Não se deve julgar ninguém pela aparência física, mas nunca vi ninguém tão cara de parvo como o físico (não é trocadilho) Carlos Fiolhais. Será que estou enganado e que o professor tem, afinal, cara de génio? Deixo ao critério do leitor, mas eu fico na minha.
Fiolhais, que andou pelos States e outros sítios, diz hoje no Público que viu afixada numa grande biblioteca americana uma tabuleta com os seguintes dizeres: “Libraries will get you through times of no money better than money will get you through times of no libraries.” Evocou isto no meritório propósito de defender, mesmo em tempos de crise, a construção de uma nova biblioteca para a Universidade de Coimbra, onde é professor.
O que ele se calhar não sabe é que correm outras versões dessa máxima, como a dos Fabulous Furry Freak Brothers, mais precisamente do Freewheelin’ Franklin, abaixo retratado a fumar uma passa, que nos anos 70 declarou: “Dope will get you through times of no money better than money will get you through times of no dope.” Pontos de vista…
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Já agora, comparem a cara de parvo do freak com a do Fiolhais.
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Mas não é para falar sobre nada disto que ouso roubar o escasso tempo do estimado leitor. O que me traz aqui é outra afirmação do Fiolhais no Público de hoje. Depois de elogiar a D. João V e a majestosa biblioteca joanina da Universidade de Coimbra, o Fiolhais refere-se também elogiosamente ao edifício da Biblioteca Geral da UC, mandado edificar pelo Salazar. Mas eis que depois do absolutismo e do salazarismo chega a democracia, em que “a cultura tem sido governada por gente inculta” ‒ Fiolhais dixit. Como resultado da democracia e dos seus governantes incultos, a BGUC está a “rebentar pelas costuras”.
Com esta boca parva (tirando o Santana Lopes, não me lembro de outro responsável pela Cultura que fosse inculto), o Fiolhais arruína toda a sua nobre argumentação em prol da construção duma nova biblioteca universitária. Onde é que este gajo tem andado desde o 25 de Abril para não ter reparado nas verbas enormes que foram destinadas a bibliotecas novas, restauradas ou aumentadas? Como Fiolhais é politicamente sectário e preconceituoso, não me admirava nada que ele tivesse também subscrito aquele abaixo-assinado contra as obras de ampliação da Biblioteca Nacional ‒ mais uma das “obras faraónicas” do Sócrates, daquelas que “comprometem o futuro dos nossos filhos”.
A mania de atribuir culpas à democracia é um tique à la mode de variadíssimos cretinos e imbecis, entre os quais eu não gostaria, a priori, de incluir o Fiolhais, mesmo sendo ele um ferrenho adepto do ministro Crato. Fiolhais foi, aliás, o autor de um panegírico acrítico da acção do ministro, considerando que ele está a levar a cabo uma revolução, quando, cada vez mais, todos vemos que o seu objectivo é a destruição meticulosa e programada do ensino público.
POST SCRIPTUM
O artigo do Fiolhais faz publicidade aos 16 livros facsimilados da biblioteca joanina que o Público vai vender por um “preço módico”. Como ele ignora que a democracia tem feito boas coisas pela biblioteca de Coimbra e pelos seus utentes, esqueceu-se de dizer que esses mesmos livros que ele publicita já estão disponíveis online, GRATUITAMENTE, no site da BGUC Digital, juntamente com centenas de outros livros digitalizados…



