Marcelo tem alergia ao xadrez, ele curte é o poker

A comunicação presidencial onde se anunciou a data das eleições legislativas é uma confissão de incompetência política. Ao ir buscar o seu próprio exemplo – “como líder partidário, tinha viabilizado três Orçamentos de que, em larga medida, discordava, só porque era um momento especialmente importante para Portugal” – a única interpretação possível é a de estar a culpar o BE e o PCP pela crise. Porém, ao fazer essa acusação após o facto consumado, tal só consegue expor a sua própria irresponsabilidade como co-autor desta absurda crise. Porque o momento para fazer esse eventual confronto apenas teria sido potencialmente eficaz caso tivesse ocorrido sem qualquer referência prévia a eleições antecipadas e tendo esperado com espírito democrático pelo desfecho das negociações. Nesse universo paralelo, onde o interesse nacional era farol e estrela, Marcelo poderia até sair com a sua autoridade reforçada caso conseguisse levar o PCP a aceitar renegociar o Orçamento após um chumbo do mesmo ter ocorrido. De igual modo, o PCP talvez aceitasse viabilizar um segundo Orçamento tendo como caução e prémio o apelo patriótico do Presidente da República.

Passou-se tudo ao contrário. Ao ter lançado a ameaça de dissolução do Parlamento ainda as primeiras negociações decorriam, Marcelo provocou o efeito contrário do que aparentemente pretendia evitar: tornou mais provável que o PCP temesse que a sua aprovação fosse vista como manifestação de cobardia perante a ameaça das eleições, perante o que sem disfarce aparecia como abuso institucional. Resultado: caímos numa tempestade perfeita de estupidez política – com o altíssimo patrocínio de um ilustre bufão que não passa de uma fraude como estadista.

22 thoughts on “Marcelo tem alergia ao xadrez, ele curte é o poker”

  1. Interpretação algo ou até muito forçada, segundo me parece. Então não foram mesmo o PCP e o BE os responsáveis principais pela crise? Não sabiam eles, não foram eles avisados, do que aconteceria se chumbassem o orçamento? E agora culpam o primeiro ministro dizendo que ele só pensava era na maioria absoluta. Mas ele até logo declarou que não se demitia o que provocaria a dissolução da Assembleia. Se o PCP e o BE forem penalizados nas eleições a culpa é só deles., e, claro, o presidente apelou a isso. Olha que novidade!

  2. Claro, Manojas.

    E quem enfia na perfeição a carapuça das críticas do Presidente da República é antes Rui Rio e o PSD, sim, muitíssimo mais do que o BE e a CDU!!!

    Pois então Marcelo Rebelo de Sousa quando viabilizou os Orçamentos de Ant.º Guterres não era do PSD? E não era o líder da Oposição??

    Por que raio ninguém evidencia isto nos mérdia???

  3. A incompetência de Marcelo está na sua incapacidade de convencer o PCP?
    Essa agora!

    Se a estupidez fosse música!

  4. Manojas, claro que os principais responsáveis pela crise são o BE e o PCP. Mas também o Marcelo. E, dada a sua singular posição na hierarquia do Estado, registo a sua hipocrisia e cinismo ao vir lavar as mãos depois de ter despejado um camião de merda na situação.

  5. O tal ( o que não se pode mencionar neste blog) e o presidente (que o tal apoiou, não esquecer) decidem fazer pressão sobre dois partidos no sentido de aprovar o orçamento. A pressão, não surtiu efeito, mas os tais dois partidos nunca se puseram fora de uma renegociação futura, alias foi isso mesmo que disseram, não queriam eleições. É só ler:
    https://zap.aeiou.pt/governo-eleicoes-pcp-be-441325

    Claro que cabia ao tal e ao partido do tal convencer o presidente que havia uma hipótese de renegociação. Porque não aconteceu? Ora porque o presidente e o tal sabiam, porque estavam de acordo, que essa hipótese nunca esteve nas suas cogitações. Ou o q pensam que o tal e o presidente falam quando comem cozido às 5as f. ?

    O facto de o presidente se julgar a medida na tomada de decisões de interesse nacional torna-o inepto para o cargo que desempenha.
    Ex presidente de uma fundação monárquica eis o que disse na altura:
    https://www.publico.pt/2012/03/13/jornal/se-quiser-ser-presidente-marcelo-nao-podera-ficar-na-casa-de-braganca-24171501

    Portanto, amanhã diz outra coisa qualquer, não fosse o decano do comentário, cargo que acumula com a presidência da república.

  6. Então Presidente não é aquele que o povo elege?
    Seja ele quem for?
    Mesmo que ele próprio nem queira?
    Não é o povo quem mais ordena?

