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Os grandes desvencedores de 2006!

Antes de zarpar rumo a paisagens mais condizentes com a quadra, onde me esperam quilómetros de neve fresca e matilhas de capitosas instrutoras de esqui, tenho ainda uma missão a concluir: anunciar os resultados do blogoconcurso que aqui lancei há uns tempos. Adicionando as minhas escolhas pessoais a sugestões recebidas pelos mais variados meios, lá consegui chegar a uma lista definitiva de premiados. Isto para não ficar muito atrás destes senhores, que até tiveram a gentileza de nos colocar em 4.º lugar já não sei bem de quê.
Vamos lá então passar em revista as áreas de (in)excelência agora distinguidas:
E tu, Castro?
Pinochet e o milagre com pés de barro
Augusto Pinochet lá faleceu, depois de anos de cuecas com a morte, incluindo o miraculoso sprint da cadeira de rodas com que culminou a sua fuga à justiça inglesa. Por mim, só tenho pena que ele nunca tenha sido julgado, no Chile ou em terra alheia, pelos incontáveis crimes cometidos em seu nome e com seu conhecimento.
Calculo que a esta hora já tenham surgido alguns obituários menos sombrios, sempre salientando as maravilhas do dito “milagre económico chileno”, que terá ocorrido sob a batuta dos Chicago Boys de Friedman. Uma nova versão dos comboios a horas dos fascistas, portanto. O pior é que, como o mito da pontualidade italiana sob Mussolini, trata-se de uma historieta com pinta de fábula mal contada. Agora, urge expor o outro lado da questão, não vá o tal “milagre” solidificar poleiro na hagiografia emergente de S. Pinochet, revoltoso traiçoeiro e ditador sanguinário já antes recauchutado em avozinho inofensivo e pai da pátria chilena.
Há quase três anos, mantive uma discussão interessante com o hoje blasfemo JCD. O tema foi o tal “milagre económico”. Julgo que pouco tenho a acrescer aos meus argumentos de então, que partiram deste artigo de um colunista do Observer, Greg Palast. É o que se segue.
Videoclips estrangeiros (selecção 2006)
Se a amostra a partir da qual escolhi os meus 10 telediscos nacionais favoritos de 2006 ainda podia ter (algumas) pretensões de ser (quase) completa, é óbvio que tal é impossível quando se trata de fazer uma selecção dos 10 melhores vídeos do ano a uma escala (como é que eu hei-de de dizer isto?) «planetária». Só para vos dar um exemplo, tenho acesso a uma prodigiosa base de dados audiovisual chamada fastrax que disponibiliza mais de uma dezena de vídeos novos por dia (já ultrapassou os 5000 vídeos só este ano) e que ainda assim está bem longe de cobrir a produção mundial de telediscos (de repente, fiquei com vertigens). A minha selecção parte essencialmente desse (apesar de tudo, considerável) «corpus», mais alguns vídeos que consegui ver em diversos blogues e sites dedicados ao tema. Desta forma, o que deixo aqui é novamente apenas um convite para ouvirem boa música de olhos abertos e para deixarem, na caixa de comentários, outras sugestões que, miseravelmente, apenas não couberam na minha selecção devido à minha ignorância ou ao facto de o nosso sistema númerico ser decimal.
João Pedro da Costa
Videoclips nacionais (colheita 2006)
Apesar de algumas ilustres excepções como as dos realizadores Paulo Costa Pinto (Driving You Slow dos The Gift), António Ferreira (Sunset Boulevard dos Belle Chase Hotel), José Pinheiro (co-realizador do documentário Brava Dança sobre os Heróis do Mar) ou Rui de Brito (autor do magistral Feeling Alive de Gomo), não existe em Portugal uma tradição na criação de videoclips que estejam, pelo menos, ao nível da qualidade da nossa produção musical. As razões são diversas, mas prendem-se sobretudo com as características do nosso mercado musical (o investimento não tem retorno e, quando tem, raramente compensa) e audiovisual (que apenas recentemente começou a disponibilizar plataformas onde os telediscos nacionais pudessem ser, pelo menos em potência, difundidos de forma regular). Na sua esmagadora maioria, a produção de vídeos musicais no nosso país deve-se sobretudo à carolice de músicos e (algumas) produtoras, pois quando as editoras nacionais resolvem investir a sério na produção de um vídeo mainstream, esses projectos tem sido quase sempre concretizados com uma displicência de bradar aos céus.
João Pedro da Costa
Uma breve (e modesta) história do videoclip
Complemento supérfluo e desnecessário, veículo de promoção ou ferramenta de marketing, invenção da MTV, presumível suspeito do assassínio de uma estrela radiofónica cujo cadáver jamais foi encontrado e, mais grave ainda, objecto artístico – de tudo um pouco já foi acusado o formato audiovisual com as costas mais largas desde a invenção da televisão e que, pouco a pouco (eufemismo), começa a invadir a Internet. No momento em que o YouTube é uma virtualidade incontornável e a camada de ozono voltou a ser o que não era: que tal uma breve (e modesta) história do videoclip?
João Pedro da Costa
A TLEBS virada do avesso

