Com a crescente melhoria de qualidade da selecção norte-americana de futebol, qualquer dia os Estados Unidos poderão ser admitidos no grupo dos países mais desenvolvidos do Mundo.
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Da honra
Pegando no mote do Eduardo, esta desanda que o Jacinto Bettencourt dá no Carlos Santos remete a questão para o seu primeiro lugar: a honra.
Blandícia
A nossa amiga mdsol esclarece um dos casos da actualidade.
Inquérito à comissão de inquérito
Comecemos pelo fim: quem for intelectualmente honesto, quer saber como se chegou ao ponto de votar conclusões risíveis. Dizer que o Governo sabia do negócio por este ter sido noticiado na imprensa no dia anterior ao debate no Parlamento talvez não justificasse a existência de uma comissão de inquérito. Talvez, vamos pois supor. Dizer que a PT queria mudar a linha editorial da TVI através da contratação de Moniz fica como exemplo da política-Tarot: lança-se uma carta e fala-se do que apetecer. E dizer que o Governo interveio no negócio por nada ter feito, primeiro, e por ter reagido à desvairada intervenção dos partidos e do Presidente da República nesse mesmo negócio, depois, é de um nível de estupidez que ameaça ficar sem ser ultrapassado nos próximos 900 anos.
Não por acaso, os tontinhos que foram para a Assembleia durante a hora de almoço, movidos a toque de escutas e violação do Estado de direito, calaram-se assim que a Comissão de Ética passou a exibir os números circenses dos asfixiados. Calaram-se bem caladinhos, não voltaram a tocar no assunto tamanha a falta de vergonha e deboche a que se chegou no Parlamento. Com a CPI foi igual, não piaram. A única esperança era o Pacheco Pereira, esse exemplo de probidade. O deputado-espião encontrou matéria avassaladora no que releu, e anunciou que o Governo devia ser demitido e entregue à Judiciária. Como não foi ouvido, nem sequer no seu partido, esperemos que ele próprio divulgue as escutas e vá até às últimas consequências. A Política de Verdade a isso obriga.
PSD e BE quiseram esta comissão de inquérito para desgastar Sócrates e, dependendo das agendas políticas respectivas, ter pretextos para jogadas parlamentares. Acabam a votar um relatório que apaga as declarações dos principais responsáveis por todo o negócio: Bava, Granadeiro e Polanco.
A Assembleia da República viveu um dos seus piores momentos, conclui o cidadão.
Lost Masterpieces of Pornography
E para ti?
Uma feliz sequência de três textos bondosos – ingénuos, nesse sentido da generosidade e do engenho, o oposto do cinismo – permite a rara oportunidade de enaltecer a política:
Da necessidade de ideologias políticas e outra vez o voto – Fernando Nobre
Isabel Moreira
A cartilha.
Tomás Vasques
« Nem realpolitik, nem irrealpolitik, mas politik, pf.»
Inês de Medeiros
Estamos perante três facetas de uma mesma compreensão. Para os autores, e para muitos de nós, a intervenção política ocorre num contexto de complexidade intelectual e de ambiguidade ideológica, sem rótulos evidentes. Seja no acto de votar ou apenas de vocalizar uma opinião. E uma das maiores dificuldades consiste na polissemia, na fluidez dos conceitos e confusão dos discursos, onde não se cultiva a análise e a reflexão na ânsia feroz de obter anuências. Por isso, estes três textos escritos para a partilha informal, inerentemente humildes e genuínos, dão a pensar. Enquanto a Isabel reclama uma definição ideológica, a Inês abjura-a. Pelo meio, o Tomás assume o ramalhete das correntes e designações e passa-lhe uma fita rubra à volta. Mas todos estão a expressar um sentimento de pertença a um espaço comum, imune aos tribalismos e receptivo à surpresa.