  7. Como era expectável. Depois da lista dos disparates veio a lista das justificações dos disparates no dia em que só tinha que anunciar a dissolução e a data das novas eleições. E não estou com isto a dizer que o resultado não fosse sempre este e que mais uma vez alguns recados públicos que ficam mal a qualquer PR não façam sentido ou que não denotou uma preocupação genuína em evitar o chumbo do OE. E foi aí que começou o disparate em interferir no que não lhe dizia respeito nem era o tempo do PR mas da AR! Não se evitam crises políticas com anúncios públicos de crises políticas! Para não lhe chamar outra coisa.

  8. Maior cinismo que o prevalecente no Aspirina não há! Estou para ver se chegará o dia em que os participantes neste blog prestarão contas das suas obediências maçónicas. Que declarem qual a Loja a que juraram fidelidade, qual o Grão-Mestre a que devem obediência! Nesse dia, porventura, começarão a dissipar-se os ares empestados de secretismo maçónico e as falácias aqui produzidas cairão por terra, expostas à luz impiedosa da Verdade!

  9. Anda meio mundo em negação! O PC reconheceu uma série de avanços durante as negociações mas continuou a impor o aumento do salário mínimo para 800 Eur um 2022. Isto é um aumento de mais de 20%, claramente incomportável para muitas empresas e em especial no sector social. O BE vinha com a história do factor de sustentabilidade precisamente no momento em que os problemas de sustentabilidade do sistema de pensões voltam à agenda com o agravamento do desequilíbrio demográfico. A rejeição do orçamento vai significar com elevada probabilidade a vitória do PSD de Paulo Rangel e da corrente neoliberal do PSD. Ora o objectivo do PC e BE é precisamente ter novo este PSD neoliberal de volta ao poder para legitimat a retórica vazia da “luta contra o governo de direita”, a “opressão do grande capital”. Os trabalhadores vão obviamente ficar pior, mas que importância isso tem quando o que conta são as promessas vãs de longínquos amanhãs que cantam

  10. Respeito democraticamente todos os comentários aqui proferidos sobre a crise actual, embora discorde, e muito, de alguns deles. Desejaria e desejo, é que alguém me explicasse, clara e seriamente, quais os motivos e as razões que levaram o PCP e o BE, juntando-se a todos os partidos da direita, a provocarem, pela segunda vez, a queda de um governo do PS, da esquerda como eles, embora eles não o considerem, com as consequências conhecidas do primeiro chumbo, o do PEC4, e as de agora, a do chumbo do orçamento. que vamos conhecer e sofrer. Todas as justificações até agora produzidas só convencem quem quer, facciosamente, ser convencido. E, atenção, sou de esquerda, mas independente.

  11. “Anda meio mundo em negação!”

    Mais vale uma verdade incompleta que uma mentira completa. Que toda a gente no Aspirina anda em negação salta à vista dos que queiram ver. Neste caso, ver o elefante na sala: a filiação maçónica da esmagadora maioria dos comentadores aqui intervenientes . É hora de gritar BASTA!!!

  12. Ó “Português”
    Não te estiques assim tanto porque vêem-se as tuas fundações. E também não faças arrastões porque, se há por aqui maçónicos, eu não sou um deles e tão pouco me importa que por aqui circulem, têm o mesmo direito que eu. Quanto a ti, se não gostas do Blogue, o que vens cá fazer? tens sempre bom remédio é saíres por onde entras-te.

  13. Quanto à substância dos realmentes e dos finalmentes, não estou minimamente preocupeidado em discutir quem tem metade da culpa, ou um quarto, ou a culpa toda. Estou é ansioso para que 30 de Janeiro chegue depressa, para lhes enfiar pela goela abaixo e pelo cu acima o que penso deles e da bela merda que fizeram.

  14. Não ligues, Corvo, o gajo está domiciliado no Júlio de Matos. Houve por lá outro doido que lhe saltou para a cueca enquanto dava vivas alternados ao Grande Oriente e ao Grande Ocidente e o caramelo gripou a cambota de vez, já nem a “precárias” tem direito.

  15. As víboras maçónicas reagem, peçonhentas, vomitando o seu fel. Certa víbora destaca-se, porque gosta de escancarar a bocarra e arreganhar os dentes. Consoante a época do ano, morde o pó da terra seca ou chafurda na lama imunda. E é vê-la, regalada, convencida de que a falta de coluna vertebral a vai salvar do seu inevitável destino: ser esmagada por uma bota.

