Nem só de Big Tasty vive o homem

Há dias, o nosso amigo Vega9000 sugeriu esta visita à cozinha do McDonald’s, leitura que se saboreia com proveito e gosto. Sou um dos que agradecem a existência da publicidade, pois, para além de me pagar as contas, é o meio que me informa das novidades na ementa desta casa de pasto sempre repleta de cavalgaduras; e quando aparecem, vou lá fazer um festim. Como foi o caso aquando do lançamento do Speciale, que prometia delícias à italiana. Contudo, revelou-se uma vigarice, pois a grosseria do molho de queijo anula por completo as subtilezas do parmesão (isto, admitindo que tem algum). Falhaste, Daniel Coudreaut, mas fica o mérito da tentativa.

O meu repasto favorito no McDonal’s é o Big Tasty, uma bomba calórica que dá para subir e descer a Serra da Estrela só para a desmoer, porém tem agora um moderno rival que ameaça o seu estatuto: Wrap Tomato & Cheese. O Wrap Ranch deixou de fazer sentido após o lançamento desta pequena maravilha, tendo apenas a utilidade de nos introduzir no conceito. Não adianto mais pormenores para não condicionar a experiência aos que a desconhecem (e também porque não há nada para dizer, é apenas comida debochada).

Cada ida ao McDonald’s, para mim, deve ter 3 meses de intervalo no mínimo, 12 no máximo, sendo ideal a periodicidade dos 6 meses. Slow food, afinal.

53 thoughts on “Nem só de Big Tasty vive o homem”

  1. Incrivel. Tudo o que abomino acerca de Portugal encontra-se concentrado neste post :

    – A confusão de conceitos que faz com que tenhamos completamente perdido de vista que ha uma diferença abissal entre “publicidade” e “reclame”.

    – A provinciana celebração enaltecida de toda a merda que nos atiram para o prato, desde que venha do “estrangeiro”.

    – A total desconfiança nos nossos proprios instintos e recursos para experimentar o que nos acontece, como se tivéssemos integrado de uma vez por todas que o que vem de nos mesmos é uma labreguisse insignificante.

    – A perca completa, e definitiva, desse principio ético basico, mais basico ainda do que o instinto de sobrevivência, que é também a antecâmara do sentido critico e que da pelo nome de “gosto”.

    Este post lembra-me aquelas mães da linha que, nos anos 70, nos lanches das festas de anos que organizavam para os filhos, faziam questão de salientar que a bebida “era mesmo tang, do verdadeiro”. Nesses pincaros, ja nem vale a pena discutir se é bom ou mau gosto. Ja não se trata de gosto…

  2. Como fanático da cozinha mediterrânica e da Slow food, não compreendo a abertura do Val para coisas do tipo publicitado. Apelido-as de coisas, porque tenho dúvidas que se trate de mesmo de comida. Em minha opinião, trata-se de produtos químicos, bem embalados e apresentados, com valor calórico mas pouca qualidade alimentar.
    Não sei se conhecem o estudo Britânico, em que se associa o consumo deste tipo de alimentação, à falta de qualidade para procriar do espermatozóide masculino.

  3. joão viegas, estou interessado na tua promissora destrinça entre “publicidade” e reclame”. Podes começar por aí e trataremos do resto pelo caminho.
    __

    Sousa Mendes, e donde te vem essa dúvida acerca da qualidade dos alimentos no McDonald’s? Quanto a estudos, consta que dizem que tudo faz mal quando se ingere em quantidades nocivas. É uma sabedoria, de resto, já com alguns milhares de anos.

  4. por alguns dos ultimos posts , parece que o V se iniciou no marketing viral. sim , pode ser que renda uns cobres .mas acho que assim , em post , fica demasiado parecido com pub normal.

