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Do abraço do urso à figura de urso

Um dos clichés mais usados para atacar o inaudito acordo parlamentar que PS, PCP e BE fizeram em 2015 – pela primeira vez, desde o 25 de Abril, permitindo que um Governo socialista minoritário tivesse viabilidade à sua esquerda – é o do “abraço do urso”. A expressão sugere que bloquistas e comunistas teriam grandes prejuízos ao apoiarem um Governo socialista, enquanto o PS ficaria incólume e a desfrutar da situação. Logo no começo da XIV legislatura, o BE decidiu livrar-se desse abraço, passando para a oposição. Em 2021, o PCP igualmente se escapuliu, levando a que o urso caísse desamparado por falta de apoio.

Nesta imagem repetida à exaustão na campanha do Bloco desde 2019, o PS aparece como usurpador, causando danos a quem só lhe queria bem. No infantilismo do argumento, bloquistas e comunistas chegam a repetir que António Costa só foi primeiro-ministro em 2015 porque eles o permitiram. Donde, o PS está em dívida e devia fazer-lhes as vontades. Como se recusou, eles fartaram-se de tanto engano, tanta frustração, e castigaram-no com o chumbo do Orçamento e eleições num dos picos da pandemia. Para ele deixar de ser arrogante, manhoso. Para aprender a ceder à esquerda pura e verdadeira.

Mas poderiam comunistas e bloquistas ter recusado o convite de Costa para um acordo parlamentar em 2015? Seria tal concebível, voltarem a ser aliados de Passos Coelho depois do chumbo do PEC IV e da Troika ter aterrado na Portela, a que se seguiu uma governação de austeridade fanática? Obviamente, tal cenário talvez levasse a motins nas suas sedes partidárias, seria o fim do mundo em cuecas tamanha a revolta de militantes e simpatizantes. Pelo que a solução de acordo parlamentar encontrada não foi um favor ao PS e a António Costa como a sua patética demagogia apregoa, foi antes uma urgente adaptação de sobrevivência depois da irresponsabilidade trágica de Março de 2011.

Para lá de BE e PCP anunciarem que se estão a marimbar para o tal “povo” de que se consideram proprietários, preferindo interromper a legislatura e voltar a colocar o poder à disposição da direita, o resultado das eleições levou aqueles que fizeram hipócrita, sistemática e cínica campanha contra o abraço do urso a terem de arrastar agora a sua macambúzia figura de urso. Fica como pequeno consolo.

Completely SICk

«António Costa escreveu o manual "Como não fazer campanha eleitoral - Erros a não cometer". Conseguiu cometê-los todos. Ele pode estar a milímetros de acabar ingloriamente a sua carreira política. Não há cargos europeus para quem perde eleições neste cenário.»
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«António Costa partiu com aquela soberba que lhe é peculiar e acabou a fazer uma espécie de discurso de caixeiro-viajante à porta a vender escovas e sabões.»
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«Rui Rio foi mais claro desde o início. Disse "Eu não me importo, se perder as eleições, de viabilizar um Governo do Partido Socialista". Acho que os portugueses gostaram desta clareza.»
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«Há um cansaço imenso dos eleitores socialistas. António Costa, que tinha propósitos de maioria absoluta (que era evidentemente uma miragem), disse que "Eu vou governar à Guterres, com o PAN". O PAN! Como o Luís Pedro já disse duas ou três vezes, o campo quando ouviu esta maravilhosa ideia de ter o PAN a condicionar o Governo, o campo, quer dizer, soltou os bois, não é? Evidente.»
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«António Costa foi errático e isto dá uma aparência de desonestidade intelectual. E isso é muito grave.»
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«António Costa que era o conde de Lisboa, o homem das pontes, o homem da negociação, o homem que eu achava que podia ser enviado para o Médio Oriente... Olha, se nós enviávamos o Costa para o Médio Oriente era alcatrão e penas!»
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«Ele não é capaz de negociar consigo mesmo. Lá naquela bazófia, ele está visivelmente nervoso e sua de pânico porque sabe que pode estar a muito pouco de perder, e de perder tudo. E de rematar uma longuíssima carreira da pior maneira. Rui Rio está contente, evidentemente.»
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«O que António Costa ainda não percebeu é que há uma parte do eleitorado socialista que está cansada, e eu assisto com muita gente que conheço que sempre votou PS, e que diz "Estou farto do Costa", "O Costa foi um desapontamento". As coisas que António Costa fez mal, os episódios Cabrita, a má gestão da pandemia, Tancos, Pedrógão, essas coisas foram acumulando, aquilo que os budistas chamam o carma.»
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«E, portanto, há muita gente que diz "Bom, tudo se resume a uma coisa: devemos ou não dar (e é isso que vai no pensamento dos portugueses) uma oportunidade a Rui Rio de demonstrar que pode e é capaz de ser primeiro-ministro?"»
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«É evidente que tendo António Costa queimado a ponte ao dizer "Não preciso do PSD para nada" cometeu o erro político da vida dele. Se ele ainda não percebeu isto...»
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«António Costa devia ter vergonha, porque aquilo que ele devia ter feito - e provavelmente isso tinha-lhe trazido votos! - era ter dito "Eu negociarei e viabilizarei".»
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"A mim interessa-me particularmente o terceiro lugar. Será que a CDU mantém o terceiro lugar?!"

