Se passar sem causar escândalo termos o Presidente da República a gozar alarvemente com uma pessoa do sexo feminino discriminando-a como obesa, e isto perante altos dignitários e jornalistas a registar imagens, o que tal dirá da nossa comunidade?
Começa a semana com isto
Revolution through evolution
Study confirms it: Opposites don’t actually attract
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Believing in personal gut feelings and falling for conspiracy theories
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Study shows making cities greener doesn’t just capture carbon – it reduces it
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Toddlers learn to reason logically before they learn to speak, study finds
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Active children are more resilient
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Workers are less productive and make more typos in the afternoon – especially on Fridays
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The sense of order distinguishes humans from other animals
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Dominguice
O absurdo vem de ilimitadas e imprevisíveis formas. Pode vir como terramoto, incêndio, cheia. Acidente, doença, crime. Também pode vir — e vem — como família, nacionalidade, século. E ainda como encontro e desencontro.
Mas a experiência mais radical que o absurdo nos oferece continuará a ser sempre a de ele esperar com infinita paciência para dar a última gargalhada.
Ainda Marcelo, o católico
Diz-se, e é verdade, que Marcelo morde como o escorpião. Ultimamente são inúmeras as vezes em que desafia, provoca, ameaça ou ressabia com o primeiro-ministro: ou porque embirra com João Galamba e quer que se demita só porque um esgrouviado de um assessor, na sua ausência, surripia o computador de serviço (objectivo: causar ruído, dar matéria à oposição), ou porque entende que o pacote de medidas para a habitação é um bom pretexto para fazer ver quem manda e fazer ele a oposição que o Montenegro não faz, ou, eventualmente, porque embirra com a ministra dessa mesma pasta, ou ainda porque decide “espicaçar” os sindicatos dos professores para os manter assanhados, criando problemas sérios ao Governo, que já dava o assunto da contagem do tempo de serviço por esgotado (e está), e sobretudo causando prejuízos aos alunos das escolas públicas (objectivo: instabilidade política), ou porque decide fazer dos conselheiros de Estado ouvintes das suas próprias conclusões prévias, enfim, este exemplar, no seu segundo mandato, não se contém nas ferroadas, nas tentativas de golpe e na exorbitação dos seus poderes.
O que acontece depois? Depois, vem a tomada de consciência do abuso, a contrição (mas só para si) e o recuo público quando “a sacanice”, para não lhe chamar outra coisa, ou o desrespeito da Constituição se tornam demasiado óbvios e se viram contra ele ameaçando-lhe a tão almejada popularidade (nem os seus colegas comentadores o poupam). Que não, que é muito amigo do Costa, desde há já muitos anos, do tempo da faculdade!, que as amizades são para manter (tese do amuo como que confirmada, apesar de falsa, mais uma sacanice), que entende apenas ser sua função repor os equilíbrios institucionais, leia-se “ataca quando acha que o seu partido não está a ser contundente o suficiente”, o que é pior emenda que o soneto porque não é esse, de todo, o seu papel, ou, quando confrontado com as suas jogadas totalmente infantis mas malévolas, entabula um discurso enigmático, que ninguém decifra, mas pode soar para alguns a grande sabedoria, discurso a que já assistimos noutras etapas comprometedoras da sua vida (como aquando da despenalização do aborto). Um farsante. Um farsante que se faz passar por querido, beija muito, anda ao sabor do vento e está convencido de que pode passar raspanetes. Azar: ao Costa não pode. O Presidente não governa nem vai responder pela governação em futuras eleições. Portanto, voltar ao seu galho é mesmo o melhor que tem a fazer.
Em suma, Marcelo está a ser má pessoa, sabe que está, mas, como é vulgar nestes casos, entende-se lá com o seu deus quanto às desculpas, para garantir que será perdoado. A cada conversa mística privada, fica lavado. Já beijou a mão do papa. Mas isso é até à próxima. Aposto que tanta lavagem lhe garantirá o céu, mesmo que cá na Terra se divirta a infernizar os outros só porque pode.
Não sou eu que o digo, é um supercomputador
Estado do Conselho
“Houve um Conselho de Estado e parece que houve um Primeiro-Ministro amuado. Houve um Primeiro-Ministro que não prestou explicações aos conselheiros de Estado, ao senhor Presidente da República, não prestou explicações sobre a situação económica, sobre a situação social, sobre aquilo que é a sua responsabilidade. Eu não sei se o Primeiro-Ministro tenciona andar a vitimizar-se à conta desse conflito que está a criar com o senhor Presidente da República para ver se tem algum ganho político, partidário, eleitoral no próximo ano. Não sei, desconfio que deve ser qualquer coisa como isso.”
Montenegro usou o que é tecnicamente um boato para fazer um exercício ad hominem que é moralmente uma pulhice. Com isso cumpriu jactante o plano de usar o Conselho de Estado como arma de arremesso político contra o Governo e contra o PS.
Isso significa que o actual líder da oposição em Portugal não só aprova como activamente explora a degradação do regime e a insídia de alguns, pelo menos um, que ocupam lugar na mesa onde se reúnem os representantes máximos da República — juntamente com outros supostamente eleitos pelo seu prestígio pessoal, relevância cultural e confiança cívica máximas — para tratar solenemente das mais ponderosas questões nacionais.
