O secretário-geral do PCP afirmou ainda que o PS se demitiu de ser “força de oposição”. “Não contem com o PS para travar este Governo”, avisou. Para o líder comunista, o “PS demitiu-se de ser força de oposição” e agora “vai ter de explicar aos portugueses qual é a diferença do roubo de um salário, seja pelo aumento da TSU seja pelo aumento dos impostos”.
Todos os artigos de Valupi
E que credibilidade tens tu, Anacleto?
“Este governo não tem credibilidade, nem nacional nem internacionalmente, já não tem coligação que lhe dê maioria parlamentar, não tem apoio do Presidente da República, nem do Tribunal Constitucional, não tem o apoio da democracia”, acrescentou o líder bloquista referindo-se à segunda razão para a moção de censura.
“Quando o Governo não tem credibilidade – acrescentou – tem que ser a República, a democracia que tem capacidade de decisão para resolver os problemas do país.”
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A marca de um demagogo inveterado e compulsivo:
Questionado sobre a posição do PS, o coordenador do BE respondeu: “não estou a discutir política, estou a discutir Portugal”.
As pessoas que votaram no PSD e CDS-PP é que fizeram a união na rua contra este governo.
“O país quer demitir este Governo e esse papel cabe à democracia”, frisou.
Good food for good thought
Leaders often use rousing speeches to evoke powerful emotions, and those emotions may predict when a group will commit an act of violence or terrorism, according to new research published in the journal Behavioral Sciences of Terrorism and Political Aggression. Analysis of speeches delivered by government, activist and terrorist leaders found that leaders’ expressions of anger, contempt and disgust spiked immediately before their group committed an act of violence.
“When leaders express a combination of anger, contempt and disgust in their speeches, it seems to be instrumental in inciting a group to act violently,” said David Matsumoto, professor of psychology at San Francisco State University
Among leaders of groups that committed aggressive acts, there was a significant increase in expressions of anger, contempt and disgust from 3 to 6 months prior to the group committing an act of violence. For nonviolent groups, expressions of anger, contempt and disgust decreased from 3 to 6 months prior to the group staging an act of peaceful resistance.
Matsumoto says the findings suggest a leader’s emotional tone may cause the rest of the group to share those emotions, which then motivates the group to take part in violent actions.
“For groups that committed acts of violence, there seemed to be this saturation of anger, contempt and disgust. That combination seems to be a recipe for hatred that leads to violence,” Matsumoto said.
Anger, contempt and disgust may be particularly important drivers of violent behavior because they are often expressed in response to moral violations, says Matsumoto, and when an individual feels these emotions about a person or group, they often feel that their opponent is unchangeable and inherently bad.
Leaders’ Emotional Cues May Predict Acts of Terror or Political Aggression
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Tradução:
Quando uma ministra da Justiça diz que a impunidade acabou graças a ela, e que levar a cabo operações policiais de recolha de informação já corresponde a uma punição sobre os cidadãos em causa mesmo que nem sequer venham a ser constituídos arguidos e ainda menos considerados culpados em tribunal, e quando um líder da CGTP ameaça um Governo com a eventualidade de ter de começar a ouvir a mal as suas pretensões, estamos perante discursos que expressam um grau de violência extremo. No primeiro caso, um governante declara o seu ódio contra certos indivíduos, nada temendo por publicamente os considerar destituídos de qualquer direito de defesa ou protecção. No segundo caso, um responsável sindical promete à turbamulta estar na iminência de chegar um tempo em que a selvajaria e a destruição – quaisquer que sejam as tipologias em que se concretize – serão meios legítimos para forçar alterações políticas.
Quem queira viver em democracia abomina estes trastes.
Revolution through evolution
Female Politicians with a Feminine Face More Likely to Be Republican
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Study shows gender bias in science is real. Here’s why it matters.