Clara Ferreira Alves – 27 de Janeiro de 2022

Como é que se pode ser tão safado?

Perante o descalabro eleitoral do Bloco, Daniel Oliveira tenta com piruetas desesperadas escapar à sua quota-parte de responsabilidade pela estratégia suicida desse partido, que lhe fez perder 14 dos seus 19 deputados.

Escreve hoje o Daniel da Impresa que o chumbo do Orçamento de Estado – que o mesmo Daniel andava há anos a aconselhar ao Bloco – terá afinal sido obra de António Costa, “que preparava esta crise política desde 2019” e que depois “vendeu melhor a sua narrativa do que aqueles que o puseram no poder em 2015”.

Leram bem: o Costa é que andava a preparar o chumbo do seu próprio Orçamento desde 2019.

Segundo o genial Daniel, Costa vendeu tão bem a sua narrativa que muitos bloquistas e comunistas foram agora votar no PS. Esses pobres otários “foram sugados para o que afinal era um engodo, contribuindo involuntariamente para uma maioria absoluta que seguramente não desejavam” (sic).

Devem ser realmente muito totós esses “bloquistas” e “comunistas”, para caírem assim como patinhos no “engodo” do Costa e darem-lhe uma maioria que absolutamente não lhe queriam dar. Grandes artolas!

E eu a julgar que eleitores inteligentes tinham castigado a estratégia imbecil que o Frei Daniel da Impresa lhes tinha andado a pregar…

As sondagens funcionam?

A uma semana das eleições, num jantar onde estavam 5 eleitores, ouvi a 2 deles que tinham por hábito responder erradamente nas sondagens. Estamos, portanto, a falar de 40% de trapaceiros na minha amostra. A única divergência era que um se recusava a dizer que votaria no Chega mesmo que fosse para tourear os crânios que elaboram e interpretam sondagens. Realço que a ausência de informação em relação aos 3 restantes (grupo onde me incluo) não permite aferir qual o seu comportamento em situações análogas.

Donde, constata-se existir um relevante prazer perverso em ocultar as preferências políticas, e outras, e mandar para o ar quando somos interrogados profissionalmente o inverso da escolha real ou o que a aleatoriedade do momento gerar. Diferente será a sondagem à boca da urna pois aí tem-se o conhecimento de essa sondagem já não ir influenciar o resultado.

Moral da história: há uma complexa literacia acerca das sondagens entre o eleitorado, com efeitos dinâmicos em todos os jogadores durante a pré-campanha e campanha – tanto podendo ganhar entusiasmo nas hostes por aparecerem à frente e isso causar desânimo e abandono no campo dos adversários; como essa vantagem ou crescimento nas sondagens levar a perdas nos resultados, por igualmente causarem absentismo por excesso de confiança ou indiferença na sua base ou, talvez também o caso nestas legislativas, provocarem alarmismo nas bases dos adversários.

Quer isto dizer que as sondagens não funcionam? Pelo contrário, elas funcionam bem demais.

Começa a semana com isto

«Acho que o doutor António Costa está efectivamente na iminência de perder as eleições. E acho que ele, por aquilo que fez na política ao longo de toda a sua vida, que tem uma carreira política muito longa, podia perdê-las com dignidade. Espero que ele aproveite os últimos dias para, no caso de as perder, que é bem provável, que perca com dignidade.»

«Muita gente me conta que determinada pessoa votava no PS e vai votar no PSD, determinada pessoa não costumava votar e agora vai votar no PSD, determinada pessoa estava a pensar votar no Chega e afinal vai votar no PSD para tirar o doutor António Costa. Isto é que é, entre aspas, uma sondagem.»

«Eu procurei até dar um certo tom de humor, aqui, acolá. Aquilo que eu pretendo é brincar. Não têm sentido de humor? Têm de ter sentido de humor.»