Tragicamente, o pior consegue ainda ser outra coisa. Ao usar a retórica de atacar a vítima, tentando reverter essa condição para envilecer Costa pintando-o como culpado pelo comportamento abstruso e indigno de Marcelo, este Luís Montenegro usa como práxis política a lógica universal dos criminosos: diabolizar o alvo da sua violência.
Enquanto a direita portuguesa for isto, nem Costa nem qualquer outro socialista terá razões para amuar.
Dêem o Nobel da pantominice a este gajo
Do autor, produtor e artista de uma chantagem a um primeiro-ministro e seu Governo via um arremedo de jornalista no que já não passa de um pasquim, chega-nos esta prestação de hipocrisia e cinismo que nem sequer se preocupa em disfarçar.
Marcelo não tem o rancor e pulhice de Cavaco, mas está a ser surpreendente — e lastimável — o aviltamento da gravitas e decoro do regime a que se entrega (a)celerado. Eis o princípio de Peter em acção: os comentadores e intriguistas, mesmo quando no topo da hierarquia da República, não resistem à pulsão daquilo que lhes deu a fama e o proveito antes de lá chegarem.
Marcelo fora da lei. Já chega, já topámos
Marcelo e a Presidência Fechada
A fórmula da “Presidência Aberta” foi uma iniciativa de Mário Soares que marcou os seus dois mandatos. Definiu um estilo presidencial popular de acordo com a sua personalidade e ideologia, tendo sido também um relevante instrumento de contraposição face ao crescimento, e depois supremacia absoluta, do cavaquismo. Marcelo Rebelo de Sousa optou pelo conceito simétrico, o da “Presidência Fechada”: chama 18 conselheiros de Estado a Belém, fechando-se com eles numa sala, só para ter o gozo de mandar em circuito fechado para os jornalistas da cor a versão que lhe interessa sobre o acontecido.
Ontem ocorreu o 31º Conselho de Estado convocado por Marcelo, o que representa uma média de 3 meses e tal por episódio. É uma novela, com as mesmíssimas intenções de uma novela: gerar enredos para os editorialistas do laranjal, produzir entretenimento para os seus colegas comentadeiros, e alimentar a ficção de que o Presidente da República é o super chefe da oposição. De caminho, brinca aos reis. Monta o espectáculo de ter a corte reverente à sua disposição para lhe dizer coisas na cara, a partir do trono. Percebe-se que a direita paupérrima e protofascista que temos precise de liderança com algum talento político. Infelizmente para ela, e especialmente para o País, os predicados de estadista que se atribuíam ao Professor são, neste mandato, uma miragem, uma caricatura, um vexame ambulante.
A direita portuguesa vive desde a traição de Barroso fechada à inteligência e à coragem. Daí, ao longo dos últimos 20 anos, ter apostado tudo nas golpadas, no judicialismo da política e na politização da Justiça. Não produz pensamento, não se liga às populações. Limita-se a ocupar o monopólio dos seus impérios de comunicação social, satisfazendo-se com a indústria da calúnia e a cultura do ódio.
Estão fechados em si mesmos, não admira que definhem. Ou que gerem aberrações tóxicas como o Ventura e este Marcelo deturpador da Constituição.
Perguntas simples
Começa a semana com isto
Revolution through evolution
Alcohol makes you more likely to approach attractive people but doesn’t make others seem better looking: Study
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Poor lifestyle of over 60s linked to heightened risk of nursing home care
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People who are in good shape take fewer mental-health related medication
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New study reveals anti-cancer properties in Kencur ginger
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How a cup of water can unlock the secrets of our Universe
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Do measurements produce the reality they show us?
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Television is competing against everything on the web
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Dominguice
A ideia de que um dia, seja lá como for, todos os problemas de uma qualquer comunidade de seres humanos se vão resolver é comatosa alucinação. Nunca aconteceu, nunca acontecerá. Mesmo que façamos a experiência mental de conceber um grupo de humanos com acesso gratuito e ilimitado a comida, vestuário, habitação, cuidados de saúde e transportes, eles de imediato arranjariam uma forma de terem problemas. Para começar, ainda não eram imortais. Depois, continuavam a envelhecer. Por fim, tentariam obter coisas uns dos outros que gerariam inevitáveis conflitos mais tarde ou mais cedo.
Quem promete resolver todos os problemas da comunidade caso ganhe eleições, ou caso o deixem continuar a tiranizar, não sofre de comatosa alucinação. Fia-se é na nossa.
Não sou eu que o digo, é um supercomputador
Ideias de arrebimba o malho
Formar um partido cuja ideologia se fundasse na Declaração Universal dos Direitos Humanos, na Constituição da República Portuguesa e na tolerância zero à estupidez. Naturalmente, sendo impossível erradicar a estupidez natural que cada um transporta, alimenta e espalha, os militantes e dirigentes desse partido estariam continuamente focados em evitar e denunciar as estupidezes que inevitavelmente iriam produzir nas diversas funções partidárias e, eventualmente, autárquicas e governativas que viessem a assumir.
