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República dos procuradores

«Há, igualmente, linhas vermelhas que não aceito, nomeadamente, a alteração do Estatuto do Ministério Público em violação da Constituição e da sua autonomia e independência.»

Amadeu Guerra

Eis o incensado epígono de Joana Marques Vidal a anunciar que não aceita beliscões à “independência” do Ministério Público. Problemazito? O MP goza de autonomia mas não de independência. Independentes são os juízes, porque compete à sua função serem absolutamente imparciais (não são, claro, outra conversa). Os procuradores têm diferente função, a de serem parciais posto que procuram formular acusações. Isso dá-lhes o exclusivo poder de usar os instrumentos policiais mais invasivos e coercivos que o Estado possui. Permitir a independência deste corpo equivaleria a permitir os mais graves abusos de poder que se podem conceber em democracia (que, entretanto, vão acontecendo, outra conversa).

O valente Amadeu, na cara dos mais altos representantes do poder político, declarou que se está a marimbar para a Assembleia da República, para a Constituição, para as leis. Ele quer a autonomia e a independência. A faca e o queijo na mão. Quer tudo, o seu projecto é totalitário (mas, faça-se-lhe justiça, não está a ser original).

Secar as receitas da RTP devia ser motivo suficiente para derrubar este governo

Não é só o orçamento que está em causa na próxima votação. Está em causa a permanência deste governo por mais dois anos e meio, a bem dizer três. Seis meses antes e seis meses depois da eleição do Presidente da República o Parlamento não pode ser dissolvido e, a partir do meio do ano de 2026, entra-se na preparação do orçamento. Eis o que diz a lei:

“4. Nos termos do n.º 1 do artigo 172.º da CRP, o Presidente não pode dissolver o Parlamento: i) Nos seis meses posteriores à sua eleição e no último semestre do mandato presidencial;[…]

 

Aprovado este orçamento, não haverá motivo credível para o Presidente dissolver a Assembleia nos primeiros seis meses de 2025. Ora, as eleições presidenciais são em Janeiro de 2026. Assim sendo, não admira a hesitação dos partidos, sobretudo do PS, em tomar uma decisão. É que não se trata apenas do orçamento nem das duas medidas nele previstas que foram objecto de uma suposta negociação com o PS – a redução do IRC e o IRS jovem. Está em causa muito mais.

Já foi dito por muitos, e é verdade: devia ter-se esperado pela apresentação do orçamento e depois decidir o sentido de voto. Mas enfim, está feito, foi mal pensado, e daí o actual compasso de espera. Porém, o Governo tem estado a abrir o seu jogo e a dar involuntariamente argumentos e material precioso à oposição. Agora há mais elementos a ponderar para a decisão de deixar ou não cair o Governo (e este já disse que se recusa a governar por duodécimos em caso de chumbo do orçamento). Por exemplo: é inadmissível que se dê rédea solta ao alojamento local, quando a falta de casas para os portugueses e para quem cá vive é gritante e quando, por essa Europa fora, a política de habitação vai no sentido da imposição de restrições ao AL, quando não da sua proibição. Ainda no campo da habitação, a isenção de IMT para os jovens na compra de casa não está a fazer baixar os preços, pelo contrário, está a fazê-los subir. Um erro, portanto, e  uma benesse para alguns privilegiados apenas.

O IRS jovem é também outra medida errada, pois pode contribuir para reduzir os salários de entrada, o que deita por terra a intenção da medida, que era segurar os jovens no país, é discriminatória (com 35 é-se jovem, com 36 já não) e injusta – os jovens futebolistas milionários acabam abrangidos por este bolo, e não deviam.

Por fim, a RTP. Por que carga de água uma empresa que dá lucro e que cumpre bem a missão de serviço público (excepto nos telejornais, muito pouco imparciais e com pivôs escandalosamente de direita) tem de ser privada das receitas da publicidade e obrigada a reduzir o serviço em benefício dos canais privados? Esta medida é de um despudor sem limites. A SIC está numa situação financeira catastrófica, mas, como contribuiu, e muito, para levar o PSD ao poder, daí… o Governo ajuda, ou seja, paga os favores da campanha infernal contra António Costa. Inadmissível sob qualquer ponto de vista. Até o Morais Sarmento já se insurgiu contra este escândalo.

