Se Menezes já fala em se candidatar ao Porto, quer dizer que Rio já vem a caminho de Lisboa?
Arquivo mensal: Novembro 2010
O corvo de Papillons Walk

Cai aqui uma chuva macia e certa
Na estrada do domingo de manhã.
Teimoso e obstinado, o corvo corre
Nos intervalos dos poucos automóveis.
Será o resto de um pão preso ao asfalto
Deixado cair por uma criança indolente.
Mal surge o som e a imagem na curva
De Morden Road, o corvo salta da rua.
Nada sabemos deste corvo capaz de viver
Dentro do tempo de duas guerras mundiais.
Em 1914 terá fugido ali para Greenwich
Matando a fome na cantina da Academia.
Em 1939 escondeu-se no Rio Quaggy
Onde não chegavam as bombas alemãs.
O corvo de Papillons Walk salta
Por cada automóvel que aqui passa.
Nada sabe da chuva desta manhã
Nem dos cânticos da igreja ao lado.
Sem idade nem memória, só futuro
Há nele uma pujante razão de ser.
Não se distrai com os esquilos
Que cruzam os jardins das moradias.
Não se concentra nas crianças da rua
Nas suas roupas, gritos e abóboras.
Não se envolve no trânsito da rua
E no som do guarda-lamas nas lombas.
Em Papillons Walk o corvo come
Um pão que não seca nem termina.
Só rir
Há pândegos, com Marcelo à cabeça e na cabeça, que dizem ter Passos sido o vencedor da fantástica odisseia da viabilização do Orçamento, começada no Pontal a 15 de Agosto, ou até antes. Temos, então, que venceu quem colocou condições impossíveis de cumprir, quem não apresentou alternativas de fundo, quem chantageou o Governo, quem alimentou a instabilidade política, quem deixou os bancos nacionais em pânico, quem alarmou a Europa, quem perdeu a face e quem não foi capaz de perceber (ou de aceitar) as inúmeras vantagens de uma abstenção sem condições.
Mais do que uma vitória de Pirro, estamos é perante a tonteira de um pirralho.
Nem só de Big Tasty vive o homem

Há dias, o nosso amigo Vega9000 sugeriu esta visita à cozinha do McDonald’s, leitura que se saboreia com proveito e gosto. Sou um dos que agradecem a existência da publicidade, pois, para além de me pagar as contas, é o meio que me informa das novidades na ementa desta casa de pasto sempre repleta de cavalgaduras; e quando aparecem, vou lá fazer um festim. Como foi o caso aquando do lançamento do Speciale, que prometia delícias à italiana. Contudo, revelou-se uma vigarice, pois a grosseria do molho de queijo anula por completo as subtilezas do parmesão (isto, admitindo que tem algum). Falhaste, Daniel Coudreaut, mas fica o mérito da tentativa.
O meu repasto favorito no McDonal’s é o Big Tasty, uma bomba calórica que dá para subir e descer a Serra da Estrela só para a desmoer, porém tem agora um moderno rival que ameaça o seu estatuto: Wrap Tomato & Cheese. O Wrap Ranch deixou de fazer sentido após o lançamento desta pequena maravilha, tendo apenas a utilidade de nos introduzir no conceito. Não adianto mais pormenores para não condicionar a experiência aos que a desconhecem (e também porque não há nada para dizer, é apenas comida debochada).
Cada ida ao McDonald’s, para mim, deve ter 3 meses de intervalo no mínimo, 12 no máximo, sendo ideal a periodicidade dos 6 meses. Slow food, afinal.
The silence of the lambs
A propósito da carta que Ana Paula Vitorino enviou aos deputados do PS, e independentemente da validade dos elementos que o Ministério Público de Aveiro tenha coligido para investigar Mário Lino por corrupção, vai ter muita graça registar a reacção de muitos que agora se calam, alguns gozando o prato, quando lhes tocar a eles, ou a alguém por quem tenham estima, as manobras dissolventes do Estado de direito que, na prática, se constituem como o principal esteio da oposição à direita.
Quanto aos que exploram a violação do segredo de justiça e as deturpações daí resultantes, o nosso agradecimento. Assim, ninguém se ilude a seu respeito.
Gula
Este artigo fala de um paradoxo alimentar que qualquer um pode comprovar por si. Mas a mesma, mesmíssima, lógica explica a corrupção generalizada, em todos os países e estratos sociais.