  5. Os portugueses não estão a ficar gordos por causa dos McDonalds. Aliás, não eram, não são, precisos McDonalds para os portugueses ficarem gordos. Com a comidinha “nacional” já se engorda o suficiente. Há falta de cultura e de educação para os legumes, sobretudo nas cidades (falta publicidade à comida “mediterrânica”) e de restrições familiares ao consumo de doces pelas crianças. Usa-se e abusa-se dos fritos. Comem-se demasiadas quantidades de comida.
    Claro que estas publicidades às novas boas intenções alimentares da McDonald’s não ajudam nada, são marketing, porque a verdade é que, quem lá vai não será nunca para comer comida dietética…

  6. uma qualquer, achas que o McDonald’s pretende que os seus clientes lá deixem o dinheirinho uma vez a cada seis meses?
    __

    Penélope, a verdade é a de que só lá vai quem quer, como a todo o outro lado – tal como referes. Mas igualmente verdadeiro é o facto de não haver restaurante (é o que aquilo é) que seja mais escrutinado e mais atacado. Logo, o problema não está do lado deles. Não creio que 99,9% dos frequentadores de restaurantes procurem comida dietética (e seja lá o que isso for).

  7. joão viegas, algo me diz que não apanhaste bem o sentido deste post. Eu dou uma ajuda:
    – “repleta de cavalgaduras”
    – “anula por completo as subtilezas do parmesão (isto, admitindo que tem algum)”
    – “comida debochada”
    – “Cada ida ao McDonald’s, para mim, deve ter 3 meses de intervalo no mínimo, 12 no máximo”

    Onde é que consegues ver “celebração enaltecida de toda a merda que venha do estrangeiro” é para mim um mistério. Mas deste-me saudades do Tang, o que é perigoso, porque ainda este verão caí na asneira de experimentar Capri-Sonne outra vez, o que resultou na destruição completa de algumas boas recordações do recreio do Colégio Moderno. Que mistela.
    _______

    O que me faz lembrar: aqui há coisa de um ano, um amigo com pretensões a gastrónomo resolveu celebrar os seus 40 anos num restaurante de cozinha experimental portuguesa em Oeiras, o 2780 Taberna. Reunidos os comensais neste agradável espaço, reservado apenas para nós, fomos brindados pelo chefe com uma sucessão de iguarias divinamente confeccionadas, de sabores apuradíssimos e surpreendentes ao palato, em quantidades cuidadosamente calculadas para as exactas calorias necessárias ao movimento de descer as escadas e abrir a porta do automóvel, desde que não fosse de marca alemã.

    E dei por mim a pensar, no meio da animada conversa sobre o repasto que todos os convidados, excepto o aniversariante, que foi excluído, tiveram à volta da primeira roulotte de bifanas que encontrámos, que as iguarias dos Deuses deveriam ser exclusivamente reservadas a estes. Nós, meros mortais dependentes da zona de recompensa do cérebro, não as merecemos.

  8. acho. lendo esta cena , eu que fui la uma vez na vida e bebi uma agua das pedras , podia achar ,se fosse parva , que valia a pena ir la experimentar: um cliente que nunca o seri.!

  9. Fui reler o post para ver se, como sugere o Vega9000, o meu comentario não teria sido exclusivamente motivado pelo meu mau humor matinal. Não sei não…

    Publicidade é o que faz, por exemplo, o diario da Republica. Reclamo (melhor do que reclame) é o que sobra do post, mesmo apos nova leitura. Ou seja, algo que não me parece merecer mais do que um movimento de mau humor matinal, se tanto…

  10. Detesto o odor que emana do McDonald’s. Detesto-o quase tanto como aquele que sente na Praça Afonso de Albuquerque, quando se vai de Alcântara para a Fábrica dos Pasteis de Belém. Sou mais pelo cozido à portuguesa, leitão da Bairrada, sardinha assada, feijoada. Tudo comidinhas leves e nutritivas. Gosto tanto da cozinha tradicional e mediterrânica como abomino a nova cozinha assumidinha nos seus pratos de denominações risíveis: caracoletas com muco primaveril em cama de grelos colhidos de madrugada, regados com azeite de oliveira velha da margem direita do Guadiana ou filetes de de sardinhas marinados em vinagre balsâmico envelhecido em barris de madeira de oliveira derrubada manualmente, acompanhados de batatas fritas em azeite da zona de planície e molho de mel de abelhas de três riscas.

