Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão.
Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

Dominguice

Por que razão nos agarramos à irracionalidade? Todos o fazemos, embora uns muito mais do que os outros, e outros muito menos do que os demais. Quando se investiga o assunto vão-se recolhendo dados contraintuitivos: aqueles que mostram tendência para crenças irracionais respondem a tentativas para os educar tornando-se ainda mais irracionais. Reagem ao conhecimento científico e aos factos como se fossem uma ameaça à sua identidade. Porquê? Talvez por ser emocionalmente negativo aceitar que, afinal, se ignora um dado assunto, e que esse assunto parece tão inacessível que tentar entendê-lo iria expor as fragilidades e incompetências cognitivas próprias (não se garantindo sucesso no moroso processo de aprender). Então, por automatismo pulsional e lei do menor esforço, barricam-se no que conseguem dominar e exibir, a sua densa e infecta ignorância.

É preciso ter paciência e compaixão com os broncos mas igualmente urge ter tolerância zero perante a sua irracionalidade – e essa prática deve começar na lide da nossa própria bronquite crónica. O bronco em nós não dorme e até sonha.

Perguntas simples

Se já se fizeram missas e procissões a pedir chuva ao criador do Universo, por que raio nunca se fizeram procissões, ou que fosse meia missa, para pedir à mesma entidade a suprema (urgentíssima) graça de acabar com os abusos sexuais de crianças, jovens e adultos por sacerdotes católicos e demais pessoal com responsabilidades religiosas?

Putin bem

«"A aventura norte-americana em Taiwan não se trata apenas de uma viagem de um político irresponsável, faz parte de uma estratégia intencional consciente que visa desestabilizar e tornar caótica a situação naquela região e no mundo", afirmou.

É uma "demonstração descarada da sua falta de respeito pela soberania de outros países e das suas obrigações internacionais", continuou Putin, referindo que houve uma "provocação cuidadosamente preparada" por parte dos norte-americanos.»


Fonte
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Putin, o exemplar pacifista respeitador da soberania de outros países, muito bem contra aquela mulherzita perigosíssima que anda de avião e poisa aqui e ali. Isso deve ser denunciado por quem tem autoridade moral para o fazer, como o magnífico Putin. E, se calhar, a sua presença em certos aeroportos até justifica que se invada Taiwan e se matem uns milhares, ou milhões, de pessoas que lá vivem, de caminho destruindo aquilo tudo. Para quê? Para estabilizar a região e acabar com o caos que a tal mulher provoca com as suas aterragens no estrangeiro, claro.

Não, pá, esquece os botões

«O livro de Chamayou encerra com um capítulo que avança com uma hipótese sinistra: a de que os drones passarão a ser telecomandados nos laboratórios de investigação militar por robots. Esta “robótica letal autónoma” não é ficção científica, é o resultado de todo o conhecimento e energia despendidos para que “já não exista o sujeito”, como previu Adorno. Os drones accionados e telecomandados por robots não requerem a presença do humano em nenhum momento da operação, nem acima dela. São as máquinas que tomam a decisão de matar, já não há ninguém a carregar no botão.»

Crimes de guerra

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Santa ingenuidade, ou epistemológica cegueira, de um dos nossos melhores cronistas. Alguém que lhe explique o que é um algoritmo. E que os algoritmos têm autor, dependem de uma ou vária autoridade e limitam-se na sua autonomia.

O semáforo, o motor do avião, a chama no bico do gás, “não requerem a presença do humano em nenhum momento da operação” – desde que os ponham a funcionar. Mas expressam a natureza humana em todos os instantes do seu funcionamento.

Antropomorfizar as máquinas é útil para escrever ficção científica batida ou despachar serviço num jornal, não contribui é para a inteligência das coisas.

Revolution through evolution

Moms’ problems linked to adolescent attachment issues
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Aging neutralizes sex differences in the brain: Animal study
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How measuring blood pressure in both arms can help reduce cardiovascular risk and hypertension
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Which Leisure Activities Are Linked to Lower Risk of Dementia?
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Safe havens for cooperation
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Strategy, Psychology Behind Effective Negotiating
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Size matters for men using a dog to win a woman’s heart – here’s why
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Dominguice

Quando falamos sabemos o que estamos a dizer mas não sabemos porque o estamos a dizer. Só conseguimos testemunhar que algo foi dito por nós, sem que o tivéssemos previsto ou aprovado. Falar é sempre um exercício de improviso, o resultado de a nossa identidade ser uma manta de retalhos sensoriais, um caleidoscópio neuronal.