  16. Se o Manojas me permite ao dia de hoje já nem sequer estamos a discutir o chumbo do OE e não podia concordar mais com o remake de 2011, que mandou inclusive Louçã para casa. Que depois de chumbar o PEC IV não esteve para assumir a responsabilidade desse chumbo como reunir com a Troika. E isto só tem um nome: infantilidade pura e simples que nunca deixou de ser uma das principais características do sectarismo a par com a casmurrice que vem das palas. Por mais que o custe afirmar sobre uma mente que também consegue ser brilhante e sei do que falo e por mais que eu também não concordasse com a austeridade dos PEC. Mas a reacção da UE e nomeadamente do BCE à época – que podia ter resolvido a falta de liquidez da banca num ápice – foi a que foi e quem governa tem que colocar o interesse nacional acima de tudo. E o mesmo deviam pensar todos os representantes dos portugueses na Casa da Democracia.

    E hoje voltamos realmente ao mesmo filme. A bem da verdade ao 1º chumbo de um OE da Democracia que origina uma dissolução da AR num tempo muito complicado para o país. Que já é o que estamos a discutir hoje num tempo político diferente, o tempo do PR. Ao contrário do chumbo do 1º OE em 1978 de um Governo de Iniciativa Presidencial com Portugal sob resgate do FMI, a cumprir um programa de austeridade, que originou um 2º OE. Ainda no tempo da AR. E logo na generalidade, o que diz bem como ninguém deu sequer tempo a este OE. Logo a começar pelo PR que 24 h depois da sua entrega na AR, decidiu intervir num tempo que não era o seu para largar a ameaça da bomba atómica. Num estilo muito de Guerra Fria em Portugal?! O BE, que já tinha chumbado o OE anterior também nem precisou de ver este, já que anunciou o chumbo pouco mais de 24 Horas depois da sua entrega na AR. E o PCP e o PS ainda fizeram de conta que andaram a discutir a proposta do OE. Posto que o PCP também decidiu chumbar o OE logo na generalidade. Um documento que é bom lembrar também carece de aprovação de Bruxelas.

    E nem vale a pena entrar pelas medidas fora do perímetro do OE. BE e PCP, que por norma estão-se nas tintas para a UE, decidiram chumbar este OE por puro tacticismo político. Tacticismo que pode escancarar as portas a tudo o que se orgulham de ter revertido nos últimos anos?! O que originaria no mínimo uma década completamente perdida deste 2011. E é esta a maturidade democrática que todos devíamos exigir ao Parlamento 50 anos depois da Revolução? E agora o que menos interessa ouvir são as justificações ou os alibis de cada partido. Como nunca saberemos o impacto da ameaça pública absurda de Marcelo num tempo que era só dos partidos na AR. Mesmo que também continue convencido que nem PR nem Governo quiseram algum dia o chumbo do OE. E mesmo admitindo que o PR já tivesse informações sobre esse perigo. Até dado a data em que decidiu lançar a bomba atómica ainda antes da discussão do OE na AR. Não se travam crises políticas com prenúncios públicos de crises políticas! Que até pode ter sido encarada por algumas forças políticas como chantagem pura e dura numa fase em que a última coisa que precisávamos era agudizar desentendimentos como o próprio PR diz para bem do país. Mas sim aproximar mais as partes.

    Não obstante teorias para todos os gostos que valem tanto como as justificações. E mesmo que mais uma vez até concorde com duas das medidas fora do perímetro do OE mais apontadas nos media para o alegado chumbo. O fim da caducidade da negociação coletiva que trava inclusive melhores ordenados médios e o fim da dupla injustiça social que o fator de sustentabilidade da segurança social do tempo do Coelho introduziu para alguns pensionistas. Cada vez menos mas infelizmente os números ainda diferem e de que maneira entre BE e Governo. Que é quem tem os dados oficiais e o único a quem devem ser assacadas responsabilidades sobre a diferença que não permite esclarecer os portugueses. De qualquer forma e por mais justas nenhuma destas medidas justifica abrir as portas a uma direita que todos sabemos como as agravaria muito mais. Já sobre o aumento absurdo do ordenado mínimo por parte do PCP tenho as maiores reservas. E o maior aumento da história do ordenado mínimo num percurso em que tem sido aumentado todos os anos cala todas as críticas. As palavras ainda têm que querer dizer alguma coisa! Até em contraponto com outros salários congelados há uma década. Mesmo que também considere que os baixos salários são mesmo um dos principais problemas da nossa economia e pelos patrões o ordenado mínimo nunca tinha saído sequer dos 500 euros.