  11. Val. eu penso que quem vai a um restaurante pretende i) matar a fome e ii) um grau de satisfação no processo e/ou ainda iii) comer diferente e por um preço justificado (ou simplesmente “comer ” lifestyle, não importa o preço, mas isso é outra história). Agora, o tipo específico de comida, e de restaurante, que procura – e aqui entra o conceito de dietética, que referi – já tem a ver com a sua cultura, gastronómica e outra de ordem mais geral, na qual se inclui o conhecimento dos benefícios e malefícios de certos pratos. O MacDonald’s é junk food e dali não vai sair, aliás nem quer. No dia em que se transformassem noutra coisa deixariam de ter clientes.
    Não sei se seria legítimo, ou sequer eficaz, proibi-los, mas prevejo que muita coisa no futuro possa mudar nessa matéria, atendendo aos custos que a obesidade representa para o erário público… Afinal, também já se proíbem máquinas de chocolates e de guloseimas nas escolas.

  12. 1) A arrogância e sobranceria que para aqui vai! Fazer julgamentos com base num “Nunca experimentei nem nunca experimentarei” requer um tipo de infalibilidade que nem o Bento a falar de teologia!

    2) mas que comida é que não é um “produto quimico”? E afortunado país aquele em que as calorias já não são parte da “alimentação”, whatever that means now.

    3) A melhor coisa do Mac foi e continua a ser o hambúrguer simples, a 1€ na Europoupança.

  13. uma qualquer, e fazes tu muito bem em não pôr lá os pés. Continua assim, independente.
    __

    joão viegas, ok.
    __

    Jafonso, bem lembrado: o odor dos McDonald’s é um atentado urbano.
    __

    Penélope, mas podes ir ao McDonald’s comer sopa, salada e iogurte e voltar para casa sem tocar na “junk food”…

  14. eh, eh, eh. o meu favorito da mcdomalds é aquele dos putos (que também dá prenda) e cujo nome me falta agora. para empaturrar então que venha o leitão de angeja ou uma dobrada bem servida.
    quanto ao odor, o do mac nunca me deu vómitos mas o do kentucky fried não dá para descrever.

  15. eu nunca experimentei cianeto e suponho que nunca experimentarei ( nunca se sabe) e não preciso de experimentar para saber que mata , basta-me a experiência de outros que lerparam.

  16. JAfonso: Adorei os teus pratos da nova cozinha. Ahah! Também gosto do “Bacalhau em leito de espinafres salteados em azeite virgem, pressão a frio”.

  17. Nunca concordei com aquela história de que os gostos não se discutem porque se há alguma coisa que se pode discutir são os gostos já que os factos são pouco dados a discussões e é exactamente por isso que admiro os McDonald´s. Os McDonald’s, tal como a Coca-Cola e as Lewis, conseguiram a proeza nunca antes alcançada de descobrirem o MGC – Mínimo Gosto Comum.
    O nosso palato resulta primeiro da nossa cultura, detesto arenque fumado mas como bacalhau cru e fiambre, e depois de uns quaisquer genes estranhos que me fazem a mim ser incapaz de comer fígado e a vocês qualquer outra coisa que pode ir desde a comum cebola até ao dióspiro ou à maçã – sim, conheço quem não goste de maçãs e seja incapaz de as comer. Os sabores marcam os povos e a cozinha tailandesa não deve ter um único sabor comum com a cozinha austríaca – muito mazinha, posso garantir – tal como os sabores algarvios são diferentes dos vizinhos sabores andaluzes e mesmo aqui, neste canto pequenino, há especialidades gastronómicas incapazes de serem digeridas por muitos que a elas não estão habituados. Pastéis de molho, sabem o que isso é? Se não sabem imaginem uma espécie de folhado de carne desfeito em água quente temperada com paus de açafrão e vinagre. Noja? Eu não acho, gosto até muito, mas este prato, típico da Covilhã, é de difícil ingestão para quem nunca o comeu, tão difícil que lá por casa servia de teste a qualquer pretendente mais afoito porque ou comia pastéis de molho e talvez pudesse um dia entrar para a família ou nem valia a pena perder-se tempo e o que é certo é que até o meu pai, se quis casar com a minha mãe, teve de levar com os pastéis de molho no prato.
    Mas isto tudo ali em cima para quê? É que eu não conheço uma única pessoa, mas eu também não conheço toda a gente, que não goste da comida do McDonald’s. Podem não gostar de junk food por ser junk food, eu não sou especialmente apreciadora e não é sítio que por aqui se frequente, podem dizer que sabe a plástico, que tem tudo o mesmo sabor, que faz mal que se farta, que o cheiro é horrível, podem dizer tudo isso e mais um par de botas mas se se virem perdidos no outro lado do mundo no meio de baratas fritas ou de algum caril menos comestível sabem que ali, naquele sítio com comida chapa 3, os sabores são conhecidos e suportáveis e isto não é fácil de conseguir porque se é válido para nós europeus e válido lá na terra deles é válido também para 99% dos povos da terra e isso, parecendo fácil, quase um ovo de colombo, é extraordinariamente difícil porque pão e carne podem ter milhares de sabores e alguns serem incompatíveis com outros tantos paladares, basta pensar que a maior parte das vezes que se pede um prego é explicado como se quer o bife. O que é certo, certinho, é que o McDonald´s conseguiu a enorme proeza de reunir o mundo inteiro à volta de um sabor sem correr o risco de ouvir o mais que expectável “não gosto disso” dito em todas as línguas conhecidas e mais algumas de que nunca se ouviu falar.
    E não, isto não é publicidade nem mesmo reclamo porque cá em casa até se prefere arroz de cabidela a um big tasty qualquer mas todos os que já tiveram mais do que uma criança sentada a uma mesa de jantar, podem até ser só duas, sabe como é difícil conseguir este equilíbrio e agradar a gregos e a troianos.