«Ich habe auf Portugiesisch gesagt

Excertos do pensamento político de Rui Rio

O mapa cor de rosa

A resposta do eleitorado de esquerda ao derrube do governo socialista pelos kamikazes do Bloco e do PCP foi ainda mais contundente do que se poderia imaginar, com os bloquistas reduzidos a 5 dos 19 deputados que tinham até ao chumbo do Orçamento e os comunistas reduzidos a 6 dos 12 anteriores. A maioria absoluta socialista fez-se em boa parte com a migração dos votos de eleitores que se sentiram enganados pelo Bloco e pelo PCP. O Jerónimo e a Catarina levaram uma lição que não deverão esquecer, sob pena de caminharem para a extinção.

O PS, que só ganhou 11 dos 20 deputados perdidos pelo Bloco e PCP, beneficiou também da inédita divisão da direita, pelo que o mapa cor de rosa que saiu na lotaria a António Costa pode ser um bocado enganador. Os 12+8 deputados que a corja do Ventura e os chamados liberais conquistaram não chegariam para derrotar o PS, mas, se tivesse havido concentração de votos de toda a direita, o resultado destas eleições seria diferente, tirando aos socialistas a vitória em Aveiro, Braga, Viana, Viseu (cavaquistão), Vila Real, Bragança, Leiria e Faro e impossibilitando a maioria absoluta. Bem haja a divisão da direita, e que se repita por muitos anos.

Revolution through evolution

Late-life exercise shows rejuvenating effects on cellular level
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Players needed to solve puzzles and help advance cancer research
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How to ruin the taste of a cookie with just two words
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Look who’s talking now: The fishes!
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Song sparrows shuffle and repeat to keep their audience listening
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Trump’s Tweets: Telling Truth From Fiction From the Words He Used
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The Word On Wordle
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Continuar a lerRevolution through evolution

Aspirina marada

A partir da meia-noite de sexta-feira, os utilizadores deste blogue passaram a ter um aviso à porta, alertando para perigos vários. Tal resultou de não se ter renovado em tempo útil o certificado de segurança anual, operação que consiste em enviar 10 euros para os camones. Apesar de logo no começo da madrugada a situação ter sido financeiramente regularizada, os avisos continuaram ao longo de quase todo o sábado por razões que ignoro ou talvez por terem um computador a vapor a tratar dos refractários.

Aproveito para esclarecer que o alarmismo do aviso, relativo ao roubo de informações, não se aplica a este blogue pois nele não se fazem transacções que envolvam pilim (o e-commerce). O único roubo a que se sujeitam os incautos que passam por cá é relativo ao seu rico tempo. Porém, o aviso é genérico e bondoso no seu sensacionalismo. Quanto ao certificado de segurança em causa, a única garantia que dá é a de se estar no único, oficial, verdadeiro Aspirina B. Não que este pardieiro suscite imitações mas por 10 euros ao ano dá para fantasiar que esse registo tem importância.

Quanto a comentários que vão parar ao “spam”, algo que acontece de quando em quando, essa é uma selecção automática do sistema de defesa contra o lixo (excluindo uma eventual lista de critérios para exclusão de utilizadores específicos). Escapa-me a lógica que leva utilizadores frequentes a terem os seus comentários retidos, especialmente quando estes não incluem nenhuma ligação (os “links”, típicos do “spam”). Mas pode acontecer a qualquer um. Se for o caso, deixem um aviso pois ninguém me/nos paga para estar 24 horas por dia com a cabeça enfiada na lixeira.

Dominguice

É preciso ser-se completamente ignorante para achar que se sabe tudo. Esta noção não é nova, faz parte da tradição sapiencial, tem milhares de anos. Mas há milhares de anos, quando isto já se sabia de bem saber, a informação disponível para os neurónios falantes de outrora talvez fosse um trilionésimo, ou menos, da que se vai acumulando instante a instante na civilização científica e tecnológica onde vivemos. Aqui e agora, cada vez sabemos menos por estarmos sempre a precisar de conhecer mais e mais. E precisar de conhecer mais implica estabelecer relações de comunicação e parceria com os outros que conhecem mais do que nós alguma vez viremos a conhecer. Então, actualizando a sentença, é-se sábio quando se acha que precisamos completamente da parcial ignorância dos outros.

Um político exibe a sua ignorância perigosa na relação directa em que manifesta o seu sectarismo. Essa alucinação de achar que se sabe tudo, de só contar com aqueles que lhe alimentam e protegem a profunda estupidez.

Bute reflectir nisto

A eficácia fascista

Antes de 1974, quando todas as polícias eram políticas, os polícias eram eficazes. Antes de 1974, quando todos os tribunais eram políticos, os juízes eram eficazes. Trabalhei com polícias e juízes que tinham a nostalgia dessa eficácia, dessa felicidade cinzenta em que se respeitava a autoridade e todo o contraditório era subversivo. A eficácia fascista foi um exercício de controlo social e político que não pode, não deve, servir para aferir a eficácia democrática.


