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Micro-causa

Ouvi a notícia e não quis acreditar: a direcção da Antena 2 decidiu proibir Jorge Rodrigues, o autor e animador do programa Ritornello, de fazer entrevistas a convidados portugueses. Se for verdade (ainda me custa crer…), trata-se de um caso de censura explícita e de um atentado ao serviço público que Jorge Rodrigues vem prestando há muitos anos, ao fim da tarde, na rádio estatal.
Deixo-vos aqui um texto sobre o “caso”, assinado pelo compositor António Chagas Rosa:

»Apoio ao Ritornello

O programa Ritornello da Radiodifusão Portuguesa, da autoria de Jorge Rodrigues, é provavelmente o programa de maior audiência de toda a Antena 2. O Ritornello é produzido há mais de 10 anos com uma imaginação, diversidade, inteligência, sentido formativo e informativo tais que se tornou, na prática, uma referência incontornável para todos os amantes da música dita erudita em Portugal.
Mas não só da música. A poesia, o teatro, a literatura, a dança e a cultura portuguesa, em geral, circulam no Ritornello como numa grande coreografia, cruzando-se através da temática de cada programa – criteriosamente escolhida pelo seu autor – e por meio dos convidados que nele têm tido voz. Ao longo dos últimos 10 anos, mais de 2000 individualidades, nacionais e estrangeiras, foram entrevistadas por Jorge Rodrigues, permanecendo o testemunho de muitos gravado na memória dos portugueses.
Recentemente, alegadamente por conduzir entrevistas desinteressantes (!), a direcção da Antena 2 proibiu Jorge Rodrigues de continuar a entrevistar convidados portugueses. Ficam assim excluidos do programa as vozes de José Saramago, de Agustina Bessa Luís, de Paula Rego, de Maria João Pires, etc.,etc… Sob qualquer ângulo que se observe, a medida é insólita e obtusa, fazendo lembrar tempos dos quais Portugal se libertou com dificuldade.
Que serviço público é este que proíbe a voz dos artistas e intelectuais portugueses no programa de maior prestígio de toda a Antena 2? Logo aquele que mais dinamicamente tem contribuido para manter os ouvintes, directa ou indirectamente interessados, ao corrente das causas culturais portuguesas! O mérito de Jorge Rodrigues deveria ser premiado por ser do interesse cultural nacional e não obstruído desta forma ridícula.
Se discorda desta proibição e se acha que os artistas e intelectuais portugueses merecem continuar a ser entrevistados no Ritornello, por favor divulgue esta informação.»

Quem quiser assinar uma petição contra este absurdo, pode fazê-lo aqui.

Um estranho caso de amnésia

Em entrevista ao DN, a propósito do lançamento do filme 20, 13 (estreia hoje), diz o realizador Joaquim Leitão:

«(…) acho que não temos nada que ter vergonha daquilo [Guerra Colonial]. Evidentemente que há episódios menos dignos, mas não há nenhuma guerra em que não haja episódios menos dignos (…)»

Para Joaquim Leitão só tenho uma palavra: Wiriamu.

Grande arte, pequenas formas

A «pequena história» é uma arte. Direi mais: não se a julgue uma arte menor. Cada vez que dou com mais um bom cultor dela, vários alarmes soam em mim.

Foi o caso de João Leal, de que conheci o grande talento na matéria, graças a um comentário há dias deixado num «post» abaixo. O seu blogue, Transmissão Especial contém vários contos brevíssimos.

Leia-se o espectacular «A primeira vez» e pasme-se.

Passa por mim na Avenida dos Aliados

Estava-se mesmo a ver: Rui Rio vai entregar a gestão do Rivoli à produtora de Filipe La Féria. Venham de lá as “grandes produções” revisteiras, os musicais à la Broadway dos pobrezinhos, o fogo-de-artifício para contentar o povão e satisfazer a ideia de cultura do autarca que tem alergia a subsídios.
Ou seja: entrega-se assim, de mão-beijada, a um privado com uma noção de “espectáculo” estritamente comercial, um espaço que as verbas públicas da Câmara do Porto ajudaram a restaurar e conservar. Pode não haver aqui qualquer surpresa (este desenlace já se adivinhava mesmo antes do eufemístico “aturado processo de selecção”), mas importa sublinhar o modo como a diversidade cultural nas grandes cidades vai sendo cerceada, subrepticiamente ou às escâncaras, por políticos medíocres que nivelam a arte pela bitola da televisão e encaram os criadores alternativos ora como empecilhos ora como parasitas (ou como as duas coisas ao mesmo tempo).