  18. Dificil, Tereza ? Nada que não se tenha alcançado ja com o arroz, com a batata, com o leite condensado, com o automovel, com a fralda de bébé, provavelmente com o alcool, com a televisão, etc.

    Gostos é outra coisa. Não tem nada a ver.

    Por isso mesmo é que se discutem alias…

  19. João Viegas eu vivo no Algarve e durante todo o ano vejo ingleses a beberem álcool. Em pubs iguazinhos aos que têm na terra deles. Tal como vêem os canais ingleses, comem pequenos almoços ingleses e se abastecem no único supermercado por aqui que vende produtos ingleses. Podem comprar arroz, batatas ou leite condensado mas não compram arroz cigala, leite primor ou batata olho de perdiz. O McDonald’s em todo o mundo vende exactamente os mesmos produtos com exactamente os mesmos sabores e para isso teve mesmo de chegar aquilo o que chamei o mínimo gosto comum.

  20. Mas, Vega, o problema do repasto para deuses era não ser bom ou ser pouco?
    Uma sugestão: na próxima vez, primeiro passa pela roulotte das bifanas, e depois, sim, para a cuisine de iguarias minimalistas :)

  21. edie, quase me tramavas com essa. O problema é ambos, porque um dos traços da nouvelle cuisine é precisamente o tamanho das porções. Há algo com “cama de espargos da margem esquerda do Guadiana colhidos ao amanhecer” (para usar a bela imagem do JAfonso) que é aparentemente incompatível com doses adequadas a humanos. E eu desconfio que tenha a ver com a tal parte da “experiência” da cozinha experimental, que vive muito do efémero, das promessas interessantes que não passariam da terceira garfada sem se tornarem maçadoras ou intragáveis. Mas enfim, especulo. Mas não deixo de achar interessante que, para a maioria das pessoas, eu incluído, a mesma regra que o Val aplica ao McDonald’s – 6 meses entre visitas no mínimo – se aplique também à chamada alta cozinha.
    Da minha experiência desse ano (já tive outra, entretanto, em Santar, cumprindo a regra de menos de 12 meses), lembro-me que, apesar de ter gostado, a única coisa que me ficou gravada na memória foram as batatas baunilhadas. Deliciosas. Todas as quatro rodelas.

    Quanto às bifanas antes da cuisine minimalista, no comments. Sabes perfeitamente que estás a cometer blasfémia… :)

  22. Bem visto, Teresa, embora esse efeito tenha sido fortuito, e condicionado pelos mecanismos aspiracionais ligados à marca em si e ao apelo do “american way of life” celebrado por Hollywood, pois na origem apenas se queria fazer comida barata para americanos.
    __

    A história das bifanas resume o que está em causa: gostamos de comer sem ter de pensar na alimentação.

  23. Todas as quatro rodelas…LOL
    Não compreendes, Vega: o desafio é praticar o ascetismo no prazer. É uma coisa muito elevada.