O que me interessa, e encanta, neste território é a sua fragilidade, por ver nela a condição necessária para o crescimento cívico, político e pessoal. Os soldados à esquerda desta esquerda não podem conviver com dúvidas, o seu treino é religioso e violento. Tomaram conta da História, conhecem as suas leis, têm a casa cheia de livros que os deixam dormir descansados. Obviamente, não suportam esta gente. À direita, os cavalheiros de indústria que conhecem por experiência própria as delícias do capital, e a facilidade com que ele compra convicções e honorabilidades, exibem sorrisos condescendentes e paternalistas perante o lirismo. Obviamente, não suportam esta gente.
Para mim, esta é a minha gente. Uma gente que não sabe a que mundo veio parar, mas que dá o seu melhor para descobrir o que fazer com a liberdade.
Resta saber quais são as canções mais eficazes
Dar música ganha uma explicação científica.
Betsaida
Rui Castro, que tem levado às costas o Blogue de Direita desde o seu início, assinalou o seu protesto contra o delírio. De caminho, relembra um tempo em que era leitor frequente do Aspirina B. O elogio misturado com o acinte faz uma mistura sempre fértil.
Adivinho a surpresa, e gosto, do Rui com a minha dissonância face à orquestra de esquerda purificada que se reuniu neste blogue, um elenco de luxo até meados de 2006. Em diferentes ocasiões, citou-me pelos blogues por onde foi passando. E, em Abril de 2008, chegou a convidar-me para escrever um texto para o 31 da Armada. Que se passou entretanto que justifique o azedume da sua nota? Simples de explicar: o ambiente ficou tóxico com a estratégia e acção do trio Cavaco-Manela-Pacheco. Sócrates foi diabolizado e quem se aproximasse dele, ou dele não se afastasse, apanhava por tabela.
Não desejo ao Rui que perca o seu tempo a ler o que escrevo, sem ironia o digo. Mas é descoroçoante constatar como é fácil perder a lucidez por causa das paixões ideológicas e políticas. Essa ideia de eu ser um dos defensores oficiosos de Sócrates é despejada sem o mínimo contexto ou justificação. É um dichote. Contudo, se lhe desse a maluqueira e passasse os meus textos a pente fino, não encontraria alguma defesa política de Sócrates, Governo ou PS. Pelo contrário, defendi o Não no referendo do aborto, defendo a Igreja e o seu universo em variadas ocasiões, não votei PS nas Legislativas, não irei votar Alegre nas Presidenciais. Que pensará o Rui que ando a defender, então? Licenciaturas ao domingo e por fax? Os envelopes castanhos do Freeport? O plano para acabar com um programa de comédia na TVI?
Rui, se não entendes que sou capaz de defender Sócrates, ou outro governante qualquer, de ataques que me pareçam injustos e indignos com o mesmo entusiasmo com que defenderei a Igreja, a Bíblia ou um qualquer católico nas mesmas circunstâncias, tenho a dizer-te que estás cego. Espero que não seja preciso um milagre para começares a ver.
Coisas que temos de aprender sozinhos
Da natureza humana
Se Mota Amaral surpreendeu muitos com a dignificante proibição de utilizar escutas para fazer política, terá calado fundo em quase todos com a invocação da sua experiência com a PIDE.
Em quase todos, mas não naqueles que o censuram. Seus colegas de partido. Parlamentares e presidente do partido. Políticos que conspurcam a política.
Pedro Mexia, correndo o risco de ser vítima dos fanáticos, partilha também a sua experiência e termina com uma citação definitiva a respeito deste péssimo momento da democracia portuguesa.
Génio de Queiroz
Silly President
De Cavaco Silva aceitávamos que não fosse ao funeral de Saramago. Do Presidente da República, não.
