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Aquela mulher que o criminoso odeia

Para lá das manifestações de imperialismo czarista (a invasão da Ucrânia alegando não ter direito a ser um pais soberano), e das manifestações de cobardia e desvario psíquico (o massacre de civis e a ameaça de guerra nuclear contra a NATO por causa de palavras), Putin está igualmente a manifestar ser uma fraude militar e, para o ramalhete ficar completo, um palhaço diplomático. Isto porque se lembrou de incluir na lista de contra-sanções Hillary Clinton.

Trump não é sancionado pelos russos mas quem deixou de ter qualquer cargo na Administração dos EUA há mais de 9 anos é. A estupidez não chega a dar vontade de rir porque de imediato nos transportamos para o papel subversivo da Rússia no apoio à eleição de Trump. Pelos vistos, continua a odiar aquela mulher – agora, apenas por ser aquela mulher.

Revolution through evolution

Nostalgia can relieve pain
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Sharing memories sets children on path to better well-being
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Communities with higher levels of racial prejudice have worse health outcomes
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First Recording of Dying Brain Shows Memory, Meditation Patterns
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The human brain would rather look at nature than city streets
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Even just a few more steps a day benefits cognitive function
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Pig grunts reveal their emotions
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Dominguice

O poder de abstracção é uma faca, metáfora etimologicamente perfeita. Pode ser usado para salvar vidas e criar culturas. Pode ser usado para acabar com vidas e extinguir civilizações. A abstração dá-nos a palavra, o número, o conceito. E tira-nos o lugar, o tempo, o corpo.

Usa a abstração para fatiar o casqueiro, abrir melancias e desenhar corações em paredes caiadas. Não uses a abstracção para fazer mal aos outros ou a ti próprio.

Está lá? Quem fala?

«Macron e Scholz falaram por telefone com Putin horas antes de a União Europeia (UE) se reunir em cimeira no Palácio de Versalhes, em França, país que preside atualmente ao Conselho da UE.

"Macron e Scholz insistiram que qualquer solução para esta crise deve vir através de negociações entre a Ucrânia e a Rússia", disse a fonte do Governo alemão, citada pela agência francesa AFP.

Durante a reunião, a França e a Alemanha "exigiram da Rússia um cessar-fogo imediato".

Os três líderes concordaram em permanecer em estreito contacto nos próximos dias.»

Fonte

🤹

Esta conversa telefónica ocorreu há poucos dias. Uma de tantas entre os mesmos protagonistas, especialmente Macron e Putin. E de imediato a notícia transporta-nos para as semanas que antecederam a invasão, em que Macron e Scholz chegaram a ir a Moscovo para a fotografia. Porquê e para quê esses números? Que ocorre numa mesa hipertrofiada, usada para o que poderia ser uma cena de um filme cómico, que não pudesse ser tratado no secretismo das relações entre duas diplomacias? E como interpretar os rituais das mentiras repetidas à exaustão, os quais preenchem a quase totalidade da comunicação oficial a respeito do que os Governos dos diferentes países transmitem uns aos outros? Que cagada é esta de se dizer que os “três líderes concordaram em permanecer em estreito contacto nos próximos dias“, como se fossem três amigos a planearem umas férias juntos?

Vista pela incontornável encenação mediática, a qual alimenta o charivari da turbamulta a respeito, a invasão e destruição da Ucrânia é um constante espectáculo emocional onde as vítimas e o horror da guerra são usados para captar e manter audiências. É esse o único papel das imagens dos bombardeamentos, das entrevistas aos civis e dos comentários dos espertos. Mas assim como um juiz tem de resistir à química dos afectos se pretender decidir com isenção, e assim como um cirurgião tem de aumentar a sua capacidade de concentração e autodomínio ao aumentar o risco da cirurgia a fazer, assim na diplomacia está sempre em causa o triunfo da racionalidade sobre a pulsão da morte. A diplomacia é intrinsecamente optimista, trabalha com cenários de sobrevivência, continuidade, desenvolvimento.