A discussão sobre a nova Terminologia Linguística chegou a um clímax (mas esperam-se outros) com o artigo, ontem, de João Andrade Peres, no Expresso.
A versão completa do estudo está no site do professor e investigador.
É um exemplo de competência, de frontalidade e de nitidez. Um exemplo, sem mais.
Pacheco, Luiz

de Paulo Araújo, na «Periférica»
Por recomendação de atenta gente galega, dou com excertos dum texto, «O último voo», de São José Almeida. Procure na página.
É sobre Cesariny. E também sobre Pacheco. Felizmente ainda entre nós.
Ainda entre nós?
Não ESTA Espanha

A «Visão» chega-me no dorso dum muar, o mesmo doce animal que me traz os víveres. Eis porque só hoje li a crónica «O fantasma do iberismo», de António Mega Ferreira, de 16 de Novembro.
Eu leria sempre o Mega, mas o tema gritava-me da página. O pretexto: certa indignação colectiva (que metia acção judicial) contra o iberismo de que o ministro Mário Lino se confessara professante. O cronista goza (e tem direito ao prazer, mas não a este) com o atraso do desagravo: o ministro declarara-se em Abril, e já se estava agora no mês que era.
Ignoro quem seja esse actual «grupo de indignados». Mas convém lembrar que este blogue foi o primeiro âmbito português em que se deu o brado. Fizemo-lo aqui, três dias após a confissão de Lino, pormenorizando-lhe os termos segundo o «Faro de Vigo»:
«Soy profundamente “iberista”, convencido de que España y Portugal tienen por delante un futuro en común porque su historia es también común y su lengua, similar. Soy iberista confeso. Tenemos una historia común, una lengua común y una lengua común. Hay unidad histórica y cultural e Iberia es una realidad que persigue tanto el Gobierno español como el portugués». E acrescentávamos, nós, que haveria por ali alguma «lengua» a mais e, quem sabe, alguma «cultura» a menos.
Mega Ferreira, como Sócrates, oferece larga cobertura ao ministro. Começa por reescrever-lhe generosamente a charla. «O ministro disse» – diz-nos o cronista em Novembro – «que a Ibéria é uma ‘nova realidade’ e que Portugal e Espanha têm tudo a ganhar em entenderem-se no quadro de uma estratégia comum de afirmação no espaço europeu e no contexto internacional».
E concretizará, já só por sua conta, adiante: «Na lógica do mundo globalizado, fatalmente hão-de sobreviver (ou viver melhor) as alianças estratégicas que acrescentem dimensão aos diversos particularismos nacionais».
Um iberismo assim entendido é já outra coisa do que o novíssimo, ou mesmo o tradicional. Não é a fusão de Estados, que uma percentagem pouco exigente de portugueses aceitaria em troca de uma ‘hoja de pago’ viçosa. Também não é a sonhada associação de «povos ibéricos», de estatuto igualitário.
É uma proposta que soa séria, essa das «alianças estratégicas que acrescentem dimensão aos diversos particularismos nacionais», com que, creio também, todos lucraríamos.
Só que a Espanha de Mega Ferreira é uma miragem. E com miragens não convém fazer alianças.
Quando o cronista afirma, tranquilizador, que «nem a Espanha de hoje é a dos ‘castelhanos’», causa-nos arrepios. Porque tudo indica que ela o é. Mesmo comandado às claras por um galego como Rajoy (e às escuras por outros indivíduos, o que é de ciência comum), o PP é um partido profundamente «castelhano», centralista até à medula, defensor duma Espanha governada ‘desde la Meseta’. O partido de Zapatero não o é menos. Mas habita nela alguma maior inteligência. O PSOE chega a falar numa ‘España plural’, e em ocasiões de desbunda lírica mesmo numa ‘Nación de Naciones’. Mas, podendo (e pôde), redigiu um novo Estatut catalão, e foi esse o adoptado nas Cortes de Madrid.
Quem estiver precisado de ainda mais calafrios leia esta inacreditável entrevista com Pío Moa numa estranhíssima (mas, aqui, oh tão útil) Alameda Digital.
Esta é a Espanha real, aquela de que convém manter-nos afastados. É por isso que a tirada de Mega Ferreira – «o iberismo contemporâneo parte da constatação da multipolaridade ibérica» – soa como de um mundo estranho, espectral.
Ao sensato Mega falta, quem o diria, só algum cepticismo.
Joana Santana Dias
Na primeira página do DN, mercê de uma publicidade engraçadinha da TSF, aparecem sobrepostos os rostos de Joana Amaral Dias e Pedro Santana Lopes. Melhor dizendo, a metade esquerda do rosto dela (que publicamente se assume de esquerda) funde-se com a metade direita do rosto dele (que publicamente se assume de direita). Além do perigoso subtexto da imagem (esquerda e direita transformando-se numa só e mesma coisa…), choca-me a ideia de um eventual clone que cruzasse o DNA das duas figuras. Como é que seria o discurso de uma tal quimera? E quem levaria a melhor: a menina guerreira soarista ou o engatatão com excesso de rímel?
A outra América, ainda ela
Lição de metafísica (ou coisa parecida)
Como já passou quase uma semana sobre o Facto, agradecia encarecidamente que algum filósofo, teólogo ou doutorado em Estética explicasse ao povo como é que isto aconteceu:
PS- Ignoro se o Facto passou na Al-Jazeera (como os comentários deixam entender), mas é com coisas destas, parece-me, que se pode estabelecer a cada vez mais difícil ponte entre civilizações.
Para os que persistem em encarar “o véu” como um mero exercício inocente da liberdade religiosa
E ainda a propósito do debate de ideias que segue na caixa de comentários do 5 dias, suscitado pelo lúcido post de António Figueira, vale a pena recordar uma entrevista de Ben Greeman a Jane Kramer na New Yorker de 16 de Novembro de 2004. Fica um excerto:
(…) women in North Africa, where most of the families of young Islamic women in France come from, have really been struggling for their rights. But in France, with all its freedoms, so many young women seem to be capitulating to Islamist pressure. It usually starts with the young men who are recruited, and the symbols of successful recruitment are the women in the family. In other words, the women are the symbol of the new identity of the man. When you see a twelve-year-old girl coming to school in a chador, where for two or three generations no one had worn one, you have to look at this as the expression of an enormous pressure from the men in the girl’s family. You’re really dealing with a born-again movement, and the girls get the short end of the stick, because the boys don’t have to change what they study, how they dress, and so forth. The girls are the proof of the new purity of the family. Many French people I know felt that this law was a Pandora’s box, that it was going to be more trouble than it was worth, and that the best thing to do was to continue to try to deal with it in the schools, with teacher-parent conferences and so forth. But it’s hard to do that as the Muslim communities become more extreme. Ten years ago, a Muslim girl who told her family “I’m going out to the movies with friends” might have caused a family fight. These days, she might be shipped off to Algeria to be married.
Momento Malibu
Para quê levar a vida demasiado a sério?
A South African man has been fined $140 for taking a week off work, telling his employers he was pregnant.
Charles Sibindana, 27, stole a certificate from a clinic during his pregnant girlfriend’s checkup, a court near Johannesburg heard. He then added his own details to the note and submitted it and took seven days off work, seemingly unaware that only women consult gynaecologists.His employers became suspicious and investigated the matter.
A entidade patronal became suspicious…que delícia!
Riña Enfrascada no Congresso de Deputados do México
E que tal enviarem desde já uns paramédicos?
Borat
dedos brancos, pensamento transparente
Via 31 da Armada.
Subsídios para a história da cunha em Portugal