Acrescem ainda as conversações secretas com o André Ventura, apesar do “não é não” para inglês ver, e a fuga cobarde a explicações a que assistimos nos últimos dias. Como é, Montenegro?

Concluindo, este Governo tem seis meses mas é mau demais e o PS não deve ter receio de o expor: mentiu no seu programa, entrou em campanha eleitoral desde a primeira hora, distribuindo dinheiro por toda a gente e pondo em causa o equilíbrio das finanças públicas, sendo obrigado a baixar as previsões de crescimento, toma medidas totalmente erradas e, com a garantia de mais três anos de poder, estragará ainda muito mais. Travá-lo enquanto é tempo será um acto patriótico. Não o travar implica mais três anos de descalabro e incompetência. O Pedro Nuno é ou não capaz de ter coragem e de ser afirmativo e contundente, como parecia ser, sem cair no estilo Mariana Mortágua? Esta é a grande questão que gostava de ver esclarecida. (ver pergunta do Valupi, muito oportuna)

Ora, foda-se

«Pode haver quem tenha pena que, num almoço de hoje, num discreto lugar de Lisboa, não tivesse havido um gravador para recolher os testemunhos ali prestados pelos embaixadores portugueses que, nos meses que antecederam e que sucederam ao pedido de ajuda externa, estavam então colocados em três importantes capitais: Berlim, Paris e Londres. Por quase três horas, cruzámos episódios, conferimos versões e olhámos retrospetivamente o que Lisboa significou então para nós, como centro de instruções e de informação. E também o que não significou, as nossas angústias e a nossa solidão. Nessa conversa, solta e sem peias nem baias, falámos livremente da parte que a cada um competiu naquela história. E tudo por ali ficou.»


Fonte

Cheira a guerra e, por ironia do destino, só os israelitas podem ajudar a resolver

Em Israel, chegou a hora do tudo ou nada. Cercados, ou morrem ou vivem para sempre e em paz com os seus vizinhos. Deve ser isto que pensam neste momento.

Depois há a Rússia, a China, o Irão e a Coreia do Norte. Este quarteto tenebroso está de repente unido contra o “Ocidente”, que inclui também o Japão, a Coreia do Sul, a Austrália e claro… Israel. Tudo democracias liberais livres, por oposição à autocracia da Rússia, à ditadura da China, à espécie de monarquia infanto-comunista da Coreia do Norte e à teocracia do Irão. Fantasmas que sabíamos estarem lá, mas para atemorizar outros.

Neste momento, no entanto, todos eles ameaçam com uma guerra: a China ameaça directamente (e provoca) os Estados Unidos no sudeste asiático por causa de Taiwan e indirectamente todo o Ocidente ao apoiar – embora dissimuladamente – a Rússia contra a NATO, após a invasão da Ucrânia; a Coreia do Norte ameaça constantemente a Coreia do Sul e apoia com homens e armamento a Rússia no ataque à Ucrânia; a Rússia ameaça quase diariamente a Europa caso esta “ponha as botas” na Ucrânia e mesmo que não ponha, porque entende que pode invadir os vizinhos que quiser, sobretudo se ganhar à Ucrânia e se os Estados Unidos (com Trump, o amigo de Putin) nos retirar o apoio; o Irão dos ayatollahs, na impossibilidade de ameaçar directamente os Estados Unidos, ameaça islamizar a Europa, a potência (melhor, “os infiéis”) mais à mão e neste momento “inundada” de muçulmanos tão retrógrados como os mais obscurantistas islamistas, não integrados, e receptivos à adopção de aberrações como a Sharia nos países para onde emigraram, começando, o Irão, por cercar e bombardear Israel, um aliado americano e uma democracia livre de tipo ocidental (não digam, eu já sei: tem os seus próprios fundamentalistas alucinados e arrogantes. Para esses, o meu repúdio. Por mim, iriam para um centro de reabilitação cerebral multiconfessional).

