21 thoughts on “Vamos lá a saber”

  1. eu só conheço as queixas dos outros. no que me diz respeito, enquanto cidadã, tem-me sido prestado um serviço exemplar. dos problemas, estou com a Marta: a vida tem problemas, é preciso encontrar soluções. qualquer um sabe queixar-se, digo eu.

  2. os mesmos de todas as funções nos serviços e administração pública que tenham bastante saída no mercado de trabalho:
    não se consegue segurar os melhores profissionais porque não se dão melhores condições de trabalho,
    e não se dão melhores condições porque não se consegue segurar os melhorres profissionais, e assim por diante, de rabo na boca

  3. suponho que será multifactorial , sendo que não é de menosprezar a campanha das farmacêuticas para criarem doentes , nomeadamente a treta do colesterol e da tensão alta e da depressão e da menopausa. muitas pessoas vão ao médico por qualquer coisita , têm uma tara qualquer e um desconhecimento muito grande sobre o funcionamento do próprio corpo e não conseguem avaliar a gravidade ou não de sintomas . enchem os hospitais de não problemas.
    depois , falta de chefias e de organização e planeamento. e de espírito de equipa ( equipas coesas de tarefeiros? nem se conhecem)
    mas tinha de ir lá ver como é que aquilo funciona , assim a olho é difícil.

  4. também não podem aconselhar check ups e exames de rotina a pessoas sem qualquer sintoma só porque chegaram a determinada idade, como colonoscopias e montes de exames invasivos, porque isso tb enche os serviços de saúde. e lá vão , todos felizes , como se fossem para uma festa.
    têm uns protocolos do tempo da necessidade de criar doentes para vender exames , análises e medicação , que terão de acabar…
    fiz uma mamografia na vida , nem pensem que me torturam sem motivo , recebo cartinhas para ir ali e acolá. não vou nem que a vaca tussa enquanto não sentir que alguma coisa não está bem.

  5. A mim parece-me que os principais problemas decorrem das urgências. Tendo em conta a organização dos nossos hospitais, em que os serviços têm de assegurar as urgências, é preciso ter muitos mais especialistas do que seria necessário com outro tipo de organização. Por exemplo, um médico tem 40 h semanais de serviço e chega a “gastar” 24 num dia de urgência. Se se juntar a isto limitações decorrentes da idade e outro tipo de impedimentos (licenças parentais, por exemplo), vamos constatar que um serviço que precise de 5 especialistas para ter uma urgência a funcionar vai precisar de um número elevadíssimo de médicos para completar as escalas de 24 h de urgência mais o trabalho dito normal. O problema é que esta questão só pode ser resolvida através da criação de uma especialidade que fique mais associada à urgência, como existe noutros serviços de saúde (podemos ver isso nas múltiplas séries americanas). Certamente será também preciso valorizar as carreiras e melhorar a rede de centros de saúde de forma a reduzir as idas das pessoas às urgências, o que se vai traduzir numa melhoria das condições de trabalho.

  6. o que nunca se vê nas séries americanas são eles a deixarem a malta que não tem seguro à porta do hospital ou aquela outra malta que fica financeiramente arruinada porque alguém chamou uma ambulância quando eles caíram na rua.

  7. Caro VALUPI:
    São essencialmente duas as causas:
    1-Terem arredado do SNS o cumprimento de Mateus 6-24. E não me parece que se resolve com mais dinheiro. Trabalho em exclusividade no SNS há 38 anos, e o montante pecuniário chega e sobra. É uma falsa questão reduzir, como fazem o Bastonário e os Sindicatos, o problema dos recursos humanos no SNS (no meu caso, médicos) ao apoucamento do montante que se recebe.
    2- Muitos chefes, poucos índios e raríssimos líderes. É aqui que reside o principal problema. Colegas que querem chefiar porque sim, sem talento e sem capacidade, e que se eternizam nos cargos de chefia, por narcisismo e por aumento leve do ordenado cá dentro do SNS, mas que dá um jeitão na privada.
    3- E ainda se acrescenta uma terceira: a fraquíssima literacia em saúde da população .
    Um abraço
    Américo Costa