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Common Parasite Linked to Personality Changes
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Fish Eaters Run Lower Risk of Heart Attack, Despite Some Mercury Content, Study Suggests
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How Do We Make Moral Judgments? Insights from Psychological Science
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U.S. Presidential Candidates Could Get Medieval With ‘Indirect Aggression’ Debate Tactics
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Why Your Brain Is Irrational about Obama and Romney
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How Awe Stops Your Clock
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Eternal Clock Could Keep Time After Universe Dies
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Most European Languages in Danger of Digital Extinction, Study Finds
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Childhood Memories Serve as a Moral Compass
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‘Social Aggression’ Plagues Most Kids’ Shows
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Lower IQs Linked To Less Happiness
Exactissimamente
Ainda há quem nos consiga fazer rir
Estava para aqui distraído e não reparei
Duas histórias para contar
Cavaco Silva fez a Portugal o que se sabe e o que não se sabe, nem se sabe se alguma vez se saberá. Destruiu a agricultura e as pescas, não introduziu novas indústrias nem renovou as antigas, desbaratou os dinheiros europeus, aumentou o peso do Estado, chefiou um bando de políticos que enriqueceram no Cavaquistão e construiu algumas boas estradas. Durão Barroso jurou que a sua missão na Terra era ser primeiro-ministro de Portugal, prometendo ser o novo Cavaco e o rosto da salvação nacional, mas fugiu cobardemente passados apenas dois anos da realização do seu destino. Santana Lopes não tinha planeado ser primeiro-ministro no Verão de 2004, o resto do País também não. Quando se esperava que Ferreira Leite assumisse a responsabilidade de aguentar com a irresponsabilidade de Barroso, a escolha recaiu numa figura que de imediato – isto é, no seu primeiro discurso como primeiro-ministro – revelou estar completamente à nora com o poder que lhe tinha ido parar às mãos. Os meses seguintes levaram essa impressão ao seu paroxismo, tendo Santana, um circense bluff que surpreendeu quem o admirava como tribuno, acabado por ser a condição sine qua non para a primeira maioria absoluta do PS.
Esqueçamos estas misérias clássicas do PSD. O que está a acontecer em 2012 é algo que não tem comparação com nenhuma situação de que haja memória em democracia. Atente-se. O actual Governo foi preparado durante mais de 1 ano, logo a partir da vitória de Passos no partido em Março de 2010. Teve o apoio fáctico de toda a oligarquia para a sua viabilidade. Teve a cumplicidade decisiva do Presidente da República para a sua existência. Recebeu a protecção do Memorando e da Troika para qualquer medida ideologicamente radical, por mais impopular que fosse, que quisesse tomar. E que se passa agora? As contas do Estado, que este Governo conheceu com absoluto detalhe antes de tomar posse por via da sua participação na negociação do Memorando, estão muitíssimo piores do que em Março de 2011, do que em Junho de 2011, do que em Janeiro de 2012, do que em Agosto de 2012. Os portugueses estão muitíssimo piores hoje por comparação com o que estavam ontem, amanhã por comparação com o que estão hoje. Porque, ao arrepio da moderníssima lipoaspiração e suave dieta, prometidas na campanha eleitoral, estamos perante uma sangria medieval às mãos de carniceiros. O mata-sanos acha que a doença está no sangue, há que retirá-lo do organismo com cortes e sanguessugas.
Portugal está sob intervenção externa e não tem Governo, não tem Presidente da República e não tem oposição. Mas tem duas histórias para contar: aquela de como chegámos aqui e aquela de como vamos sair daqui. A primeira é fácil de contar. A segunda vai ser escrita por aqueles que sabem ler o tempo.
Parcerias entre Políticos e Pulhas
Quem tem medo do Paulo Campos? Porque não chamam o homem às televisões e tratam de o expor e crucificar em directo? Não será este ostracismo o mais acabado exemplo de uma asfixia democrática daquelas farfalhudas? Se o Medina Carreira e o José Gomes Ferreira acharem que não chegam para ele no mano a mano, metam lá também o Crespo, a Moura Guedes, a Helena Matos, aquele bófia que lidera a JSD e um piquete do Correio da Manhã. Vamos lá, malta. Mas será que o laranjal nem sequer o Paulo Campos – o Campos da trapalhada com a Joana Amaral Dias, o Campos saco de encher dos ranhosos, o Campos das centenas de milhões de euros das PPP que terá metido no bolso das construtoras amigas segundo a seríssima opinião da gente séria – consegue apanhar? Se não conseguem, poderão ao menos desmentir estas afirmações ou já nem para tal têm forças tão ocupados como estão a arruinar o País?