A.R.

Acerca do voto útil

Se a escolha dos governantes fosse uma competição racional, aferindo as suas competências para garantir segurança e liberdade ao maior número de cidadãos, o PS recolheria 99% dos votos daqui a 48 horas. É o único partido, actualmente, que reúne o ideário e os recursos humanos para desempenhar com o máximo de eficiência e de eficácia possível uma actividade – o governo de um país pertencente à União Europeia na conjuntura internacional de 2022 e anos seguintes – onde a gestão da sempre crescente complexidade exige menos “verdade” e mais “prudência”, menos “sectarismo” e mais “miscigenação”, menos “revolução” e mais “evolução”.

Uma vitória do PS é preferível à vitória do PSD em qualquer cenário. Com maioria absoluta, a governação ganharia qualidade e rapidez (continuando a ser discutível o acerto das políticas, óbvia e inevitavelmente). Com BE e PCP a garantirem maioria parlamentar, a governação manteria o registo de centro-esquerda que nasceu em 2015. Com o PSD a viabilizar um Executivo socialista, a governação seria mais ao centro, não permitindo que o pior da direita tivesse consequências governativas. Se o PSD ganhar, qualquer cenário é prejudicial para o interesse nacional. Se governar com acordo do PS, ficaremos na mesma estrada mas passaremos de cavalo para burro. Se governar com CDS e IL, entraremos numa outra estrada que não se sabe onde vai dar, guiados por quem mostrou não ser confiável na sua palavra, nem nos seus princípios, nem na sua inteligência política. Se governar com CDS, IL e um qualquer tipo de acordo com o Chega, saltaremos para fora da estrada e poderemos dar por nós a cair num abismo onde tudo o que Ventura mostrou ser capaz de dizer e ameaçar fazer fica validado e destinado a crescer.

Dito isto, não irei votar PS. As razões são as mesmas que me levaram a não votar PS, para as legislativas, em 2019, 2015, 2009, 2005 e o mais que a memória alcance. Votei em 2011 para defesa da Assembleia da República e da democracia portuguesa, esse risco não se põe nestas eleições. Pura e simplesmente – dada a responsabilidade do PS no regime desde o 25 de Abril e a abundância de quadros e simpatizantes altamente qualificados em todas as áreas do saber – acho inamissível que este partido não resolva, ou sequer diga como se podem resolver, os problemas da Justiça. E se na dimensão da Justiça penal vivemos uma crise que factualmente está a pôr em causa o Estado de direito, no campo da Justiça administrativa vive-se um outro tipo de crise igualmente devastador para a economia, as finanças e a saúde mental dos portugueses. Constate-se o que foi acontecendo ao longo da campanha, onde suspeitas de gravíssima actividade criminosa de magistrados e seus colaboradores na indústria da calúnia foram expostas sem que sequer o tema da Justiça tenha entrado no debate dos candidatos à sua tutela. E conclua-se que essa anomia, se não for cobardia, irá continuar sem que o meu voto me tinja de cumplicidade.

Nenhum partido capta a minha adesão pois nenhum fez da defesa do Estado de direito democrático a sua bandeira, ou que fosse tão-só uma das suas bandeiras. Calhando aparecer esse partido à esquerda, centro ou direita (inclusive se fosse o PAN, o PPM ou o Partido Unido dos Reformados e Pensionistas) teria o meu voto. Neste deserto, opto por votar Livre, fazendo dessa opção um autêntico voto útil. Isto é, espero que Rui Tavares seja eleito, pelo menos ele, e que a sua presença no Parlamento seja útil – para que a racionalidade do bem comum tenha mais uma voz, e a irracionalidade do sectarismo e do ódio ganhe mais um implacável adversário.

Louçã também vai a votos neste domingo

Na direita, Cocó, Ranheta e Facada já anunciaram que continuarão ao leme dos seus partidos, seja qual for o resultado eleitoral, sendo que as sondagens têm permitido que andem a sonhar com um acordo a 4 (mais a IL) para ocuparem S. Bento e meterem os portugueses na ordem. Na esquerda, ao contrário, há a certeza de termos alterações na liderança e a possibilidade de elas atingirem PCP, PS e BE ao mesmo tempo. Seguramente que estas foram as últimas eleições para Jerónimo de Sousa como secretário-geral do PCP, António Costa abandonará a mesma função no seu partido se os socialistas não forem os mais votados, e aos bloquistas coloca-se a questão do sentido de terem Catarina Martins a repetir a estratégia de Louçã para o futuro do Bloco.