De modos que, apesar de, na Europa, reinar a descontração e ninguém ter pensado na possibilidade de uma guerra real, a quente, a doer, e isto há muitas décadas, cada vez mais me parece inevitável um conflito sério, uma convulsão monumental, com epicentros na Ucrânia e em Israel. A tensão aumenta a cada dia. Dizem os líderes do eixo da morte que querem uma nova ordem mundial… Pois querem, mas nós não, cruzes! Uma ordem mundial ditada por eles? Por muitos defeitos que os Estados Unidos tenham, mil vezes a liberdade que lá existe e as regras que impõem (bom, pelo menos até hoje) do que a total opressão desses regimes.

O eixo da morte está, de facto, extremamente agressivo. Bombardeiam, ameaçam.

Vamos deixar morrer os ucranianos, entregar a Ucrânia à Rússia, encorajar o Putin e pandilha a recapturar de seguida os países do Pacto de Varsóvia ou acabará a NATO por intervir? Ou os ucranianos por desistir. Quereremos a Ucrânia, depois de arrasada, de novo governada pela oligarquia russa e seus fantoches, aqui mesmo à nossa porta? Queremos isso para nós, para a Lituânia, para a Polónia? Morreremos para que isso não aconteça? Sim, não haverá outra hipótese.

Vamos deixar que o Irão e a Rússia aniquilem Israel? Não vamos, e o assunto é sério. Por muitos Pedros Sanchez e universitários imbecis e ignorantes que vociferem contra a malvadez da IDF e enalteçam a bondade e a pureza dos palestinianos, as alternativas islamistas são mil vezes piores. O Hamas, o Hezbollah, o ISIS, a Irmandade Muçulmana, que dominam agora a Palestina, são duas mil vezes piores. Por alguma razão nenhum vizinho que queira ter sossego os quer lá. Deixar que Israel sucumba às mãos desses bárbaros será uma tragédia. Queremos voltar às cruzadas? Estamos à beira de entrar para uma espécie de filme de terror apocalíptico: existe a ameaça de virmos a ser aniquilados por monstros vindos de outra era, de outra idade. Monstros que usam os seus como escudos, matam, degolam, violam e torturam em nome de uma divindade, como há milénios. Acontece que com armas do século XXI, compradas aos infiéis, que as inventaram. E, para somar desgraça ao terror, há quem, entre nós, defenda os monstros e os considere umas vítimas.

E cá dentro? Vamos permitir que a rua muçulmana na Europa tome conta das políticas internas e sobretudo da nossa política internacional? Será bom que não aconteça. Vai haver luta, violência urbana. Aliás, já começa a haver. É olhar para Inglaterra, onde uns cantam o Rule Britannia enquanto outros gritam Jihad! nas ruas de Birmingham.

Como saímos da ameaça tenebrosa da Rússia e da ameaça de guerra com o islão, ao mesmo tempo que gerimos as nossas ruas?

Não sabemos, alguma coisa terá que ser feita, mas, como alguém já disse, seria mesmo um bem para a humanidade se os israelitas conseguissem dar cabo dos ayatollahs. Aposto neles. Torço por eles. Não resolveria tudo, pois haveria provavelmente uma retaliação russa e uma intervenção americana, mas que daria uma preciosa ajuda, daria. Por exemplo, para a pacificação de todo o Médio Oriente (a Arábia Saudita não quer guerras). E sobretudo se a população saísse à rua a festejar. Quero muito que isso aconteça.