    Mas a sério: essas quantidades minúsculas relacionam-se originariamente (segundo me disse um chef) com os menus de degustação, em que para experimentares 8, 10 , 12 ou mais pratos, cada um deles deve ser apenas uma pitada…é para prova, apenas.

    O problema é que uns espertos que se lembraram de servir nos seus restaurantes cada uma das peças do menu degustação como pratos isolados, ao preço (quase) do conjunto. E a malta papa. Até aquela malta que chama provincianos aos que de vez em quando se perdem no McDonalds.

  24. Pois eu cada vez que oiço falar em nouvelle cuisine só me consigo lembrar daquela definição certeira – nada no prato, tudo na conta…

  25. É edie, assumo o provincianismo, até bastante frequente. Mas há algo no Big Tasty que me faz sonhar com a Route 66 ao volante de um Chevy descapotável, a ouvir John Lee Hooker. Acho que sou uma vitima do marketing aspiracional. Val, deixa-te de paternalismos. O McDonalds, tal como as Pizzas, a comida italiana (refiro-me a coisas simples, como Bolonhesa ou lasanha), e a comida chinesa impuseram-se porque, como bem diz a Teresa, são refeições simples, baratas, saborosas (de uma maneira grosseira, diga-se) e que apelam ao mínimo denominador comum do gosto. O Marketing explica apenas uma parte.

  26. E já agora, relembrando o artigo que deu origem a este post, o que achei interessante foi que a McDonald’s tenha um chefe cuja função é procurar introduzir, nessa panóplia de comidas de mínimo denominador comum, alguns sabores minimamente mais sofisticados e alguns ingredientes novos, com todas as restrições que uma cadeia de fast-food como esta tem. A nouvelle cuisine, McDonald’s style. Se calhar a medonha multinacional até tem alguns instintos benévolos.

  27. Vega, os sabores sofisticados no McDonald’s têm como única função pôr os amantes da Nouvelle Cuisine a comer hamburgers Big Tasty, tal qual é explicado no artigo que o Valupi linka no post “Gula”.

  28. Vega,

    “assumo o provincianismo, até bastante frequente”. Esta não percebi. Nem o provincianismo nem o frequente…

    Eu também faço parte do clube do Mac duas vezes ao ano. E não há comida do Mac mais saborosa do que a que é servida no país de origem…Não sei o que é, sei que sabe melhor, deve ser por causa desse imaginário mítico de que falas e que começa no neurónio e afecta depois as papilas.

  29. Teresa, não concordo muito, essa é a parte das “intenções malévolas” que não me parece correcto. A McDonald’s age por interesse próprio, como é evidente, mas acho que um esforço para adaptar os menus a uma evolução dos gostos para algo minimamente mais saudável e interessante é de louvar, mesmo que os resultados finais sejam residuais. Até hà uns anos atrás, quem fosse com miúdos ao McDonald’s tinha, como única opção “de dieta”, hamburguers de frango panado. Hoje há saladas decentes, os famosos Wraps, sopas, fruta de sobremesa para os Happy Meals, etc. Claro que oferecem os grandes hamburgers, como é óbvio, mas já não se restringem a isso, e andam a experimentar.
    Agora compara com o Burguer King…

  30. edie, sou um fã assumido do McDonald’s. Para mim é uma vez por semana. Acho que, para alguns, isso faz de mim um provinciano deslumbrado, ou pelo menos um labrego que não sabe o que é bom. Mas tento compensar sendo também fã de variadíssimas outras comidas, da Grega à Tailandesa, passando pela do Magrebe. Acho que gosto de tudo, incluindo hamburguers. Excepto comida russa, que descobri no outro dia que detesto. mas tenho de experimentar outra vez, para confirmar. E comida Inglesa.
    Mas lá está, quanto maior a palete de gostos, melhor.

  31. Vega9000, mas não me passa pelo bestunto discordar da universalidade do gosto, apenas repito uma banalidade: por acaso, calhou ser com sandes de carne de vaca picada, mas tivesse a História sido outra, poderia ser com espetada de cão ou caracóis. Afinal, aprendemos a gostar de tudo se nos disserem, na altura certa, que é bom.

