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Estado da direita: coitadinho do Ventura, cuidado com o Santos Silva

A direita (com a única excepção que conheço já aqui assinalada) não suportou ver Augusto Santos Silva a defender a Constituição e a moral da Assembleia da República perante o enésimo apelo à violência demente por Ventura. Como se vê no vídeo, o que a direita partidária e mediática pretende é que se faça silêncio à volta do Chega, que não se confronte o seu racismo, a sua xenofobia, o seu culto de um regime policial e ditatorial. Porquê? Porque assim a direita ganha com o que o Chega espalha na sociedade: completa alienação face às instituições da República e à lógica e factos da administração pública e actos governativos, a qual atrai grupos sociais cognitiva e intelectualmente miseráveis. Pretendem que essa deturpação inane consiga gerar uma maioria parlamentar, tal como aconteceu nos Açores, daí atacarem quem se defende – e nos defende, como é seu dever – da retórica desse ódio bronco que Ventura exibe como única agenda. É exactamente a mesma postura que têm em relação à Cofina, em que recolhem os proveitos do veneno que o esgoto a céu aberto injecta persecutória e criminosamente na opinião pública contra o PS.

Vale tudo na decadência. É por isso que a decadência é decadente.

A invenção de Passos Coelho ameaça agredir alguém no Parlamento

«Sobre os trabalhos do Parlamento, o líder do Chega considerou que o ambiente "está muito tenso" e alertou que "é real" a possibilidade de "um escalar de conflito físico, verbal e político".

O presidente do partido de extrema-direita salientou que "ninguém quer ver no parlamento situações como já vimos noutros países do mundo, em que há deputados desentendidos uns com os outros, quase à batatada no hemiciclo".»


Fonte

Revolution through evolution

Women urged to eat potassium-rich foods to improve their heart health
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First trial to prove a diet supplement can prevent hereditary cancer
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Cocoa shown to reduce blood pressure and arterial stiffness in real-life study
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Vitamin B5 May Help Weight Loss by Turning on Brown Fat
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Low to moderate levels of stress may help build resilience while reducing risk of mental illness
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New Study Pinpoints How Much Exercise We Need to Live Longer
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2 Ways to Overcome the Awkwardness of Offering Condolences
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As crises já não são o que eram

O líder do PSD não se cansa de repetir que temos um Governo cansado, desnorteado, sem ideias, que não apoia as empresas nem as famílias. Garante que vamos a caminho de mais uma gravíssima crise económica e social, que é, segundo ele, a especialidade dos governos socialistas. E sabe do que fala porque está muito próximo das pessoas.

Não sei o que lhe têm dito os empresários, mas, entretanto, meio país ficou escandalizado com os lucros de algumas empresas.

Se com um Governo tão incompetente apresentam estes resultados, quanto lucrariam estas empresas se o país fosse governado pelo competentíssimo Montenegro? O dobro, o triplo? É uma pena se não aproveitar a oportunidade para nos esclarecer.

Lapidar

«Um deputado faz um discurso abertamente racista e xenófobo em pleno Parlamento, algo que nunca se tinha ouvido naquele local em quase 50 anos de democracia e que duvido tenha sido feito mesmo durante a ditadura. Insulta a Constituição e põe em causa os mais fundamentais pilares do nosso regime na Assembleia da República.

O que é que ocupa páginas e páginas de opinião, é falado em programas de debate, berrado nas redes sociais ou notícia nas televisões e rádios? A intervenção do presidente da Assembleia da República comentando o líder do Chega.

Se quisesse focar-me em atitudes laterais e não me concentrar naquele discurso abjeto de Ventura, diria que vergonhoso foi o silêncio da bancada do PSD após a intervenção do presidente da Assembleia da República.»