Donde, não fazemos a menor ideia do que ocorre nas interacções entre as potências mundiais, e menor ideia fazemos em período de uma guerra com o potencial para originar um conflito mundial ou um apocalipse nuclear. Ter essa noção ajuda a concentrarmo-nos no essencial: aquilo que nos aparece como mal maior jamais deve ser relativizado, justificado e, portanto, defendido.

Made in China

É consensual que só a China pode obrigar Putin a parar a invasão da Ucrânia, tal como só a China a poderia ter evitado. Pelo contrário, o que vimos e vemos é uma aliança entre Rússia e China, sendo credíveis as notícias de que a invasão foi adiada para 24 de Fevereiro a pedido das autoridades chinesas que não queriam perturbar os seus Jogos Olímpicos de Inverno com massacres de civis na Europa.

A China não vai poder limpar as mãos dos crimes que estão a ser cometidos também por causa da sua cumplicidade com o criminoso.

Fósseis e renováveis

Nada como ter Putin a invadir um país europeu onde já estava como invasor, e a bombardear civis como profilaxia antiNATO, para descontrairmos um bocadinho da pandemia e nos esquecermos do apocalipse climático a caminho. Mas a inversa é igualmente actual, a invasão e destruição da Ucrânia criar uma horrenda oportunidade de acelerar ao máximo a transição dos combustíveis fósseis para as energias renováveis. E a União Europeia, com as suas instituições democráticas, científicas e políticas de vanguarda, pode liderar esse inevitável processo de mudança de paradigma energético – o qual arrasta uma mudança profunda na economia mundial.

Mudar de fontes de energia para mudar a economia para mudar a política. Especialmente, a política a que estão sujeitos os habitantes dos países que dependem das exportações dos combustíveis fósseis, em muitos casos ditaduras. Não é com fósseis imperialistas como Putin que iremos resolver o maior desafio das próximas gerações, é com vulgares democratas, livres e renováveis.

Revolution through evolution

Physical fitness linked to lower risk of Alzheimer’s disease
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Resistance exercise may be superior to aerobic exercise for getting better ZZZs
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Meta-analysis of 15 studies reports new findings on how many daily walking steps needed for longevity benefit
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Higher education and language skills may help ward off dementia
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When money is tight, ‘purchase happiness’ is low
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Mystery solved about the origin of the 30,000-year-old Venus of Willendorf
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Agreeableness a helpful trait for general success in life, study finds

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Dominguice

Reason is, and ought only to be the slave of the passions, and can never pretend to any other office than to serve and obey them.“, escreveu David Hume no A Treatise of Human Nature (1739–40). Esta passagem viria a tornar-se uma das mais famosas com a sua assinatura. As interpretações da mesma, como é método na filosofia, remetem para o todo da obra e do opus. Só especialistas gastam o seu tempo nessas prospecções e errâncias. Mas há uma leitura de superfície que já era do domínio popular (“puxar a brasa à sua sardinha”) e que veio para a ribalta mediática na segunda metade do século XX e início do século XXI com os estudos disciplinares e interdisciplinares nas ciências psicológicas e cognitivas, a que se juntam os contributos da economia e antropologia: o domínio universal e tirânico dos vieses cognitivos.

Mais do que racional, o homem é o animal apaixonado. Quase sempre, por si próprio.

A espada e a pena

Imaginemos que a Rússia, para além dos actuais países que a constituem, tinha continuado a assistir passiva à entrada na NATO da Suécia, Finlândia, Ucrânia, Bielorrússia, Geórgia, Azerbaijão e Cazaquistão. E que os americanos tinham colocado em cada um desses países armas nucleares. Nesse cenário, que teria a Rússia a temer?

A resposta é: exactamente o mesmo que tem agora. Não haveria qualquer diferença posto que a Rússia continuava a ser uma potência militar e nuclear com quem não faria sentido entrar em guerra para lhe conquistar território. Mas não só, igualmente nada teria a temer porque a NATO é uma organização defensiva e funda-se no poder político de democracias que jamais aceitariam políticas imperialistas, sequer a mais leve ameaça de ataque à Rússia (ou China, ou qualquer outro país) sem um “casus belli” que fosse lógico e pudesse ser apresentado como justo.