  32. Bom, aí discordamos então. Acho que há razões específicas para certas comidas se tornarem universais que não passam pelo acaso ou marketing, como pareces sugerir. Se não, como se explica a comida chinesa, aparentemente mais complexa e que não me lembro de ninguém promover? O chinese way of life? Não me parece.

  33. aH, OK…fiz confusão, pensei que ias tantas vezes como aos pratinhos de cuisine.

    Por mim, não é que outras comidas servidas noutros restaurantes sejam mais saudáveis que as do Mac – este tem um controlo de qualidade feroz. Mas parece que há qualquer coisa de viciante do paladar que impede que ele afine para coisas mais subtis (tudo depende das doses consumidas, claro, mas como é viciante, cuidado, Vega).

    Here’s to you, pal :)
    http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/hopper/street/hopper.nighthawks.jpg

  34. Sugiro aos aqui praticantes de junk food consumption que, para se sentirem verdadeiramente na route 66, acompanhem o Big Mac com meio litro de coca-cola, ou um copázio de leite, façam isso diariamente até chegarem ao fim da estrada enquanto ouvem country e fumam abundantemente e depois, se ainda forem novos e não tiverem morrido de enfarte, comprem um bilhete de avião de regresso e que estejam preparados para pagar um bilhete duplo, ou seja, para uma pessoa que terá de ocupar dois lugares.
    Os americanos/as alimentados /as à tal comida do denominador comum são LINDOS! E saudáveis então nem se fala. Não consigo pôr aqui fotos que acabei de ver na net, mas tb suponho que toda a gente já está farta de as ver. Aquelas banhas que não se percebe como há esqueleto que aguente. A comida MacDonald’s mais não é que a síntese dos maus hábitos alimentares na terra da fartura. Terra da fartura que, apesar disso, e dos extensos campos de cereais ondulantes, nem pão de jeito sabem fazer!
    Felizmente que no resto do mundo os MacDonald’s se concentram nas grandes cidades turísticas e são frequentados por pessoas de passagem. Na sua pátria, a comida MacDonald’s existe por todo o lado. Os resultados são esclarecedores… e deviam ser pedagógicos. Pelos vistos não são. Comer na dose certa e com qualidade é uma questão de cultura e educação. Por vezes, uma passagem pelo psiquiatra tb ajuda.

  35. O teu argumento anula-se a si próprio, Vega, porque ilustra a capacidade de gostarmos de qualquer culinária, até da chinesa (embora numa versão ocidentalizada ou acessível ao gosto ocidental, pois eles ingerem iguarias de meter medo nalgumas regiões). E da japonesa, da tailandesa, da marroquina. Papamos tudo, se nos disserem, na altura certa, que é bom.

    Lembro-te que o caso da comida chinesa também recolhe o favor da máquina de sonhos americana, pois foi lá que começou a sua internacionalização; o que ficou marcado nos produtos audiovisuais exportados. E também colhe recordar o caso da comida japonesa, igualmente nascido na América como uma opção sofisticada para uma culinária exótica. A comida chinesa há muito que tinha perdido a novidade e a credibilidade, a japonesa trazia o encanto do refinamento, da saúde e da leveza. Por cá, foi num processo aspiracional, porque as elites criaram a moda, que atum cru enrolado com arroz passou a ser visto como algo incomparavelmente superior ao pastel de bacalhau.

  36. Claro que gostamos de tudo, ou aprendemos a gostar. Aliás, uma das questões que frequentemente me ocorre é quem terá sido o primeiro tipo ter a ideia de cozinhar e comer certas coisas. Nem os insectos escapam.
    Mas como qualquer criança a partir dos 2 anos te explicará, quer tu lhe peças a opinião ou não, há sabores mais universais e fáceis do que outros, o que não está dependente do marketing nem da fábrica de sonhos, muito menos do acaso. Leva um espécimen infantil ao japonês, e depois conta-me como é que correu…

  37. Vega, tudo depende do ambiente em que nasces e cresces. O que te leva a sugerir que uma criança japonesa torce o nariz a um sushi? Muitos milhões de chineses não concebem a existência sem um bom naco de cão. Eu já vi um inglês no Algarve a mandar para dentro todo um linguado maravilhoso, só tendo sido capaz de comer as batatas…

  38. Penélopes,

    Acho que o Vega se queria referir a que “aprendemos a gostar” de tudo…Mas ele la´te dirá.

