Como se faz render uma sinecura

Rui Machete, que tinha sido ministro da Justiça e vice-primeiro ministro no governo do Bloco Central, foi posto de lado por Cavaco Silva na composição dos seus governos a partir de 1985. Não era nada de pessoal contra Machete, mas ter participado no governo do Bloco Central era de muito má nota para o PSD cavaquista. Em todo o caso, como “compensação” (o termo é do embaixador americano Thomas Stephenson), Cavaco entregou-lhe em 1988 a presidência da FLAD, onde Machete se iria notabilizar por oferecer negócios e investimentos a empresas por ele participadas e por conceder grants (fundos, bolsas, financiamentos) a troco de favores políticos, no interesse da manutenção da sua “sinecura” (a fonte destas informações continua a ser o embaixador Stephenson). Às reclamações de vários embaixadores americanos, Machete respondeu que o governo dos EUA não tinha nada que interferir nas operações da FLAD e informou mesmo um representante do Congresso que lhe começou a fazer perguntas que essas operações “are none of your business” (idem). Isto, quando o governo americano tinha metido em poucos anos 111 milhões de dólares na FLAD, que constituíam o grosso do seu portfolio. Manifestamente, Machete queria gerir sozinho o bolo, sem dar cavaco aos financiadores, gastando aliás boa parte das suas receitas em despesas administrativas, sumptuárias e de public relations, estas entregues a uma firma da sua confiança política (idem).

Já neste século, Machete comprou para a FLAD dois milhões de acções da SLN/BPN a 2,20 € cada, ou seja, um investimento de 4,4 milhões de euros, feito basicamente com o dinheiro dos contribuintes americanos. Machete era então o presidente do Conselho Superior da SLN, como se sabe. Agradecido, Oliveira e Costa ofereceu a Machete, antes ou depois desse negócio, 25,5 mil acções da mesma SLN a 1€ cada, ou seja, menos de metade do preço que a FLAD pagou. Esta notícia do Expresso de hoje é a confirmação cabal e absoluta do que, de resto, todos os portugueses já sabiam: Machete beneficiou pessoalmente de um tratamento de favor por parte da quadrilha da SLN/BPN, tal como Cavaco.

Concluindo, Rui Machete não passa de um corrupto. O ministro dos Negócios Estrangeiros deveria ir imediatamente para a rua e as autoridades portuguesas deveriam instaurar um inquérito à sua presidência da FLAD. Se os americanos não podem meter o bedelho, nós podemos!

6 thoughts on “Como se faz render uma sinecura”

  1. o contributo americano para a flad faz parte do pagamento do aluguer das lajes ou seja portugal aluga uns hectares açoreanos aos amaricanos e o manchete recebe as rendas. ganda negócio, tamém tou disponível para gerir uma cena destas.

  2. Os américas não põem um cêntimo na FLAD desde 1992, como disse o embaixador no telegrama da Wikileaks. Não estava escrito que pusessem ou não pusessem lá mais dinheiro, mas com o Machete lá desinteressaram-se de contribuir.

  3. “O seu património inicial constituiu-se através de transferências monetárias feitas pelo estado Português, e provenientes do Acordo de Cooperação e Defesa entre Portugal e os EUA (1983). Foi dotada com um capital de 85 milhões de euros e, desde 1992, vive exclusivamente do rendimento do seu património.”

    http://www.flad.pt/?no=1010001

  4. Mas já alguém viu, o pessoal político do PSD, gerir de forma diferente?
    Que eu tenha dado por isso nunca. Ou são tão poucas as exceções que não se notam.

  5. gerir bem é com os comunas! dividas nas camaras,mais o desastre da gestão das ucp (unidades coletivas de produçao) no alentejo,dão-nos o retrato do que é esta maralha no poder.é só merda,não preciso ir ao estrangeiro buscar exemplos!

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