Você é fantasma? Eu pago.

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Foi ao ler, na Origem das Espécies, o blogue (um dos) do caro Viegas, este texto da Lusa sobre «escritores-fantasma» que as ideias me vieram em catadupa. Costuma acontecer-me debaixo do chuveiro, com a dificuldade de apontá-las que se imagina, quanto mais de dar-lhes logo seguimento. Desta vez foi a seco.

Parece que há por aí vários e activos «ghost-writers». Nos estudos universitários, na ficção. Devo acrescentar que desconfio, de há muito, de certo e conhecido cronista, de muito imitável estilo. Cada semana, mais me convenço de que anda ali «negro» na costa.

Mas ao que íamos.

Eu tenho um romance, o meu terceiro, parado há vários anos. Há-de chamar-se Deus chega no próximo avião. Falei nele a amigos, e a revista da APE publicou dele, até, as primeiras páginas.

A paragem já deu pretexto a um conto (um gajo tem que continuar nas bocas do mundo), o conto «Um romance perdido», que saiu no Magazine Artes e que a Luísa Costa Gomes disponibilizou aqui. Digo tudo isto porque, se alguém tiver a boa ideia de ler o conto, saberá que o romance anda à volta dum, exacto, dum «escritor-fantasma».

Ora bem, e eu só posso chamar genial ao meu cruzamento, hoje, das duas ideias. É isto: como não consigo achar tempo para prosseguir e acabar o meu romance, já que mil outras coisas importantes me tomam o escasso tempo deste peregrinar pelo vale de lágrimas, eu peço, mas peço instantemente, a algum «fantasma» disponível que tome contacto comigo.

De prazos, de pormenores, de tarifas, essas coisas rasteiras, trataremos depois. Envie já currículo para o email do blogue. Currículo completo, entende-se, sendo indispensável a indicação de actividades anteriores no ramo. Ah, e use pseudónimo. Eu não quero saber quem você é. Escusado acrescentar que nunca nos falaremos, menos ainda veremos.

A literatura nacional lhe ficará grata. Eu não. Pago, calo e recolho os louros.

O Pai Natal existe e é um sociopata

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Pequenas lambretas que tomam o freio nos dentes. Dardos desmesurados que perfuram crânios. Luzes de discoteca incendiárias, mísseis sufocantes, bonecos canibais (a sério!), Barbies voadoras com instintos assassinos (confesso que dei uma destas à minha filha). E, com um brilho muito próprio, o “Laboratório de Energia Atómica”, lançado em 1951, que devia ter como objectivo preparar a miudagem americana para a III Guerra Mundial: incluía quatro amostras de Urânio 238, um contador Geiger e vários adereços indispensáveis ao cientista em início de carreira. Em caso de acidente, os infantes vitimados sempre poderiam ter uso como candeeiros.
Esta lista dos brinquedos mais marados da história merece consulta atenta. E vai dar-vos vontade de examinar com outros olhos as cartas com os pedidos ao Pai Natal dos vossos herdeiros.