Pedro Marques Lopes

Montenegro na República dos Bananas

«O líder do PSD, que foi anunciado como "o próximo primeiro-ministro", e que ao chegar à Herdade do Chão da Lagoa disse estar "na maior festa partidária que se realiza em Portugal", traçou um retrato síntese do "socialismo": com António Guterres foi "um pântano", com José Sócrates veio a "bancarrota" e com Costa, que "esteve em todas", Portugal é "um dos [países] mais pobres da Europa".

[...]

E há 44 anos, Miguel Albuquerque sublinhou, que está tudo "muito bem clarificado (...) de um lado os autonomistas e, do outro, os socialistas ao serviço do centralismo de Lisboa".

E por fim, como "não há almoços grátis em política", Albuquerque dirigindo-se ao líder do PSD disse que a Madeira quer ser "determinante" nas próximas legislativas (...) vencer os socialistas, colonialistas na Madeira e dar a primeira vitória a Luís Montenegro para governar com maioria absoluta (...) connosco não há meias tintas. Não há conversa fiada".

A intervenção terminou com Miguel Albuquerque ao piano a tocar e a entoar o hino da "independência": "Madeira és livre e livre serás..."»


O “socialismo colonialista” dos “cavalheiros de Lisboa” será “destruído”

Vingegaard e Pogacar, sois grandes, gigantes!

Para quem não sabe, estas pessoas são dois dos melhores ciclistas que este Planeta já viu e estiveram ambos no Tour de France, que terminou ontem em Paris. Oficialmente, um ficou em primeiro e o outro em segundo, repetindo, aliás, o que já se tinha verificado no Tour de 2021. Mas, na verdade, a ordem é indiferente. Ganharam ambos! Os fãs, para além do espectáculo que é vê-los subir e descer os Alpes e os Pirinéus, puderam assistir a uma maravilhosa lição de desportivismo, respeito mútuo e decência. Para quem acha que o dinheiro tudo e todos corrompe, estes miúdos provam que não tem de ser assim. Os prémios para quem vence etapas, e a prova, são avultados, contudo isso não os impede de esperar um pelo outro em caso de queda, apesar de liderarem equipas diferentes. Tão bom!

Fazem-nos sonhar. Como seria a nossa vida se os outros líderes, das mais variadas áreas, lhes seguissem o exemplo?

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Feminism May Lead to Better Body Image
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Verbal Insults Trigger a ‘Mini Slap to the Face’, Finds New Research
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Vitamin B6 supplements could reduce anxiety and depression
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Cooperation among strangers has increased since the 1950s
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Paper wasps form abstract concept of ‘same’ and ‘different’
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Why you should ditch table manners and eat with your mouth open
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What Harry Potter can (and can’t) teach us about economics
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Esperar alguma seriedade do Montenegro é tempo perdido, senhores

Luís Montenegro não governa e possivelmente nunca governará, mas exigir-se-ia alguma seriedade do líder da oposição, não importa que sorria muito, quando se trata de assegurar a continuidade de projectos de grande impacto e grande importância para uma boa parte do país e para a sua imagem internacional.

Um dia o PSD governará. No entretanto, o seu actual líder não quer discutir, muito menos acordar com o Governo nenhuma localização para o novo aeroporto. Não é difícil perceber porquê. Primeiro, porque não tem a mínima ideia nem quer arriscar uma (e para disfarçar diz que o Governo é que tem que decidir; é verdade e espero que seja o que fará se Montenegro assim o preferir) e, segundo, porque, deste modo, pode dizer mal de qualquer solução adoptada (para todos os efeitos, o homem candidatou-se a líder do PSD para dizer mal, mais mal do que Rio, recordemos). Embora seja visível que o fará (dizer mal da solução) com grande lata. E risco.

Posto isto, que já se sabia à partida, penso que não adianta perder mais tempo.