“Há longos meses que se assiste a insinuações e calúnias, na maioria das vezes sem qualquer possibilidade de contraditório, apesar de eu, reiteradamente, ter manifestado a minha disponibilidade para exercer esse contraditório”, disse.
Paulo Campos crítica também alguns espaços televisivos em que têm sido analisadas as questões relativas às PPP.
“Nos programas com Medina Carreira [na TVI] e de José Gomes Ferreira [jornalista da SIC], estas questões são semanalmente debatidas, sem que haja a presença de vozes discordantes que possam dar uma visão alternativa relativamente ao que se passa”, afirmou.
“Na maioria dos casos, este combate político tem sido desigual, porque é utilizado um tempo de antena que não é dado à outra parte”, criticou.
“Entendo que nem sempre tem sido veiculada a verdade pelos órgãos de comunicação social. Ainda na quarta-feira, houve uma reportagem de três ou quatro minutos a colocar ex-ministros das Obras Públicas como responsáveis de determinadas PPP e que terminava a dizer que no primeiro trimestre deste ano já se pagaram 250 milhões de euros. Ora, desses 250 milhões de euros que estavam nessa reportagem, nenhum tem a ver com qualquer PPP lançada por governos de José Sócrates, há claramente uma mistificação que é transmitida ao país”, apontou.
Já não há paciência para a democracia, confessa Marques Mendes
Este belo espécimen do que é, e do que vale, a actual direita partidária portuguesa, uma das vozes que não se têm calado a pedir a criminalização de socialistas pelo simples facto de serem socialistas, anda na política remunerada desde 1977. Tinha então vinte aninhos quando se agarrou a ela para nunca mais a largar. Idade presente: 55 bolos de aniversário. Diagnóstico do regime: os partidos não prestam. Retórica: populismo.
É assim a elite escavacada do PSD, a incontrolável projecção no exterior do estado putrefacto em que se encontra:
O antigo ministro dos Assuntos Parlamentares e ex-deputado criticou ainda o que considera serem os “vícios” e a “hipocrisia” da actual vida parlamentar. O Parlamento “é cada vez menos importante e cada vez tem menos prestígio”, afirmou, para depois criticar a “superficialidade” com que muitas matérias são tratadas em Portugal e na Assembleia da República. “Adorei ser líder parlamentar, mas hoje já não teria paciência para me sentar lá”, disse, acrescentando que muitos deputados defendem algumas coisas pessoalmente que depois, na bancada, não assumem.
Exactissimamente
O nazi, a Moura Guedes e o Maserati
Foi nisto que a direita portuguesa se transformou, esta decadência e marginalidade, ou assim se revelou no seu ódio a Sócrates – o qual é também um ódio ao Estado de direito, à democracia e à honra:
Good food for good thought
Childhood vaccines do not cause autism. Barack Obama was born in the United States. Global warming is confirmed by science. And yet, many people believe claims to the contrary.
Why does that kind of misinformation stick? A new report published in Psychological Science in the Public Interest, a journal of the Association for Psychological Science, explores this phenomenon. Psychological scientist Stephan Lewandowsky of the University of Western Australia and colleagues highlight the cognitive factors that make certain pieces of misinformation so “sticky” and identify some techniques that may be effective in debunking or counteracting erroneous beliefs.
The main reason that misinformation is sticky, according to the researchers, is that rejecting information actually requires cognitive effort. Weighing the plausibility and the source of a message is cognitively more difficult than simply accepting that the message is true — it requires additional motivational and cognitive resources. If the topic isn’t very important to you or you have other things on your mind, misinformation is more likely to take hold.
And when we do take the time to thoughtfully evaluate incoming information, there are only a few features that we are likely to pay attention to: Does the information fit with other things I believe in? Does it make a coherent story with what I already know? Does it come from a credible source? Do others believe it?