  8. Penso que foi Slavoj Zizek que escreveu, num dos seus livros, que em alguns países capitalista foram já alcançadas muitas conquistas socialistas, cujo alargamento e aprofundamento (e consolidação) só poderão ser alcançados com a eliminação da propriedade privada. Enquanto isso não acontecer….
    No interior de todo o fenómeno há contradições, umas principais, outras secundárias. É a dialética materialista.
    Onde é que eu quero chegar?
    O SNS é, inegavelmente, uma manifestação, uma conquista, socialista. É ou não é? É. Mas vive mergulhado num labirinto de contradições, em que a principal é a que o opõe aos interesses privados, que podem atuar livremente e tudo farão para o desprestigiar e liquidar. É só observar a agenda diária dos canais de televisão.
    (Escuso-me a dizer o quanto devo ao SNS)
    Tenho a perceção de que há aqui comentadores mais apetrechados para desenvolver este tema.

  9. Fernando , como é que os privados dão cabo do sns ? vão para lá encher os serviços , a fingirem-se doentes ?

    não leu o comentário de um médico , que está no convento e portanto , sabe muito bem o que lá vai dentro?

  10. Estou a perceber, yo.
    Só não entendo porque controla a questão principal levantada no meu comentário. Ou está convencida que o cerne do problema reside nos serviços sns estarem à pinha porque as pessoas são atrasadas mentais ou na senhora grávida a ter que se deslocar mais uns quilómetros para parir ou que é uma deficiência de organização? Já várias vezes assinalei aqui que tenho a yo como pessoa sábia. Não me pergunte porquê.
    (Comentário de um médico? Estará a referir-se ao Setôr Guimarães e à sua camarada de baixo, Cavaca?)

  11. O Américo Roberto Meireles Lima da Costa, que atrás deixou um comentário, identifica-se como médico no SNS.
    Prestem atenção ao que ele diz. Faz referência a Mateus 6 – 24, Novo Testamento. O que lá se diz: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque, ou há-de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamon.”
    Sabe do que escreve.

  12. a eliminação da propriedade privada nunca acontecerá., Fernando,se até os animais marcam territórios . é essencial para a liberdade de acção , a única que importa mesmo. teremos é de controlar, e bem , qual o tamanho máximo para a propriedade privada… e o tal de rendimento máximo permitido , do qual sou apologista. não tem mal ter , tem mal acumular muito , mas muito , para além do necessário à vida.

  13. só agora tive a oportunidade de retornar aqui e tenho a dizer que concordo com o eu mesmo porque o américo já disse tudo. se não tudo, muito. a minha área não é a mesma e por lá temos menos fartura salarial, mas também não se passa fome. já o problema das chefias intermédias é igualzinho, o tamanho do ego é directamente proporcional à incompetência e sobretudo muitos muitos esquemas/negócios “por fora” à custa da instituição.

  14. A causa principal é haver dinheiro para “abarbatar”.
    Se não houvessem 18 mil milhões por ano para gastar estava tudo bem. Nem se sabia que havia SNS.

  15. Tem que se lhe dar algum desconto, mas, para quem apenas conhece o bicho pela propaganda mentirosa do “herói corajoso”, ajuda a perceber um pouco melhor como chegou aonde chegou, como o povo ucraniano chegou ao desgraçado ponto em que está e como chegámos todos, o planeta inteiro, à beirinha de uma guerra nuclear de que só sobrarão baratas e percevejos. Porque, ao contrário do “herói corajoso” da propaganda, o que lhe/nos saiu na rifa foi um cobarde e vigarista que se borrou todo perante as ameaças dos nazis que infestam o seu exército e forças de segurança, que lhe disseram na tromba que ou mandava às urtigas a promessa de paz que levara os ucranianos a votarem nele para presidente ou levava um tiro nos cornos enquanto o Diabo esfrega um olho.

    https://www.rtp.pt/play/p10206/zelensky-servo-do-povo

  16. A coisa ficou ambígua, mas, quando digo “Tem que se lhe dar algum desconto”, refiro-me ao programa da RTP-3 linkado e não a Herr Zelensky von Pandora Papers, que apenas merece desprezo.

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