Soluções com cabeça

Um cientista italiano diz numa revista de neurocirurgia que já é possível fazer transplantes de cabeças humanas – ou de corpos humanos, depende do ponto de vista. Até agora o obstáculo era a fusão das espinais medulas do dador e do receptor, coisa que o italiano diz resolver com umas colas especiais aplicadas no local do corte (não tentem fazer isso em casa). O cientista, que não se chama Frankenstein, mas Canavero, diz que várias situações médicas irremediáveis podem deste modo ser sanadas, ligando uma cabeça saudável a um corpo igualmente sem problemas e deitando fora o resto. Mal o artigo de Canavero foi divulgado, apareceram logo na rede social Reddit candidatos a dadores de cabeças, mas ninguém, por enquanto, a oferecer o seu corpo.

Creio que ficam assim abertas as portas à resolução de inúmeros problemas, não só médicos, como familiares, estéticos, comerciais, políticos, etc. Imaginemos, que é grátis.

Situações familiares traumatizantes podem ser evitadas se certos casais, em lugar de se divorciarem, se fundirem, passando sem drama a família monoparental. Pessoas inteligentes e bondosas, mas infelizes com os seus corpos, podem chegar a acordo com pessoas de físico invejável, mas estúpidas e más, para fundirem as suas partes valiosas. Dir-me-ão que uma pessoa má não doa o seu corpo. Pois não, mas se for suficientemente estúpida, doa.

Na política, a utilização do transplante cefálico pode ser particularmente frutuosa. Por exemplo, quando um governo de coligação bipartidária entra em crise, um ou vários transplantes de cabeças podem resolver o impasse. Na actual situação portuguesa, o conflito entre o ministro dos Estrangeiros e a ministra das Finanças teria facílima solução, que julgo seria a contento de ambos e também dos contribuintes. Outros transplantes se podem facilmente conceber, dado o número de cabeças sem préstimo que actualmente povoam os pescoços do governo e de Belém. A duvidosa remodelação governamental que se anuncia para a próxima semana não vai servir para nada, a não ser para enterrar ainda mais o país. A minha modesta proposta é que se tente uma pioneira transplantação governamental.

3 thoughts on “Soluções com cabeça”

  1. Afinal, a notícia que no Espresso caricatura Seguro aparece relatada de forma completamente diferente nas televisões; por exemplo:

    http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=659559&tm=9&layout=122&visual=61

    Seguro defende a mutualização de taxas de desemprego superiores à média europeia, o que é uma boa proposta. As minhas desculpas, por me ter deixado enganar pelo Expresso.

    O que parece é que o Expresso caiu na mais baixa das manipulações políticas. Isto serve o propósito de quem pretende enganar o povo português com a ideia de que não há alternativas a esta política. É um velho truque de baixa política, copiado de Margaret Thatcher.

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