Misinformation is especially sticky when it conforms to our preexisting political, religious, or social point of view. Because of this, ideology and personal worldviews can be especially difficult obstacles to overcome.
Even worse, efforts to retract misinformation often backfire, paradoxically amplifying the effect of the erroneous belief.
“This persistence of misinformation has fairly alarming implications in a democracy because people may base decisions on information that, at some level, they know to be false,” says Lewandowsky.
Misinformation: Why It Sticks and How to Fix It
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Tradução:
Venham do erro ou da intenção, os preconceitos, as difamações, as calúnias, os assassinatos de carácter e as campanhas negras resultam em danos irreparáveis para as vítimas. Foi por isso que apareceram logo nos primórdios da democracia, na antiga Grécia. Para aqueles que fazem da política uma arena onde vale tudo, não é preciso gastar calorias a desenvolver um projecto político nascido da inteligência e dirigido à vontade – basta odiar os adversários e dizer a verdade, essa.
Coisas que podemos começar a fazer hoje mesmo
Impunidades
Paula Teixeira da Cruz, Ministra da Justiça de um Governo onde convive com Portas e Relvas, escolheu a prisão de Caxias para sugerir que Mário Lino, António Mendonça e Paulo Campos cometeram crimes quando foram governantes: Ministra da Justiça diz que terminou o tempo da impunidade
Se calhar, ela tem razão. Se calhar, não precisamos das polícias e dos tribunais para nada, bastam as suspeitas e convicções da gente séria.
Mas mesmo que ela tenha razão, mesmo que tenha razão apenas em parte, mesmo que essa parte seja de duvidosa ou impossível prova, a Ministra da Justiça, de seu nome Paula Teixeira da Cruz, representa a direita mais abjecta que existe em Portugal.
Talvez já haja linhas a mais
Há uma linha que separa a austeridade da imoralidade.
Há uma linha que separa a justiça da política.
Há uma linha que separa o passado do futuro.
Como é belo ver a Justiça a funcionar
Quo vadis, PS?
A direita portuguesa dispôs das melhores condições para governar desde o 25 de Abril quando venceu as eleições de 2011. De um lado, tinha um Presidente da República em começo de 2º mandato que foi ideológica e activamente cúmplice no derrube do Governo socialista. Do outro, tinha um Memorando que servia de desculpa, oportunidade e escudo para qualquer medida que quisessem tomar, incluindo as mais tresloucadas. Por baixo, tinha um país que acreditou nas suas promessas de irem acabar com os sacrifícios sobre pessoas e empresas privadas, um país que acreditou nas calúnias e ataques de carácter contra Sócrates e quem esteve ao seu lado, um país que acreditou nos arquétipos salazarentos do Estado como uma casinha de família onde se tinha de contar os tostões, esconder os luxos, só dizer a verdade e pagar todas as dívidas antes de se poder sair à rua de cara lavada. Por cima, tinha carta branca para mostrar o que valiam os seus quadros e que tipo de sociedade queriam desenvolver.
Pelo menos Augusto Santos Silva, pelo menos uma ou duas vezes, expôs bem cedo aquela que deveria ter sido a estratégia do PS nesse contexto: denunciar a direita portuguesa por ter recusado o PEC IV, por ter aberto uma crise política que afundou o País na pior altura e por ter feito tudo para colocar Portugal sob o comando da Troika. Cobrar à direita a sua traição ao interesse nacional, não os deixar pensar que a sua ambição cega pelo poder iria ficar impune. A ter seguido por aí, o PS poderia até ter sido o fiel guardião do acordo com os credores, velando para que nem uma gota de austeridade a mais fosse derramada e para que os pontos onde as soluções a adoptar tinham ficado em aberto fossem discutidos e aprovados entre Governo e oposição. Dessa forma, a sua responsabilidade pela assinatura do Memorando estaria a ser cumprida na perfeição, em fidelidade inviolável com o espírito com que o Governo minoritário do PS tinha negociado o melhor possível um acordo que lhe foi imposto e o qual sabia ser errado no tempo e nos objectivos.
