Por que razão nos agarramos à irracionalidade? Todos o fazemos, embora uns muito mais do que os outros, e outros muito menos do que os demais. Quando se investiga o assunto vão-se recolhendo dados contraintuitivos: aqueles que mostram tendência para crenças irracionais respondem a tentativas para os educar tornando-se ainda mais irracionais. Reagem ao conhecimento científico e aos factos como se fossem uma ameaça à sua identidade. Porquê? Talvez por ser emocionalmente negativo aceitar que, afinal, se ignora um dado assunto, e que esse assunto parece tão inacessível que tentar entendê-lo iria expor as fragilidades e incompetências cognitivas próprias (não se garantindo sucesso no moroso processo de aprender). Então, por automatismo pulsional e lei do menor esforço, barricam-se no que conseguem dominar e exibir, a sua densa e infecta ignorância.
É preciso ter paciência e compaixão com os broncos mas igualmente urge ter tolerância zero perante a sua irracionalidade – e essa prática deve começar na lide da nossa própria bronquite crónica. O bronco em nós não dorme e até sonha.