Não somos apenas, nem fundamentalmente, faladores. Somos falados pelo inefável.

Pastéis de Belém

«Marcelo Rebelo de Sousa deixou ainda algumas considerações sobre o primeiro-ministro, dizendo que "ele é muito rápido a sugar as coisas". "Tem-se uma ideia e ele é um mata-borrão. Um bom mata-borrão, porque é rápido", disse, acreditando que, "com alguma sorte", ainda vai ver o "nascimento de uma alternativa de direita" durante o seu mandato.»


Marcelo: “Acredito que ainda vou assistir ao nascimento de uma alternativa de direita”

Exactissimamente

«Ao falar em defesa de dois cardeais sem poder ter conhecimento de facto, apenas por achar que os conhece o suficiente para atestar por eles, Marcelo Rebelo de Sousa não se limita a mais uma das suas gaffes de palrador excessivo. Simboliza no gesto a forma lamentável como os responsáveis políticos e judiciais portugueses têm, neste tema, tido mais cuidado em não ofender a Igreja Católica que em defender as suas vítimas.»


O “foro privilegiado” da Igreja Católica

Revolution through evolution

Exposure to urban greenness leads to greater mental health benefits for women
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Smells experienced in nature evoke positive wellbeing
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Down on Vitamin D? It could be the cause of chronic inflammation
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Vitamin K prevents cell death: a new function for a long-known molecule
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Study: Psychological Safety Can Enable Innovation
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The effect of dark traits such as Machiavellianism, narcissism, and psychopathy on salesperson performance
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Do winners cheat more? New research refutes previous high-profile study
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Dominguice

A desorganização procura a organização. A organização provoca a desorganização. Daí o movimento. E, por causa do movimento, o tempo. O tempo é a alteração do espaço através do movimento. O trânsito constante entre organização e desorganização.

Aceitar que só somos por sermos ambos, uma organização desorganizada e/ou uma desorganização organizada, é refresco.

Exactissimamente

«Dizer que, já nos anos 90 do século XX, se lidou com manifestas situações de crime sexual por parte de padres de acordo com as regras vigentes à época não só é um exemplo de cinismo inacreditável - é também um sinal de que aqui, como noutros países, e sem espanto, há seguramente uma realidade encoberta e vasta, só menos evidente e chocante porque provavelmente mais consentida e integrada socialmente, num contexto em que a espiritualidade católica não tem concorrência e se confundiu durante séculos, para tantos ou quase todos, com a possibilidade de alguma educação e de superação da pobreza extrema, para além do cumprimento exigido dos deveres sociais da época.»


O que é que não se percebe na palavra “abuso”?

Incompetência absoluta

O presidente de uma empresa privada de fornecimento de energia decidiu dar uma entrevista. E porquê? Porque tinha notícias bombásticas para dar aos contribuintes. Não apenas aos clientes da sua empresa, mas a todos os contribuintes. Naturalmente, o Governo decide intervir, desmentindo o presidente da tal empresa. Empresas concorrentes desta fazem exactamente o mesmo e desmentem publicamente as tais notícias bombásticas. Até a empresa que o senhor lidera decide enviar uma carta aos clientes a desmenti-lo.

Entretanto, ficámos a saber que o líder do maior partido da oposição tem muitas dúvidas quanto à solução que Portugal e Espanha encontraram para limitar os preços da energia na Península Ibérica. E está no seu direito. Mas se é assim, porque esperou até agora? Porque não apresentou na altura em que o acordo estava a ser negociado uma solução alternativa, uma que não penalizasse os contribuintes, no futuro? Só reparou no problema depois de ter visto a tal entrevista bombástica?

Se calhar, é porque está muito ocupado a magicar frases como: “Costa confunde maioria absoluta com poder absoluto”. Como se vê é uma frase muito original, daquelas que ninguém estava à espera. Realmente, o PSD parece outro. Só com esta frase deve ter mudado o sentido de voto de milhares de eleitores. O PS que se cuide.

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