Agastado com quem o detestou em vida, temendo aumentar o fosso com os católicos ressabiados, optou por faltar a um acontecimento que uniu os portugueses. Os portugueses gostam dos seus mortos, são essencialmente unos. Infelizmente, têm um Presidente da República que não é tão patriota como eles, como fica patente pelas explicações que deu para faltar: promessa de férias com a família. Esta completa ausência de sentido de Estado, e de compreensão simbólica do que está em causa, tem acompanhado a sua Presidência. Mais valia que assumisse a sua ausência com uma declaração de distância ao homem, havendo tantas e tão boas razões para tal, mas a hipocrisia que rege a sua conduta política não lhe permite essa afirmação de carácter.
O cavaquismo dá-se muito mal com a época estival.
In dubio pro ranho
Na porqueira, nesta quinta-feira, o frente-a-frente foi entre Francisco Assis e Aguiar-Branco. Tema: as conclusões da comissão de inquérito ao caso PT/TVI. O espalha-suspeições do Pontal trazia um rosto sorridente, mesmo feliz, e um esgalhanço de jurista encartado – o finca-pé à volta do princípio in dubio pro reo. O PS estaria a puxar a brasa para a inocência do réu porque permaneciam dúvidas, enquanto a oposição puxava a brasa para a acusação, precisamente por persistirem dúvidas.
Aguiar-Branco não podia ter sido mais verdadeiro, disse que a política não precisa de provas, chega-lhe ter suspeitas. Provas é no Tribunal, na política vale tudo. Assim, acabando-se os trabalhos da comissão sem conclusões inquestionáveis, a culpa é dos que protegeram a sua privacidade, dos que exerceram os seus direitos, dos que respeitaram a sua consciência e dos que cumpriram a Constituição. A isto Assis respondeu com indignação, denunciando o mecanismo de calúnia promovido pelo seu interlocutor, onde o alvo da suspeita é que tem de fazer prova de inocência.
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Barra pesada
O Fernando Fonseca solicitou a colocação do 31 da Sarrafada na barra das ligações. Ocasião para explicar que esse conjunto de links não representa, actualmente, qualquer critério de gosto, relevância ou destaque do Aspirina B. É um elemento da página que tem sido mantido por inércia, deixado ao abandono por preguiça e pelas alterações sucessivas na equipa de autores activos. Creio que não é renovado desde o início do blogue, tendo resultado da listagem que existia no BdE, se bem me lembro.
As listas de blogues extensas manifestavam um espírito democrático e comunitário associado aos primórdios deste ecossistema social. Depois, com a maturidade e crescimento desmesurado, passaram a ser declarações de afinidade, algumas num registo minimalista.
Ironicamente, o 31 da Sarrafada não se compromete com ligações. Nada contra, claro.
A República dos Labregos
Na República dos Labregos, a Internet é um franchising do Arquivo de Identificação. Para escrever num blogue, estar no Facebook, deixar um vídeo no Youtube, utilizar o Messenger ou comentar num pasquim online, cada indivíduo deverá primeiro expor nome, foto, morada, número de contribuinte, declaração de rendimentos, boletim de vacinas e impressão digital. Caso contrário, sujeita-se a ser tomado como anónimo e tratado como cobarde.
Os labregos não querem surpresas, enigmas, mistérios. Transparência absoluta é a meta, devassa completa o método. Quem não se expuser biograficamente, é denunciado e ostracizado. Voto secreto e bailes de máscaras são conceitos banidos da cultura labrega. Todos transportam à vista uma placa com a árvore genealógica. Todos? Não. Curiosamente, as alimárias que disparam apodos contra o anonimato não exibem mais do que dois ou três nomes, um email que até pode ser geral, e chega. Algumas vão mais longe, colocam a fotografia. Mas a lógica é a mesma: elas não duvidam de si próprias nem daqueles que as imitam. Por exemplo, quando recebem dois comentários nos seus blogues, e um deles está assinado como “Anónimo”, estando o outro como “António Silva”, elas tendem a castigar o primeiro e a acreditar no segundo. Tal como acreditam em tudo o que encontrem digitalizado, de caracteres a imagens, desde que lhes pareça normalzinho da Silva. Não é por acaso que as alimárias são alimárias.