Revolution through evolution

Should men and women eat different breakfasts to lose weight?
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To make children better fact-checkers, expose them to more misinformation — with oversight
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Commonly used arm positions can substantially overestimate blood pressure readings
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Positive expectations facilitate reward processing and negative expectations prime pain processing
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Manipulating dreams to improve mental health
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Do fungi recognize shapes?
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Why people think they’re right, even when they are wrong
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Dominguice

Dizer que a democracia é, logo etimologicamente, o sistema político que dá o poder soberano ao “povo” gera equívocos onde os néscios e os imbecis tropeçam. Para estes, o povo é o conjunto dos indivíduos que gostariam de estar a mandar nos outros, mas que, por funesto destino, limitam-se a ir votar, se é que votam. Assim se concebendo, os néscios e os imbecis têm excelentes razões para se queixarem da democracia. É que ela não lhes faz as vontades, é madrasta. São outros que mandam, os malandros dos “políticos”, gente malvada. Daí proclamarem que a “democracia” não existe. Se existisse, os néscios e os imbecis estariam a mandar nesta merda toda, ’tá bem de ver.

Solução? Começar a ensinar às crianças que “democracia” não é conceito que se traduza como “o poder do povo”. Porque o povo é bronco e voraz. A ideia dos gregos, os inventores da coisa, foi outra: a democracia consiste em ter comunidades que aceitam ser governadas por uma parte dessas comunidades. Percebido? O povo apenas se sabe governar a si próprio, e mal. Para cuidar dos interesses de todos, isso só em comunidade se resolve.

Afinal o Ventura saiu pelas traseiras ou não?

Uma hora de entrevista a André Ventura no NOW (das 22h00 às 23h00) e não sei a resposta à pergunta ali de cima. A jornalista está de parabéns, ufa!, e merece ir para casa descansar. Mas o que acontece quando há dois mentirosos e trafulhas de direita em disputa pelo poder?

Um espectáculo risível, mas degradante. À atenção do Marcelo.

Montenegro andou a negociar com o Ventura, mas não quis que se soubesse. Recentemente desqualificou e insultou o Chega em público, depois dos encontros negociais, pelos vistos da iniciativa do Montenegro, que não levaram a nada, porque o Ventura queria um acordo de governo para toda a legislatura e o Governo só queria que o orçamento passasse. Ao mesmo tempo, fingia que negociava com o PS (que estupidamente caiu na esparrela e levou tudo a sério) enquanto o PSD e a sua tropa de comentadores apelavam à responsabilidade deste partido na aprovação do orçamento.

Sabem o que vos digo? Vamos para eleições. Safa, que choldra.

Que cagada é esta?

«Depois de Luís Montenegro ter lançado Luís Marques Mendes para a sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa, também Pedro Nuno Santos foi questionado sobre o assunto, com o antigo ministro das Finanças e atual governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, à cabeça. O socialista entende que Centeno “seria um bom nome”, até pela relação de proximidade que criou com os portugueses.

Atirou para cima da mesa, ainda assim, outros nomes da “área socialista”. Primeiro, o de Augusto Santos Silva, que já esteve na rota de Belém, mas também o de António Vitorino ou Ana Gomes. A surpresa foi, no entanto, António José Seguro. O antigo secretário-geral do PS, há muito afastado da política, desde a cisão com António Costa, é visto por Pedro Nuno Santos como um bom candidato para o lugar de Marcelo Rebelo de Sousa.»


Fonte

Lapidar

«Apesar da complacência dos partidos políticos, com algumas exceções, e do aplauso do comentariado nacional (et pour cause...), MRS arrisca-se a ficar na nossa história política como um modelo do que não deve ser o mandato presidencial.»