    Quanto aos malefícios da junk food para a nossa linha e saúde, fizeste bem em relembrar, mas que isso não nos faça descansar a consciência com a slow food de efeitos idênticos – ou piores. Exemplo: hamburger e coca-cola: 490 calorias. Prato de feijoada: 1400 calorias.

  39. Edie, esqueceste de acrescentar ao hamburger e coca-cola as incontornáveis batatas fritas e, já agora, a mayonnaise. Acresce que feijoada não acredito que alguém consiga comer todos os dias ou mais do que uma vez por semana, mas batatas fritas com hamburger, pão, molhos e coca-colas, não há como negar, é o que muita gente consegue comer dia sim, dia sim.

  40. Penélope, o ponto do McDonald’s e outros que tais é precisamente o serem quase imunes a essas especificidades culturais. A criança japonesa não torce o nariz a Sushi, está habituada desde o útero, mas aposto que não tocaria num prato de Fígado frito, ou pasteis de bacalhau com arroz malandrinho. A questão é que ambas adoram hambúrguer com batatas fritas, pelo que há algo em certas comidas que me parece ser transversal à humanidade.
    O Val defende que isso passa muito pelo marketing e imagem dessas comidas de mínimo denominador comum, eu acho que terá mais a ver com a própria comida em si.

    E como a edie bem aponta, o argumento das calorias para atacar o McDonald’s é fraquinho. E se há quem coma hamburguer dia sim, dia sim, parece-me um problema ao qual a empresa é alheia. Se alguém se lembrar de comer francesinhas todos os dias, não vou acusar o Capas Negras de promover a obesidade…

  41. Vega, route 66 Mcdonald’s jlhookers nouvelle cuisine chevy etc :))… és um narciso do caraças meu..e a tua conversa é greasy.

  42. Mas alguém duvida que o pastel de bacalhau seja superior a peixe cru com arroz???!!!…

    Aliás… a gastronomia portuguesa é a MELHOR (mais variada e saborosa)DO MUNDO conhecido ;)

    E, se degustarmos a doçaria…é a MELHOR (mais variada e sublime) do UNIVERSO desconhecido :)

  43. Vega9000, eu também já aqui disse que não é por causa dos MacDonalds’ que os portugueses estão a ficar gordos demais. Mas estão. Basta olhar quem passa. A distribuição desses restaurantes pelo país não é preocupante. Mas, havendo outros factores que contribuem para o actual excesso de peso, a promoção desses restaurantes ainda que seja através de campanhas de marketing em torno da sua eventual adesão a menus menos calóricos, não é de louvar. Até porque os maiores frequentadores são as camadas jovens, ainda em idade de serem “educadas”. Outro problema dos McD é justamente a sua grande vantagem: são baratos e rápidos.
    Eu acho que há toda a conveniência em atacar, de preferência constantemente, esse tipo de comida. A começar nos pais e responsáveis educativos. Claro que isso não os impede de por cá se instalarem e é perfeitamente legítimo que se argumente que só lá vai quem quer, e que há comidas mais calóricas por aí, etc. Assim como é legítimo e mais do que acertado proibir a instalação de McDs em frente de escolas secundárias e de máquinas de chocolates e bolachas (da Coca-Cola, note-se!) nas escolas. Alimentos que, concordarás decerto, fazem os encantos de todas as crianças de todas as latitudes.

  44. Vega,

    one bourbon, one scot, one beer…mesmo sem fazer as contas, parece-me que estás outra vez a promover os excessos calóricos. És incorrigível, continua.

    Penélope, melhor proibir também a proximidade de restaurantes que sirvam bacalhau à braz, à segunda, cozido à portuguesa, à terça, feijoada à trasmontana à quarta, pasteis de bacalhau com arroz de tomate à quinta e carne de porco com migas à sexta.

  45. Edie, estás enganada. Esses restaurantes não atraem minimamente a catraiada. São mais sensíveis a batatas fritas, coca-cola, hamburgers etc, e também pipocas+coca-cola, e ainda fritos de queijo e outros empacotados com coca-cola.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.