Pub (et pour cause)
15 de Setembro by Carlos Abreu Amorim
A actualidade está mais rápida do que a capacidade, ou a paciência, para a teclar. Foi assim que se perdeu um imperdível depoimento do Zé Manel, intitulado Não ganhamos nada com um clima de guerra civil. O tanto, e tão bom, que haveria para dizer sacrifica-se em hecatombe aos deuses da pastelaria fina e seus templos na Av. de Roma. Este probo que apela ao civismo e à concórdia é o mesmo que iniciou uma perseguição ad hominem no jornal que dirigia literalmente no dia a seguir a ter visto os seus patrões ficarem sem o negócio das suas vidas, e é o mesmíssimo que lançou uma conspiração político-mediática – nunca antes tentada em Portugal – com a gloriosa intenção de perverter dois actos eleitorais, acabando a berrar que o Governo tinha mandado os serviços secretos contra si e demais emails da sua rapaziada. Sim, este artista sabe bem o que é um clima de guerra civil.
O que não pode, apesar dos pesares, passar sem referência é a última obra-prima do mestre do nacional-chunguismo:
A manifestação de 15 de Setembro foi não tanto contra a TSU, o Governo e a situação atual presente mas contra as políticas dos últimos anos.
Carlos Abreu Amorim, 19 Setembro
E não é que o danado do homem tem razão? Só a má-fé e a falta de carácter típicas de todos aqueles que não lambem as mãos ao Passos Coelho será capaz de negar que o clamor da multidão estava direccionado contra esse tempo em que se gastava dinheiro público estúpida e aviltantemente com escolas renovadas, hospitais equipados, estradas a unir populações e territórios, computadores para crianças, cursos para adultos, apoios aos mais carenciados, apoios aos mais capacitados para descobrir e inovar, parques de energias renováveis, sistemas de simplificação da administração pública, apostas estratégicas no desenvolvimento da economia, modernização das exportações, políticas de negócios estrangeiros ousadas e ambiciosas, crescimento do prestígio de Portugal como país cada vez mais qualificado e até vanguardista em certas áreas. Esses foram anos terríveis, como o provam as estatísticas oficiais ao revelarem que em 5 anos se conseguiu reduzir a pobreza de 29% para 20% e que em 2009 o nosso jardim à beira-mar plantado registou a mais baixa taxa de pobreza de sempre: 17,9%. Acresce que também a desigualdade entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres passou de 6,9 vezes em 2004 para 6,0 vezes em 2009.
E aqui está à vista, ofuscante, a verdade das palavras de Carlos Abreu Amorim. Porque isto de um país ter políticas que vão conseguindo baixar a pobreza e reduzir a desigualdade só pode conduzir ao caos. De repente, a continuar nessa loucura, corremos o risco de deixar de conseguir identificar os ricos dos menos ricos, ou até dos remediados. E, depois, como é que é? Como é que os Carlos Abreu Amorim deste mundo se conseguiriam orientar na selva social? Óbvio, isto é óbvio: precisamos de afastar a gente séria dos pés-descalços, precisamos de separar as águas, clarificar, ordenar e segregar. Para que não haja confusões, para que cada um possa finalmente ir à sua vida e ser para o que nasce.
Não foi outra a mensagem desse sábado, é inegável, em que centenas de milhares de portugueses saíram à rua para exibir toda a sua indignação contra essas políticas dos últimos anos, essas políticas e esses governantes malvados que atacaram a nossa querida pobreza. Mas podemos ficar descansados. Oh, se podemos… O senhor Carlos Abreu Amorim e seus amigos valentes tudo farão para recuperarmos o tempo perdido e até ir muito além. Aliás, com o entusiasmo com que eles estão, vai ser um tirinho até estarmos quase todos na miséria. E então, subnutridos e doentes, humilhados e assustados, já não teremos necessidade de ir para a rua fazer manifestações. Ficaremos à janela a dizer adeus aos bólides dos ricalhaços que passem na mecha em direcção aos palácios e às festas, muitas festas, que eles, coitados, têm de fazer dia sim dia sim de modo a conseguirem aguentar o fardo da sua riqueza.