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Quando te dão limões
Dura 35 minutos, à volta de meia hora ou um quarto de duas horas. Foi produzido em 2009. Filma publicitários norte-americanos atingidos pela crise. Eles falam dos seus despedimentos, como aconteceram, o que sentiram. E depois mostra o que fizeram com as suas vidas.
É lindo. E está aqui.
Nota: o documentário vai sendo interrompido por anúncios, é deixá-los passar.
Morre o homem, nasce a eternidade
O opróbrio é geral
O Eduardo chove no molhado. Mas ai de nós se esta chuva passar, pois é dela que se alimentam as raízes da liberdade.
Para além dos que utilizam o Carlos Santos, canalhas frios e ferozes, muitos mais estão calados a desfrutar do espectáculo. Como não é nada com eles, nem com alguém do seu círculo de interesses, fruem sadicamente da desgraça. Não conseguem entender que a desgraça é a da própria comunidade. E não o conseguem entender porque começam por não entender o que seja a comunidade. Para eles, é a família, os amigos e os parceiros. Clãs.
O Carlos Santos não passa da versão Júlio de Matos do Pacheco Pereira e sequazes. A peçonha está entranhada até ao topo desta pseudo-direita que não conhece limites para a pulhice.
Perguntas simples
Queiroz descodificado
Ninguém prestou atenção à mensagem cifrada que Queiroz espalhou durante meses. Com efeito, a escolha dos Black Eyed Peas para mascote da Selecção foi tudo menos casual e inocente. Atente-se no que o vídeo da canção mostra: sexo, droga e ausência de rock ‘n’ roll. Vemos pessoas a caminho de uma festa, pessoas a beber, a saltar, fufices, sado-masos, gayzolas, bolos de haxixe, espumante Raposeira, pretos. Desgraça, enfim, a qual acaba em orgia e cenas tristes pelas ruas.
Pois foi esta a forma ardilosa que Queiroz descobriu em ordem a ir preparando os portugueses para o que aí vinha, a sua fatal presciência quanto ao abandalhamento completo da equipa até ela atingir o deboche. É o que se tem feito à volta de Nani e sua lesão imaginária. Estamos quase a cair no ridículo de aparecer um médico a explicar o problema, vejam só. Deco esteve muito bem e deu um forte contributo para o começo do bacanal, exemplificando com Queiroz. Na presença dos jornalistas, tentou fazer um filho ao seleccionador, à bruta. Mais tarde viria a pedir desculpa e a culpar as vuvuzelas pelo sucedido. Estava dado o sinal de partida, logo se juntaram entesoados do calibre e potência do João Marcelino e Manuel José, para além do Figo e do Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, entre muitos outros, todos fodendo a torto e a direito o balneário da Selecção. Significa esta confusão que a 1ª parte do plano de Queiroz está a dar espectacular resultado.
A 2ª parte remete para o refrão:
I gotta feeling that tonight’s gonna be a good night
that tonight’s gonna be a good night
that tonight’s gonna be a good good night
Não tem como enganar, está escrito e reescrito: só ganharemos se jogarmos à noite. O jogo com a Costa do Marfim foi às 3 da tarde, jamais conseguiríamos ganhar nessas horas impróprias para o feeling da equipa, deu empate. Isso quer dizer que o jogo com a Coreia do Norte, o qual vai ser ao meio-dia, só pode acabar com a nossa derrota. É cedo demais, ficaremos a ver as bolas entrar na baliza do Eduardo como se fossem misseis nucleares a caminho de Seul. Segue-se o Brasil às 3, mais um empate.
Portugal irá somar apenas dois pontos, é para tamanho choque que Queiroz nos anda a preparar. Creio que fez um excelente trabalho, pois é esse, exactamente, o actual feeling do País.