Um dia apareceu no Ministério da Instrução um professor primário, director de uma escola oficial, a Sete-Rios. Tinha direito a uma casa do Estado, ilegalmente ocupada por uma professora.Há uns nove meses que o assunto se arrastava.
O Ministro despachou mandando entregar a casa a quem de direito. Ora o leitor, se não sabe, fica sabendo que o ministro Costa Ferreira, como disse Homem Cristo no jornal, “não é para graças”…
Pois bem; os burocratas resolvem entravar a cousa, porque a interessada era irmã dum inspector. Chegaram ao descaramento de me informar – a mim secretário do ministro! – que o professor não era director da escola, quando ele estava nomeado em dois Diários do Governo!!!!
O ministro era massacrado por todos os lados com “cunhas”, cunhas que ele me mandava rasgar, logo que eu lhas principiava a ler.
Duma vez, aproveitando o facto de me mandar em serviço no carro do ministério e eu passar próximo da citada escola, disse-me para falar à professora a lembrar-lhe que ele, ministro, não era para festas.
Pois a professora não saía. Este é que era o facto. (…) entretanto o ministro, que esteve apenas dois meses na pasta, demite-se, e a professora, apesar de todas as ordens ou directivas que eu dera “por ordem de S. Exa. o Ministro” não saíra!!!
Era a burocracia a empatar!
Dias depois de saír do Ministério, quando se preparava tudo para deixar ficar na casa a professora, – atendendo a que estava grávida…!! – o interessado apareceu-me em minha casa a solicitar ainda o meu interesse, apesar de eu já nada ser. Escrevi ao Governador Civil João Luís de Moura que, ao que parece, no momento, tinha já contra-ordem para não mandar proceder a despejo.
Disse-lhe eu então da vergonha que era para a “situação” o adiamento dum assunto claro como a água. E incisivamente dizia-lhe que quanto à mulherzinha estar grávida, havia onze meses que a situação se arrastava!! isto é, começara antes de o marido sequer pensar na possibilidade de vir a ser pai, pois que o período de gestação de uma criança são só nove. Que, além disso, durante os dois meses que passamos no ministério, o assunto fôra sempre mexido e a professora nunca se dispusera a saír, à espera duma cunha salvadora, ou da queda do ministro tão invulnerável aos seus formidáveis pedidos!
E só então saíu o diabo da mulher! Arre!