    Mas o que estamos a discutir hoje já é a dissolução do Parlamento e até a data das novas eleições! E desde as sondagens de sexta-feira também já não interessa tanto a opinião de cada um sobre essa dissolução ou até a chamada de atenção dos constitucionalistas para outros caminhos. Agora sim, num tempo que já era claramente do PR. Mas nenhum PR pode dissolver o Parlamento sem a isso estar obrigado sem alternativa de Governo. Ainda ontem escrevi noutro fórum que: “em Portugal chama-se bomba atómica a um poder presidencial que em média foi usado quase duas vezes por cada PR. Tanto quantas bombas atómicas no mundo inteiro. Eanes até três. Se bem que a última já devia ser imputada à Múmia que depois de ir rodar o carro à Figueira da Foz chegou a Lisboa cheio de vontade de mandar abaixo o famoso bloco central em pleno funcionamento. Até porque já tinha deixado a conta do 2º resgate para pagar como MF da AD. Se calhar deviam começar a chamar-lhe outra coisa qualquer. Tipo aqueles misseis teleguiados que Israel lança frequentemente sobre a Faixa de Gaza sempre que as coisas aquecem na Palestina. E Marcelo, até pelas últimas sondagem, também não está livre de ainda vir a pagar a fatura desta. Num país e numa fase do país que precisávamos todos de muito mais estabilidade política.

    Porque já é disto que estamos a falar hoje. Na medida em que nos arriscamos a perder agora 3 meses para depois de 30 de Janeiro voltarmos ao mesmo e perdermos mais três antes de termos um novo OE. Em todas as Democracias mais maduras da Europa, porque julgo que também é de falta de maturidade democrática que estamos a falar – de todos os lados – os Governos não caem por chumbos de OE. Também é verdade que não se empossam Governos sem apoios muito mais esclarecidos. Negociações que chegam a durar meses como vemos agora na Alemanha. E não estou a falar de nenhum papel simbólico. O Governo devia estar obrigado a tentar negociar com o Parlamento até conseguir aprovar o OE. Aliás, é o próprio PM que se farta de dizer que foram os portugueses que disseram que queriam a continuação da Geringonça em 2019. E como o PM não se demitiu era essa vontade que devia continuar a ser respeitada! Até porque este Governo tinha já uma etapa pela frente fundamental para o desenvolvimento do pais. E falo da execução do PRR como podia falar da gestão da pandemia, longe de estar finalizada.

    E acontecem muitas coisas no país e no Mundo em 3 meses. Até factores externos como um recente acordo em Espanha ou as sondagens que saíram na sexta-feira em Portugal acabam por influenciar as dinâmicas políticas do país. Isto tudo para voltar a dizer que o pantomineiro de Belém errou quando entrou em campo no tempo dos partidos na AR para prometer uma crise política condicionando toda a discussão à volta do OE. E voltou a errar quando decidiu cumprir essa promessa e dissolver o Parlamento, já no seu tempo é certo mas sem nunca vislumbrar uma alternativa democrática de Governo. O que já podemos afirmar hoje com mais certeza. Portanto esta crise política no limite não tem só um pai e uma mãe! Muito embora volte a realçar a diferença entre chumbar um OE e dissolver a AR. Nem os protagonistas são os mesmos.

    E isto tudo porquê? Porque o PR estava muito preocupado com o surgimento de mais uma crise política a somar às já existentes como dizem a maiorias dos portugueses ou porque quase dois anos de pandemia foram muito tenebrosos para o protagonismo que todos sabemos que Marcelo também não dispensa? De modo que não podia continuar o resto do mandato em pulgas a ir ao Multibanco com a sua ajudante de campo para aparecer em horário nobre nas televisões…E a CRP não podia ser mais clara sobre os tempos do Parlamento e os tempos do PR! Até como constitucionalista bastava-lhe acatar a Constituição e falar só quando é estritamente necessário e no seu tempo em matéria de política partidária! Claro que tanto o Governo como os dois partidos à esquerda que sustentam esta Governação há 6 anos, como vontade expressa dos portugueses nas urnas, tinham a obrigação de perceber o que é melhor para o país a cada momento. O que eu não duvido que vai acabar por acontecer e era perfeitamente possível que ainda viesse a acontecer nesta legislatura. E confesso que a quente também fui dos que cheguei a pensar que só enviando o OE para a Soeiro Pereira Gomes. Mas porventura até bastariam estas sondagens que os condenam mesmo a esse entendimento. E quando uma sondagem é mais importante para garantir o regular funcionamento das instituições democráticas que o PR a única conclusão possível é que o Rei vai nu.

  17. Se me derem mais trela, vou continuar aqui a vomitar o meu fel peçonhento de cobarde de merda impotente.

    Só quero é que me enfiem uma foice pela boca abaixo e um martelo bem grosso pelo cu acima.

  18. Já há uma víbora cobarde, que usurpa o nome alheio, para largar o veneno desprezível. Roubando o nome de Português, o verme anónimo que escreveu o comentário das 12:59 faz o que melhor sabe: tomar os seus desejos por realidade, acabando por chafurdar no seu próprio vómito. Como é evidente, será esmagada.

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