Esta semana também ouvi no Tudo é Economia o Ricardo Pais Mamede a contrariar o impacto na sustentabilidade da Segurança Social que AC aflorou na entrevista – sim, infelizmente o termo também é este a propósito de uma proposta do BE – com o argumento de que o acréscimo de despesa fixa não era para sempre porque os pensionistas também morrem! É verdade! Pode custar a acreditar mas ainda é possível ouvir na box.
E a partir deste novo paradigma do fundo de pensões da Segurança Social já nem devia ser preciso perder tempo com a proposta do BE que pretendia continuar a eliminar – continuar, também ouviram bem, porque ainda começou as ser eliminado com Vieira da Silva num percurso em tudo idêntico ao aumento do ordenado mínimo – a dupla injustiça social introduzida primeiro pela Troika e depois pelo ir além da troika com o famoso factor de sustentabilidade quando as pensões ainda só estavam indexadas a uma idade fixa e não também à esperança de vida, como já acontece hoje. E como eu desteto que alguma força política, e seja de que área for, se outorgue ao direito de sentir mais as injustiças sociais. Sobretudo como forças de protesto demagógico sem responsabilidades governativas na oposição. Até o Coelho se queixava da austeridade dos PEC antes de subir ao poleiro. Lembram-se?
Acontece que o Ricardo Pais Mamede também escreve como muitos aqui devem saber no blogue “Ladrões de Bicicletas”. Já agora, se me permitem, um excelente blogue de discussão económica. Com alguns senões. Também só há pouco tempo é que começaram a reconhecer a chantagem interna sobre Sócrates no Parlamento nos idos de 2011. Isto é, a desfazer totalmente a teoria da bancarrota. Chantagem que o BE também caucionou.
Mas voltando ao RPM – que por norma também muito aprecio como economista – agora mais como conselheiro político no blogue em questão, onde esta semana também a propósito da entrevista de AC, lançou para cima da mesa os números muito sólidos do BE, segundo ele, porque ninguém os desmentiu. Ora, logo na discussão do OE na AR quando a JM disse que restavam 62 mil pensões afetadas entre 2014 e 2018 foi contrariada por AC com 625 mil. Basicamente o eleitorado do BE que começa a cheirar mais a clientela nestes termos. E como eu detesto que os eleitores não sejam sempre encarados com o máximo de dignidade possível. A sua dignidade. Portanto, e segundo AC, só neste período o BE fala basicamente só de 10%. A que ainda acresceria cerca de 10 % das actuais reformas. Mas agora não nos podemos esquecer que a despesa não é eterna porque os pensionistas também morrem…
Já RPM no blogue fala num impacto de 75 Milhões que, segundo ele, também nunca foi desmentido. Ao que questionei com um acréscimo anual na ordem dos 200 Milhões, que tinha lido no Jornal de Negócios e, segundo o Jornal, contas do próprio BE. Para discutir de economista como economista, sem qualquer outra intenção. E continuo a pensar que este tema deve ser mais esclarecido. Infelizmente, no blogue todos os meus comentários foram censurados. E daqui a minha enorme surpresa, para não dizer enorme desilusão, que também expresso aqui. Já agora, acrescento que nunca comento no blogue e nem faço a mínima ideia se é o RPM que controla os seus próprios comentários ou se ainda haverá mesmo algum censor oficial. Mas se não é devia ser, e também não o tenciono esclarecer. Já sobre a proposta, como é demasiado técnica, não tenciono maçar mais ninguém aqui.
Já sobre a proposta de aumento do ordenado mínimo, totalmente fora do OE, num percurso de aumento do ordenado mínimo e o chumbo surgir logo no ano do maior aumento da história do ordenado mínimo, como já tinha escrito aqui aliás, exclui logo a necessidade de grandes análises. Este OE não foi chumbado por nenhum número nele inserido. Nem sequer por qualquer questão orçamental. Satisfeitos estes dois cavalos de batalha surgiriam outros. Há dois anos que o BE quer um novo acordo escrito. O problema é que logo em 2019 exigiu propostas que nenhum Governo aceitaria em 2109. E depois é muito fácil dizer que foi o PS que não quis o acordo. E o PCP – que não quer mesmo acordos escritos – politicamente também decidiu que era melhor retirar o apoio ao governo agora. Deixemo-nos também nós próprios de tentar procurar respostas onde elas não existem. Deixemos nós próprios de ser crianças como eles.
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