Governo on, governo off, governo out!

A grande invenção do Maduro, até agora, são os briefings, que em português se diz sessões de informações. Mas sessão de informações é notoriamente uma expressão longa de mais, difícil de dizer, chata e cafona. E depois shit soa muito melhor do que merda, não acham?

Um briefing também pode ser uma sessão de instruções, que era mesmo o que calhava ao governo: instruir os jornalistas sobre o que eles devem escrever. Quando o cérebro do ministro espremeu os briefings, devia estar a pensar nesta vertente de instrução. Mas os jornalistas têm o péssimo costume de fazer perguntas, o que potencialmente estraga qualquer sessão de instruções bem intencionada.

Através de declarações avulsas, porta-vozes, conferências de imprensa, comunicados, entrevistas, etc. sempre os governos têm informado ou desinformado a comunicação social do que andam a fazer ou fingir que fazem. O Botas era mais notas oficiosas de publicação obrigatória, pois não dava confiança a jornalistas, excepto de muito longe a longe, e sobretudo a estrangeiros.

Qual é a diferença que o briefing do Maduro introduz? Nenhuma, a não ser o nome inglês e, hipoteticamente, a periodicidade, que de resto não está no nome. Um briefing pode ser um acto único, diário, semanal, anual ou quando der na real gana de quem brifa. Ora os briefings do governo foram anunciados como diários, depois passaram a bissemanais e, destes últimos, um já foi cancelado. Um pagode.

O briefing à portuguesa tem também, segundo o inefável Lomba, um botão on/off. Os governantes, disse ele, poderiam falar on the record ou off the record. Como o nome indica, o que é dito em off não pode ser registado nem desvendada a sua autoria. O off é bom para a intriga, a mentira, a insinuação anónima ou para quando o governante não sabe o que dizer. É como uma conversa do governante com o jornalista amigo. Um off em briefing colectivo, com testemunhas, é uma coisa muito esquisita. Uma coisa em forma de Lomba.

Depois do fiasco que têm sido os briefings, que até já levaram à “demissão em directo” de um governante “inconsistente”, para não dizer mentiroso (liar seria mais chic), Maduro brifou agora os jornalistas que os briefings vão ser suspensos, para o modelo poder ser “repensado”. Não excluem sequer contratar um briefer profissional, vulgo porta-voz, que consiga o milagre de transformar a acção deste governo em qualquer coisa de inteligível e até atraente.

Entrementes, o governo cancelou o off e anda agora à procura de outra coisa. Com resets já não vão lá. Sugiro um out para a equipa toda.

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