Quem tiver menos de 30 anos, quiçá menos de 40, não conheceu o entusiasmo que as eleições de 1991 trouxeram aos que então já se angustiavam com o bloqueio partidário à esquerda. Tudo por causa do candidato do PSR, um certo Anacleto de 35 primaveras, que ficou a 200 votos de ser eleito para o Parlamento. Resvés Dona Maria, a localidade em Sintra que tinha boicotado o acto eleitoral por falta de água canalizada e saneamento básico, e que foi transformada no centro nacional para levar esse esquerdista inteligentíssimo, arejado e moderno para junto da maioria absoluta de Cavaco. Com esse objectivo, os eleitores grevistas da Dona Maria só teriam de dar os votos necessários ao rapaz, assim se vingando do laranjal que os desprezava. O candidato foi lá e tentou convencer a malta a meter o pauzinho na engrenagem. O próprio António Costa, que liderava o PS em Lisboa, deslocou-se à Rua da Palma, onde estava a sede do PSR, para manifestar o interesse do PS na eleição dessa grande esperança da política nacional. A sua eleição não aconteceu nesse ano, pois Dona Maria não quis mesmo ir a votos nem para dar tal satisfação à esquerda e irritar a direita. Francisco Louçã conseguiu entrar no Parlamento 8 anos mais tarde e, como recorda Fernanda Câncio, «ainda há no Bloco quem se lembre de que este foi apresentado, em 1999, na sua criação, como o novo partido à esquerda do PS que, ao contrário do monolítico e inamovível PCP, estava disposto a fazer pontes, a puxar o PS para a esquerda e até, talvez, a governar. O BE que surgia, com o seu grupo parlamentar paritário e sem gravata, as suas causas igualitárias, feministas, ambientalistas, como a lufada de ar fresco de que a esquerda portuguesa tanto precisava, um possível “desempatador” de um panorama parlamentar em que a direita conseguia fazer maiorias compostas e a esquerda nunca.»

Salto para a madrugada de 28 de Setembro de 2009. Louçã apareceu eufórico, tinha destruído a maioria absoluta do PS e ficado pela primeira vez à frente da CDU, com a entrada no pódio a menos de 1 ponto percentual. A exploração da crise dos professores correra excelentemente bem aos bloquistas, tendo recebido 200 mil votos dessa classe e seus familiares que se queriam vingar da tal “bruxa”, como lhe chamaram em cartazes ostentados sem a mínima vergonha, que teve a ousadia de propor uma real avaliação dos docentes. O êxtase com que discursou nesse momento, dando o verbo à alucinação de uma “esquerda grande” de que ele se considerava o Napoleão, é o evento inaugural da entrada da Troika em Portugal menos de 2 anos depois, e é também o que explica o chumbo do Orçamento e consequente queda do Governo socialista 12 anos mais tarde. Isto porque, logo em 2009, vendo-se com poder para tal, Louçã revelou que não queria negociar com o PS, teria de ser o PS a negociar com o BE – isto é, os socialistas teriam de capitular, arrependerem-se, converterem-se à esquerda verdadeira. Jamais Louçã, depois da fulgurante ascensão, iria perder a possibilidade de tentar realizar o que a sua megalomania delirava. Caso os socialistas não lhe depusessem as armas capitalistas aos pés, pagariam o preço de serem derrotados as vezes que fossem precisas. E assim foi, em 2011 Louçã preferiu oferecer a Passos, Relvas e Portas a oportunidade para brincarem à reengenharia social enquanto vendiam mais empresas públicas. E, em 2021, Catarina Martins preferiu meter o País em eleições no meio de uma pandemia alegando que o Orçamento mais à esquerda de sempre não era de esquerda o suficiente – e com essa hipócrita e abstrusa opção garantindo que a extrema-direita vai crescer na Assembleia da República, quiçá ficando com força suficiente para levar a direita a governar.

A questão que gostaria de colocar a quem vai votar em 2022 no BE é a seguinte: “É mais do mesmo que querem para o vosso partido, e para Portugal, nos próximos 10, 20 e 30 anos?”. É que os bloquistas não estavam obrigados a chumbar o Orçamento para manifestarem o seu desacordo. Podiam abster-se e dizer porquê, permanecendo a lutar pelas suas ideias e propostas durante a legislatura. Não estavam, especialmente, obrigados a chumbar o Orçamento de Estado sem sequer permitir que fosse discutido na especialidade, assim também permitindo que as negociações continuassem e permanecendo com o poder de chumbar o documento na votação final. Ao votarem contra, repetindo o voto contra que tinham decidido para o Orçamento anterior, o único sentido que essa acção tem é a de revelar que a sua oposição à governação socialista, apesar de esta incluir medidas que o BE e o PCP tinham proposto, é absoluta. Preferem o risco e prejuízos da interrupção da legislatura a aceitarem negociar de forma a viabilizar o que fosse melhor para o conjunto mais alargado dos portugueses.