A oportunidade foi dada, como devia ser, mas claramente está a ser rejeitada. Depois destas palavras de Montenegro, parece-me inútil qualquer reunião para discutir, ainda que minimamente, o assunto. Ora vejam:

“Eu quero ser muito claro: O PSD é um partido responsável, é um partido que entende que estas obras estratégicas, estruturantes, devem merecer um consenso tão alargado quanto possível, mas não vamos inverter os papéis”, declarou, esclarecendo: “Quem tem de governar é o Governo, nós cá vamos fazer oposição responsável, como digo, mas oposição”.

“Não vamos decidir na vez do Governo. Quando nós estivermos na posição de decidir é porque somos Governo, não é porque somos oposição”, afirmou o líder social-democrata, à margem da visita às barracas que representam as 54 freguesias da Região Autónoma da Madeira.

Montenegro disse que o novo aeroporto de Lisboa é uma obra que, em sete anos, “o Partido Socialista não conseguiu colocar no terreno”, mas que “nos últimos tempos tem sido alvo de uma tentativa de encostar a responsabilidade de decidir para o PSD”.

 

Fonte: Público

Então “devem merecer um consenso alargado” ou não? Que troca-tintas são estas?

O aeroporto

Para tornar Lisboa uma cidade agradável para se respirar, trabalhar, viver, dormir e conversar, o aeroporto que a serve (e ao resto do país) não pode sujeitá-la à tortura sonora que diariamente sofre, por muito prático que seja para os lisboetas aterrarem a dois passos de casa. Quem já tenha estado na  Biblioteca Nacional, por exemplo, esperando estudar com algum sossego, sabe do que falo. Mas não é apenas a zona do Campo Grande a afectada. Eu diria que 70% da cidade não sabe o que é viver sem ruído aéreo constante e muito próximo. A pandemia, embora por motivos dramáticos e com imagens de ir às lágrimas, deu-nos um cheirinho do quão agradável a vida na cidade poderia ser com mais silêncio e menos perigo.

Mas enfim, os aviões levantaram voo outra vez, felizmente para quem precisa e para quem gosta de mais mundo, e o esgotamento da capacidade do aeroporto Humberto Delgado tornou-se aflitivo. Agora, das duas uma: ou se contrói um aeroporto complementar de média dimensão (ideia do Montijo) para aliviar o congestionamento em Lisboa, e nesse caso nada muda a nível do ruído e dos riscos, já que a diminuição do movimento na capital será insignificante; ou se constrói um novo aeroporto de raiz, fora da capital, com o objectivo de libertar de vez a cidade dos malefícios de um aeroporto ultra movimentado localizado no seu centro.

 

Sou uma perfeita leiga em matérias de engenharia, mas basta-me espreitar pelo Google para perceber que o Montijo apenas poderá ser um aeroporto de recurso e até provisório. Porque a área disponível fica comprimida entre a terra do Montijo e o rio Tejo (nenhum deles jamais sairá dali) e porque a subida do nível das águas poderá a médio prazo inviabilizar a pista (já de si irremediavelmente limitada). Portanto, se se quer mesmo libertar a capital, aproveitando para dar uma utilidade ecológica aos terrenos do actual aeroporto, e construir um aeroporto grande, moderno e definitivo, não me parece que haja outra solução que não Alcochete.

A questão de utilizar ainda o Montijo durante algum tempo parece-me não fazer muito sentido quando o objectivo maior já está definido, a menos que haja compromissos com a Vinci, assumidos no tempo do Passos, que a isso obriguem. Seria lamentável e outra perda de tempo. A juntar à do Montenegro.

Dominguice

Precisamos de falar a mesma língua para comunicarmos uns com os outros. Desde a infância que o conseguimos fazer, e cada vez melhor até um certo ponto de crescimento. A partir desse ponto, imprevisível, só o domínio da língua comum não chega para a nossa necessidade de comunhão. Precisamos, então, de aprender a falar as mesmas palavras. Saber o que o outro quer realmente dizer quando usa “vou”, “medo”, “amor”. Saber que o outro sabe o que quero realmente dizer quando uso “quero”, “triste”, “liberdade”.

