O que não tem remédio, remediado está

A subida das taxas de juro da dívida portuguesa para 6,902 nesta segunda-feira, ao arrepio de toda a racionalidade contrária inerente aos acontecimentos políticos e económicos nacionais mais recentes e às variadas declarações positivas para Portugal vindas de entidades com peso internacional, gera um efeito calmante. É a prova que faltava, se é que alguma faltava, da autonomia do mercado para seguir as suas estratégias de ganhos.

Podemos agora descansar e ocupar os neurónios com outro assunto qualquer. Deixemos o mercado asfixiar todas as economias do Mundo até só restar a China rodeada de países em bancarrota. Foi mais ou menos isto que Nostradamus profetizou, certo?

16 thoughts on “O que não tem remédio, remediado está”

  1. Ola Valupi,

    A nossa mania idiota de considerarmos que a governação se deve apoiar na “economia” – e mesmo na “ciência economica”, expressão completamente aberrante -, como se as coisas não devessem ser exactamente ao contrario, é uma das razões que me fizeram tomar providências para esconder à posteridade que sou contemporâneo do virar de milénio…

    E’ um pouco como se acreditassemos que devemos contratar um meteorologista para tratar do nosso jardim…

    PS : Conhecem a célebre rabula de Churchill : se consultarem dois economistas sobre determinada questão, podem ter a certeza que eles vão ter duas opiniões completamente contraditorias, a não ser que um dos economistas seja o Keynes, caso em que terão três opiniões contraditorias…

  2. Prevejo que a crise actual vai desmacarar por completo a irracionalidade dos sacrossantos mercados, que faz depender a sobrevivencia de uma sociedade do mero jogo de trocas comerciais e da sua rentabilidade. Numa altura em que o mundo na sua generalidade marginalizou as ditaduras politicas, parece cada vez mais urgente acabar com as ditaduras económicas. E creio bem que o mundo não vai esperar que a China seja o único a ditar as sagradas regras dos mercados.

  3. Bem, a única alternativa que parece viável para contrariar este estado de coisas, seria deixar de pedir dinheiro emprestado, ou por outras palavras, deveríamos estar discutir o valor do Superavit, mas isto é a “política” que aplico em minha casa.

  4. foi. o nostredamus era de olhão. mas também não é preciso ser muito esperto para ver que economias com quase 70% de sector terciário tinham como fim um grande buraco. bem , a europa que faça lá o casamento de conveniência. isto está cada vez mais parecido com aquelas novelas dos aristocratas arruinados que casam com o servil criado/a frugal que foi trabalhando e poupando e tem para lá uns milhares no banco , para salvarem os restos do património despilfarrado em treta .
    a democracia a nível de países é lixada , não é ? enquanto havia ex colonias pobrinhas a precisar da mão “amiga” dos nobres do ocidente a coisa correu bem. mas infelizmente , emanciparam-se e correm por aí fora.

  5. bem esta coisa começou com a Grécia e depois quem alimentou a inevitabilidade disto por cá falando cá e lá fora foi o psd. Obvio que o BCE devia aliviar a pressão sobre os Estados carenciados renegociando imediatamente juros das dívidas públicas para baixo e assim sustentando as economias. Óbvio também que o psd utiliza esta estratégia para tentar conquistar o poder. Já não é a primeira vez.

  6. desculpa lá letra grega , mas quem alimentou isto foi o governo dizendo , às vezes no mesmo no mesmo dia , isto e o seu contrário. e quem pediu a massa emprestada , nestes 15 últimos anos , também não foi o psd.
    não sou fã do psd , mas a césar o que é de césar.