Donde, esta votação igualmente irá aferir quantos votos recolhe a soberba de um homem para quem a terra queimada e a aliança com a direita decadente é preferível ao bem comum.

Assassinar sabe bem e resulta

A palavra “propaganda” é geralmente usada de forma pejorativa, com o sentido de “manipulação”, e tendo como fatal herança a figura de Goebbels. Mas ela é, originalmente, neutra, com significações relativas à agricultura e à difusão de informações. Igualmente se pode reconhecer nesse termo uma aplicabilidade positiva, tomando-o como “persuasão” em contexto político. Idealmente, na ágora de todas as democracias, cada candidato a governar não só pode como deve expor as suas intenções, as suas razões, o seu plano, o programa para o mandato. Nesse sentido, tudo no seu discurso é uma diligência de persuasão para obter a preferência, o voto, da assembleia eleitoral. A democracia, portanto, favorece quem melhor persuada os concidadãos – sendo essa a essência mesma de se considerar o regime onde a liberdade de cada um e da comunidade melhor se pode realizar.

Precisamente por causa da vantagem que a democracia dá, aprioristicamente, aos mais competentes, os menos competentes, e ainda mais os incompetentes, optam por não concorrer com os primeiros no mesmo plano discursivo; pois sabem que, com grande probabilidade, ou até certeza, iriam perder. Em vez disso, concentram-se no ataque à competência e no boicote às mensagens dos competentes. É daqui que vem a negatividade associada à propaganda, posto que a enormíssima maioria dos candidatos é menos competente, e grande parte é retintamente incompetente, para chegar ao poder só através da persuasão. Então, de acordo com os meios que tiverem à disposição, recorrem a várias tácticas para deturpar a relação da assembleia eleitoral com os candidatos, maculando os adversários e fantasiando os candidatos próprios. As forças que assim se estimulam nos públicos-alvo deixam de ser as racionais e intelectuais e passam a ser as emocionais e afectivas.

Uma das tácticas (e técnica) da propaganda com uso generalizado é o “assassinato de carácter”. Trata-se de uma pulsão animal que transportamos como destino evolutivo, tendo gasto em qualquer dimensão da nossa vida onde haja conflitos, inclusive com família, amigos, colegas e, claro, (ex)parceiros amorosos. Ver um adversário político a ser envolvido num processo judicial, por exemplo, é uma das mais eficazes formas de assassinato de carácter independentemente do desfecho do processo, pois o facto em si e a duração da fragilidade reputacional causam danos irreparáveis e indeléveis. Mas mesmo quando não se pode ter essa vantagem tal não interrompe o uso desta técnica. Nesta semana, vimos Rui Rio a queixar-se disso mesmo, por causa de mensagens públicas onde se agitava o seu autoritarismo. A ironia do episódio é que este mesmo Rui Rio passa a vida a fazer assassinatos de carácter e nem sequer concebe a política de outra forma.

Trago este paleio para registar como é que António Costa foi e é alvo da técnica. Não sendo possível envolvê-lo em qualquer berbicacho judicial, não existindo qualquer influência do PS num órgão de comunicação social, e estando o actual secretário-geral socialista associado a resultados extraordinariamente positivos na governação, inclusive em pandemia, primeiro começou por se dizer que era “habilidoso”, eufemismo de “manhoso, ardiloso, falso” lançado pela direita. Isto durou 4 anos. Depois o BE chumbou o Orçamento de Estado para 2021, e dessa área começou a dizer-se que ele “queria a maioria absoluta”. A seguir, a direita veio com o “cansado”, por ser evidente que uma pandemia, às tantas, tem o seu preço em quem governa. Depois o BE e o PCP chumbaram o Orçamento para 2022, e juntos desataram num berreiro contra Costa e a sua malvada ambição da maioria absoluta. A campanha eleitoral do BE e do PCP foi um contínuo assassinato de carácter e um apelo ao medo.

Nisto tudo está a táctica de fazer uma caricatura do adversário para desviar a atenção dos eleitores do que mais importa e levá-los a ficar obcecados com o que nem sequer existe. E resulta, há milhares de anos que resulta.

João Oliveira não lê o “Avante!”

«Nós estamos muito confortáveis com aquilo que a Constituição prevê de uma economia mista.»