Não há escolas de palavras. Quase nunca temos tradutores à borla que nos possam valer. Daí se acabar, eventualmente, por ter de recorrer aos serviços dos psicólogos, dos advogados, dos polícias. Péssimos serviços apesar de bem intencionados e úteis. Simulacros de tradução das palavras que somos.

Exactissimamente

«Um partido político, o Chega, apresentou no parlamento um projeto de lei para aumentar a pena máxima de prisão aplicável ao homicídio para 65 anos e estabelecendo um limite mínimo de 25 anos, havendo circunstâncias que revelem especial censurabilidade ou perversidade. O projeto de lei foi entretanto recusado pela Assembleia da República, tendo os demais partidos com assento parlamentar entendido que se estava perante um cenário de inconstitucionalidade, não sendo sequer a proposta admitida a discussão.

[...]

O problema é que, como acontece tantas vezes, o que parece verdade ou simplesmente plausível não o é. O crime de homicídio é daqueles que tem a menor taxa de reincidência (alguns estudos apontam para 0,3%). E a dureza ou a duração das penas não tem efeito sobre a criminalidade registada (o caso dos Estados Unidos da América é paradigmático, onde alguns autores falam de uma "criminalidade violenta endémica" e sendo até das poucas democracias no mundo que aplica a pena de morte).

Por exemplo, os dados do Eurostat indicam que em 2020 terá havido 81 homicídios "intencionais" em Portugal. Alguns países europeus, com uma população equivalente e onde até há a possibilidade de aplicação de uma pena de prisão perpétua, comparam-se assim: 124 na Suécia, 121 na Holanda, 142 na Bélgica...

[...]

Pode até perceber-se que o Parlamento rejeite liminarmente a discussão do tema, mas provavelmente não o deveria fazer. As propostas populistas, irracionais e injustificadas tornam-se rapidamente no que são quando confrontadas com factos, números e com a explicação porque são relevantes e como funcionam os valores de Estado. André Ventura pode até ganhar alguns votos com os seus 65 anos de prisão, mas Portugal não ganha absolutamente nada com isso. E perderia muito.»


Porque a justiça é sempre preferível à vingança

Empatia para Montenegro

Ao assistir à entrevista a Luís Montenegro, dei por mim a concordar com o que sempre achei dele: eis aqui um tipo simpático, bonacheirão, com quem deve ser impecável estar na comezaina e na copofonia. E deste assentimento confirmado saltei para um estado de empatia. Sentia que conseguia sentir o que ele sentia acerca de si próprio ao ser apertado pelo excelente Paulo Magalhães. Foi assim que fiquei a saber, graças à magia da empatia, que o Montenegro sabe que mesmo nos seus melhores dias não passa de um político inane, merdolas.

O futuro da direita não decadente precisa da lhaneza e virtude de Moreira da Silva ou similares. Isto para começo da conversa.

Quando não existe linha alguma é impossível ultrapassá-la, tem razão

«O presidente da região autónoma dos Açores, José Manuel Bolieiro, considera que o novo presidente do PSD, Luís Montenegro, não deve ter linhas vermelhas em relação ao Chega, dando a sua própria solução governativa — um governo de coligação PSD-PPM-CDS, com um acordo de incidência parlamentar com a Iniciativa Liberal e o Chega.»

Fonte

«"Já tive ocasião de dizer que não há nenhuma violação dos princípios e valores do PSD com a formalização e execução desse acordo", afirmou aos jornalistas, após o encerramento do congresso do PSD/Açores, em Ponta Delgada.

Questionado pelas suas declarações a 03 de julho, quando disse no congresso nacional que o partido "nunca" se vai associar a "qualquer política xenófoba ou racista", Montenegro reiterou que o acordo nos Açores não viola os princípios do PSD.

"Nós nunca ultrapassaremos a linha dos nossos princípios e dos nossos valores. Portanto, como isso aqui [nos Açores] não aconteceu, nem é sequer tema", assinalou.»

Fonte

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