  7. fico a pensar nisso, eu, pode ser que tenhas parte importante de razão. Realmente eu não conheço os montantes de endividamento atribuíveis às diferentes governações. Dos governos da direita vieram os submarinos e não sei que mais, e se te lembras os deficits dos governos do psd foram elevados. No entanto a mim o que me importa é aliviar agora o peso da dívida e acho politicamente inaceitável que o BCE esteja a engordar à custa dos Estados fragilizados, logo pode e deve renegociar o serviço da dívida pública desses Estados. Além de que parece que a Alemanha também está a engordar o que vai polarizar uma situação perigosa e indesejável. Não?

  8. eu percebo o que dizes. só que este não é um problema político ( ainda que haja problemas políticos , de demasiada cultura – sem guerras – e pouca natureza : machos alfa e tal ), é um problema económico gerado por uma geração de gatos capados que discutem o fim da alienação do trabalho. e pediram emprestado para caganças e não trabalhar, e a china trabalhou. humildemente.
    o problema nem sequer é só português , é de muitos outros países que se entregaram de olhos fechados nas mão dos agiotas ( tal e como nostredamus eu sei que os seus planos de escravização do mundo vão falhar….se calhar pela mão da china). a china é um exemplo macro daquilo que o meu pai me ensinou em micro.

  9. Caros eu e z-letra grega,

    O problema não esta no endividamento, como alias se torna claro à medida qie progridem no vossa conversa. O problema do endividamento é acessorio e desaparecera depressa se soubermos endireitar o principal.

    Ha intempéries, ha catastrofes naturais, tufões, etc. Mas o jardim bem cuidado aguentara sempre melhor que os outros, e o bom jardineiro sabera sempre fazê-lo renascer mesmo apos as piores catastrofes. Ora o bom jardineiro, que geralmente até conhece razoavelmente bem o clima em que trabalha e sabe quando pode vir trovoada, não prepara o jardim com um binoculo apontado para as estrelas…

    Falar no endividamento como se fosse o problema principal é exactamente como ir ao astrologo (bom, va la, ao astronomo) para curar uma doença do figado…

  10. Para um astronomo basta um oculo ; para o astrologo é antes uma bola de cristal. Corrijam outras possiveis gralhas.

    Reparem que não estou a dizer que o endividamento não se possa transformar num problema. Apenas que é um problema por natureza acessorio e que andar aos gritos “ai minha mãe que se vai acabar o dinheiro” é apenas a melhor maneira de NAO levantar a questão principal, que consiste em saber se produzimos para o nosso sustento e se estamos realmente a produzir cada vez mais e melhor.

    O banco não produz, quanto muito ajuda a reproduzir, desde que estejamos em terreno fértil…

  11. joão e eu, claro que estou de acordo com vocês e também o meu pai me ensinou isso há muito. Mas eu estou a referir-me ao imediato e à sufocação das economias dos países pequenos com deficits elevados agora.

  12. eu,

    primeiro dizes ” mas quem alimentou isto foi o governo dizendo , às vezes no mesmo no mesmo dia , isto e o seu contrário. e quem pediu a massa emprestada , nestes 15 últimos anos , também não foi o psd.”
    depois dizes: “só que este não é um problema político (…)”; “o problema nem sequer é só português “.

    Em que é que ficamos?

    (olha os espaços extra…a pontuação)

  13. Deixa cá experimentar a estratégia que a esquerda radical utiliza para criticar a postura da banca relativamente ao crédito a particulares: não há regulação, todo e qualquer um pode aceder ao mercado da dívida e ainda por cima estão sempre a incentivar o consumo do Estado Social e a fazer publicidade do rating disfarçada de informação na comunicação social. São uns malandros! Se eles não emprestassem não aumentávamos a nossa dívida e o nosso défice era zero. Era só pagar o atrasado.

  14. Obama diz ao G20 que a responsabilidade da recuperação económica não é exclusiva dos EUA. Isto bem lido quer dizer: nós americanos queríamos muito ter sido responsáveis pelo ultrapassar desta crise económica global mas nem lá em casa está fácil. O nítido? Perderam o pé, mas sabem boiar. Índia… Indonésia…

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