Este vosso criado, Portugal

No dia 1 de Julho, véspera de se demitir, o ministro dos Negócios Estrangeiros, alegando “considerações técnicas”, mandou cancelar a autorização para sobrevoar e aterrar em solo português que o seu ministério havia dado ao avião do presidente boliviano Morales, no seu trajecto de La Paz para Moscovo e volta.

Que considerações técnicas seriam essas? Estariam os controladores aéreos em greve ou os radares parados para manutenção? Os aeroportos de Portugal estariam superlotados? Como nesse dia o tráfico aéreo sobre Portugal foi perfeitamente normal, há que excluir todas as razões que se aplicariam aos aviões em geral. Seria o avião de Morales demasiado poluente? Haveria risco de explodir ou cair sobre o território nacional? Portugal não teria combustível apropriado para ele? Como o avião dele é exactamente igual aos outros e não há notícia de estivesse avariado, nem sequer carregado de ogivas nucleares russas, há que procurar outras razões “técnicas” possíveis.

Será que por “técnica” Portas se referia à técnica da aldrabice? Ou aludiria à técnica da subserviência nacional?

Deve ser isso. Os americanos, que despediram recentemente centenas de trabalhadores da base aérea das Lajes, podem contar connosco para caninamente lhes lambermos as botas. Os americanos podem transportar secretamente através do nosso espaço aéreo prisioneiros para Guantanamo e abastecer o avião à vontadinha, que nós nem queremos saber. Os americanos estão permanentemente convidados para se encontrarem em território nacional com dirigentes políticos europeus para falar dos preparativos de guerra contra outro país, que a gente até manda o nosso primeiro-ministro para lhes engraxar as botas. Os americanos podem escutar-nos e espiar-nos à vontade, que a gente até gosta. Não podemos, por isso, deixar passar o avião do presidente democraticamente eleito de um país com quem mantínhamos relações normais (que agora podem acabar), porque podia haver o perigo de ele ter dado boleia a um colaborador dos serviços secretos americanos que bateu com a porta e desmascarou a espionagem maciça que os EUA fazem aos seus aliados.

Reles Ministério dos Negócios Estrangeiros!

11 thoughts on “Este vosso criado, Portugal”

  1. Exactamente! É irónico que o pretexto desta atitude vergonhosa seja a suposta fuga de um rapaz que divulgou a maneira vergonhosa como os governos da UE e seus cidadãos têm vindo a ser espiados pelos EUA.

  2. já tou a ver o próximo ministro da economia a levar com os magalhães na tromba quando tiver autorização para voar para aquelas bandas

    “Os presidentes Dilma Rousseff, Humala (Peru), Cristina Kirchner (Argentina), Mujica (Uruguai) e Correa (Equador) prestaram solidariedade a Morales. Nas declarações, eles consideraram os atos dos governos europeus uma violação à América Latina.”

    http://www.redebrasilatual.com.br/mundo/2013/07/evo-morales-e-recebido-por-multidao-na-bolivia-1312.html

  3. A vergonhenta situação e falta de respeito o Morales è contraposta pelo respeitinho o Americano, mas houve nesta poeira vergonhenta alunos ainda mais aplicados do que os portugueses, è senão comparesse a atitude do embaixador espanhol en Austria querendo enganar a Morales como se fosse um indio tonteira.
    colo em galego normativo

    “E quen foi o máis adiantado representante desta provocación exercida contra o goberno de Bolivia? Nada menos que o embaixador de España en Austria, Alberto Carnero, que cumprindo ordes do ministro español de Exteriores, José Manuel García-Margallo, se presentou no aeroporto de Viena, a horas intempestivas da madrugada, pedíndolle a Evo Morales que lle deixase subir a bordo do avión para tomar un café dentro. Sen dúbida o diplomata español tamén quería facer el mesmo de espía. O presidente de Bolivia díxolle que non, que el non era un criminal”.
    http://perfectoconde.blogspot.com.es/

  4. Como prémio de uns contratos swap … promoção a ministra… como prémio de uma birra demissionária… promoção a vice primeiro e dono da economia …ou será prémio por esta lambecusice à secreta americana? ou à capacidade para evitar a condenação submarina?
    A irrevogabilidade da cretinice…

  5. Nas horas do aperto temos que olhar para a política internacional do mestre Salazar e a sua ponderação.

    Nesta hora de crise temos que estudar o homem.

    Deixou tudinho escrito, como se faz.

  6. Reaça, não foi Salazar que se curvou à ameaça de ocupação dos Açores pelos americanos e lhes entregou as Lajes, apesar de os odiar?

  7. O tal do Salazar, bafiento que era, alugou as Lajes aos americanos mas NUNCA permitiu que bandeira deles fosse cravada em solo português, o poste tinha de estar cravado numa coluna ou num bloco de cimento. Estava proibidíssima de ser posta em solo português e, depois do 25 de Abril, eu vi-a cravada directamente no solo açoreano. Foi tarde, fez muito mal a este país, qa partir de certa altura da sua vida foi um retrógrado mas era patriota.

  8. Dá que pensar, com a atitude de um ministro que diz querer tudo de melhor e mais correto para Portugal, depois abana o penteado e faz destas, seria uma atitude sensata? A meu ver não creio que assim fosse, no entanto cá estaremos para ver quais serão os resultados de tamanha subserviência aos EUA, ou a quem quer que seja, pondo a nossa independência em causa a favor seja de quem for.

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