«Nos últimos 20 anos, não tivemos nenhuns anos de crescimento económico como os anos entre 2015 a 2019. Nos últimos 20 anos nunca houve crescimento económico como houve naqueles anos!»

João Oliveira

Quem tenha alguma vez lido o Avante!, uma só vez que seja, fica com a informação de ser o PCP um partido que se especializou na defesa dos “interesses” dos “trabalhadores” e do “povo”. De que interesses se fala, que tipo de trabalhadores são estes e quem faz parte do povo, essas são questões que uma singular leitura deste hebdomadário igualmente fornece sem carência de mais fontes: os interesses dizem respeito ao aumento da quantidade e qualidade de serviços públicos gratuitos e ao aumento das remunerações para os trabalhadores que recebam o salário mínimo ou lá perto (e ainda para os trabalhadores que pertençam a sindicatos ligados ao PCP, ganhem quanto ganharem), tudo embrulhado no aumento das pensões e subsídios, de forma a que esta riqueza despejada na base da pirâmide económica (pobres em baixo, ricos em cima) consiga acabar com a “desigualdade” (leia-se, acabar com os tais ricos e similares). Se tal ambição fosse alcançada, no dia seguinte o PCP fecharia as portas na Soeiro Pereira Gomes e começaria a reconverter o Centro de Trabalho Vitória num hotel para os tais trabalhadores e o tal povo, finalmente em condições de desfrutarem das comodidades burguesas.

Ora, o João Oliveira apareceu frente a Rui Rio com uma boa nova de fazer tremer os pilares do templo. Essa de um comunista estar muito confortável com o conceito de “economia mista” equivale a um crente em Deus estar muito confortável com o ateísmo. É que a passagem da Constituição a que alude, o Artigo 80.º, reza assim: “Liberdade de iniciativa e de organização empresarial no âmbito de uma economia mista.” Implica este princípio fundamental da organização económica do nosso regime que os cidadãos têm direito a não quererem ser “trabalhadores” e preferirem ser “empresários”. E que se forem empresários, então terão o direito de agir dentro da legalidade constitucional como empresários, situação que suscita variegados comportamentos inerentes à lógica de se ser empresário e não trabalhador. Por exemplo, é suposto que o empresário consiga pagar salários caso ache boa ideia ter trabalhadores ao serviço da sua empresa. Para o conseguir, tem de ter a arte e o engenho de ir buscar esse dinheiro à riqueza própria e/ou ao mercado onde vende qualquer coisa. Não custa muito a perceber, mesmo para marxistas ferrenhos, que as preocupações, os “interesses”, diferem substantivamente entre quem for trabalhador e quem for empresário. E este diferendo só tem uma forma de ser anulado: acabar de vez com o capitalismo.

Pois no Avante! não há simpatias para os empresários. Precisamente ao contrário, existe racismo contra esse outro “povo”, o povo que procura o “lucro”, pois o lucro é sempre imoral quando nasce das “mais-valias” e elas não acabam no bolso dos “trabalhadores”. Esta é uma evidência em tudo o que seja discurso do PCP, daí ser com espanto que ouvi João Oliveira a declarar-se muito confortável com o capitalismo – posto que só no capitalismo, exclusivamente no capitalismo, podemos ter modelos de economia mista. E se tal configuração da economia nacional o deixa confortável, alguém devia perguntar a este senhor como é que a bota diz com a perdigota. Podiam começar pelo salário mínimo, o qual o PCP queria ver nos 850 euros em 2022, e deixar esta interrogação: “Porquê só 850 euros? Porque não 3000, ou que fossem 1600?”. A partir da resposta, que não imagino qual seja, podia-se prosseguir no inquérito acerca da relação dos comunistas com a realidade, guiados por essa curiosidade de saber se o PCP admite que os empresários tenham problemas para pagar salários ou se acham que estamos perante uma corja de ladrões que um dia, num amanhã que não será já para amanhã, levarão com uma nacionalização em cima.

O indisfarçável orgulho com que o João Oliveira reclamou a sua parte no crescimento económico entre 2015 e 2019 ilumina o paradoxo de se querer integrar uma economia capitalista como comunista. Calhando a CDU ter obtido a maioria absoluta em 2015, e assim podendo governar sem qualquer entrave dos aliados e títeres do grande capital, era inevitável que o período económico dos 4 anos seguintes fosse um dos piores dos últimos 40 anos. O grau de instabilidade e disfunção institucional de um país integrante da União Europeia e da NATO que passasse a ter um Governo que considerasse essas entidades como inimigas é algo que nem um supercomputador consegue calcular. Donde, das duas uma: ou o PCP, afinal, é só comunista para manutenção do negócio eleitoral ou o PCP é veramente comunista e o João Oliveira tem de passar a ler o Avante!.