Imediatamente, vem à baila o Afeganistão mais o Iraque e a mentira das armas de destruição em massa como suposto argumento para legitimar a invasão da Ucrânia pelos russos, ditos apenas “imitadores” da práxis belicista dos “imperialistas ocidentais”. Ora, tal não passa de uma falácia adequada à dissonância cognitiva dos que a usam. No caso do Afeganistão e do Iraque, os EUA e a Europa, entre outros alvos, foram atacados no seu território e a enorme maioria das vítimas foram civis. Podemos discutir quais teriam sido as melhores respostas nesse contexto, é indiscutível que uma resposta lógica e que podia ser apresentada como justa passava por tentar vencer os inimigos onde se acreditava que estavam.

Na Ucrânia não há inimigos da Rússia. A Ucrânia não atacou a Rússia. A NATO não atacou a Rússia. A NATO não está na Ucrânia, a Ucrânia não pertence à NATO. Quando se invoca e legitima o direito da Rússia a se “defender” da NATO a propósito da invasão militar de um país que pretende ser independente e viver em paz com os seus vizinhos, tal apenas tenta esconder que o verdadeiro perigo para os ditadores russos é a proximidade geográfica da democracia e da liberdade, não a proximidade das armas e soldadesca.

É isso que se está a pretender destruir à bomba e com a carnificina de civis na Ucrânia, a democracia e a liberdade.

Putin não lê Tucídides

A Rússia invadiu um país cujo exército é cem vezes inferior ao seu, alegando precisar de o fazer para garantir a sua segurança. Correspondeu essa invasão a uma invasão prévia na Rússia, ou a qualquer forma de agressão militar, do país invadido? Não, ao contrário. Anos antes, a Rússia já o tinha invadido e ficado a controlar partes desse país. Pois agora, ao terceiro dia da nova invasão, a Rússia ameaçou disparar armas nucleares contra países indeterminados. Correspondeu essa ameaça a alguma correspondente, sequer convencional, ameaça militar prévia ao seu território ou exército por parte de países da NATO? Não, zero. A Rússia colocou as forças nucleares em alerta máximo como resposta a “declarações” feitas por governantes de países variados. Mísseis atómicos contra palavras, é o único nexo a dar sentido à situação.

Às 72 horas do começo da destruição da Ucrânia, porque não gostou do que ouviu, Putin lembrou-se que dá para resolver os seus problemas com a liberdade de expressão através do holocausto nuclear. Poder extinguir a humanidade inteira como potencial consequência dessa decisão parece ser um dano colateral que ele admite sofrer em ordem a provar que não tolera certas afirmações. Este tão-baladão que já não dá para voltar a meter no sino foi de tal forma inusitado e absurdo que de imediato colocou a questão da saúde mental de Putin na berlinda. A chantagem nuclear parecia ser um exclusivo da Coreia do Norte mas, pelos vistos, a grande Rússia também lhe pretende dar gasto. Lá vai para o galheiro a imagem de Putin em tronco nu a cavalo e a socar ursos. O que ele fez e vai continuar a fazer revela um líder frágil, confuso e cheio de medo. Daí ter gasto o derradeiro trunfo logo no início da guerra contra a Ucrânia. E daí esse conflito poder já ser visto como o palco de uma Terceira Guerra Mundial. No caso, uma guerra onde existe um fulano com a manifesta disponibilidade de não só acabar com o Ocidente imperialista como também com a própria Rússia, a China, Índia, África, Oceania e o mais que der para apanhar no Inverno Nuclear.

