Vinte Linhas 547

NANI – do golo rápido à paciência infinita

Deve-se à persistência de João Couto o facto de Luís Carlos Cunha ter permanecido na Academia Sporting durante largos meses. Só podia treinar mas não jogava porque não tinha os documentos em ordem. Durante os meses de espera, Nani viu jogos ao meu lado na Tribuna de Imprensa, acompanhado pelo grupo que eu apelidava de Nação Crioula – Zezinando, Celestino, Yannick Djaló, Fábio Paim. Muitas vezes lhe pedi ajuda para saber o autor de um golo no meio das «molhadas» nos pontapés de canto. Uma das suas memoráveis «jogatanas» já como júnior foi na Amadora. Nani, fez «gato-sapato» da defesa da casa e marcou vários golos. Ao meu lado assistiu embevecido ao jogo o seu irmão mais velho. No entretanto da espera, Nani fez uma viagem aos Estados Unidos a convite do Núcleo Sportinguista de Danbury. Com o apoio de João Couto, treinador no Sporting e professor na Amadora, Nani venceu a batalha contra a desconfiança de muitos e contra o desdém de alguns. Este golo recente que abalou a Inglaterra desportiva não me surpreendeu. O meu genro contou-me o caso deste modo: a) um jogador pensou ter sofrido falta para grande penalidade b) pegou na bola com a mão para a colocar na marca c) o guarda-redes adversário resolveu colocá-la para marcar uma falta que julgava ter sido assinalada ao avançado d) como o árbitro não interrompeu o jogo, o avançado chutou para a baliza deserta Percebi logo que tinha sido o Nani. Errou o árbitro, errou o auxiliar, errou o guarda-redes; só o Nani não errou. Quem passa aqueles meses em infinita paciência pode resolver situações numa fracção de segundo. Não me surpreendeu. João Couto também não deve ter estranhado.

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