Isso criaria uma cultura de humildade, curiosidade e coragem. Por exemplo, jamais perderiam tempo com demagogia, com sectarismo, com alarmismo, com chicana, com calúnias, com ódio, sequer com irritações para a plateia ou para a soberba. Saber se depois as suas propostas e opções políticas seriam de esquerda ou de direita, ou de centro-direita ou centro-esquerda, ficaria como uma questão que apenas ocuparia a cachimónia dos estúpidos.
Que pena a cretinice não pagar imposto
Vamos lá a saber
O beijo do espanhol
Imaginemos que era uma mulher, presidente de uma federação de futebol masculino (improvável, mas possível hoje em dia, quando já vemos mulheres a arbitrarem jogos masculinos), quem “se descontrolava” no auge de uma enorme alegria e dava um beijo na boca, fugaz embora como aquele foi, a um jogador vitorioso apesar do penálti falhado.
“Ai, não dava. Impossível uma mulher fazer isso”, ouço já uns a dizerem. Convicções fortes à parte, digo-vos, como mulher, que podia acontecer. Quem se queixaria? O próprio não, de certeza. Ofendido não ficaria. Revoltado muito menos. O mais provável seria pôr-se com ideias sobre a senhora (dependendo da idade da dita e da heterossexualidade do dito). Protestaria talvez, talvez, a namorada/mulher do jogador, essa também com as conjecturas e a indignação muito facilitadas por aquele gesto. Mas será que haveria um clamor generalizado, como o que se ouve agora pela voz da mais insignificante das equipas até à do presidente do governo espanhol? Não haveria. A menos que este episódio com o senhor Rubiales já tivesse acontecido, claro, porque a coerência é uma coisa bonita e obrigatória, se se quer ser feminista e justa.
Dir-me-ão: “Mas a dominância tem sido historicamente a do macho”. É por isso que toda a reivindicação e acusação da mulher é justa e atendível. É verdade a primeira parte e não sempre, inapelavelmente, a segunda. Aquele beijo foi assédio sexual? Claramente não. Foi abuso? Não necessariamente.
Dito isto, que fique claro: não considero aceitável que, no desporto ou em qualquer outra situação de convivência hierárquica, um superior ou uma superiora, ou um colega, já agora, se aproveitem da sua posição para abusarem, mesmo que levemente ou sob falsos pretextos, do corpo de pessoas com quem convivem profissionalmente, quer em troca de promoção (ou de paz no dia a dia para a pessoa abusada, vá) quer em troca de coisa nenhuma, como parece ser este o caso e muitos outros, só porque sim. Não é aceitável. Também não sou radical ou tontinha ao ponto de achar que uma mulher não tem meios para se defender de “avanços” não desejados (sem violência). Tem. Tal como um homem. Mas também não sou radical ou hipócrita ao ponto de achar que nenhum “avanço” é desejado. Muitos são e seria pena se não acontecessem. Repito que não estou a falar de actos violentos, como é óbvio. Mas terá sido aquele um acto violento, o do Rubiales? Irreflectido, sim. Violento, não.
O que se passou então? A própria atleta, que desvalorizou o sucedido num primeiro momento, optou por se juntar ao clamor geral, dada a reacção desafiadora de Rubiales e dadas as implicações que uma desvalorização daquele gesto tem no contexto de uma série de casos conhecidos de abusos no desporto. A tolerância passou a ser zero. Compreende-se. O próprio Rubiales devia ter compreendido e, no mínimo, pedir desculpa. Coisa que não fez, o que agravou a situação.
Enfim, se nada na vida e na conduta daquele senhor configura falta de respeito pelas mulheres atletas, não me parece que o homem mereça ser crucificado por aquele excesso, como pretendem muitas feministas. Mas o próprio podia tê-lo evitado se reconhecesse esse excesso, preferindo optar pela fuga em frente (uma vez mais, irreflectida), inventando consentimentos onde não os houve nem podia ter havido por falta de tempo ou condições. Fez mal. Possivelmente teria que abandonar o cargo fosse qual fosse a sua reacção às críticas. E isto, sim, é passível de discussão. Porque uma mulher ser sempre vítima (incluindo em situações calmas) é também um excesso e demasiado desprestigiante para a própria.
Estado da direita: pior é possível
Enquanto Marcelo Rebelo de Sousa foi um excelente profissional da política-espectáculo, conseguindo entreter gregos e troianos ao mesmo tempo que vendia as pirâmides aos egípcios, em Marques Mendes é tudo imprestável.
Artisticamente, o ex-porta-voz do Cavaquistão aparece invariavelmente intragável na sua pose de calhandreiro-mor do reino. Mas isso nem é o pior, tal como pior não é a sua rubrica ser um tempo de antena para uma raivosa chicana contra tudo o que cheire a PS. O pior é mesmo Marques Mendes ser um dos mais influentes caluniadores profissionais na indústria da dita.
Querer ir para Belém não surpreende. É o cargo ideal, de acordo com a recentíssima práxis, para os merdosos que só são valentes no monólogo da pilinha, aos domingos.