Começa a semana com isto

Glosando o que diz o Júlio acerca de não haver nazis em Portugal, dá para acrescentar que também não existem xenófobos, racistas e fascistas neste pedacito da Europa. Isto porque não sabemos de ninguém que tenha um qualquer projecto político que assuma explicitamente essas categorias e valores. Estamos é rodeados de democratas, sempre prontos a invocar o querido “povo” que juram defender muito melhor do que os não democratas que concorrem com eles pelo poder político. Aliás, como disse alguém avisado, “o fascismo nunca existiu”.

Porém, o fascismo não precisa de existir com fascistas para ter existência. Basta que se apliquem as suas tácticas para se tornar potencial e actual. E qualquer um as pode aplicar numa democracia, como se começou a ver exuberantemente a partir da crise económica de 2008 em várias geografias de diferentes continentes. Por cá, a direita portuguesa cavalgou a onda populista de ataque à democracia representativa e ao Estado de direito e alinhou de forma obscena com golpadas judiciais e com o terrorismo mediático – instrumentos que se alimentam e protegem mutuamente e que já têm mais de 15 anos consecutivos de perseguição e ataque a políticos do PS, os quais são depois tratados nos ecossistemas mediáticos da direita como o “inimigo” que se dedica ao crime e com quem não se deve ter qualquer entendimento. Em 2010, Passos Coelho declarou que admitia ver políticos presos por opções políticas, assim fazendo eco das correntes subterrâneas na oligarquia que planeavam a prisão de Sócrates desde a queda do BCP e que lançaram o Face Oculta precisamente com esse fim.

André Ventura, portanto, não é fascista. Ele é apenas a versão folclórica, o pináculo grotesco, do que se fez nos anos anteriores a ter sido criado e promovido pelo PSD. Daí dizer exactamente o mesmo acerca da “corrupção” que se pode ler nos editoriais e comentadores da Cofina, da SIC, do Expresso, do Público, da TVI/CNN, do Observador, da RTP, de tutti quanti. O mesmo que ouvíamos a Pacheco Pereira no auge da sua obsessão com Sócrates. Então, porque há um qualquer mercado eleitoral com anos e anos de fertilização, ele acrescenta-lhe outros condimentos que os restantes não quereriam nem podem exibir: perseguição a minorias e estrangeiros, exploração da temática dos abusos sexuais de menores, recuperação da simbólica do Estado Novo e das ditaduras fascistas, etc.

Mas o caso mais sofisticado, e por isso o mais grave, da utilização dos recursos ideológicos do fascismo está personificado no João Miguel Tavares. Trata-se de um fulano a quem saiu o Euromilhões na forma de um processo contra si por iniciativa enigmática de Sócrates. A partir daí, especializou-se nesse filão onde havia, e continua a haver, muito dinheiro para ganhar. Claro que ele não é fascista nem nada que se pareça, a nossa senhora do Caravaggio que me castigue se sequer pensar em tal. Não, nada disso. Acontece-lhe ser um puro liberal puro. Tão puro, tão destilado e filtrado, que o próprio liberalismo foi-se para o esgoto a céu aberto onde é uma vedeta. Daí alinhar com os agentes da Justiça criminosos e aproveitar os seus crimes para despachar serviço. Daí apelar à prisão de políticos que não grama, haja ou não provas para tal. Daí permitir-se insultar, ofender e caluniar a partir de extractos de conversas privadas de que ele ignora os contextos e as causalidades. Daí fazer campanha a favor da violação da Lei por parte de magistrados desde que isso permita destruir quem ele considere inimigo político. Daí usar uma retórica populista e decadente onde trata a Assembleia da República como um antro de corruptos dedicados a aprovar leis para se protegerem se forem apanhados por corrupção. Daí se considerar um herói que faz frente ao imperialismo intelectual da esquerdalha e consegue falar ao coração dos saudosistas do salazarismo. Daí fazer campanha para que o Chega seja um parceiro viável do regresso da direita ao poleiro.

Quando Marcelo o escolheu para presidir ao 10 de Junho não ficámos tão-só perante uma decisão ridícula, aberrante e afrontosa. Convido os curiosos a reler o seu discurso à luz das tácticas do fascismo que o vídeo acima elenca. Não há uma paridade perfeita, nem lá perto, evidentemente. Mas há outra coisa, aquilo que o Jerónimo gosta tanto de repetir enquanto espera pelos amanhãs que cantam: “farinha do mesmo saco”. Graças a um Presidente da República bufão, um caluniador profissional levou o fascismo larvar para o palco do “Dia de Portugal”. Não foi um descuido, foi um programa.

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