Vital Moreira

Revolution through evolution

Move Over, Heartfelt Chats — It’s the Gift That Counts
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Reducing daily sitting may prevent back pain
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‘Who’s a good boy?’ Humans use dog-specific voices for better canine comprehension
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Are auditory magic tricks possible for a blind audience?
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Human or AI robot? Who is fairer on the service organizational frontline
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Neuroscience breakthrough: Entire brain of adult fruit fly mapped
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AI simulation gives people a glimpse of their potential future self
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A violência do Hamas deve-se à violência de Israel contra os palestinos, pareceu dizer Guterres há um ano

Pessoas que envergam com fervor o “kaffieh” no Ocidente por estes dias, olhemos para o Médio Oriente. Paquistão, Afeganistão, Irão, Iraque, Síria. Fiquemo-nos por aqui (e para não irmos até África). Não vivem nestes países palestinos cuja opressão justifique a violência. E, no entanto, são países com regimes violentos. Matar e morrer estão à distância de uma escaramuça, de uma infracção mínima às regras, de uma ofensa religiosa, de um interesse russo. Sacar de uma faca, de uma arma ou de uma bomba é muito fácil. Abusar das mulheres mais fácil ainda. Frequentemente carros explodem, manifestantes são alvejados ou levados para prisões onde são mortos. A esmagadora maioria da população (dizem-me que muito afável) vive silenciada e submissa. Não há por lá palestinos “roubados” e “acantonados” e, no entanto, a morte às mãos de um ou de outro grupo, ou dos governantes, é sempre um fim plausível a cada instante. São todos seguidores do islão e, no entanto, matam-se.

O regime do Irão elegeu como bode expiatório os judeus para justificar a violência também naquele sítio e exercer a sua vingança pela hostilidade com que é naturalmente tratado pelo Ocidente. Serve-se dos palestinos, uma comunidade com razões de queixa antigas e muitas vezes justas em relação aos judeus e com ressentimentos crescentes. Uma comunidade paralisada e receptiva a mensagens de ódio. Arma o Hezbollah no Líbano, arma o Hamas em Gaza, arma os Houtis no Iémen, arma a Irmandade Muçulmana em geral, cerca Israel. Objectivo: expulsar os judeus, um povo livre e “ocidentalizado”, uma democracia, que, segundo eles, não terá o direito de viver ali, e atingir assim os ocidentais seus aliados. Libertar os palestinos é altruísmo a mais para ser credível.

No entanto, tiremos de lá os judeus (reduza-se Telaviv a escombros, não haverá outra hipótese) e a violência não acabará. Porquê? Em primeiro lugar, porque continuará ainda a sobrar “O Ocidente”. Em segundo, porque existem facções rivais que se odeiam (Fatah, Hamas, Estado Islâmico, sunitas, xiitas, etc.). Em terceiro, porque, não havendo judeus naqueles países mencionados, a repressão e a violência são uma constante, ou seja, os problemas que existem noutras paragens não são os judeus nem desaparecerão após o extermínio dos judeus. Pelo contrário.

Pior: fartos de miséria e violência (e não particularmente na Palestina), muitos muçulmanos fogem para a Europa em busca de paz e bem-estar. Mas não todos. À boleia de gente à partida pacífica, vêm os alucinados fundamentalistas que, por programação cerebral desde tenra idade, acreditam que matar “infiéis” e islamizar todo o Ocidente é uma missão terrena e tudo farão para isso (muitos deles pagos, neste mundo, neste mundo), incluindo pela captação da simpatia e solidariedade da tal população pacífica ainda dificilmente integrada na sociedade para onde emigrou. E pelo terror (a que já estão habituados), como explosões em recintos de espectáculos. E é nisto que estamos, na exportação da violência, com a agravante de a eles se juntarem cidadãos ocidentais que se solidarizam com os que nos querem dominar. Em nome da Palestina! Não estão a ser parvos, os islamistas. Nada mesmo.

Os palestinos, se o quiserem muito (o que não é certo, como aconteceu aquando dos acordos de Oslo), até podem vir a ter o seu Estado, depois de devidamente expulsos (e bem) os colonos judeus da Cisjordânia (também tinham saído de Gaza). A questão é “para quê”. O Hamas já teve Gaza e o que fez? Construiu, desviando o dinheiro da ajuda internacional, toda uma infraestrutura subterrânea com vista a armar-se e a assassinar os vizinhos, sem a mínima preocupação com as consequências, sem o mínimo respeito pela vida da população que os elegeu. Será para isso que a Cisjordânia quer ser um Estado Palestino? Para dispor do seu próprio exército de extermínio? É legítimo perguntar. Há que esclarecer. É razoável duvidar.