Portanto, dada a absoluta aberração em causa, ninguém acredita que ele chegasse a tal num contexto onde não tem as fronteiras ameaçadas, está é além-fronteiras a bombardear e matar civis, certo? Errado. A cartada nuclear, seja parte de uma estratégia negocial ou o resultado de um desvario raivoso, dramatiza um problema cósmico que fascina filósofos e cientistas: o Paradoxo de Fermi. Para um cálculo de 2 biliões (cada bilião é um milhão de milhões) de galáxias no Universo observável, a que corresponderá um número jeitoso de planetas (10 elevado a 25, é fazer as contas), esperava-se que a vida fosse abundante o suficiente noutras paragens para gerar imitações do que fez na Terra: dar à luz civilizações extraterrestres. Eis o berbicacho, não se encontrou até agora o sinal de nenhuma. Este deserto na observação cósmica choca de frente com o optimismo estatístico que não aceita sermos a primeira e única espécie de animais capazes de telefonar uns para os outros, ouvir relatos de futebol via rádio e não perder aos domingos os sermões televisionados de alta política oferecidos ao povo por um brilhante ex-presidente do PSD. Onde está o resto do pessoal, onde estão os marcianos? Dentre as muitas explicações que tal fenómeno convoca, uma delas é esta: talvez todas as civilizações no Universo, ao atingirem um certo desenvolvimento tecnológico, acabem por se autodestruir, em guerra ou por colapso ecológico. O que nos traz de volta a Putin.

Abstractamente, o cenário do conflito nuclear entre Rússia e NATO é uma velha e reconfortante conversa. Durante décadas de Guerra Fria, com tecnologias de controlo nuclear e de comunicações rudimentares quando comparadas com as actuais, nunca se chegou a tal. Há um consenso de que a doutrina da “mutual assured destruction” (MAD) garantiu a paz pois tornou irracional a opção de ser o primeiro a disparar o míssil. Todavia, é também consensual que haverá algures no futuro um maluco que irá usar armamento nuclear só por ser maluco. Se tal ficar limitado a um pequeno arsenal, será possível evitar uma catástrofe planetária. Se acontecer na Rússia, EUA ou China, o pior cenário inevitavelmente acontecerá e os que sobreviverem contarão a história pois não é possível antecipar todas as consequências. Assim, no abstracto, esta problemática é sempre actual e justifica que se tente limitar ao mínimo dos mínimos o número de países com acesso a armas nucleares.

Concretamente, Putin lidera uma ditadura plutocrática cujos mandantes prolongam a ideologia imperialista da União Soviética e czares. Uma parte essencial desta cultura é o hedonismo, a fruição que os oligarcas russos fazem da sua riqueza quando a vão ostentar para os palcos ocidentais onde a opulência se consagra. Outra parte é a timocracia, as liturgias do poder e a impunidade para usar a violência contra adversários, o que pode ser até mais decisivo na mente de Putin do que a riqueza material. Esta conjugação de factores contribui para a improbabilidade de alguma vez Putin poder iniciar um conflito nuclear posto que estaria em modo suicida e na prática iria também matar aqueles que o suportam no poder. Seria preso, ou assassinado, se o tentasse. Mas não sabemos, ao limite – o pior da natureza humana causa as mais impensáveis tragédias, ensina a História.

O que sabemos é que Putin não é leitor de Tucídides. Se o fosse, teria colhido a lição de que certas vitórias conduzem a inevitáveis derrotas. Putin não passa neste momento de um vulgar facínora montado em cima da ameaça de acabar com a vida de milhares de milhões. Deixou a caixa de Pandora escancarada. A Rússia terá de escolher entre ele e a paz.

Mors certa

«Rocha Andrade recorda ao DN o "tipo muito surpreendente" que era o seu antigo colega de governo. O agora deputado do PS sublinha o que outros disseram dele nas horas que se seguiram à notícia da morte. Era um homem com capacidade "de descomplicar, de motivar e de fazer". E com uma "boa disposição, mesmo em situações muito chatas".»

Fonte

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Fernando Rocha Andrade e João Vasconcelos, ligados pelos traços de personalidade, talento político e experiência governativa. Unidos pelo sentido da vida e também pela tragédia da sua morte tão prematura.

António Costa, o PS e Portugal, em três anos, sofrem o implacável absurdo de perder dois dos seus melhores recursos humanos ainda com décadas de potencial mérito cívico pela frente.

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