porta larga das declarações ambíguas, retóricas ou disfuncionais e entrar pela porta estreita da definição pública do que seja a corrupção, para início de conversa, e do que é preciso fazer para a reduzir ou impedir.

É que combater a corrupção é combater um bocado entranhado em todos nós, sem excepção, pede-se o saber e o rigor de um cirurgião.

Mistérios da São Caetano

As sucessivas desgraças políticas que chegam à liderança do PSD, desde que Barroso traiu o seu compromisso ético com Portugal, são uma penosa ilustração da decadência da direita nacional. As raízes estão na longa duração do Cavaquismo, no envelhecimento da geração dos fundadores do PSD e CDS sem renovação capaz e nos aparelhos de poder financeiro que substituíram a necessidade de lutar intelectual, ideológica e civicamente. A riqueza estava à distância de uma rede social, mas nada democrata, nessa enorme sociedade lusa de negócios do Cavaquistão, alimentada a fardos de dinheiro vindos da Europa para esta secção avançada do continente africano. Os filhos da direita abastada, de fortuna antiga ou recente, desistiram da luta política antes mesmo de a começarem. Havia muito mais e melhor para fazer com tantos privilégios e benesses: desportos, estudos, viagens, paixões, vida de corte. Não queriam misturas com os viciados da intriga, os arrivistas acabados de chegar e o povinho que cheira mal, inevitabilidades da actividade partidária.

Mesmo assim, não deixa de causar alguma surpresa ver Passos Coelho, que tinha juventude para ter outro juízo, a ultrapassar os máximos de estupidez registados pelos seus imediatos antecessores. Para além de não perceber nada do que se passa sociologicamente à sua volta, em particular as sondagens que o premeiam sempre que ajuda à governabilidade, de se ter metido num desmiolado beco sem saída com a revisão da Constituição e de ter levado o País para um escabroso e irresponsável processo de viabilização do Orçamento, agora saí-se com a repetição em voz alta do que Pacheco e Manela anda a vociferar entre dentes desde que lhes passou pelos olhinhos o episódio islandês: meter políticos em tribunal por causa das contas públicas. Ou seja, meter Sócrates no chilindró seja lá pelo que for, que é só do que se trata com estas alimárias. As implicações dessa aberração, caso fosse para levar a sério, teriam como consequência que só as Testemunhas de Jeová e os anarquistas ficassem interessados em ir para o Governo.

Passos faz tudo, tudinho, para oferecer ao PS ocasiões de tiro ao boneco. Mentes dadas à paranóia já devem estar em acelerado cálculo conspirativo.

Vinte Linhas 546

Hoje há gralhas nas páginas do jornal Oje ou as ampolas

Na sala de espera de um Hospital ofereceram-me um jornal cujo título chama logo a atenção – OJE. Foi no passado dia 4-11-2010 de manhã e reparei logo na página 4. O título era apelativo: «Portugal paga juro mais alto por venda de dívida». No corpo da notícia pode ler-se: «O Estado português colocou 500 milhões de euros nos títulos de dívida pública com maturidade (sic) em Fevereiro de 2011, à taxa média de 1,818%, acima dos 1,595% da emissão de 06 (sic) de Outubro (sic), com a procura a superar a oferta em 2,2 vezes.» Mais à frente, na mesma notícia escreve-se de novo «com maturidade em Outubro de 2011» e, ainda noutro parágrafo, «Para a maturidade a 12 meses a procura também superou a oferta em 2,2 vezes». Vamos então ao caso. Vale a pena. Maturidade em bom português no velhinho dicionário de Moraes significa «madureza, idade adulta, estado dos frutos ou das sementes que chegaram ao grau de desenvolvimento que devem alcançar na planta mãe». Maturity date em bom inglês commercial significa «termination of the period than an obligation has to run». Está tudo isto muito bem explicadinho no Webster´s Seventh New Collegiate Dictionary da editora Merriam-Webster de Springfield – Massachusetts – USA.

Confundir Maturity com Maturidade é um erro crasso e não é preciso ter trabalhado na área do comércio internacional para o saber. Há quem lhe chame erro de simpatia mas para mim é ignorância. Faz lembrar o emigrante que dizia: «Ó primo em França trabalha-se muito e ganha-se bem mas o que estraga tudo são as ampolas!» Anos depois descobri que ele se referia a «les impôts». Ora bolas para as ampolas…

Só falta uma coisinha

Estes são problemas concretos das pessoas e que não podem ser resolvidos com ilusões ou com utopias, estes são problemas concretos das pessoas, que só podem ser resolvidos com uma mudança na orientação económica do nosso país, no sentido de aumentar a produção de bens que são susceptíveis de ser exportados ou de substituir aquelas importações que nós fazemos. Só assim será possível criar riqueza e criar empregos no nosso país.

Cavaco

*

É impossível discordar: os problemas que temos são concretos e das pessoas, para nada servindo as ilusões e utopias; estas podem ficar para os problemas abstractos que envolvam anjos ou animais. Fica só a faltar uma coisinha: que se diga quais são os bens susceptíveis de serem exportados ou substituírem as importações. O resto já temos: mão-de-obra disponível para pegar ao trabalho de imediato e empresários disponíveis para enriquecerem imediatamente.

O Professor Cavaco, que sabe tudo de economia e finanças, para além de ser um brilhante investidor, certamente não terá dificuldade em completar o recado.

A grande maralha da China

Tendo em conta que estivemos séculos a guardar Macau só para que aquela vila piscatória ficasse em condições de superar Las Vegas nas receitas de jogo assim que saltássemos fora, o mínimo que os chinocas podem fazer por nós é gastar umas migalhas dos seus biliões de dólares a resolver o problema do nosso financiamento externo ao longo dos próximos 100 anos.

Study Finds

Physical Fitness Curbs Frequency and Severity of Colds, Study Finds

Higher Medication Spending Doesn’t Indicate Better Prescribing Quality, Study Finds

Americans Less Healthy Than English, but Live as Long or Longer, Study Finds

Successful Mothers Get Help from Their Friends, Dolphin Study Finds

Future Offenses Cause More Intense Feelings Than Past Actions, Chicago Booth Study Finds

Organic Onions, Carrots and Potatoes Do Not Have Higher Levels of Healthful Antioxidants, Study Finds

Bakerloo Line

Em Paddington e Charing Cross, estações
Nos lugares mais laterais da carruagem
Procurei como num puzzle de emoções
Mas a princesa não vinha nesta viagem

Procurava uma mulher de mãos de fada
Uma princesa esquecida do passado
As mãos traziam esses jornais de nada
O rosto voltava-se para o outro lado

Mais à frente no branco dos corredores
Um homem canta canções de agora
Tal como eram os antigos trovadores
Ele acaba de cantar e vai-se embora

Procurava uma mulher de mãos de fada
Não desisto de procurar o rosto altivo
Sou eu o trovador na minha estrada
E a princesa é a canção e o seu motivo