Por tudo isto, esta guerra não se resolve enquanto as armas não se calarem, sim, mas de ambos os lados. Ambos. Não só do lado de Israel. E, das duas uma: ou o Estado de Israel é reconhecido pelos muçulmanos e se definem as suas fronteiras de vez, ou não é reconhecido e não haverá outro remédio que não seja manter a guerra intermitente e as mortes que acarreta, ou então destruir Israel com uma bomba atómica, matando igualmente palestinos, libaneses, sírios e jordanos. Estranhamente, não ouço os manifestantes de Londres, Paris, Berlim ou Nova Iorque de kaffieh a reclamarem o desarmamento de todos os beligerantes. Apenas o de Israel. O que me leva a concluir que, também eles, querem a destruição do Estado de Israel e a sua substituição por um Estado islâmico. Muito melhor, sem dúvida. Super tolerante e pacifista. Sem perceberem que, perante tanto humanismo e (visto pelos árabes) fraqueza, a seguir serão eles. Comidos de cebolada, caril e muita hortelã. Se forem homossexuais, com direito a suspensão em guindaste.

Pela minha parte, toda a minha solidariedade vai para os inúmeros iranianos, libaneses, sírios e outros, que festejam a cada golpe que é desferido nos respectivos regimes e seus braços armados, por Israel ou por seja quem for mais civilizado. Estou com eles.

Mas quem consegue ainda ouvir a Mariana Mortágua?

Começo por dizer que não sei se é de boa política baixar os impostos para as grandes empresas, independentemente do que investem, no que investem, de quem contratam ou dos salários dos seus funcionários.  Possivelmente para o país que temos não é.  Digo também que as grandes empresas devem, como todas, estar sempre debaixo de olho, não vão cometer abusos de posição dominante. Mas aumentar-lhes os impostos a doer, por castigo, devido ao seu peso económico, como gostaria uma certa esquerda que vive no Ocidente, como comunistas, bloquistas, LFI (ver as suas propostas em França) e quejandos, não é de todo um bom princípio e só revela saudosismo de economias estatais de má memória, desejo de caça aos ricos e amor por regimes autocráticos.

“As grandes empresas” são, para a Mariana, o exemplo máximo do que não deve existir. Mariana, se pudesse, acabava com as grandes empresas. Mariana tem raiva das grandes empresas. Mariana nunca terá uma grande empresa (nem pequena) nem privará com ninguém que tenha. Para Mariana, todos devíamos ser funcionários do Estado, o único gestor admissível. Para Mariana, os Estados Unidos deviam ter vergonha da Google, da Amazon, da Microsoft, da Oracle, da Walmart, causas de todos os males do mundo, e acabar com elas. A Gazprom talvez fosse uma empresa aceitável para a Mariana, mas nunca a BP, a Airbus, a Engie, a EDF ou a Renault. A Alibaba, a JingDong ou a Tencent podem estar prósperas e felizes na vida, para a Mariana, mas nunca a Sonae, a Mota-Engil ou o Grupo Melo, como se sabe empresas enormes e imortantíssimas quando comparadas com as anteriores.

Ao invés de querer que os portugueses tenham iniciativa empresarial e vontade e sabedoria para ganharem dimensão e dinheiro com isso, dentro da legalidade, claro, a Mariana quer que ninguém faça nada e que não tenha ambição nenhuma de grandeza, porque isso é “pecado” no código comunista e bloquista. Da próxima vez que ouvirem a Mariana referir as “grandes empresas” reparem no tom persecutório com que o faz. E fala-vos quem a ouve de passagem e não mais de dois minutos de tempos a tempos (hoje calhou). Como é que alguém consegue mais do que isso é a pergunta que aqui deixo.

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