Começa a semana com isto

Para além do crucial repto para se introduzir nos diagnósticos e terapêuticas da Psicologia os elementos sociológicos e económicos, o “contexto” muito para lá dos relacionamentos de proximidade, Isaac Prilleltensky deixa-nos uma passagem inspiradora acerca do “Liberté, Egalité, Fraternité” da Revolução Francesa. O que diz tem a beleza da simplicidade e ilumina a deslumbrante actualidade da trilogia para quem esteja apaixonado pela Cidade. Excesso de “liberdade” leva ao individualismo rapace e alienado. Excesso de “igualdade” leva à tirania opressora e alienante. A solução dialéctica é a “fraternidade”, o mais esquecido dos valores, dos filões, da democracia liberal e constitucional.

5 thoughts on “Começa a semana com isto”

  1. Sem dúvida características mais que evidentes numa sociedade cada vez mais egoísta e menos tolerante. E indo diretamente às causas, o excesso ou o exagero são mesmo palavras-chaves para explicar o nosso mundo hoje. Como toda a época feudal, por exemplo. Porque é preciso nunca perder de vista o que falhou realmente numa Revolução Francesa que ainda celebramos hoje. Sobretudo os seus valores. Igualdade, liberdade e Fraternidade. Porque na realidade pretendeu-se cortar a cabeça ao absolutismo quando 1% da população, a aristocracia com todos o seus exageros – lá está – detinha toda a riqueza num mundo sem qualquer mobilidade social e mais não resultou que um déspota como Napoleão! Substitui-se pois um Rei por um Imperador e a população continuou a viver na mesmíssima porca miséria!

    E o que faltou foi erigir o estado social europeu que a população francesa já reclamava através dos três valores da Revolução. Como o conheceríamos muito mais tarde. O pináculo da nossa civilização em termos de organização. Como nos organizamos enquanto comunidade que através da mobilidade social permite que todos concretizemos os mesmos sonhos. Faltou portanto um processo político capaz de erigir no fim do Séc. XVIII o que só conheceríamos no Séc. XX. Onde é bom lembrar que ainda entramos com 1 % da população a deter 70% da riqueza mundial. Um problema que a Revolução Industrial não só não resolveu com um aumento brutal de produtividade como até agudizou com o capital mais móvel que as terras. Lembra alguma coisa? Já é mais ou menos a mesma quantidade de território que os 1% mais ricos detêm hoje no mundo. E quanto à acumulação de capital 1% da população global já detém hoje a mesma riqueza dos 99% restantes. Mais de 80% da riqueza criada no mundo em 2017 foi parar às mãos dos mais ricos que representam 1 % da população mundial segundo um relatório da Oxfam.

    Isto tudo para chegar a como tão mal tratado tem sido o pináculo da nossa civilização até no seu continente berço. Eu diria no mínimo nos últimos 30 anos em contraponto com os 30 gloriosos anos da Europa pós II Guerra. Muito em resposta a todos os sacrifícios pedidos às populações durante a Guerra. E para chegar a um ponto talvez ainda mais fundamental. Daqui a um par de séculos talvez a História passe a considerar mais todas as conquistas estruturais do Maio de 68 que a Revolução Francesa! Que começa como uma revolta estudantil que rapidamente agrega operários e o resto da população. Rastilho que é bom lembrar já tinha sido aceso por estudantes do outro lado do Atlântico, nomeadamente em Berkeley na Califórnia. Precisamente na terra do neoliberalismo e da ganância dos mercados de capitas que ainda há pouco tempo originaram o que originaram também em Portugal. Revoltas estudantis que levariam ao fim da guerra do Vietname assim como a uma série de conquistas que ainda vivenciamos hoje. Falo de todas as conquistas destes movimentos estudantis num e noutro lado do Atlântico e que se espalharam rapidamente pelo mundo. De verdadeiros direitos sociais e laborais aos direitos civis e da população negra às mulheres. Falo claramente de verdadeiras conquistas dos valores da Revolução Francesa que infelizmente a Revolução Francesa nunca conseguiu mais que enunciar. Liberdade, igualdade e fraternidade

    Que tal como o texto chama atenção e muito bem, precisam hoje de alguma atenção porque voltamos a viver numa era de grandes exageros. Do próprio capitalismo completamente desregulado, com bancos e multinacionais com dimensões para lá de muitas nações impossíveis de regular e as big techs são só um exemplo de um poder muito perigoso que também tem a ver com a sua escala. A factos mais fáceis de entender como um consumismo selvagem que se verifica em bens tão simples como o tamanho dos pacotes de babatas fritas XXL nas novas catedrais de consumo. Que veríamos no mínimo como ridículo ainda há muito pouco tempo.

    Sistema que além de potenciar uma acumulação de riqueza só visto na era feudal também conduziu o Mundo à sua maior ameaça, as alterações climáticas. Edgar Morin sempre acreditou que as revoluções estudantis que transformaram e moldaram muito do nosso mundo haveriam de voltar um dia. Eu arrisco dizer que até podem já estar aí mobilizadas precisamente pela defesa do planeta. E nesta matéria também mais do que pensar nas grandes indústrias poluidoras que conduziram ao aquecimento global prefiro lembrar-me de algo tão simples como qualquer adulto em Portugal ainda há pouco tempo chegava a passar mais de 10 invernios com um sobretudo e uma gabardine. E um carro chegava a durar mais de vinte. E ninguém era menos feliz por não ter que andar a trocar de carro e telemóvel todos os anos só porque a ganância das grandes multinacionais assim o dita sem qualquer lógica de produção.

    Claro que se consumimos todos 4 x mais multiplicado por quase toda a população mundial que também não para de crescer tinha que haver algum impacto insustentável no mundo. E quando o simples acto da compra passou a ser identificado por muitas pessoas como o acto de maior prazer deviam ter tocado logo todas as campainhas de aviso sobre o modo irracional de vida em que tínhamos acabado de entrar. E é por isto que continuo a pensar que o simples bom senso tem que fazer parte da solução de muitos dos grandes problemas que afetam o mundo hoje. E nem podia ser de outra maneira quando identificamos muito facilmente os excessos como um deles. Tanto a nível social como a nível material. As big techs também já exercem hoje um poder sobre toda a população mundial com que Orwell nem sonhou num espaço muito mais restrito como no seu 1984.

  2. o P quando fala dos muito poucos que se apropriam do trabalho do resto do mundo , identificou muito bem o problema , só é pena não podermos nomear os bois pelo nome porque conseguiram que fosse proibido…enquanto os valores que imperarem forem os derivados da ganância ( lucro , negócio , monopólios, juros , usura , etc) esqueçam , a Terra será sempre um inferno.

  3. portanto , o senhor do vídeo , que fale para a sua tribo , que são precisamente , a raiz do problema. só faltava outro marxs , a projectar no resto do mundo a exploração praticada pelos da sua mesma ” família”. e dividiu o mundo em dois e ainda não o consertamos.

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