O guarda costas, o homem da tábua no colchão, o adorador solícito, um caso de amizade muito especial e “Ah, não sei, não faço ideia”

O guarda costas, a tábua no colchão, um caso de amizade muito especial e o futuro a deus pertence

“Trabalhei muito com o doutor Sá Carneiro. (…) O doutor Sá Carneiro, lembro-me, na altura dispensou a segurança e zangou-se com a polícia. E eu andei a fazer de guarda-costas dele; ele não aguentava, por causa da coluna, levar pancadas nas costas quando estava no meio das pessoas e eu, como era mais alto, lá andava sempre com os braços à volta, e adorava fazer o que ele me pedisse. Lembro-me que à noite – nunca escrevi isto; um dia hei-de escrever, tenho já muita história para contar, com quase 34 anos -, à noite ia ver o colchão dele, se ele tinha a tábua para as costas, e ia pôr-lhe um bocadinho de whisky que ele gostava e nunca me caíram os parentes na lama, pelo contrário. “

“(…) o Marcelo, como sabe, é um caso de amizade muito especial. Com toda a gente, não é só comigo. Eu acho que ele sabe ser amigo das pessoas, mas não é um amigo de todos os dias”

“K – O que é que quer? Quer ser Primeiro Ministro? Acha que vai ser Primeiro Ministro?
PSL – Ah, não sei, não faço ideia.”

Pedro Santana Lopes, entrevista à K (n.º 1), Outubro de 1990

Inquérito Aspirina B

Se há uma coisa que adoro e que considero extremamente útil são as votações on-line. Para além de ser um mecanismo absolutamente infalível para nos sentirmos úteis (pessoalmente, não dispenso nunca exprimir as minhas opiniões no vil HTML pelo menos 5 vezes por dia), é também uma forma gira de passarmos o tempo, esse grande oleiro. Há dois anos atrás, raro era o blogue que não tivesse, pelo menos, uma votação onde pudéssemos transformar as nossas opiniões em gráficos numéricos (o registo verbal, como podem verificar neste post, deixa sempre muito a desejar). Hoje em dia, é dificílimo ter acesso a uma votação on-line e as que existem fazem perguntas verdadeiramente parvas sobre temas tão desinteressantes como a interrupção voluntária da gravidez, a globalização, o código de trabalho, a corrupção ou o desempenho do governo de José Sócrates. Claro que há excepções. A maior delas é o Público que pergunta diariamente o que realmente interessa. Hoje, por exemplo, temos:

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que é um dos temas que mais urge discutir se algum dia queremos perceber a sociedade portuguesa. Inspirado nesta sublime referência, pensei que o Aspirina B também poderia contribuir para o tão adiado renascimento das votações on-line na blogosfera portuguesa. Deixo assim a minha modesta contribuição, na esperança que mais pessoas sigam o meu exemplo. Não se esqueçam é de escolher bem as perguntas.


Coisas que não se desejam a ninguém (2)

Não querendo desfazer, menos ainda comparar…

Mas esta, li-a eu hoje de manhã, num intervalo da publicidade nos ecrãs dos eléctricos cá da aldeia. Contava-se que certo cidadão britânico vai exigir do patrão uma indemnização por certo acidente de trabalho (não especificava) que o tornara viciado em sexo, o que já conduzira ao desentendimento definitivo com a mulher.

Não sei porquê, essa notícia ficou-me. As outras, algumas catastróficas também, esqueci-as.

O discurso de aceitação mais tocante que já leram

Diz o Re21: “Esse tal luis rainha, difamou-me,caluniou-me e ofendeu-me publicamente a minha pessoa num post merdoso que colocou no pasquim onde o deixam editar posts, é um acto grave que esse luis rainha cometeu.E ainda por cima tem a lata de aqui me vir ofender pessoalmente mais uma vez, é gente que não presta.E como tem feito aqui várias vezes, não só me ofende a mim como ofende as pessoas que aqui comentam, sim, é um dos “vómitos” que só tentam denegrir e difamar a minha pessoa e tentar destruir o meu blog, são dezenas os comentários provocatórios à minha pessoa que esse “vómito” aqui tem escrito ao longo da existência desta versão do meu blog e da anterior versão. Update:Tania e restantes leitores este tal luis rainha escreveu um post precisamente igual a este num pasquim de edição electrónica já extinto onde difamava, caluniava e ofendia outras pessoas, post esse considerado de “merdoso” por muita gente e o que levou ao afastamento de muitos que visitavam esse extinto pasquim, só para dar a conhecer um pouco o ser que é luis rainha. Mas há mais, muito mais.”